David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Cortando o cabelo

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Depois de um bom tempo, fui cortar o cabelo. Sentei na poltrona e o camarada começou o seu trabalho com a maquininha e a tesoura. De repente, senti uma lâmina encostando sutilmente na minha barba. Fui tomado por calafrios e pensei comigo mesmo: “Nossa! Ele encostou a lâmina na minha barba. Por favor, não faça mais isso. Por favor!” Até senti minha barba se encolhendo naquele momento, parecia um tatu-bola na sua forma mais cabeluda. Juro que ela gemeu chorosa. Por um segundo, tive a impressão de ouvi-la me chamando para irmos embora: “Bora, David! Aqui não é lugar pra nós dois! Estão querendo nos separar!”

11 de novembro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:42 am

Posted in Crônicas/Chronicles

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No porto de areia

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Na semana passada, fui até um porto de areia identificar uma área que nas décadas de 1930 e 1940 serviu como rota de fuga de peões e colonos. De repente, um senhor se aproximou e, provavelmente achando que eu tinha alguma relação com o porto de areia, me questionou: “Você que é das arábias, entendido do assunto, pode me dizer se essa areia realmente é de boa qualidade?”

26 de outubro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:33 am

A cabeça dura e seus privilégios

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Ter a cabeça bem dura tem seus privilégios. Saí da academia e, como não demoraria para o sinal do semáforo ficar verde, dei uma corrida até o outro lado da rua. O problema é que não vi uma placa na esquina e bati minha cabeça nela. Com o impacto, a placa chegou a envergar antes de voltar ao normal. Quando olharam para a minha barba, ninguém teve coragem de rir. Eu? Segui meu caminho com a cabeça intacta.

31 de outubro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:32 am

“Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo”

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Andando pelo centro de Paranavaí, agachei para amarrar o cadarço do meu tênis, uma pessoa passou e jogou uma nota de R$ 2 e algumas moedas em minha direção. Vai entender. Mais tarde, quando saí da academia e atravessei a rua, uma senhorinha acompanhada da neta, me parou perto do Rotary. Pensei que ela estava perdida ou queria alguma informação, mas me enganei.

Ela pediu para segurar as minhas duas mãos. Reconhecendo seu olhar de ternura, consenti na hora. No mesmo instante, a senhorinha balançou minhas mãos e disse o seguinte: “Olhe esse moço, minha neta! Fazia muito tempo que eu não encontrava nenhum grego ortodoxo nesta cidade. Não estou nem acreditando! Adonai Echad, meu filho!”

20 de outubro de 2016.

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:31 am

A quitanda e o Barba Azul

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Passei na quitanda para comprar brócolis, repolho, alface e couve-flor. Selecionei quatro unidades e fui diretamente ao caixa. Quando os coloquei sobre o balcão, um homem disse: “Você é o Barba Azul?” Respondi: “Sou Sim! Isso mesmo! Como você sabe?” E ele continuou: “Percebi quando sua barba começou a magnetizar a alface.”

Entrei na brincadeira e comentei que ela faz isso só quando está com fome. O cara riu e perguntou: “Faz quanto tempo que você não corta essa barba?” Contei que estou deixando a barba crescer desde janeiro de 2016. “Sua barba cresce bem rápido. Também tenho a barba fechada. Só por causa dessa barba, vou te dar um desconto.” Graças à minha barba, que já merece um nome, o brócolis saiu pela metade do preço.

11 de novembro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:29 am

A barba cor de piche

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Em uma clínica, um homem também barbudo fitou-me à distância. Não demorou, ele se aproximou e sentou ao meu lado. Enquanto eu observava uma réplica de um quadro de Marcel Duchamp, o sujeito disse bom dia e perguntou: “Meu rapaz, como você pode ter uma barba tão cor de piche desse jeito? Eu estava olhando ali e…nossa! Sua barba chamou minha atenção! Parecia um ser vivo! Você pinta? Se pinta, me diga aí onde arrumo um pouco dessa tinta cor de piche.”

10 de novembro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:27 am

Eu e o Papai Noel

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Me ligaram avisando que o Robson, um garoto de 14 anos da Vila Alta, foi expulso da casa da avó e estava na rua. Então fui até lá procurá-lo. Depois de percorrer algumas ruas do bairro, encontrei alguns garotos jogando bola descalços na rua, com dois golzinhos feitos com tijolos. Perguntei se eles viram o Robson. Um deles me respondeu que ele saiu para buscar gasolina para o seu tio. “Ele está ficando na casa do tio dele”, disse Vitor. Aproveitei e pedi para eles falaram ao Robson para me ligar que quero saber como ficou a situação dele.

Não demorou, e um garotinho sem camiseta se aproximou da janela do meu carro e comentou sorrindo: “Eu te conheço….Sim…eu te conheço. Papai Noel, gente! Papai Noel! O que você vai me trazer de presente? Quero brinquedo, Papai Noel” Então eu expliquei que eu já tinha conversado com ele, mas na época eu não usava barba. Ele só ficava rindo e chamando outras crianças, provavelmente dez, para verem minha barba de perto. Saí de lá já assumindo um compromisso de Natal enquanto eu partia e a molecada gritava: “Tchau, Papai Noel! Volta logo!”

10 de novembro de 2016.

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November 16th, 2016 at 10:26 am

“Aquele rapaz deve ser turco”

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Assim que saí da academia, passei no mercado e fui até a seção de frutos secos. Comecei a analisar pacientemente o damasco e as tâmaras secas. De repente, ouvi uma moça conversando com uma amiga. Elas pareciam cheias de dúvidas, a julgar pelo tom de voz, que não era tão baixo. Logo uma delas falou para a outra, como se eu fosse incapaz de ouvi-las: “Aquele rapaz deve ser turco. Pergunte pra ele se aquele figo branco seco é autêntico mesmo.”

9 de novembro de 2016.

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:25 am

Gurus da internet

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Tenho receio desses gurus que povoam a internet hoje em dia, fazendo promessas de rápidas transformações estéticas e de saúde. Muitos deles buscam fama e retorno financeiro. Acredito que o ser humano precisa conhecer mais o próprio corpo, seu organismo….tentar entender melhor sua relação com si mesmo e as consequências de seus atos. Tenha disciplina. Não existe caminho fácil, mas seja paciente, persista. Além disso, não vejo como pode ser justo seguir alguém que precisa desprezar algo ou alguém para se promover.

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:22 am

Posted in Críticas

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Licença poética

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Volta e meia, vejo pessoas “corrigindo” expressões usadas por escritores em crônicas, poemas, contos e outros tipos de textos literários. Existe algo chamado licença poética que permite que o escritor escreva inclusive errado, se ele quiser e isto estiver de acordo com a mensagem que ele quer transmitir. Dias atrás, em um texto que publiquei, uma pessoa entrou no meu blog para “corrigir” uma expressão usada por Saramago. Oi? É preciso entender que a literatura não tem obrigação em ser normativa. Ela pode ser, o que é bem diferente.

Written by David Arioch

November 16th, 2016 at 10:21 am