David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Sobre “O Conto da Cabra” de Yosef Agnon

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Ao perceber que a cabra sempre desaparece por período inexato, o homem conversa com o filho, crente de que o gosto do leite tem relação com as viagens da cabra. O jovem então decide segui-la. O percurso que parece durar horas, mas pode significar até dois dias, termina em uma caverna, uma passagem para um paraíso inimaginável chamado Terra de Israel.

Extasiado, e ciente de que a véspera do sabat anteciparia a escuridão, ele se vê incapaz de retornar para casa. Preocupado, prende um bilhete na orelha da cabra e pede que ela a entregue a seu pai. Quando vê o animal chegando sozinho, o homem entra em desespero e pragueja a cabra, a quem responsabiliza pelo sumiço do filho. Movido por surto momentâneo, a entrega a um açougueiro. Depois que o animal é assassinado, o bilhete cai da orelha da cabra.

“Ai do homem que rouba de si mesmo a sua própria fortuna, e ai do homem que reivindica o bem com o mal”, gritou o velho arrependido, batendo as mãos na própria cabeça. O luto durou dias. O homem se debruçou choroso sobre o animal e se recusou a ser consolado. Na história, o leite é também uma metáfora dos caminhos e dos descaminhos do homem.

Sobre a obra “סיפורו של העז” ou “O Conto da Cabra”, de Shmuel Yosef Agnon.





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