David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for December, 2017

Retrospectiva 2017 – Será que o ano foi bom para os animais?

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Será que 2017 foi bom para os animais? Matamos mais de 56 bilhões de animais terrestres em 2017, contabilizando apenas os animais executados em matadouros; e mais de um trilhão de animais marinhos, ou seja, sem contar os animais de água doce (Fotos: We Animals/Jo-Anne McArthur/Tommaso Ausili)

Imagine a sensação…

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Foto: We Animals/Jo-Anne McArthur

Imagine a sensação de ter o seu pescoço puxado violentamente por uma corda. Imagine a sensação de carregar cicatrizes pelo corpo que são resultados de violência que membros de outra espécie animal perpetraram contra você simplesmente por diversão.

Imagine a sensação de não viver de acordo com a sua natureza e ainda ter o seu sofrimento exposto para uma multidão. Imagine a sensação de cair no chão, ter a face afundada na terra suja ou na lama e ouvir gritos, berros e risos daqueles que o assistem.

Imagine a sensação de não encontrar empatia por onde quer que você direcione os seus olhos que já não são os mesmos em decorrência da vida que  impuseram-lhe. Imagine em que ponto estaria o seu coração?





Breve reflexão sobre a propaganda que beneficia a exploração animal

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Lequetreque, frango da Sadia que celebra a própria morte.

Neste momento, penso em dois lados da publicidade e propaganda que beneficiam a indústria da exploração animal. De um lado, o investimento maciço feito na propaganda do suposto bem-estar animal e da dissimulação estética. Exemplos clássicos? Embalagens e comerciais com “animais felizes em morrer”.

Do outro, esteado em um contexto histórico e cultural, o endossamento gratuito que parte do sistema educacional por meio de material didático voltado à perpetuação da naturalização da objetificação animal, além de livros infantis que legitimam, romantizam e ajudam a perenizar essa exploração sem propor qualquer questionamento, reflexão ou margem à contrariedade.

Alguns livrinhos enfatizam: “O boi está feliz em morrer para que você possa comê-lo”, “Sim, a galinha existe só para te servir”, “Isso mesmo! Você é superior e pode fazer o que quiser com eles.” Quando reproduzimos e endossamos tais discursos, rejeitamos a realidade concreta e o êthos de nossas ações.

Afinal, aponte-me um animal feliz em ser golpeado no matadouro. Ou mostre-me uma galinha satisfeita em ter uma visa resumida a botar ovos; ou uma vaca se regozijando em dar à luz para brevemente ser privada do convívio com os seus.





Kostolias e a história do jovem que foi preso por ser vegetariano

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“Hernán sempre sentira aversão por carne. Era algo que vinha desde a sua infância” 

Lançado em 2016 pela Editora Jaguatirica, “O Exilado Político Vegetariano” é um romance de Alexandre Kostolias baseado em fatos reais. A obra conta a história de Hernán López, um rapaz de origem humilde, morador de um dos bairros mais pobres de Santa Fé, na Argentina, que é perseguido e preso em janeiro de 1970. O motivo? Hernán é vegetariano.

Uma das vítimas da ditadura argentina, ele é arrastado de dentro da própria casa e jogado dentro de uma cela, sem direito a advogado ou qualquer tipo de intervenção a seu favor – nem mesmo contato com qualquer pessoa que não seja o carrasco “La Bestia”. Para realçar a quimera da situação, somente depois de semanas, quando é interrogado pela primeira vez pelo “Comisario Supervisor”, é que a Polícia da Província de Santa Fé reconhece que não há outro motivo para o rapaz estar preso, a não ser por sua filosofia de vida vegetariana; já que ele não é “comunista” nem “maricón” – considerados crimes na Argentina da época.

Na cela, Hernán mal dorme, pois sabe que sempre às 6h o carrasco “La Bestia” os visita. “O que lhe aconteceria? Só para começar, levaria um choque elétrico com bastão, o mesmo usado para conduzir gado para o abate nos frigoríficos. O pavor de levar choque com bastão atingia Hernán visceralmente: um dos motivos de suas convicções vegetarianas era o horror que lhe causava só de pensar na forma como os animais são abatidos nos matadouros. Era impossível saber o que o aguardava”, relata Kostolias nas páginas 32 e 33.

A recusa de Hernán López em consumir carne é considerada execrável porque o regime político da Argentina de 1970 considerava a pecuária como o maior orgulho econômico do país. E o desprezo de Hernán por essa cultura baseada na morte de animais era vista como uma atitude antipatriótica, passível de punição.

“Todos tinham muito orgulho da carne de Santa Fé. Bem, quase todos. Hernán López detestava carne. Pertencia a uma categoria de gente sobre a qual, naquelas bandas, pesavam muitas suspeitas, mas poucas informações: os vegetarianos. Hernán sempre sentira aversão por carne. Era algo que vinha desde a sua infância. Os bifes que o obrigavam a comer eram ingeridos com muita dificuldade, lhe causavam náuseas”, narra o autor na página 40.

Por ser vegetariano, os problemas de Hernán surgiram muito cedo. Os primeiros atritos foram com o pai Juan, um homem violento tanto dentro quanto fora de casa. Tendo trabalhado por muito tempo na “lida de gado”, atividade que associava à própria masculinidade, considerava uma afronta ter que tolerar um filho vegetariano sob o mesmo teto, ainda mais em um contexto onde carne era inclusive sinônimo de bem-estar. Associada às mulheres, trazia a equivocada ideia de saúde; e associada aos homens, a equivocada ideia da virilidade:

“Todo bife ancho e asado de costilla que trazia para casa, – com frequência cada vez menor – ganho em troca de serviços esporádicos prestados a algum rancheiro, era sagrado, e Hernán era forçado a comer a sua parte. Se necessário fosse, sob ameaça de chicote e pancada.”

Por isso, a convivência com o pai vaqueiro marcou uma das piores fases da vida do jovem protagonista. Mesmo sentindo profunda aversão, uma repulsa visceral por todos os tipos de carne, se viu obrigado a aprender a engolir sem mastigar – tentando não pensar em tudo que, para ele, estava evidentemente associado ao ato de consumir carne:

“Aprendeu a cortar pedaços no tamanho exato, grandes o suficiente para reduzir o número de vezes que tinha que cometer o sacrifício, pequenas o bastante para passar pela goela abaixo. E fazendo sempre um tremendo esforço para não vomitar. Não é de surpreender que quando seu pai faleceu de cirrose hepática aos 44 anos, Hernán não tenha ficado triste com a ocorrência. Respirou aliviado e nunca mais foi obrigado a comer carne.”

Já detido e encarcerado, em um dos interrogatórios com o “Comisario Supervisor”, Hernán pergunta se é crime ser vegetariano. Então o homem admite que nada consta no Código Penal, porém afirma que ser vegetariano pode se enquadrar como uma ofensa cultural, um delito social.

“Mas eu não considero um delito muito grave ser vegetariano. Eu mesmo, às vezes, prefiro um dourado do Rio Paraná na chapa, ao invés de um bife ancho”, declara o interrogador. Hernán, mesmo diante de uma situação difícil explica que um autêntico vegetariano não come peixe. Só grãos, legumes, verduras, raízes, frutas, coisas assim. Então o “Comisario” não reage bem à explicação do rapaz.

— Hmmm. Tem certeza? Um evidente radicalismo. Você tem certeza de que não é marxista-leninista?”, questiona.

“O Exilado Político Vegetariano”, de Alexandre Kostolias é uma obra sobre um jovem com identidade própria que tenta trilhar o seu próprio caminho em um mundo onde até mesmo a pretensa tolerância está coberta, implícita e explicitamente, de incomplacência. Enquanto as cortinas da vida caem, Hernán López deseja apenas viver à sua maneira, sem ser julgado e condenado por isso.

Em síntese, e na minha concepção, “O Exilado Político Vegetariano” é um livro sobre alguém que, até então imerso em um minúsculo universo de particular inocência e simplicidade, é lançado em um mundo de conflitos constantes entre individualidade, coletividade e alteridade que se diluem entre si. Por onde Hernán passa, há um desespero existencialista, se não o dele, o dos outros, que em face da liberdade de escolha não veem outro sentido na vida que não vivê-la, sofregamente ou não, independente de erros e acertos, e da angústia em um mundo em constante e célere transformação.

Para além do enredo, um dos pontos altos do livro é a leveza e irreverência da narrativa de Alexandre Kostolias, que intercala momentos de tensão com muito bom humor. Em alguns aspectos, a estrutura narrativa e a fluência textual de “O Exilado Político Vegetariano” me trazem lembranças do estilo individual despojado de Charles Bukowski.

Saiba Mais

“O Exilado Político Vegetariano” está à venda na Amazon, Cultura, Saraiva, Americanas e Submarino.





Não, realmente não está tudo bem em explorar animais

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Animais não humanos também compartilham desse interesse em não morrer (Foto: Jan van IJken)

De acordo com a interpretação clássica do direito, basicamente os animais não têm direitos, enfatizou um camarada, referindo-se à nossa Constituição que realmente não assegura direitos aos animais. Sim, de fato, o que temos são leis subjetivas (alguns podem interpretar como limitadas, dúbias, capciosas ou falhas) de proteção aos animais contra a crueldade, o que em si é uma contradição em essência, já que a exploração animal, praticada neste momento contra milhões de animais só no Brasil, é um ato de crueldade em si – levando em conta dois fatores – a exploração precoce que culmina em morte precoce, ou a exploração precoce prolongada que também culmina em morte. A morte em si é um ato de crueldade refletido nos olhos da vítima que não quer ceder.

— Mas se a lei diz que não é crime explorar esses animais na indústria frigorífica ou leiteira, significa que está tudo dentro da lei, dentro do senso de justiça ocidental, logo não há nada de errado nessa prática.

— Realmente, mas todas as suas ações se sustentam em parâmetros legais? Quero dizer, se a lei não diz que alguns de nossos atos não são criminosos, então devemos cometê-los? Sabemos que tudo que é ilegal é considerado errado, mas nem tudo que é errado é considerado ilegal. Se bato em um carro parado de madrugada e fujo, posso escapar da punição caso não haja nenhuma testemunha, mas a minha inclinação moral me impede de desaparecer sem dar satisfação ou me predispor à reparação. Assim como uma pessoa pode esquecer uma carteira ao meu lado, eu poderia pegá-la, guardar no bolso e ir embora. Mas eu não faria isso. Por quê? Porque reconheço que é errado. Entendo as implicações disso para o outro, me coloco em seu lugar. Uso a mesma baliza moral quando se trata de animais explorados diuturnamente como fontes de matéria-prima, alimentos e produtos. Sim, eles não são como nós, mas são seres viventes e sencientes que, de maneira diversa, expressam interesse em não sofrer ou morrer.

— Mas, mais cedo ou mais tarde, eles morrerão de qualquer forma.

— Você tem razão, mais cedo ou mais tarde, eu também morrerei de qualquer forma, mas nem por isso você me vê oferecendo o pescoço para ser degolado. Animais não humanos também compartilham desse interesse em não morrer. Sendo assim, não, realmente não está tudo bem em explorar animais.

— Tudo bem, mas o próprio Aristóteles foi uma grande influência para a base moral cristã ocidental, e ajudou a endossar o uso de animais. Quero dizer, ele rejeitava a ideia da racionalidade animal, pesando contra os animais a concepção da “racionalidade matemática”, que o levava a ver os animais como sujeitos sem qualquer direito que justificasse não consumi-los ou usá-los.

— Sim Aristóteles fez isso, e teve influência inegável sobre o antropocentrismo. Mas ao citar Aristóteles, você desconsidera Pitágoras, Plutarco, Plotino, Empedócles, Platão, Teofrasto, Apolônio de Tiana, entre outros da Grécia Antiga que, embora divergissem em alguns aspectos, convergiam para a questão moral da vida não humana em algum nível. É importante não ignorar que a moralidade e a ética independem da legalidade, porque versam sobre o que clama à integridade e à virtude humana. É sobre quem você é como sujeito que reconhece o êthos de suas ações para além do que lhe é concernente. Ou seja, há a prática e o reconhecimento de uma atribuição de valor, e é isso que fazemos, por exemplo, quando rejeitamos a ideia de que animais não são sujeitos de direitos. Isto porque o direito no caso dos animais, não é uma prerrogativa para assegurar privilégios a seres não humanos, mas sim direitos básicos como existir sem correr o risco de sofrer em decorrência da intervenção humana. Tenha em mente que direitos animais não envolvem humanização, não dizem respeito a isso; porque o ato de humanizar animais em si é, na minha concepção, um ato reprovável. Mas por que? Porque reverbera especismo a partir do momento que ansiamos por aproximá-los de nós na tentativa de atribuir valores humanos às suas existências; e isso considero evidentemente errado. Animais não precisam de valores humanos, precisam do reconhecimento de seus valores não humanos, que é o que realmente condiz com quem são, não com quem os tornamos ou queremos que eles sejam.





O que eu acho do projeto de lei da “Segunda Sem Carne”?

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Fotos: Jo-Anne McArthur/G1

O projeto de lei que estabelece a “Segunda Sem Carne” foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas acho difícil ser sancionado pelo governador Geraldo Alckmin. Ele vetou até o projeto de lei que proibia o uso de animais vivos no ensino. Sendo que hoje em dia essa prática não é apenas comprovadamente desnecessária como ultrapassada. Além disso, tem o lobby da indústria frigorífica. Mesmo que isso represente apenas um dia, e em órgãos públicos, os frigoríficos farão alguma pressão.

Acho interessante o projeto de lei porque chama atenção para o assunto, ou seja, leva à reflexão até pessoas que nunca deram atenção para essa questão da abstenção do consumo de carne; mas não sei se isso realmente funcionaria. Tenho visto uma confusão em relação à divulgação nos meios de comunicação. Porque se trata apenas de não fornecer carne em estabelecimentos públicos em um dia da semana, mas isso não significa que esses servidores deixarão de consumir carne nesse dia.





Divulgação lisonjeira do meu livro “Vegaromba” no Blog do Praxedes

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Divulgação lisonjeira do Vegaromba no Blog do Grande Praxedes

 

Written by David Arioch

December 29th, 2017 at 12:33 pm

Divulgação do meu livro “Vegaromba” no EgoNotícias

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Divulgação do Vegaromba pelo hermano Rodolfo Bracali, do EgoNotícias

Written by David Arioch

December 29th, 2017 at 12:28 pm

Blogueiro vegano-abolicionista lança o seu segundo livro em defesa dos direitos animais e do veganismo

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O blogueiro Robson Fernando de Souza, autor dos blogs Veganagente e Consciencia.blog.br e com passagem por sites como ANDA e Vista-se, publicou seu segundo livro em defesa da causa animal e vegana. Intitulado “Direitos Animais e veganismo: consciência com esperança”, ele traz conteúdos sobre a teoria dos Direitos Animais, a exploração animal, o bem-estarismo e o modo de vida vegano.

“O livro vem com uma proposta de divulgar, com linguagem acessível, noções básicas sobre os direitos animais, uma revelação das violências e crueldades da pecuária e da pesca a partir da descrição feita por materiais de zootecnia. Além disso, traz detalhes importantes e pouco conhecidos sobre apicultura e outras criações de insetos, um desmascaramento da natureza ético-moral do bem-estarismo, a apresentação do veganismo como a grande esperança para os animais e o meio ambiente, e dicas importantes sobre como aderir ao veganismo e ao ativismo pelos direitos animais, assim colhendo os benefícios individuais do modo de vida vegano, entre outros conteúdos”, explica Robson Fernando de Souza.

Direitos Animais e Veganismo: consciência com esperança” se soma ao livro anterior de Robson: “Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética”.  As duas obras são resultados do empenho do autor em promover a causa vegano-abolicionista por meio de livros e blogs. Segundo Robson Fernando de Souza, o livro “Direitos Animais e Veganismo” visa não apenas a conscientização de não veganos, mas também o amadurecimento da consciência ética de quem já é vegano ou vegetariano.
O formato impresso do livro “Direitos Animais e veganismo: consciência com esperança” está à venda no site do Clube de Autores, o mesmo site em que está disponível o primeiro título escrito pelo autor: acesse a página de compra do livro aqui.

Também podem ser encontradas as versões E-Pub (na Saraiva, na Livraria Cultura, na Kobo e no blog Veganagente), Kindle (na Amazon) e PDF (no blog Veganagente).

Ficha técnica

Título: Direitos Animais e veganismo: consciência com esperança
Autor: Robson Fernando de Souza
Formato impresso: A5 (14,8 x 21 cm), brochura com orelhas, miolo P&B
Formatos digitais: E-Pub, Kindle e PDF
Páginas: 224
ISBN: 978-85-922722-3-4 (impresso), 978-85-922722-5-8 (Kindle) e 978-85-922722-4-1 (E-Pub)
Editora: edição do autor
Publicação: Clube de Autores
Preço de capa: R$41,76 (livro impresso) ou R$7,00 (formatos digitais)

 

A obrigatoriedade e o prazer da leitura

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Tive amigos e colegas na minha infância e adolescência na escola que não apenas desgostavam da leitura como a desprezavam. A ideia da obrigatoriedade como as principais experiências com a leitura os levou a isso. Eles não viam a leitura para além do condicionamento. Não encaravam a leitura como uma escolha, uma opção.

Não tive esse problema porque fui estimulado a ler dentro de casa, e de forma bem natural. Quero dizer, ouvindo histórias, encontrando livros espalhados pela casa, convivendo com leitores, ganhando livros, fazendo minhas próprias escolhas; inclusive quando ficava de castigo no quarto dos meus pais e tinha o direito de ler e escolher o que ler.

Então, na escola, a ideia da leitura não me incomodava porque eu já havia sido estimulado nos primeiros anos de vida. Porém, aquelas crianças que não passaram por isso, com raras exceções, tinham dificuldade de aceitar o fato de que eram obrigadas a lerem algo. Afinal, a experiência com a leitura era condicionada, atrelada às obrigações escolares e vista como chata ou enfadonha.

Realmente há muitas crianças e adolescentes que não são capazes de pensarem em leitura sem logo associarem a notas, provas, trabalhos, Enem, vestibular. Logo, para muitos, por mais estranho que isso possa parecer, a ideia de ficar longe de livros é vista como prazerosa. O que, de fato, não deveria acontecer ou ser visto com normalidade. Porém, é uma consequência natural da maneira como se cria vínculo com os livros.

E quando o desinteresse pela leitura é crônico, a ideia da leitura vem embutida de más experiências que poderiam ter sido boas, se bem semeadas. Sendo assim, qual seria um bom caminho para evitar isso? A princípio, acredito ainda que estimular a leitura dentro de casa, mas de forma natural.

Creio que a oralidade, a contação de histórias, é o primeiro ponto de partida antes e durante o processo de alfabetização, porque aguça a imaginação e a criatividade da criança, despertando a vontade de conhecer mais histórias; e esse interesse aproxima as crianças dos livros. Logo não é difícil estimular uma criança a gostar de ler a partir da narração de histórias. Naturalmente, funciona como uma ponte que pode construir um vínculo de fruição perene e genuína.

Claro, conheci também crianças, adolescentes e adultos que desenvolveram o gosto pela leitura fora de casa, de forma independente, mas por fatores não tão recorrentes. Então, realmente sou da opinião de que os níveis de interesse pela leitura seriam muito maiores se houvesse de fato um incentivo doméstico.

Neste caso, que tal começar contando histórias ou lendo para as crianças próximas de nós? Com tantos projetos de democratização da leitura hoje em dia não é difícil doar ou presentear crianças com livros. Há inclusive bibliotecas, ONGs, institutos e instituições de ensino que fazem doações de obras literárias; distribuição de kits e coleções.

Ok, mas e no caso de jovens que não desenvolveram o gosto pela leitura? Neste caso, creio que vale a sugestão de abrir uma porta para a leitura baseando-se em predileções. Até mesmo uma biografia de alguém que um adolescente admire, ou um livro que deu origem a um filme ou jogo de videogame pode ser um bom princípio. Quando o interesse pela leitura é nulo, querer que uma pessoa leia uma obra que não a interessa sob uma perspectiva individual pode ser realmente contraproducente. Então por que não identificar interesses e usar isso como ponto de partida? Afinal, a leitura nos humaniza.





Written by David Arioch

December 28th, 2017 at 5:31 pm