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O vegetarianismo na vida de Attila Csihar

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Csihar: ” “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”

O vocalista e compositor húngaro Attila Csihar, que se tornou famoso como vocalista da banda de black metal Mayhem, não cansa de surpreender quem não o conhece. Levando em conta o seu perfil performático, sombrio e chocante durante suas apresentações, as pessoas rendidas aos clichês dificilmente imaginam que ele seja vegetariano. Sim, Attila Csihar se tornou vegetariano nos anos 1990.

Em entrevista à Revolver Magazine, ele contou que ficou enojado quando encontrou cabeças e pedaços de suínos no palco em seu primeiro show com o Mayhem. “Fiquei terrivelmente apavorado. Foi algo como: “Porra, não sei se quero fazer parte disso”, relatou.

Csihar explicou mais tarde que com o tempo entendeu que as carcaças de animais sobre o palco refletem a sociedade, a gula humana e a sua relação com os animais, o que pode parecer horrível ou reprovável para muita gente, mas para ele isso apenas reforça um fato cotidiano.

O vocalista e compositor concorda que embora estejamos imersos em uma sociedade acostumada a se alimentar de animais, a maioria rejeita a possibilidade de ter que confrontar uma realidade mais próxima de um matadouro do que de um açougue, onde os pedaços são fatiados e embalados de forma a despersonalizar o que a morte de animais realmente representa.

Antes de tocar no Mayhem, com quem gravou três álbuns entre os anos de 1994 e 2014, Attila Csihar fez parte da banda de black metal Tormentor, fundada em 1984, e que gravou o primeiro álbum “Anno Domini” em 1988. Ele ingressou na banda norueguesa em 1994, após a morte do fundador e guitarrista Oystein Aarseth, mais conhecido como Euronymous, assassinado em 10 de agosto de 1993.

Além do seu projeto Plasma Pool e da sua carreira solo, Csihar também teve passagens por bandas como Aborym, Limbonic Art, Korog, Anaal Nathrakg, Keep of Kalessin, Emperor, Sear Bliss, Sunn O))), Astarte, Ulver, Taake, Burial Chamber Trio e Grave Temple, entre outras. Ele também é conhecido por suas máscaras peculiares, como as criadas pelo egípcio Nader Sadek, que já assinou a direção de efeitos visuais dos shows do Mayhem e de seus projetos.

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Attila Csihar nasceu em Budapeste, na Hungria, em 29 de março de 1971.

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Ildjarn: “Penso que o meu isolamento se deve em grande parte ao desrespeito dos seres humanos em relação aos animais”

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“Nunca toquei nada com leite, carne, peixe ou seja lá o que for [de origem animal]”

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Ildjarn sempre se identificou mais com a natureza do que com a civilização (Foto: Divulgação)

Vidar Vaaer, mais conhecido como Ildjarn, é um músico norueguês e vegano que sempre se identificou mais com a natureza do que com a civilização. Preferindo o ostracismo à vida em sociedade, ele concedeu poucas entrevistas desde que começou a compor em 1992. Considerado uma figura enigmática da música underground norueguesa, Ildjarn aderiu ao veganismo quando tinha 17 anos.

“Nunca toquei nada com leite, carne, peixe ou seja lá o que for [de origem animal]. Respeito os animais e os considero seres dignos da vida. Penso que o meu isolamento se deve em grande parte ao desrespeito dos seres humanos em relação aos animais. Os animais estão no inferno. De qualquer forma, sigo minha consciência que é a minha estrela guia através da vida e, eventualmente, da morte”, declarou em entrevista publicada em 16 de junho de 2012 no portal Death Metal Underground.

Minimalista, intenso e primitivista, Vaaer, que embora muitas vezes foi classificado como um sujeito antissocial, também é definido como alguém bastante amigável. Por alguns anos, ele esteve envolvido com a questão dos direitos animais na Noruega. “Animais são merecedores da natureza”, disse em entrevista ao Mirgilus Siculorum em maio de 2003, e acrescentou que daria a própria vida para que os animais pudessem novamente vagar pela Terra sem ter medo dos seres humanos.

Para Ildjarn, os maiores problemas do mundo e da humanidade se devem ao fato de que os seres humanos não são leais a si mesmos, e por isso estão destruindo o planeta. Como alguém que desde criança observa a natureza, ele vê com desgosto as transformações do meio ambiente como consequência da intervenção humana. E foi essa sensibilidade aguçada que o motivou a compor em homenagem àquilo que sempre existiu independente do homem – a natureza.

No álbum de música ambiente “Hardangervidda”, lançado em 2002 em parceria com seu amigo de infância Nidhogg, ele criou uma paisagem sonora do homônimo planalto montanhoso situado no centro-sul da Noruega, cobrindo parte dos condados de Buskerud, Hordaland e Telemark, um dos lugares mais belos da Escandinávia. O registro também remete à história dos dois músicos com o local frequentado por eles desde a infância, onde muitas vezes praticaram trekking juntos e sozinhos, hábito preservado até hoje.

Quando passeia pelas montanhas, Ildjarn espera não encontrar pessoas, mas somente animais, por quem ele garantiu ter incondicional respeito e admiração. “Tenho esse sentimento pujante em relação à natureza norueguesa, e eu quis capturar alguns desses sentimentos. Acho que as pessoas podem começar a entender o significado que a natureza tem para mim ao ouvirem o CD ‘Hardangervidda’ [que teve uma segunda parte lançada em forma de EP no mesmo ano]. É apenas um fluxo de paisagens em forma musical, criado ao longo de anos passando algum tempo na natureza. Não tem ideologia, é uma fuga de tudo que se relaciona ao homem [civilização]”, afirmou em entrevista ao Mirgilus Siculorum e ao Death Metal Underground em 2003 e 2012.

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Local que inspirou Ildjarn a compor “Hardangervidda” em parceria com Nidhogg em 2002 (Foto: Divulgação)

Ildjarn qualificou o álbum como um grande hino à natureza, com composições musicais que não têm nada a ver com o amor no sentido comum. “É importante entender que tudo [que faço] é sobre a natureza. Nunca usei drogas e álcool porque quero manter minha mente pura até o dia que eu morrer. Tenho tantas visões e pensamentos que não pertencem a este mundo que não preciso dessas coisas”, justificou.

Ao longo de sua trajetória musical iniciada em 1991, Ildjarn, que nunca se importou muito com visibilidade ou fama, desapareceu várias vezes. E cada hiato sempre gerou inúmeras especulações. Mesmo assim, o seu acervo baseado em composições criadas principalmente até a metade dos anos 1990, que vão do black metal à música ambiente, inclui muitos lançamentos autorais.

“Unknown Truths” e “Seven Harmonies of Unknown”, de 1992; “Ildjarn”, de 1993; “Minnesjord”, de 1994; “Ildjarn”, de 1995; “Det frysende nordariket”, de 1995; “Landscapes”, “Strengh and Anger” e “Forest Poetry”, de 1996; “Son of the Northstar”, de 2001; “1992-1995”, de 2002; “Minnesjord – The Dark Soil”, de 2004; “Nocturnal Visions”, de 2004; “Ildjarn 93”, de 2005; “Ildjarn is Dead”, de 2005; “Rarities”, de 2012; e “Those Once Mighty Fallen”, de 2013, completam sua discografia.

Saiba Mais

O nome Ildjarn é uma referência há um lugar na Noruega, onde Vidar Vaaer afirmou que é possível captar alguns dos sentimentos pagãos noruegueses.

Os primeiros anos do projeto Ildjarn, fundado em Telemark, no sudoeste do país, foram baseados em composições que remetem a uma combinação de metal extremo e hardcore punk.

Em 1992, Ildjarn tocou baixo na lendária banda norueguesa de death metal Thou Shalt Suffer com Samoth e Ihsahn, do Emperor. Ihsahn gravou os vocais de algumas músicas da compilação “Det Frysende Nordariket”, lançada por Vidar Vaaer em 1995.

Referências

http://www.deathmetal.org/interview/vidar-vaaer-ildjarn/

http://www.old.mirgilus.com/interviews/ildjarn.html

http://www.deathmetal.org/interview/interview-nidhogg/

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