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Jornalismo Cultural

Quando publico fotos de animais…

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Foto: Tally Walker Warne

Quando publico fotos de animais, a parte mais triste é saber que muitos desses animais existem apenas como retrato uno e paradoxalmente sequente de um momento de grande sensibilidade, um momento que se foi. Muitos deles transmitem inocência, incredulidade, medo, desespero, terror ou ânsia pela vida. Há súplica em seus olhos.

O que vemos nas fotos são criaturas já falecidas, que sequer foram enterradas. Algumas de suas partes foram ingeridas e digeridas; outras se tornaram insumos de produtos que as pessoas usam no cotidiano, sem refletirem ou se preocuparem com o fato de que “aquilo” um dia pertenceu a um ser que assim como nós também se deslocava, se comunicava, sentia fome, sede.

Há também aquelas partes que foram descartadas como lixo, assim como fazemos com restos de alimentos, com coisas pequenas e insignificantes. Eles morreram, não tiveram uma segunda chance. Vidas curtas interrompidas pela elação. Cumpriram um objetivo que não era o deles, subjugados pela desconsideração e intransigência humana.





Written by David Arioch

October 16th, 2017 at 5:55 pm

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