David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘fake news direita bolsonarista’ tag

Alcance da direita bolsonarista nas redes sociais não é orgânico

without comments

Muita gente quer que você acredite que o alcance da direita bolsonarista nas redes sociais é orgânico. Mas isso está longe da verdade. A direita bolsonarista tem alcance porque ela é economicamente neoliberal. Portanto, enquanto a esquerda depende mais de base organizada, voluntários, mobilização, ficando em desvantagem estrutural, a direita é financiada pelo agronegócio, mercado financeiro, empresariado, igrejas. Ou seja, ela tem verba para comprar alcance.

Ela depende da narrativa de fazer parecer que tudo nasce do apoio popular, e não de muito dinheiro envolvido. Eles criam um “eco” de popularidade que apela a uma falsa ideia de consenso. Isso funciona porque as pessoas passam a acreditar nisso.

E também explica por que a Meta (Facebook, Instagram e WhatsApp) pode ser muito favorável à direita bolsonarista. Claro que não é por alinhamento ideológico, mas porque ela tem muito dinheiro para gastar nessas plataformas; e porque a Meta é, hoje, o grande espaço que permite anúncios políticos no Brasil.

Além disso, a direita bolsonarista é contra a regulamentação das redes, preferindo que continue sendo “terra de ninguém”, para que possam continuar disseminando fake news. Já a esquerda defende a regulamentação, compreendendo o perigo da “terra de ninguém”, algo que desagrada a Meta.

Para citar um exemplo, o tal do Nikolas Ferreira gastou em um ano, por meio de sua empresa Destra Cursos, R$ 750 mil em impulsionamento nas plataformas da Meta. Ele nunca explicou a origem do dinheiro, mesmo que financiado pela Destra. Lembre-se que o salário bruto de um deputado (R$ 46 mil) é incompatível com esse gasto. Logo, não existe nada orgânico, e sim um ecossistema financeiro por trás disso.

Portanto, ao ser preferencialmente financiada pelo neoliberalismo, a direita bolsonarista tem mais poder econômico que a esquerda – e agrada mais as big techs. Assim, as redes sociais como “terra de ninguém” colocam o econômico como determinante do que chegará ou não às pessoas, porque o critério maior de diferença é o dinheiro. E o dinheiro ilusiona a ideia de que a maioria concorda com essa direita, criando um eco artificial que reflete sua política de desonestidade.