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Elite econômica brasileira não tem medo de ditadura

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Não se iludam achando que a elite econômica brasileira tem medo de ditadura. Não, ela não tem. Ela tem medo de instabilidade, que é o que afetaria seus negócios. Se uma ditadura funcionar, como já funcionou no Brasil, reprimindo e silenciando tudo que gera instabilidade indesejável para esse grupo, a elite econômica prospera.

Olhem para o que houve na Alemanha e na Itália, onde empresas que colaboraram com o nazismo e o fascismo se tornaram gigantescas e hoje estão entre as maiores não apenas de seus países, mas do mundo em alguns setores. O livro “Bilionários Nazistas”, de David de Jong, é bem revelador sobre como essa dinâmica funciona ao trazer os exemplos da BMW, Porsche, Volkswagen, Allianz e Dr. Oetker.

Elites econômicas não têm horror a ditaduras. Essa é uma ilusão. Se elas puderem se beneficiar do aparato repressivo do Estado, é claro que apoiarão (abertamente ou nos bastidores). Além disso, em ditaduras, investigações envolvendo corrupção público-privada, propinas e tudo o mais não são um problema, porque o próprio governo pode articular tudo para não permitir nenhum tipo de investigação.

Elites econômicas não têm lealdade nenhuma às democracias. Elas têm lealdade ao lucro. Se uma ditadura garante estabilidade para os negócios, contratos e privilégios, repressão a greves e movimentos sociais, assim como impossibilidade de investigação sobre corrupção e propinas, elas podem até preferir muito mais uma ditadura.

Lembrei disso ao ler dias atrás sobre almoços e jantares que grandes grupos empresariais e do agro têm oferecido a Flávio Bolsonaro, mesmo após seu pai ser preso por articular um golpe de Estado. Democracia é essencial para a população, porque é a grande população que depende mais dela, porque só com ela seus direitos podem ser garantidos.

Já as elites econômicas, não exatamente. Seus privilégios podem aumentar muito em uma ditadura, dependendo das negociações, do “toma lá, dá cá”. Sobre isso, vale também a leitura do livro “Empresariado e ditadura no Brasil”. Enfim, é preciso entender que não existe igualdade de prejuízos em uma democracia e fora dela. Quem sofre mesmo é a população. Quem detém muito poder econômico, nunca enfrenta os mesmos riscos.