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Todos querem ser John Malkovich

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A busca do ser humano por uma identidade que o faça sentir-se especial

Being John Malkovich trata da complexidade da natureza humana (Foto: Reprodução)

Being John Malkovich aborda a complexidade da natureza humana (Foto: Reprodução)

Lançado em 1999, Being John Malkovich (Quero Ser John Malkovich), do cineasta estadunidense Spike Jonze, é um filme sobre a busca do ser humano por uma identidade que o faça sentir-se especial, mesmo por alguns minutos.

A obra marcou a estreia do cineasta Spike Jonze que teve o mérito de contar com um bom roteiro de Charlie Kaufman, também conhecido por roteirizar filmes que estão muito além do padrão hollywoodiano – como Adaptação, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e Confissões de uma Mente Perigosa.

Obra é protagonizada por John Cusack (Foto: Reprodução)

Obra é protagonizada por John Cusack (Foto: Reprodução)

O argumento do filme de Jonze se sustenta na psicologia da natureza humana, o que justifica porque Quero Ser John Malkovich é pautado na subjetividade da existência. No filme, Craig Schwartz (John Cusack em uma de suas melhores interpretações) é um titereiro que descobre acidentalmente como entrar na mente de John Makovich ao longo de 15 minutos. A descoberta torna-se um refúgio para dar vazão ao sentimento de inferioridade do protagonista.

Logo Craig tem a ideia de partilhar a oportunidade com outras pessoas. Sob influência de uma colega de trabalho, decide cobrar U$ 200 para proporcionar a mesma experiência aos outros. A chance de ser o famoso Malkovich por alguns instantes torna-se uma catarse para muitos, pessoas que se apegam a tal realidade virtual como uma ilusória autoafirmação, e mais, a confirmação da crescente falta de identidade do ser humano.

Nem o homenageado, que na história é um personagem caricato, abre mão da oportunidade de entrar dentro da sua própria mente. Quero Ser John Makovich é um filme que recria diversas realidades pessoais que se afunilam e homogeneizam não partindo apenas do que cada um se condiciona a ver, mas também da necessidade que cada personagem tem de existir para além de si mesmo. O filme também traz no elenco Cameron Diaz, Catherine Keener, Orson Bean e Charlie Sheen. A trilha sonora é de Carter Burwell.

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