David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Não me incomoda saber que há pessoas que não gostam de mim

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Aceito esse fato como parte de uma realidade diversa em que cada um tem suas preferências 

A Man And His Dog, de Rebecca King Tirrell

Não me incomoda saber que há pessoas que não gostam de mim. Não vejo nada de errado nisso. Aceito esse fato como parte de uma realidade diversa em que cada um tem suas preferências e naturalmente acaba por pautar sua vida a partir daí.

Isso é normal, e não me sinto realmente desconfortável em reconhecer que sempre vai existir gente que não simpatiza comigo. Não se pode abraçar o mundo e, se você tenta, provavelmente você se machuca desnecessariamente.

Esse tipo de reflexão me traz lembranças do jardim de infância, quando uma criança chorava porque algum coleguinha não queria brincar com ela porque não gostava dela. Talvez houvesse algum ruído, problema de comunicação, e logo a professora tomava a decisão de intervir para tentar aproximá-los.

Então ela pegava a mão de um coleguinha e o levava até o outro para que apertassem as mãos e se abraçassem. E selava a “união” com algo como: “Agora vocês são amiguinhos!” Funcionava? Sim, mas não todas as vezes. Desde sempre, e por um condicionamento social, acreditamos que se alguém não gosta de nós ou se não gostamos de alguém temos que fazer o possível e o impossível para tentar mudar isso.

Claro que se o problema de gostar ou não gostar envolve ações equivocadas, extemporâneas ou mal-entendidos, é possível fazer algo a respeito. Mas e quando não há? E se uma pessoa simplesmente não gosta de você? Da sua personalidade?

Fomos criados de uma forma a crer que quando uma pessoa não gosta de nós precisamos corrigir isso, descobrir quem está errado. É como se sempre houvesse alguém certo e alguém errado. Então devemos nos esforçar e apresentar motivos para que gostem da gente, nos respeitem e nos amem. Podemos tentar, claro. Mas e se não funcionar?

Devemos seguir em frente, até porque acredito que mais importante do que gostar é respeitar. Isso sim faz uma grande diferença em nossas vidas como seres sociáveis. Afinal, você pode não gostar de uma pessoa, mas deve respeitá-la, porque isso é uma premissa do bom convívio e ninguém sai perdendo.

O mundo pode parecer um lugar estranho, sombrio e realmente duro se você se sentir exaustivamente incomodado toda vez que souber que alguém não gosta de você. Mas a verdade é que ninguém é pior ou melhor que ninguém por não ser apreciado ou por não simpatizar com o outro.

Somos seres complexos, com interesses bem diversos, e usamos isso como referência para nos aproximar ou nos afastar das pessoas em algum nível. Tendo isso em mente, creio que temos que ser cuidadosos para não nos anularmos e também não anularmos os outros nessa tentativa de ser aceito e conquistar a apreciação de alguém.

Ademais, não tenho nenhum problema em apertar a mão e tratar bem quem não gosta de mim, até porque não vejo motivo para agir de outra forma. Acredito que a cordialidade tem importante papel na manutenção da vida. E não existe falsidade nisso, mas apenas a preponderância do respeito que deve ser maior do que nossas antipatias.

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Written by David Arioch

April 23rd, 2017 at 8:33 pm

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