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Jornalismo Cultural

108 anos de Rosalina Gusmão

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Centenária gosta de caminhar e se dedicar às atividades domésticas 

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão faz questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos (Foto: David Arioch)

Aos 108 anos, mesmo depois de passar a maior parte da vida trabalhando no campo, onde enfrentou muitas dificuldades, a aposentada Rosalina Gusmão rejeita o merecido descanso. Moradora da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, a idosa prefere ocupar o tempo com caminhadas e afazeres domésticos.

Sob o auxílio de uma parteira, Rosalina nasceu em um sítio nas imediações de Coluna, em Minas Gerais. Ainda na infância, começou a trabalhar na lavoura, migrando de uma cultura a outra. “Em Minas, ela se dedicava ao cultivo de milho, feijão e arroz”, relata o filho Raimundo Gusmão.

À época, as condições de trabalho eram muito precárias e nada na vida de Rosalina contribuía para qualquer mudança, nem mesmo o casamento. Obrigada a suportar um marido alcoólatra com quem entrava em conflito diariamente, a mineira trabalhou muito para garantir a subsistência dos filhos. “Sofríamos porque víamos a dor dela. A situação em casa era muito ruim, e os patrões pagavam muito mal. Minha mãe praticamente trabalhava pela comida”, lembra Raimundo lacrimejando.

Gusmão é um dos filhos que no início da adolescência começou a ajudar Rosalina na atividade campesina. “Já passamos muita fome. Tenho apenas lembranças ruins de quando morávamos no interior de Minas Gerais. A situação só melhorou um pouco quando viemos pra cá”, afirma.

A experiência negativa com o matrimônio fez com que Rosalina nunca mais se casasse, nem mesmo se envolvesse com outro homem, após o falecimento do segundo marido há mais de 50 anos. De acordo com Raimundo, a mineira só quer a companhia de familiares e amigos.

Enquanto o filho fala, Rosalina, mesmo calada, se emociona. Transmite um olhar cintilante e disperso em um passado remoto. “Ela fala bastante. Costuma se recordar da juventude e das dificuldades que enfrentou pra criar os filhos”, garante Raimundo observando a mãe sentada sobre uma pequena poltrona.

É difícil as pessoas acreditarem que Rosalina Gusmão tem mais de cem anos, inclusive é comum pedirem para ver a carteira de identidade. “Ela gosta de lavar roupas e de limpar a casa, mas sempre controlamos pra preservar a saúde dela. Se deixar, passa dos limites. Isso prova que a minha mãe ainda é forte e saudável”, reitera. A longevidade de Rosalina Gusmão, os familiares consideram consequência da vaidade. Desde muito jovem a mineira já se preocupava com a saúde e a aparência.

A aposentada gosta de fazer caminhadas e evita o máximo possível ir para a cama fora do horário de dormir. “Sou muito mais jovem, mas digo com toda certeza que minha mãe tem mais saúde que eu”, enfatiza Raimundo Gusmão sorrindo.

Rosalina se mudou para o Paraná no auge do café

Rosalina Gusmão veio para o Paraná com um dos filhos que vivia na região Noroeste no auge da cafeicultura. “Ele ficou dois anos aqui e gostou muito. Então depois buscou a gente em Minas Gerais. Quando chegamos, começamos a trabalhar na produção de café. Foi uma época boa, tanto que minha mãe ainda se lembra”, relata o filho Raimundo Gusmão.

No Paraná, Rosalina se dedicou às lavouras de café, tendo como apoio a companhia dos filhos. Contudo, nem todos vieram para o Sul do país. De acordo com Raimundo, a filha mais velha de Rosalina ainda vive no cerrado mineiro. “Ela preferiu continuar lá, mas está bem. Hoje, ela está com 84 anos”, informa.

Saiba mais

Rosalina Gusmão nasceu em 20 de janeiro de 1901

A aposentada tem 5 filhos, 25 netos, 15 bisnetos e 12 tataranetos

Curiosidade

Antes de ser fotografada, a vaidosa Rosalina Gusmão fez questão de ajeitar o cabelo com as próprias mãos

Written by David Arioch

March 15, 2009 at 7:15 pm

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