David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Nos tornamos hipócritas

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(Acervo Folio Weekly)

Todos nós nos tornamos hipócritas ao longo da vida, e por diversos fatores, incluindo contexto, assimilações, crenças e influências, mas a diferença é que há aqueles que reconhecem a própria hipocrisia partir de algum momento e, considerando implicação, optam por tentar diminui-la enquanto outros preferem ignorá-la e/ou ampliá-la.

Há muitas formas de hipocrisia, e tanto aquelas que aceitamos e incitamos podem ser tão prejudiciais quanto as que falseamos com outras roupagens para defender nossas inclinações, predileções e conveniências.

Para muitas pessoas o mundo diz que elas devem ser hipócritas e elas sustentam que esse é um tipo de lei da sobrevivência – que a hipocrisia permite um tipo de elevação que não a subtrai, mas proporciona algo tão belo e bom na sua artificialidade que subtrai as considerações de impacto da hipocrisia.

Basicamente o ser humano aprecia as hipocrisias convergentes aos seus interesses, mas deprecia as demais, que, pela própria força oposta ao alheamento, e com um pouco de atenção, iluminam o que ele gostaria de velar.

 

Isso também é viver

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Estou aqui neste momento e é isso que existe. Há uma posse relativa do meu estado de ser, da minha consciência, das minhas emoções em um nível consoante. Claro que não completamente, já que não acredito em estado pleno de controle. Qualifico isso como natural, já que seres humanos não são máquinas e dependem de várias formas de nutrição que não dizem respeito à comida.

Realmente creio que isso torna a existência intrigante. Estou aqui hoje, posso não estar amanhã, e isso é parte inerente da vida. O momento, a iminência da parte, do todo ou do nada. Acredito que viver nada mais é do que construir instantes que podem sobreviver ou desfalecer – do cotidiano, da memória ou dos dois. O eterno efêmero, pode-se dizer. Dão lugar a outros instantes, ou não.

Você fala com alguém agora e pode ser que não se falem mais a partir de um período indeterminado. E se isso transcorre com naturalidade, como os enlaces e os desenlaces das relações ao longo da vida, está tudo bem. Isso não implica necessariamente em prejuízo, desrespeito ou desconsideração, até porque essa perspectiva seria apenas polarização.

Não nego que construímos, desconstruímos e destruímos coisas o tempo todo. Isso pode ser positivo, pode não ser. Para o bem ou para o mal, isso também é viver.

 

 

Written by David Arioch

August 30th, 2018 at 1:27 am