David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Breve reflexão sobre a propaganda que beneficia a exploração animal

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Lequetreque, frango da Sadia que celebra a própria morte.

Neste momento, penso em dois lados da publicidade e propaganda que beneficiam a indústria da exploração animal. De um lado, o investimento maciço feito na propaganda do suposto bem-estar animal e da dissimulação estética. Exemplos clássicos? Embalagens e comerciais com “animais felizes em morrer”.

Do outro, esteado em um contexto histórico e cultural, o endossamento gratuito que parte do sistema educacional por meio de material didático voltado à perpetuação da naturalização da objetificação animal, além de livros infantis que legitimam, romantizam e ajudam a perenizar essa exploração sem propor qualquer questionamento, reflexão ou margem à contrariedade.

Alguns livrinhos enfatizam: “O boi está feliz em morrer para que você possa comê-lo”, “Sim, a galinha existe só para te servir”, “Isso mesmo! Você é superior e pode fazer o que quiser com eles.” Quando reproduzimos e endossamos tais discursos, rejeitamos a realidade concreta e o êthos de nossas ações.

Afinal, aponte-me um animal feliz em ser golpeado no matadouro. Ou mostre-me uma galinha satisfeita em ter uma visa resumida a botar ovos; ou uma vaca se regozijando em dar à luz para brevemente ser privada do convívio com os seus.