David Arioch – Jornalismo Cultural

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Flávio Bolsonaro apenas confirmou que é o pior para o Brasil

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No debate de ontem (18) na Band, Flávio Bolsonaro fugiu das perguntas feitas por Lula. Não disse realmente para onde foi o dinheiro que pegou com Vorcaro. Não apresentou dados que comprovam o uso do dinheiro em “Dark Horse”. Enfim, não houve prestação de contas.

Não respondeu sobre o Caso Ana Clara. Como um candidato pode falar em “acabar com a impunidade”, sendo que atuou para livrar o responsável pela morte de uma criança de cinco anos? Também não explicou por que ele foi o único a votar contra o aumento da licença-maternidade. Desde quando falar que tem esposa e filhas é argumento que refuta o próprio voto prejudicial às mulheres?

A jornalista Adriana Araújo abriu o debate falando na redução da violência e de mortes no Brasil. Claro que isso não significa que o cenário seja o ideal, mas, ainda assim, Flávio ignorou e disse que o governo Lula foi o pior em violência.

Também desconversou sobre agir contra o fim da 6×1. Ou seja, isso sinaliza que ele não dará segurança ao trabalhador e, se eleito, pode já em janeiro atuar para garantir o avanço de uma proposta que esvazie essa lei, como o pagamento só por hora trabalhada; o que enfraqueceria o fim da 6×1.

Além disso, como o bolsonarismo reúne o pior dos dois mundos – de uma pauta de costumes extremista e da economia neoliberal –, ele falou do SUS como se fosse algo que devesse estar nas mãos de um gestor ultraliberal, o que, como Lula, pontuou, é muito perigoso, porque dá poderes a alguém que vem de uma agenda econômica (mercado), e não da saúde como prioridade (direito).

E isso veio de quem quer dar continuidade ao governo do pai, responsável por uma negligência que resultou em mais de 700 mil mortes só em consequência da pandemia. Flávio até admitiu isso como falha, e porque ele sabe que é uma informação de conhecimento público. Então negar seria um risco eleitoral.

Flávio também ignorou a proposta de Lula, dos dois abrirem o sigilo bancário, tema que se tornou um dos mais buscados no Google. E mais, Flávio fez o tempo todo afirmações que contradizem os dados. Não por acaso, tem sido um campeão de mentiras. Quem duvida, é só digitar no Google “quantas mentiras Flávio Bolsonaro já disse desde o início das eleições”.

E como se já não fosse bizarra demais sua participação em um debate que não ocorreu (porque Flávio não debateu), nos momentos das falas de Lula, ele tentou ficar o tempo todo atrás dele fazendo gestos, revelando um desequilíbrio em aceitar um debate nos termos democráticos.

E o triplex?

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A única coisa que encontraram para tentar ligar Lula diretamente à corrupção até hoje foi a história do triplex. No fim, o triplex não tinha relação com o desvio na Petrobrás. Inclusive a Lava Jato foi descredibilizada porque Moro fez um malabarismo para associar uma coisa sem relação com outra, e ainda sequer conseguiu provar que o Triplex era de Lula. Mas a pergunta que fica é por que os eleitores de Flávio Bolsonaro não fazem o cálculo de quantos triplex dá pra comprar com o dinheiro dos 51 imóveis que a família adquiriu com dinheiro vivo?

E desde quando salário de político permite ser milionário? Mesmo o teto do funcionalismo público não permite ninguém ser rico sem envolvimento com corrupção. Permite sim ter uma vida confortável, mas nada além disso. Não permite acumular muitos bens, riquezas, etc. Irônico também é como o eleitor de Flávio Bolsonaro ignora as rachadinhas. Ou seja, ele nomeava pessoas que sequer trabalhavam no gabinete, mas compareciam para garantir o repasse do salário para Flávio.

Outro ponto é que fico imaginando como um filme como “Dark Horse”, com produção tão medíocre, e claramente de baixo orçamento, conforme análise não somente de especialistas em cinema no Brasil, mas também internacionais, possa ter custado tão caro. Até hoje, Flávio não explicou onde o dinheiro foi parar nem apresentou em detalhes como os R$ 61 milhões enviados por Vorcaro foram gastos. Ademais, será que dá pra comprar quantos Triplex com esse dinheiro? Vale lembrar que à época o triplex ao qual tentaram vincular Lula à corrupção foi avaliado em R$ 1,5 milhão.

O antipetismo hoje ainda funciona como identidade autossuficiente. Não precisa de provas, não precisa de lógica. Basta odiar o PT. E quando você apresenta os 51 imóveis, as rachadinhas, a clara relação com Vorcaro, e que Flávio negou até provas virem à tona, a resposta é sempre a mesma: “e o triplex?”. Só que “o triplex” foi anulado por suspeição do juiz e prescrito. Moro agiu de forma parcial e, ainda assim, não conseguiu comprovar nada. E os 51 imóveis, as rachadinhas e a relação dos Bolsonaro com Vorcaro estão vivos, documentados e em investigação.