David Arioch – Jornalismo Cultural

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Milhões de perus são mortos a cada Natal no Brasil

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O abate é feito introduzindo uma faca de dois gumes pela garganta do animal, assim cortando as artérias e as veias do pescoço

No Brasil, são mortos cerca de oito milhões de perus a cada Natal. Desse total, aproximadamente 90% é comercializado pela BRF. São milhões de vidas ceifadas para saciar o “paladar natalino”. Geralmente a ave, que viveria naturalmente até os 15 anos, é morta com pouco mais de dois meses, e peso que varia de três a seis quilos, considerado o ideal para o Natal.

As fêmeas são as preferidas porque não crescem tanto quanto os machos, assim tendo maior aceitação comercial nessa época do ano. Quando atingem o peso almejado pela indústria, os perus são deixados em jejum, para favorecer o esvaziamento gástrico. Depois são transportados até o matadouro em gaiolas apertadas sobre caminhões.

Ou seja, tudo em prol da carne, e nada em benefício do animal, mesmo que ele esteja próximo de seu fim. Chamam isso de “bem-estar animal”, desde que a ave tenha vivido por curto período em algum espaço que a permitisse mover, mesmo que desconfortavelmente, as asas e os pés. O estresse do confinamento intensivo normalmente é desconsiderado.

No matadouro, o abate é feito introduzindo uma faca de dois gumes pela garganta do animal, assim cortando as artérias e as veias do pescoço enquanto ele se debate de cabeça para baixo, com os pés presos por grilhões. Mais tarde, o peru é depenado em água bem quente, limpo, embalado e comercializado como qualquer produto jamais dotado de vida. Em pouco tempo, ele é comprado e servido no dia em que é celebrado no Ocidente o nascimento do menino Jesus.

Ao redor da mesa, as pessoas não verão nada de errado em se alimentar dessas criaturas. Dificilmente alguém vai dedicar tempo refletindo sobre a vida de quem repousa como alimento sobre a mesa. Afinal, o que tem errado em colocar o paladar acima da empatia?

Celebrar a vida com a morte, financiar a crueldade contra outros animais, há muito tempo se tornou parte da humanidade. Talvez possa parecer estranho, mas é exatamente isso que endossamos o ano todo. Claro, mais ainda em época de “espírito natalino”, um período sempre marcado pelo aumento exponencial de mortes de animais não humanos.





Written by David Arioch

November 21st, 2017 at 11:34 pm

Marsilio Ficino, um filósofo renascentista contra o consumo de animais

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“Ele certamente recomendou o não consumo de carne. Sua defesa do vegetarianismo mais frequente envolvia os pitagóricos” (Acervo: Walker Art Gallery)

Nascido em Florença em 19 de outubro de 1433, o filósofo e humanista Marsilio Ficino, importante nome do renascimento italiano e mestre de Giovanni Pico della Mirandola, foi um dos principais divulgadores das ideias de Platão, Plotino e Pitágoras no século 15. Por influência desse trabalho baseado nas obras dos filósofos da Grécia Antiga, ele começou a refletir sobre o consumo de animais e se tornou vegetariano.

Filho de Diotifeci d’Agnolo, médico da Casa dos Médici, Ficino teve o privilégio de se dedicar integralmente aos estudos. De acordo com informações do livro “The European Renaissance – 1400-1600”, de Robin Kirkpatrick, publicado em 2002, Marsilio Ficino recebeu todo o apoio de Cosimo de Médici, o fundador da dinastia Médici, para traduzir e discutir os textos platônicos. Com o apadrinhamento da família mais importante de Florença à época, Ficino teve grande incentivo para discutir inclusive questões controversas, como as implicações do consumo de carne.

Mais tarde, assumiu também a posição de tutor do estadista Lorenzo de Médici, conhecido como Lorenzo Il Magnifico. Segundo o livro “Murder in Renaissance Italy”, de Trevor K.P. Lowe, lançado em junho de 2017, Marsilio Ficino traduziu a obra “Da Abstinência do Alimento Animal”, de Porfírio, servindo de referência para estudos sobre vegetarianismo. Ficino também conhecia muito bem as questões discutidas anteriormente por Pitágoras, autor de uma frase que sobreviveria ao tempo e se tornaria emblemática:

“Enquanto o ser humano for implacável com as criaturas vivas, ele nunca conhecerá a saúde e a paz. Enquanto os homens continuarem massacrando animais, eles também permanecerão matando uns aos outros. Na verdade, quem semeia assassinato e dor não pode colher alegria e amor.”

Ficino liderou a Academia Platônica de Florença, que também influenciou muitos artistas e pensadores da época, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Sandro Botticelli. Inclusive há estudiosos que defendem que da Vinci também era vegetariano, e por influência de Ficino. “Leonard passou pelos mesmos círculos intelectuais de Ficino, e também explorou a nova filosofia do vegetarianismo baseada na crença dos pitagóricos”, escreveu D.A. Brown no livro “Leonardo da Vinci: Origins of a Genius”, publicado em 1998. De acordo com Brown, Ficino e da Vinci se conheceram por intermédio do humanista, historiador e cardeal Bernardo Bembo.

“A maioria dos estudiosos do trabalho de Marsilio Ficino concordam que ele era vegetariano. Ele certamente recomendou o não consumo de carne. Sua defesa do vegetarianismo mais frequente envolvia os pitagóricos. As discussões com Ficino poderiam ser a forma como Leonardo da Vinci chegou ao vegetarianismo”, registrou Lowe na página 292 de “Murder in Renaissance Italy”. Platão, que o italiano tinha como principal referência filosófica, idealizava em “A República” uma cidade onde as pessoas não se alimentassem da matança de animais.

“Theologia Platonica”, uma das obras mais importantes de Marsilio Ficino foi publicada em 1482. O seu período de maior produção filosófica começou em 1474 e terminou em 1494. Ele também escreveu “De Amore”, lançado em 1484; e “De Vita Libri Tres”, publicado em 1489. O filósofo e humanista florentino faleceu em 1º de outubro de 1499.

Saiba Mais  

Marsilio Ficino foi ordenado sacerdote em 1473. Livre de amarras intelectuais, ele se interessava pela vida de Zoroastro e Orfeu.

Referências

Kirkpatrick, Robin. The European Renaissance – 1400-1600. Página 88. Routledge; First Edition (2001).

Lowe, Trevor K.P. Murder in Renaissance Italy. Página 292. Cambridge University Press (2017).

Brown, David Alan. Leonardo da Vinci: Origins of a Genius. Páginas 118-120. Yale University Press (1998).





Um outro olhar sobre o “Leitão à Pururuca”

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Trata-se de um pequeno animal que não raramente é morto aos 21 dias

Encontrei uma foto que me chamou a atenção, acompanhada de uma receita. Estava com a seguinte legenda: “Leitão à Pururuca – o delicioso sabor mineiro na sua ceia.” É um dos pratos indicados para o Natal. Trata-se de um pequeno animal que não raramente é morto aos 21 dias. Claro, pode ir além. Afinal, ele vive até o momento em que chega ao auge do que podemos chamar de palatável.

Temperado com óleo, cebola, alho, salsa, limão, pimenta dedo-de-moça, sal e azeite, o leitão, morto precocemente, é assado e servido com a pele torrada, parcialmente derretida em alguns pontos. Com uma boa e bela combinação de ingredientes, muitas pessoas não verão um animal, mas apenas um grande pedaço de carne.

Não importa se o que está diante delas ainda têm olhos, focinho, pernas, boca ou até mesmo unhas. Podemos chamar isso de dissimulação estética. Claro, cheiro e apresentação têm um grande poder de sugestão sobre o paladar. Para romantizar um pouco, podemos colocá-lo sobre uma caminha cuidadosamente enfeitada, que pode ser uma porção de farofa, alguns belos tomatinhos e um raminho de alecrim. Pronto! Agora é só dizer às crianças que aquela criatura morta e caprichosamente adornada não era um animal de verdade.

Observem as fotos do chamado “Leitão à Pururuca” e perceberão que sempre, ou quase sempre, o leitão está com os pés retorcidos. Não é difícil reconhecer que não se trata de uma criatura que morreu tranquilamente. Imagino que muitos se alimentarão de um animal assim no Natal. Infelizmente, não há como contestar. Entre uma garfada e outra, gestos e ações de empatia, celebrarão à vida com morte. Do leitão, não tenho dúvida que não sobrará nada. Na realidade, pode até sobrar. Talvez os ossos sejam lançados ao lixo, ou entregue aos cães que, diferentes de nós, comerão sem saber do que se trata.





Written by David Arioch

November 20th, 2017 at 5:18 pm

Você não acha que o veganismo é um arbitrário exercício de poder?

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O que existe de exercício de poder na consideração de que seres sencientes têm direito à vida, não merecem ser reduzidos a produtos?

— Você não acha que o veganismo é um arbitrário exercício de poder?

— O veganismo não é impositivo, é consciencioso. Como o veganismo pode ser um arbitrário exercício de poder se nos empurra à margem da sociedade? O que existe de arbitrário exercício de poder na consideração de que seres sencientes têm direito à vida, não merecem ser reduzidos a produtos? Uma prática comprovadamente desnecessária, provada pela existência de vegetarianos e veganos saudáveis. Ainda no século 19 e até a metade do século 20, o consumo de animais era uma forma de distinção social, de status. Ou seja, somos tão cruéis que matamos outras espécies para provar à nossa que não somos semelhantes. E que se posso matar uma criatura que você não poderia matar, por não ter recurso para tal, sou melhor do que você. Isso não soa extremamente absurdo? Irracional?

Na Inglaterra, Lord Byron e Percy Bysshe Shelley condenavam os excessos, a glutonaria e a crueldade da burguesia, que matava uma quantidade absurda de animais para servir em banquetes particulares, e ainda faziam chacota dessas criaturas. Somos seres muito estranhos, de fato, se ponderarmos que muitos lutam para ter o direito de também financiar a morte de criaturas que até então faziam parte apenas dos hábitos alimentares de uma pequena parcela da população. Vivemos em um mundo onde há pessoas que quando pensam em uma vida melhor, logo a associam com a ideia de se alimentar de animais considerados exóticos. Isso sim é um vislumbre de exercício de poder.

Hoje, sim, muitos têm acesso à carne, pelo menos se compararmos com outros períodos. Isso deveria realmente ser comemorado? Já que isso é consequência de um grande aumento da violência contra outras espécies. E a que custo a carne foi barateada, se tornou mais acessível ao longo do tempo? Isso aconteceu porque em vez de matarmos centenas ou milhares de animais, passamos a matar milhões e bilhões. Esse é o real preço por um tipo tétrico de acessibilidade.

Se eu fosse um animal não humano, mas gozando de consciência humana, obviamente que eu diria que o pior exercício de poder perpetrado contra os meus é aquele exercido pela humanidade. E claro, mesmo sendo um animal humano já reconheço isso como uma manifestação de perpetuação da barbárie travestida de civilidade.





Você sabia que quando foram abertos os primeiros zoológicos, os tratadores tinham de proteger os animais dos ataques dos espectadores?

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Elizabeth Costello: “Os espectadores sentiam que os animais estavam ali para serem insultados e humilhados”

Você sabia que quando foram abertos os primeiros zoológicos, os tratadores tinham de proteger os animais dos ataques dos espectadores? Os espectadores sentiam que os animais estavam ali para serem insultados e humilhados, como prisioneiros em uma marcha triunfal. Já promovemos uma guerra contra os animais, que chamamos de caça, embora, na verdade, guerra e caça sejam a mesma coisa (Aristóteles percebeu isso claramente).

Essa guerra foi travada ao longo de milhões de anos. Só a vencemos definitivamente faz algumas centenas de anos, quando inventamos as armas de fogo. Só quando a vitória foi absoluta é que pudemos nos permitir cultivar a compaixão. Mas a nossa compaixão é muito rarefeita.

Por baixo dela existe uma atitude mais primitiva. O prisioneiro de guerra não pertence à nossa tribo. Podemos fazer o que quisermos com ele. Podemos sacrificá-lo aos nossos deuses. Podemos cortar seu pescoço, arrancar seu coração, atirá-lo ao fogo. Não existe lei quando se fala de prisioneiros de guerra.

Páginas 118-119 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

“Quem diz que a vida importa menos para os animais do que para nós nunca segurou nas mãos de um animal que luta pela vida”

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“O ser inteiro do animal se lança nessa luta, sem nenhuma reserva” (Foto: Mary Britton Clouse)

“Quem diz que a vida importa menos para os animais do que para nós nunca segurou nas mãos de um animal que luta pela vida. O ser inteiro do animal se lança nessa luta, sem nenhuma reserva. Quando o senhor diz que falta a essa luta uma dimensão de horror intelectual ou imaginativo, eu concordo. Não faz parte do modo de ser do animal experimentar horrores intelectuais: todo o seu ser está na carne viva.”

Página 126 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

 

“Estar vivo é ser uma alma viva. Um animal – e somos todos animais – é uma alma inserida num corpo”

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“A sensação – uma sensação pesadamente afetiva – de ser um corpo com membros que têm uma extensão no espaço, de se estar vivo no mundo”

Estar vivo é ser uma alma viva. Um animal – e somos todos animais – é uma alma inserida num corpo. Foi precisamente isso que Descartes enxergou e, por razões pessoais, escolheu negar. O animal vive, disse Descartes, da mesma forma que a máquina vive. O animal não é nada além do mecanismo que o constitui. Se tem uma alma, a tem da mesma maneira que a máquina dispõe de uma bateria, para lhe fornecer a faísca que a faz funcionar. Mas o animal é uma alma inserida num corpo, e a qualidade de seu ser não é a alegria.

Cogito ergo sum é também uma famosa frase sua. É uma fórmula que sempre me incomodou. Pressupõe que um ser vivo que não faz o que ele chama de pensar é, de alguma forma, um ser de segunda classe. Ao ato de pensar, à cogitação, oponho a plenitude, a corporalidade, a sensação de ser – não uma consciência de si mesmo como uma espécie de fantasmagórica máquina raciocinante pensando pensamentos, mas ao contrário, a sensação – uma sensação pesadamente afetiva – de ser um corpo com membros que têm uma extensão no espaço, de se estar vivo no mundo. Essa plenitude contrasta em tudo com o estado fundamental de Descartes, que traz em si uma sensação de vazio: a sensação de uma ervilha chacoalhando dentro de uma vagem.

Páginas 89-90 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

Written by David Arioch

November 17th, 2017 at 10:26 am

” Centenas de milhares de pinguins eram abatidos ali com pauladas”

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Foto: Konrad Wothe

“Ela leu sobre a Ilha Macquarie [a 1450 quilômetros da Austrália]. No século XIX, era o centro da indústria de pinguins. Centenas de milhares de pinguins eram abatidos ali com pauladas e jogados em caldeiras de vapor de aço fundido para ser separados em óleo útil e resíduo inútil. Ou nem abatidos com uma paulada, mas meramente tocado com varetas por uma prancha, direto para a boca do caldeirão fumarento. E os seus descendentes do século XX parecem não ter aprendido nada. Ainda saem nadando inocentemente para dar boas-vindas aos visitantes; ainda gritam saudações quando se aproximam dos viveiros. (Ho! Ho! dizem, pois todo mundo gosta de pequenos gnomos rústicos) e permitem que os visitantes se aproximem para tocá-los, para acariciar seu peito liso.”

Páginas 63-64 de “Elizabeth Costello”, de J.M. Coetzee, publicado em 2003.

Written by David Arioch

November 17th, 2017 at 10:01 am

Por que você acredita que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte?

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Molly B., vaca que fugiu de um matadouro nos Estados Unidos em janeiro de 2006 (AP Photo/Great Falls Tribune, Robin Loznak)

— Por que você acredita que o sofrimento de um animal não humano não é menor do que o humano na iminência da morte?

— Acredito que o sofrimento de um animal não humano pode ser maior, sim, realmente maior, e por uma justificativa até simples – a incapacidade de racionalizar e verbalizar o que sente. Imagine a si mesmo em uma selva e diante de um animal muito maior e mais forte do que você. De repente, vocês estão diante um do outro, e não há nada que você possa fazer para impedir que ele o ataque e o mate. Afinal, ele não partilha do mesmo código comunicativo que você. Partindo da mesma situação de um animal prestes a ser abatido, ou seja, de total vulnerabilidade, eu diria que qualquer reação sua será em vão. Isto porque falo de situações equiparáveis.

Por exemplo, um animal na pista da morte em um matadouro está no mesmo estado de vulnerabilidade de uma pessoa desarmada e despreparada caminhando pela selva. Mas nisso subsiste uma distinção substancial. E qual seria? Se um animal me matasse em território selvagem, ele o faria instintivamente, seja por fome, medo, identificação de perigo ou qualquer outro fator que desencadeie essa reação. Já os animais cativos que matamos não nos apresentam qualquer perigo. São simplesmente criados para gerar lucro e saciar paladares, logo são mortos friamente.

Creio que não apenas legitimamos esse tipo de morte como a incentivamos e a incluímos, mesmo que arbitrariamente, na nossa moralidade antropocêntrica. Se ainda assim, a minha resposta não for o suficiente, sugiro que aqueles que discordam do meu posicionamento visitem matadouros e observem a reação dos animais antes de serem abatidos. Não é incomum eles recuarem, tentarem postergar o inevitável. Um animal que testemunha a morte de outro não se oferece para ser o próximo. Muito pelo contrário.

E a ausência de um código de comunicação em comum, sem dúvida torna tudo mais doloroso. Imagino que saberíamos, de fato, como é esse tipo de sentimento se uma espécie muito superior à nossa, e que tivesse um código de comunicação completamente diferente do nosso, fizesse algo parecido conosco. Claro, diferentemente dos selvagens, não despedaçamos nossas vítimas no instante em que as matamos. Porém, não fazemos isso depois? Os açougues e as seções de frios dos mercados provam que sim.

 





“Em nenhum lugar de um zoológico o visitante encontra o olhar de um animal”

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Foto: We Animals/ Jo-Anne McArthur

“Em nenhum lugar de um zoológico o visitante encontra o olhar de um animal. No máximo, a mirada do animal pisca e passa adiante. Eles olham de soslaio. Olham cegamente adiante. Passeiam o olhar mecanicamente…Esse olhar entre animal e humano, que pode ter desempenhado um papel crucial no desenvolvimento da sociedade humana, e com o qual, em todo caso, todos os homens sempre conviveram até menos de um século atrás, foi extinto.”

Página 26 de “About Looking”, de John Berger, publicado em 1980.