David Arioch – Jornalismo Cultural

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O vegano, a mudança climática e Flávio Bolsonaro

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Pense na coerência do vegano que compartilha sobre mudanças climáticas, que tenta conscientizar as pessoas sobre as mudanças climáticas, mas vota em Flávio Bolsonaro, um cara que nunca acreditou em mudança climática – algo que se reflete até em seu plano de governo.

Em 2024, dos 81 senadores, só Flávio Bolsonaro votou contra a lei de adaptação climática. A votação ocorreu em meio à crise das enchentes no Rio Grande do Sul.

Até o G1 publicou matéria esta semana destacando que a queda do desmatamento no atual governo atingiu o menor nível de toda a série histórica iniciada em 1988, quando o registro ganhou sistematização. Ou seja, é uma queda que não ocorreu em nenhum período anterior.

Só para comparação, no último ano do governo Bolsonaro, o desmatamento foi 71,2% maior. Não adianta vir com narrativas. Eu acredito em dados, em ciência, registro sistematizado, não em distorções convenientes.

Não adianta reclamar dos temporais no Paraná e votar em Flávio Bolsonaro

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O Paraná está enfrentando uma situação extremamente preocupante. Estamos lidando com temporais severos e destrutivos, e com uma recorrência inédita – temporais que duram dias ou que se repetem com intervalos de poucos dias.

Mas o que mais chama atenção é que em vez de refletir sobre isso, a maioria do eleitorado paranaense prefere continuar apostando em um candidato a presidente (Flávio Bolsonaro) que é negacionista climático, que diz que se resolve problemas ambientais com “saneamento básico”.

As pessoas estão subestimando o impacto nocivo de seu voto, achando que está tudo bem em tratar a crise climática dessa forma. Continuem assim. Comprem esse discurso que vai contra a ciência. Ou acham que um candidato negacionista vai investir em políticas ambientais que realmente levem a sério as consequências disso?

Jair Bolsonaro, o pai de Flávio, quase zerou os investimentos federais dedicados à questão climática quando foi presidente – um corte de 93%. E a previsão é de que esses temporais vão piorar no Paraná.

Sinceramente, sinto pelas pessoas que levam isso a sério e que entendem a gravidade da situação. E por isso, também não votam em negacionistas. Enfim, podem se preparar para mais desinvestimentos e cortes em políticas ambientais. Quando a coisa piorar, lembrem-se da fala de “saneamento básico” de Flávio Bolsonaro.

E o plano de governo dele confirma o que o discurso já anunciava. São 76 páginas que não mencionam “aquecimento global” ou “mudança climática”, mas que trazem medidas que desmontam a capacidade do Brasil de enfrentar a crise:

Licenciamento automático para grandes obras, hidrelétricas, mineração e indústria (sem estudo de impacto ambiental); extinção de sobreposições entre Ibama, Funai e ICMBio (na prática, isso significa esvaziamento dos órgãos de fiscalização e proteção); liberação do fracking para exploração de gás (técnica que contamina água e solo); e trava de 20 anos para regras ambientais, impedindo que qualquer governo futuro aperte a fiscalização.

Flávio, com seu programa de governo ultraliberal, está sinalizando que tudo será permitido, sem freios e contrapesos partindo do Executivo, não importando as consequências ambientais.