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Jornalismo Cultural

Sobre “O Som e a Fúria”, de Faulkner

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O Som e a Fúria (Companhia das Letras) – Clássico de Faulkner e divisor da literatura norte-americana. Ficou bonitão. Veremos qual versão ficou melhor. Esta ou a da Cosac & Naify. Interessante como a construção em torno da decadência de uma família pode marcar o fim e o limiar de tantas coisas; das incertezas à obscuridade e à falsídia. Assim penso também na mente que mente.

Figuras de hábitos enredadas nas próprias ruínas, incapazes de um olhar além, mas que tentam (ou não)…; e que são também o próprio som e fúria materializado em conflitos humanos, assim como a própria narrativa, naturalmente furiosa.

Como escreveu Shakespeare em “Macbeth”, os nossos ontens simplesmente iluminaram para os tolos o caminho que leva ao pó da morte, porque a vida não passa de uma sombra que caminha um pobre ator que se pavoneia e se aflige no palco. Esse caminho é trilhado pela Família Compson de Faulkner, que numa subjetiva universalização poderia ser muitas outras famílias, de outras partes do mundo.

Creio que uma das coisas mais instigantes em “The Sound and the Fury” é o fluxo de consciência, que marcaria sua trajetória como escritor. É interessante como a narrativa começa linear e torna-se avessa à linearidade. A sintaxe incompleta também ajuda a endossar os conflitos, as limitações, os costumes e as falhas dos personagens. Em síntese, um bálsamo e um terror para a mente.

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Written by David Arioch

September 26th, 2017 at 1:55 am

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