David Arioch – Jornalismo Cultural

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Grande imprensa quer descolar a direita do bolsonarismo por interesse financeiro

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A grande imprensa já está se movimentando para emplacar um nome da direita para a eleição de 2030. É só analisarem os últimos editoriais e artigos de “O Globo”, “Folha de S. Paulo” e “Estadão”.

No editorial “Fuga de Flávio caiu no ridículo”, “O Globo” sustenta que “a falta de endosso de seus aliados mostra uma oposição mais madura e democrática”. Não vejo dessa forma. Todos os aliados políticos de Flávio Bolsonaro sabiam que ele é antidemocrático como o pai. O ponto é que hoje os opositores de Lula sabem que tentar uma ruptura com o estado democrático de direito dá cassação e até cadeia.

Portanto, não querem colocar em risco seus salários gordos e privilégios por quem perdeu a eleição. Logo, a democracia deles é instrumental, não principiológica. Se a ruptura fosse viável e lucrativa, eles endossariam sem pestanejar. Mas a grande imprensa prefere criar uma imagem mais favorável deles porque nunca engoliu Lula como presidente. Mesmo com limitações e falhas, Lula coloca algum freio ao que desagrada os interesses financeiros da grande mídia que depende de agradar as elites econômicas.

Em outra publicação, afirma-se que “governadores da direita viraram a página”. Ou seja, querem romantizar a coisa, e já falam em “direita”, sem citar que é sobre governadores alinhados ao bolsonarismo. A ideia é fazer parecer que são apenas “pragmáticos”. O que querem ao falar em “direita pós-bolsonarista” é preparar terreno para não permitir que a direita seja derrotada em 2030.

A grande mídia nunca aceitou bem no poder nem mesmo alguém de centro-esquerda, porque mesmo a centro-esquerda só tem sentido principiológico quando coloca freio no neoliberalismo que também gera mais concentração de riquezas à grande mídia e a seus financiadores. O artigo que fala em “direita decente escapou de se tornar cúmplice do que teria sido um novo governo Bolsonaro” é outra tentativa de indução que faz parecer que não foi a direita “moderada” que criou o bolsonarismo.

O que a grande mídia quer ao separar o bolsonarismo de uma suposta “autêntica direita” é fazer parecer que as duas não fazem parte do mesmo espectro econômico, que não são alimentadas pela mesma elite econômica. Portanto, é um movimento que busca assegurar o retorno da direita à presidência do Brasil. Logo, a intenção é minar candidatos que não correspondem aos seus interesses, e isso inclui o PT, a centro-esquerda e a esquerda.

Quem vota em Flávio Bolsonaro não se importa com a democracia

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Chocante em relação aos votos que Flávio Bolsonaro recebeu é que as pessoas que votaram nele não se importam realmente com a democracia. São pessoas que relativizam e banalizam o sentido de democracia. É como se lutassem para não haver democracia. Afinal, todo mundo sabe da tentativa de golpe, e Bolsonaro está preso por isso. Ainda assim, muitas pessoas continuam apoiando essa família, que não aceitou a derrota nas urnas em 2022.

E se estou falando da família Bolsonaro, estou falando de quem nega a ditadura militar brasileira, que rejeita chamá-la de ditadura, mesmo que tenha sido uma imposição; que tenham deposto Jango por meio da força, do autoritarismo. A ditadura não permitia o Congresso funcionar sem se submeter ao seu controle, tanto que deputados foram perseguidos e tiveram seus mandatos cassados por ordem da própria presidência. E mais tarde, o Congresso foi arbitrariamente fechado.

Flávio Bolsonaro não defende hoje alterar a Constituição por acaso. A família Bolsonaro não aceita o sistema de “freios e contrapesos” que é inerente às democracias. São inimigos da democracia. Se espelham em figuras autoritárias que também não aceitavam antagonismos. E não me surpreenderia saber que muitos de seus eleitores concordam com isso, porque acredito sim que muitas pessoas que votam neles não se importam com democracia – que acham que não deve haver oposição, assim como Mussolini e Hitler acreditavam.

A direita bolsonarista representa tudo que é antidemocrático. É uma política da antissolidariedade – diferenças são vistas como ameaças que devem ser extirpadas; e direitos só devem existir para quem pensa como eu. É a política do individualismo vestida de falso coletivismo. É uma união do individualismo.

Não existe, após a redemocratização no Brasil, nada mais autoritário do que o bolsonarismo. E quem apoia isso é quem tem em si uma centelha que, em algum aspecto, ecoa sim um sentimento antidemocrático. Não por acaso, todas as obras sérias que abordam o bolsonarismo revelam como o seu combustível é o ressentimento, e o ressentimento é o sentimento da “exponenciação do eu”, não importando o impacto nocivo que isso tem para os outros.