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Quem vota em Flávio Bolsonaro não se importa com a democracia
Chocante em relação aos votos que Flávio Bolsonaro recebeu é que as pessoas que votaram nele não se importam realmente com a democracia. São pessoas que relativizam e banalizam o sentido de democracia. É como se lutassem para não haver democracia. Afinal, todo mundo sabe da tentativa de golpe, e Bolsonaro está preso por isso. Ainda assim, muitas pessoas continuam apoiando essa família, que não aceitou a derrota nas urnas em 2022.
E se estou falando da família Bolsonaro, estou falando de quem nega a ditadura militar brasileira, que rejeita chamá-la de ditadura, mesmo que tenha sido uma imposição; que tenham deposto Jango por meio da força, do autoritarismo. A ditadura não permitia o Congresso funcionar sem se submeter ao seu controle, tanto que deputados foram perseguidos e tiveram seus mandatos cassados por ordem da própria presidência. E mais tarde, o Congresso foi arbitrariamente fechado.
Flávio Bolsonaro não defende hoje alterar a Constituição por acaso. A família Bolsonaro não aceita o sistema de “freios e contrapesos” que é inerente às democracias. São inimigos da democracia. Se espelham em figuras autoritárias que também não aceitavam antagonismos. E não me surpreenderia saber que muitos de seus eleitores concordam com isso, porque acredito sim que muitas pessoas que votam neles não se importam com democracia – que acham que não deve haver oposição, assim como Mussolini e Hitler acreditavam.
A direita bolsonarista representa tudo que é antidemocrático. É uma política da antissolidariedade – diferenças são vistas como ameaças que devem ser extirpadas; e direitos só devem existir para quem pensa como eu. É a política do individualismo vestida de falso coletivismo. É uma união do individualismo.
Não existe, após a redemocratização no Brasil, nada mais autoritário do que o bolsonarismo. E quem apoia isso é quem tem em si uma centelha que, em algum aspecto, ecoa sim um sentimento antidemocrático. Não por acaso, todas as obras sérias que abordam o bolsonarismo revelam como o seu combustível é o ressentimento, e o ressentimento é o sentimento da “exponenciação do eu”, não importando o impacto nocivo que isso tem para os outros.
