David Arioch – Jornalismo Cultural

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Sue Coe e o bezerro no matadouro

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Arte: Sue Coe

Inside the Abattoir – Incrível e realista desenho da artista britânica Sue Coe. O contraste do bezerro hesitante e assustado, e as figuras humanas indiferentes ao temor animal, acostumados com essa realidade em que a criatura bovina não simboliza nada mais do que um objeto.

E nas laterais, de um lado alguns bezerros sobressaltados observam com olhos intumescidos e suplicantes a insensibilidade humana. Do outro, bezerros assistem a inação do bezerro na pista. Os bezerros à esquerda estão mais imersos nas sombras, talvez pelo choque com a última grande desilusão representada pelo homem que se distrai com um cigarro na boca, ignorando tudo que está logo atrás dele.

As paredes brutas, o isolamento, o ambiente soturno que não revela o que existe mais adiante também parece representar o fato de que o animal é morto de forma traiçoeira, já que ele é impossibilitado de ver o que aconteceu com aqueles que seguiram antes dele pelo mesmo caminho.

 

 

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Sugestões de leitura sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais

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“Jaulas Vazias” é um dos clássicos e mais importantes livros sobre direitos animais publicados pelo filósofo Tom Regan

Preparei uma pequena lista com sugestões de leitura para quem quer ler ou estudar um pouco sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais:

Comer Animais, de Jonathan Safran Foer
O Exilado Político Vegetariano, de Alexandre Kostolias
Libertação Animal, de Peter Singer
O Dilema do Onívoro, de Michael Pollan
O Estudo da China, de T. Colin Campbell
Skinny Bitch, de Roruy Freedman e Kim Barnouin
Food for Life, de Neal Barnard
Jaulas Vazias, de Tom Regan
The Case for Animal Rights, de Tom Regan
A Política Sexual da Carne, de Carol J. Adams
Ética & Animais, de Carlos M. Naconecy
O Último Teste, de Ricardo Laurino
O Poder e a Promessa da Educação Humanitária, de Zoe Weil
Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas, de Melanie Joy
Garfos em Vez de Facas, de Gene Stone
Introdução aos Direitos Animais, de Gary Francione
Galactolatria: Mau Deleite – Implicações éticas, ambientais e nutricionais do consumo de leite bovino, de Sônia T. Felipe
Manifesto pelos Direitos dos Animais, de Rafaella Chuahy
Vozes do Silêncio, de João Epifânio Regis Lima
Educação & Direitos Animais, de Leon Denis
Educação Vegana: perspectivas no ensino de direitos animais, de Leon Denis
Ética e Experimentação Animal – Fundamentos Abolicionistas, de Sônia T. Felipe
Por uma Questão de Princípios: Alcance e Limites da Ética de Peter Singer em Defesa dos Animais, de Sônia T. Felipe
All That Dwell Therein, de Tom Regan
R-209 – Habla el Frente de Liberación Animal
A Vida dos Animais, de J.M. Coetzee
Elizabeth Costello, de J.M. Coetzee
The Vegan Studies Project: Food, Animals, and Gender in the Age of Terror, de Laura Wright
Diet For a New America, de John Robbins
O Primeiro Passo, de Liev Tolstói
An Essay on Abstinence from Animal Food: as a Moral Duty, de Joseph Ritson
A Vindication of Natural Diet, de Percy Shelley
How and Why Become Vegan, de Melissa Lane
Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética, de Robson Fernando de Souza.
Pense no Garfo, de Bee Wilson
New American Vegan, de Vicent J. Guihan
Animal Rights: The Abolitionist Approach, de Gary Francione e Anna E. Charlton
Eat Like You Care: An Examination of the Morality of Eating Animals, de Gary Francione.

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Written by David Arioch

July 23, 2017 at 9:16 pm

Os riscos da interpretação pessoal do discurso vegano

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Se formos falar de veganismo, creio que o mais importante é manter o foco nos direitos animais, no abolicionismo animal

Interpretação pessoal do veganismo é uma coisa arriscada dependendo do discurso. Às vezes, vejo pessoas o relacionando com questões que não são prioritárias nesse contexto, ou que nem mesmo têm relação direta com o veganismo. Acho importante ter cautela nesse sentido porque isso em vez de unir pode segregar. Seres humanos são muito diversos e querer uma unidade de pensamento é uma coisa muito difícil. Afinal, somos singulares, temos nossas particularidades, perspectivas de vida, de mundo.

Há veganos com quem a única coisa que tenho em comum é a defesa pelos direitos animais, nada além disso. E pra mim está bom assim, já que essa é a base do veganismo. Fazer as pessoas enxergarem que os animais têm direito a vida não é fácil. Se eu complicar ainda mais isso, não creio que o resultado seria mais positivo. Claro, a não ser que haja abertura para uma discussão mais abrangente envolvendo formas de exploração, o que neste caso seria uma iniciativa pessoal minha.

Eu, por exemplo, venho de uma consciência que desde a minha adolescência foi fundamentada no humanitarismo, mas nem por isso acho que todos devem ser iguais a mim. Sou paciente, e espero que pelo menos aos poucos as coisas melhorem. Acredito que é essencial ter calma e, se formos falar de veganismo, creio que o mais importante é manter o foco nos direitos animais, no abolicionismo animal.

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Written by David Arioch

July 23, 2017 at 5:02 am

Erica Floyd e a exploração de animais na indústria de laticínios

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Arte: Erica Floyd

A artista vegana Erica Floyd desenhou a imagem de um ser humano bebendo leite do úbere da vaca e afastando o bezerro, que tem lágrimas em seus olhos porque foi privado do direito de mamar. A proposta da pintora é mostrar o que acontece quando consumimos laticínios, ou seja, quando damos suporte à exploração das vacas. Ao fundo, bezerros mortos e envoltos por manchas de sangue.





Written by David Arioch

July 22, 2017 at 12:53 am

A dieta vegana é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida

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Matt Ruscigno: “Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana” (Foto: Arquivo Pessoal)

“Podemos consumir tudo que precisamos em uma dieta vegana. Ela é benéfica ao longo de todo o ciclo da vida. Ou seja, desde a gravidez, passando pela lactação, infância, adolescência e toda a fase adulta. Uma dieta vegana bem planejada é totalmente adequada. Acho que o veganismo é muito saudável. Se olharmos para as organizações de saúde nos Estados Unidos, veremos que elas estão promovendo dietas vegetarianas. Elas dizem que devemos comer mais frutas, mais vegetais, mais grãos integrais, mais feijões, mais oleaginosas, mais sementes. Elas não estão dizendo que devemos ser ideologicamente veganos. Mas a diferença entre isso e o veganismo [enquanto filosofia de vida] é de apenas mais alguns passos.”

Matt Ruscigno, nutricionista e ex-presidente da Academia de Nutrição e Dietética dos Estados Unidos, em “Live and Let Live”.





Written by David Arioch

July 22, 2017 at 12:50 am

Associação Dietética Americana reconhece os benefícios da dieta vegana

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Foto: David Arioch

A posição da Associação Dietética Americana é de que as dietas vegetarianas, incluindo a dieta vegetariana estrita ou a dieta vegana, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e oferecem benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças.

Esse posicionamento da ADA foi publicado na US National Library of Medicine e pode ser conferido neste link:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19562864





Duas perguntas sobre direitos animais e plantas

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No utilitarismo existe a defesa de que caso um animal não seja senciente, não há problema em sua morte, já que ele não sente dor. Você concorda?

Arte: Bool

De modo algum. Embora os animais que a humanidade mais explora e mata sejam aqueles que, de fato, são sencientes, pra mim esse não é e não deve ser o único argumento em defesa dos direitos animais, do abolicionismo animal. Até porque se formos por esse caminho, acabaremos por ignorar o que ainda nos é desconhecido. Vejamos. Dizem que há 7,77 milhões de espécies animais no mundo, mas pouco mais de 953 mil foram estudadas em algum nível, mesmo que superficial, pela humanidade. Sendo assim, é difícil dizer se todos foram ou são sencientes. Justamente por isso eu acho que a senciência não deve ser a única baliza moral no reconhecimento do direito à vida animal. Por exemplo, vamos supor que eu tenha nascido sem a capacidade de sentir dor. Ou seja, você pode me bater, me esfaquear, que não sentirei nada. Isso seria motivo para que alguém tivesse o direito de me matar? Claro que não, porque aqui ainda existe uma vida com nível de consciência. E os animais não humanos também têm seus níveis de consciência. Afinal, eles se comunicam, se movem, interagem de alguma forma. Os julgamos de forma bastante equivocada, principalmente quando partimos do obtuso senso comum. Porque nesse caso temos o falho costume de usar como referência a forma como vivemos, nos comunicamos e nos relacionamos. E o especismo nos leva a isso, a uma forte crença de que tudo que é diferente de nós é inferior, menos digno. Os outros animais não precisam ser como nós para terem direito à vida. Eles são como são, e o que devemos fazer é respeitar isso.

Mas se você reconhece que os animais têm direito à vida mesmo quando hipoteticamente eles não são sencientes, as plantas reduzidas a alimento também têm, não acha?

Então, as plantas não têm cérebro, e não há nada realmente concreto quanto aos níveis de consciência delas. Mesmo entre os estudiosos do tema, não há consenso, principalmente quando se compara com os níveis de consciência dos animais humanos e não humanos. O que se descobriu de forma concreta até hoje é que elas respondem a estímulos externos. Há uma pesquisa interessante que repercutiu em 2016 envolvendo o sistema acústico-etileno, que captou reações das plantas a situações bem específicas, ou seja, com manipulação do ambiente. Os próprios pesquisadores deixaram claro que isso não significa consciência como conhecemos, mas sim reações ao meio. Além disso, existe a questão da autoconsciência também que é encontrada nos animais, mas não nas plantas. O que se sabe com certeza é que as plantas possuem elementos de consciência anótica, que é reação sem cognição, o que em si não é a mesma coisa que consciência. Bom, é aquela, vivendo, aprendendo e se adaptando conforme for surgindo novas descobertas. Estou preparado para qualquer coisa. Não vejo isso como um problema.

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Como surgiu o termo vegan

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Termo foi criado por Donald e Dorothy Watson

O termo vegan é uma versão reduzida da palavra vegetarian, mas tem uma história bem interessante por trás disso. Em 1944, o casal inglês Donald e Dorothy Watson estavam dançando quando decidiram pensar em um nome para a criação de um movimento que não concordava com o fato de que as sociedades vegetarianas da época achavam aceitável um vegetariano não comer carne, mas continuar consumindo laticínios e ovos. Donald e Dorothy entendiam que esse consumo também já representava privação e sofrimento animal. Então durante a dança veio a sugestão:

— Que tal vegan?
— O que significa isso?
— O começo e o fim de VEGetariAN.





Written by David Arioch

July 21, 2017 at 1:11 am

Quando fizer compras, priorize produtos não testados em animais

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Foto: Jo-Anne McArthur

Quando fizer compras, priorize produtos não testados em animais, e valorize empresas com essa preocupação. Acredite, há opções, inclusive mais baratas. Do contrário, financiamos o sofrimento de outros seres vivos, como o registrado pela fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur. Mais do que nunca, a realização de testes em animais é desnecessária, e há inclusive ONGs, como a Cruelty Free International, que oferecem alternativas e dão consultoria para acabar com esse sofrimento imposto aos animais.

Logo abaixo, você pode fazer o download de uma lista de produtos criada e disponibilizada pelo grupo vegano TrollAjuda, do Facebook:

https://www.4shared.com/office/7VaGaKBYei/Lista_Atualizada_de_Produtos_L.html

O “couro ecológico” que não é ecológico

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Couro ecológico não é a mesma coisa que couro sintético

Hoje em dia, se fala muito em “couro ecológico” não sintético como uma alternativa sustentável e consciente, já que o processo de produção desse material, diferente da tradicional indústria de couro, envolve o uso de produtos químicos menos agressivos, além de demandar menor quantidade de água e energia elétrica. Tudo isso fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem, contribuindo com o meio ambiente, ao comprar esse tipo de produto.

Porém, o “couro ecológico” também é de origem animal, e todo o processo até a retirada do couro é praticamente o mesmo de uma indústria convencional. Sim, seres que viviam como nós, têm suas peles arrancadas, e, dependendo da espécie animal, somente para atender a demanda da indústria de vestuário e acessórios. Até porque nem todos os animais são relevantes para a indústria alimentícia.

Defensores do “couro ecológico” não sintético, dizem que ele é amigo da sustentabilidade, já que não é curtido, por exemplo, com metais pesados como o cromo, que é extremamente poluente. Contudo, pensando somente por esse lado, incorremos no erro de ignorar fatos importantes. Também há impacto ambiental na criação de animais explorados com essa finalidade, já que eles demandam área, água e precisam ser alimentados.

Produzindo esse “couro ecológico” também incentivamos a morte de animais por um capricho, por um desnecessário apego estético. Além disso, há muitas opções de couro sintético a partir das mais diferentes matérias-primas, inclusive derivado de resíduos do vinho.

Alguém pode alegar que não é a mesma coisa. Independente da veracidade disso, não seria um prazer mórbido ter a oportunidade de não usar algo proveniente do cadáver de um animal e ainda assim insistir em fazê-lo? Sabendo que quando compramos couro, seja tradicional ou “ecológico”, também financiamos a morte de animais.

Mesmo quando o couro é apenas um subproduto, ele estimula diversas cadeias industriais que envolvem a exploração animal, até porque quanto maiores as possibilidades de lucro, maiores são os níveis de exploração de uma espécie. Sendo assim, mesmo quem não come carne, por exemplo, mas não abre mão do uso de couro de boi, seja “ecológico” ou não, também financia privação, sofrimento e a morte não natural de animais nos matadouros.

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Written by David Arioch

July 19, 2017 at 3:27 pm