David Arioch – Jornalismo Cultural

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Persil: brasilidade em evidência

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Premiado artista plástico destaca a importância de se valorizar a cultura brasileira 

Gabirus: identidade folclórica com ênfase na realidade. (Crédito: David Arioch)

Gabirus: identidade folclórica com ênfase na realidade urbana. (Foto: David Arioch)

O paranavaiense Roberto Persil se interessou pelas artes plásticas ainda na juventude. De lá para cá, são mais de 40 anos de carreira, sintetizados em pelo menos 1,5 mil obras, entre pinturas e esculturas que retratam a brasilidade. O reconhecimento de tal longevidade são as inestimáveis premiações e participações em salões de artes do Paraná, São Paulo e Mato Grosso.

 

Apaixonado pela cultura nativa brasileira e regionalista, Persil trabalha com elementos que resgatam lendas de um Brasil ainda desconhecido pela maioria. Exemplo é uma série de esculturas que vai muito além da acadêmica releitura contemporânea. “Recriei os Gabirus. São seres que moram embaixo de pontes e se situam entre o homem e o animal. Representam as pessoas que perderam o vínculo com a sociedade e com a família”, revela.

Outra característica dos Gabirus é que, assim como os mendigos, eles também vagam pelas ruas recolhendo coisas do lixo para comer. Além disso, criam relações afetivas com animais, principalmente gatos, cães e ratos – seres que consideram pertencentes a um mesmo plano existencial.

O artista plástico também se dedica a fazer releituras mais sofisticadas da realidade. Em uma de suas obras, a profundidade expressionista entre a fusão de colagem e pintura lhe rendeu um prêmio em um salão de artes. Conceituado pelo aporte inovador, gosta de mesclar materiais e elementos das mais diversas correntes artísticas. Algo perceptível no atelier que criou em casa, onde reúne centenas de obras.

O amor pela atividade é tão grande que Persil também montou um atelier em Cuiabá, no Mato Grosso, para onde viaja quando tem tempo. Sobre o motivo da escolha, justifica que é uma região com fortes elementos da cultura primitiva brasileira. “Vou pra lá todo mês de julho e aproveito pra absorver isso.Transfiro todo o conhecimento adquirido para as minhas esculturas e quadros”, frisa.

Quando tem pouco tempo disponível, o artista opta por concepções artísticas mais objetivas, em que o uso de tintas acrílicas é mais comum, pelo fato do processo de secagem ser mais acelerado. “Lecionei língua portuguesa por 30 anos, então adquiri esse costume de me dedicar a artes mais sofisticadas apenas quando tenho bastante tempo livre”, declara.

Roberto Persil com uma de suas telas: a interpretação depende da bagagem cultural do apreciador (Crédito: David Arioch).

Persil: “A interpretação depende da bagagem cultural do apreciador “(Foto: David Arioch)

Eis que surge um artista

Na infância, Persil tinha dificuldades para escrever, então seus pais o encaminharam a um artista local que dava aulas de caligrafia. Superado o problema e passado alguns anos, Persil se sentiu atraído pelos desenhos. “Tinha 12 anos e fiquei maravilhado com a beleza dos desenhos coloridos, do simples lápis-de-cor e da anatomia humana”, lembra.

Apesar de ter convivido durante décadas com a falta de tempo, o artista plástico já ultrapassou a marca de 1,5 mil obras. “Uma vez, para participar de um salão de artes, fiz 400 desenhos em dois meses. Isso foi em outubro e novembro de 1989”, conta.

Mesmo com um currículo artístico extenso, o prolífico Roberto Persil garante que as premiações recebidas no Paraná, São Paulo e Mato Grosso são sempre simbólicas. “Às vezes, somos premiados com R$ 500 e os custos com a peça é de R$ 800. Então é mais para somar à carreira”, garante. Persil faz parte do grupo de artistas brasileiros que sempre trabalharam para investir em arte. “O que não é fácil, pois exige dedicação”, assegura.

Aos 15, começou a usar crayon, determinante para se tornar frequentador do Empório Artístico Michelangelo, localizado na Líbero Badaró, em São Paulo. “Ia pra lá só pra comprar lápis francês e outros materiais”, destaca em tom bem-humorado. Mesmo muito jovem, os desenhos do artista já representavam mais que formas e cores; era o reflexo de um dom que partia do coração e se conduzia até os dedos das mãos. “Resolvi ir para São Paulo e Rio de Janeiro, o sonho de todo menino. Só que como vivíamos a Ditadura Militar era complicado. Sem emprego fixo, um garotinho era visto como suspeito”, revela.

Depois de dois anos vivendo entre São Paulo e Rio de Janeiro, produzindo arte final para listas telefônicas, Roberto Persil não conseguiu alcançar o sonho, mas descobriu nas capitais um novo fazer artístico. “Em 1973, me encantei pelas esculturas em madeira. Naquele tempo, trabalhos que valorizavam a cultura brasileira, principalmente nordestina, estavam no auge”, reitera. Mesmo não lucrando muito nas capitais, o artista trouxe consigo uma bagagem cultura que, segundo ele, não tem preço.

“Troquei a arte pela sobrevivência”

Em 1976, Roberto Persil começou a trabalhar com esculturas em madeira. Logo foi obrigado a render-se a uma indústria cultural em que a  originalidade artística perdia espaço para a injusta e desleal dinâmica das produções em série. “Como não tinha terminado a faculdade ainda, troquei a arte pela sobrevivência. Fazia tudo em um atelier no fundo de casa”, salienta.

No ano seguinte, retomou a carreira artística e conquistou estabilidade financeira se tornando professor de português. Em 1980, o artista ganhou seus primeiros prêmios. “Lembro bem da primeira vez. Foi no 2º Salão de Artes Plásticas para Novos, em Cascavel [no Oeste Paranaense]. Acho que deveriam investir mais nesses salões porque ajuda os artistas que estão em processo de maturação”, recomenda.

De acordo com Persil, é lamentável que os curadores de eventos artísticos não visitem ateliers de artistas principiantes. “São esses que precisam de ajuda, não os renomados. Nenhum órgão vinculado à cultura brasileira dá valor a quem está começando”, desabafa. Uma ótima contribuição seria a Secretaria de Cultura do Estado ou o Ministério da Cultura, por exemplo, ajudarem jovens artistas a criarem seus primeiros catálogos.

Contra o estrangeirismo

Produzir peças que resgatem a cultura nativa brasileira significa ofertar elementos históricos ainda desconhecidos pela população. Com esse pensamento, Roberto Persil faz um apelo para que os novos pintores e escultores brasileiros acreditem em si mesmo e no local em que vivem.

“Um artista não deve se vincular a estrangeirismo nenhum se quer reconhecimento genuíno. Devemos parar de importar ideias. Temos doze horas de luz, e essa luminosidade já pode ser explorada como fruto da nossa cultura”, enfatiza.

Saiba mais

Roberto Persil produzia 15 esculturas por semana na época em que contava com ajuda de um auxiliar.

Em média, o artista plástico pinta uma tela por semana.

Frase de destaque

“Nunca saberei dizer quantos desenhos já fiz, porque toda arte que produzo nasce de um desenho.”

 

10 Responses to 'Persil: brasilidade em evidência'

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  1. Persil é um ícone na arte paranavaiense. Parabéns pela matéria e pela bela e, porque não dizer, merecida homenagem.

    Amauri Martineli

    22 Feb 09 at 5:25 am

  2. hola. sou de paranavai mas vivo no paraguay a17 anos , tive o prazer de conhecer roberto persil na minha adolesencia,sempre tive vontade d rever as obras dele q dsde q conheci me apaixonei,gostaria muito de ter um contato com o roberto,,, amo as obras dele sou tua fa .. um abraso com carinho de uma pesoa q te adimira CELIA

    celia tristao leite

    10 Apr 10 at 4:12 pm

  3. Olá, Célia
    Fiquei contene pelas suas palavras. Muito me honra em sabe de pessoas que admiram meu trabalho.
    Abraço.
    Roberto Persil

    Roberto Persil

    17 May 10 at 12:53 am

  4. Oi estudo na escola Intentus de Paranavaí, e vou fazer uma biografia de vc, meu pai que me disse que vc é um grande artista, estudo na 4 serie. Parabens gostei muito de suas obras. Meu vo adora tambem esculpir, mais faz muito anos que ele não faz mais nada. Amnon.

  5. Roberto longo termpo nos separam, conheci voce por intermedio da Julieta, irma da Laura, Beth, Joao, muito tempo me afastei de Paranavai, agora psquisando na Internet, vi essa publicacao a seu respeito, gostei muito em saber do seu sucesso com artista plastico. Parabens…..
    Procuro localizar localizar a Julieta ha muito tempo, mas nao consigo, busco atraves da Internet, mas nao consigo o email dela.
    Gostaria que se possivel voce me desse informacoes sobre ela e a familia, meu endereco para contato eh:
    jacamozocante@bol.com.br

    abracos e sucesse continue com voce.

    jacamozocante1958

    14 Mar 12 at 9:35 pm

  6. ola,
    estou pesquisando sobre Paranavaí e me interessou o trabalho de Persil.
    Há algum trabalho exposto na cidade? me refiro a alguma obra que seja publica, talvez em uma praca ou monumento publico.

    santiago

    6 Apr 13 at 8:26 pm

  7. Tive a honra de conhecer o Roberto nesse ano ao me ingressar no curso de Arquitetura & Urbanismo (Unipar- Paranavaí ), onde o Roberto é professor de Meios de Expressão e Modelos Tridimensionais. É um privilégio, te-lo como meu professor e ganhei um grande amigo. O admiro muito, pessoa com um grande dom fantástico, belíssimo e com grande coração. Roberto me ensinou a adimirar uma obra de arte com o coração, tudo q ele faz vem do fundo da alma. Eu não pude resistir, ao encomendar uma obra para mim e sei q ele está preparando com muito carinho 😊
    Parabéns meu querido professor!
    Vc merece todo sucesso!

    Ana Paula Palangana Souza

    29 Jul 15 at 11:14 am

  8. Olá David Arioch! O Professor Artista Roberto Persil em 2008 recebeu do Governador Roberto Requião a Comenda da Ordem do Pinheiro!
    A Comenda da Ordem do Pinheiro, instituída pelo governo do Paraná em 1972, é a mais alta homenagem que o Estado presta àqueles que se distinguem pela notoriedade do saber ou por prestar serviços relevantes à comunidade paranaense.

    Sérgio Maurício Moreira

    13 Apr 16 at 5:16 pm

  9. Oh meu querido cunhado você é a pessoa mais integra que ja conheci meu melhor amigo tenho certeza que seu trabalho é e será motivo de muito orgulho p sua e minha
    familia q te ama muito vc merece muito mais !!!! Deus te abençoe sempre.Parabens David foste muito feliz ao traxer este homem talentos !

    Maria ELizabete de Andrade

    31 Jul 16 at 4:49 am

  10. Oi Roberto, parabéns pelo seu excelente trabalho, que Deus te abençoe sempre e que você continue sendo essa pessoa admirável. Eu e minha família somos seus fãs. Grande abraço.

    Fernanda

    19 Oct 16 at 3:53 pm

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