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Flávio Bolsonaro apenas confirmou que é o pior para o Brasil
No debate de ontem (18) na Band, Flávio Bolsonaro fugiu das perguntas feitas por Lula. Não disse realmente para onde foi o dinheiro que pegou com Vorcaro. Não apresentou dados que comprovam o uso do dinheiro em “Dark Horse”. Enfim, não houve prestação de contas.
Não respondeu sobre o Caso Ana Clara. Como um candidato pode falar em “acabar com a impunidade”, sendo que atuou para livrar o responsável pela morte de uma criança de cinco anos? Também não explicou por que ele foi o único a votar contra o aumento da licença-maternidade. Desde quando falar que tem esposa e filhas é argumento que refuta o próprio voto prejudicial às mulheres?
A jornalista Adriana Araújo abriu o debate falando na redução da violência e de mortes no Brasil. Claro que isso não significa que o cenário seja o ideal, mas, ainda assim, Flávio ignorou e disse que o governo Lula foi o pior em violência.
Também desconversou sobre agir contra o fim da 6×1. Ou seja, isso sinaliza que ele não dará segurança ao trabalhador e, se eleito, pode já em janeiro atuar para garantir o avanço de uma proposta que esvazie essa lei, como o pagamento só por hora trabalhada; o que enfraqueceria o fim da 6×1.
Além disso, como o bolsonarismo reúne o pior dos dois mundos – de uma pauta de costumes extremista e da economia neoliberal –, ele falou do SUS como se fosse algo que devesse estar nas mãos de um gestor ultraliberal, o que, como Lula, pontuou, é muito perigoso, porque dá poderes a alguém que vem de uma agenda econômica (mercado), e não da saúde como prioridade (direito).
E isso veio de quem quer dar continuidade ao governo do pai, responsável por uma negligência que resultou em mais de 700 mil mortes só em consequência da pandemia. Flávio até admitiu isso como falha, e porque ele sabe que é uma informação de conhecimento público. Então negar seria um risco eleitoral.
Flávio também ignorou a proposta de Lula, dos dois abrirem o sigilo bancário, tema que se tornou um dos mais buscados no Google. E mais, Flávio fez o tempo todo afirmações que contradizem os dados. Não por acaso, tem sido um campeão de mentiras. Quem duvida, é só digitar no Google “quantas mentiras Flávio Bolsonaro já disse desde o início das eleições”.
E como se já não fosse bizarra demais sua participação em um debate que não ocorreu (porque Flávio não debateu), nos momentos das falas de Lula, ele tentou ficar o tempo todo atrás dele fazendo gestos, revelando um desequilíbrio em aceitar um debate nos termos democráticos.
Augusto Cury apoiar Flávio Bolsonaro deveria surpreender alguém?
Augusto Cury apoiar Flávio Bolsonaro deveria surpreender alguém? O cara é autor de autoajuda, defende que os problemas não são estruturais e sim individuais. Ou seja, uma questão de vontade e mentalidade.
Ele é a personificação da negação de que devemos mudar estruturas e sim atribuir falhas e problemas a uma questão individual. “Se você não venceu, a culpa é sua. Falta mentalidade, falta foco, falta disciplina, falta ‘gestão da emoção’.” O mundo é apresentado como um terreno neutro onde cada um colhe o que planta.
Nessa lógica distorcida e falsa, não há estruturas, não há desigualdade, não há privilégio. Há apenas indivíduos e suas escolhas. A literatura de autoajuda, assim como a posterior cultura coach, vieram para validar o neoliberalismo, que é o que a direita bolsonarista abraçou desde sempre para ter poder econômico também para fazer sua guerra cultural e falsear narrativas.
É no neoliberalismo que Cury e o bolsonarismo se encontram – porque os dois são dependentes dele e não querem deixar de alimentá-lo e promovê-lo, porque eles não apenas prosperam, como só podem existir a partir dele. Afinal, se as pessoas tiverem mais consciência social, questionarem mais as desigualdades e entenderem como tudo isso envolve olhar para os problemas estruturais, e não isoladamente para os indivíduos, nem Cury nem os Bolsonaro prosperam.
A autoajuda e o bolsonarismo compartilham o solo da individualização dos problemas estruturais, da responsabilização do indivíduo pela própria situação; e no caso, do bolsonarismo, que é um emaranhado de contradições, também da invenção do inimigo, de um bode expiatório – de colocar oprimido contra oprimido; mas sem que um deles se veja como oprimido porque reivindica também, e até sem perceber, o lugar de oprimir.

