David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Semana Literária’ tag

Sobre a 35ª Semana Literária do Sesc em Paranavaí

without comments

Nos últimos cinco anos, mediei bate-papo com mais de 20 escritores de renome nacional e internacional na 35ª Semana Literária do Sesc e no projeto Autores e Ideias, também do Sesc. Aprendi muito e pretendo escrever sobre a experiência, mas sobre ontem, com a escritora Luci Collin e o escritor João Carrascoza, preciso dizer agora: uma das melhores experiências da minha vida.

Poucas vezes encontrei tanta simplicidade e simpatia em pessoas com tanto conhecimento literário e sabedoria sobre a vida. Eles mereciam um público de no mínimo milhares de pessoas. Definitivamente há escritores que te emocionam ao mostrar que são tão bons autores quanto seres humanos. Em poucas horas, e graças a eles, adquiri um conhecimento equivalente a anos de vida. Eu já conhecia algumas obras dos dois, mas agora quero ler tudo que produziram.

Por outro lado, me entristece reconhecer o desinteresse de tanta gente em participar de eventos culturais como a Semana Literária do Sesc. Inacreditável como professores, professoras, pessoas que se dizem leitoras assíduas, pouco se importam em participar de um intercâmbio cultural tão rico e raro como o de ontem, que trouxe a Paranavaí a Luci Collin e o João Carrascoza. A verdade é que as universidades e faculdades locais pouco se importam em prestigiar e contribuir de alguma forma. E na mesma esteira, muitos de seus profissionais e alunos.

O mais curioso é que há muitas pessoas que não participam desses eventos, mas se queixam do desinteresse pela leitura no Brasil, da falta de incentivo à circulação da literatura. Bom, mas não tenho dúvida alguma de que o azar é deles. E ainda bem que podemos contar com pessoas conscientes, incentivadoras e exemplares como a professora Rose Freire que levou um bom público para a Semana Literária na segunda-feira e ontem.

Written by David Arioch

September 17th, 2016 at 8:06 pm

Clube de Leitura do Sesc discute obras de autores paranaenses

without comments

Uma interação lúdica e estimulante sobre o Paraná a partir da perspectiva de seus escritores

Clube de Leitura vai debater o livro “O caso da Chácara Chão”, de Domingos Pellegrini (Foto: Amauri Martineli)

Clube de Leitura vai debater o livro “O caso da Chácara Chão”, de Domingos Pellegrini (Foto: Amauri Martineli)

Iniciado esta semana na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley, em Paranavaí, o projeto Clube de Leitura do Sesc convida leitores interessados em ler e discutir a obra “O Caso da Chácara Chão”, do escritor londrinense Domingos Pellegrini, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura em 1977 e em 2001. O projeto tem o apoio da Fundação Cultural.

Com o tema “Autores Paranaenses”, o objetivo é propor uma interação lúdica e estimulante sobre o Paraná a partir da perspectiva de seus escritores. “Em Paranavaí, temos um grupo que começou a se reunir na segunda-feira às 14h. Começamos lendo e depois conversamos sobre a obra”, explica a coordenadora da Biblioteca Municipal Júlia Wanderley, Cássia Ribeiro de Souza.

Segundo a orientadora de atividades de letramento Tamara Spinola, da equipe do Sesc Educação, outro grupo se reúne no mesmo local, das 9h30 às 11h, às quintas-feiras. “Vamos ler a obra ‘A Árvore que dava Dinheiro’, do Domingos Pellegrini. E aos sábados, no Sesc, leremos contos, também de escritores paranaenses. Começamos no último dia 21, sábado, com o ‘Vampiro de Curitiba’, de Dalton Trevisan’”, revela.

O Clube de Leitura foi idealizado para atender a comunidade em geral, mas principalmente os estudantes da rede pública de ensino que participam do programa Futuro Integral do Sesc. “Queremos que os leitores de Paranavaí se interessem mais pela literatura paranaense”, comenta Tamara. O projeto se encerra em agosto e os resultados serão apresentados em setembro na Semana Literária do Sesc.

O caso da Chácara Chão

Escritor de livros-juvenis, Alfredo Manfredi decide se distanciar do estresse urbano e se muda para uma chácara em busca de tranquilidade. Porém, no domingo de Carnaval, é surpreendido por um assalto. Depois de ferir um dos invasores e impedir o crime, Alfredo é surpreendido na delegacia com a acusação de que eles foram até a chácara a pedido de Olga, sua esposa, de quem um deles afirma ser amante.

Acusado de agressão e tentativa de homicídio, o escritor fica confuso e não sabe em quem acreditar e confiar. Para garantir mais realismo ao suspense, Domingos Pellegrini narra a história em ritmo cinematográfico e sincretiza elementos que prendem a atenção do leitor do início ao fim, como amor, resignação, revolta, amizade, indulgência, racismo, drogas, corrupção policial e jornalismo sensacionalista.

Saiba Mais

Em Paranavaí, os livros podem ser retirados na Biblioteca Júlia Wanderley. O projeto é oferecido em 27 unidades do Sesc do Paraná. Para mais informações, ligue para (44) 3474-8500.

Quatro anos de parceria com o Sesc

without comments

Alguns escritores me marcaram mais do que outros, mas sem dúvida todos deram sua contribuição

Eu, Bárbara Lia e Ricardo Chacal no bate-papo de ontem (Foto: Gislaine Pinheiro)

Eu, Bárbara Lia e Ricardo Chacal no bate-papo de ontem (Foto: Gislaine Pinheiro)

Ontem completou quatro anos desde que o Sesc Paranavaí me convidou pela primeira vez para mediar um bate-papo com alguns dos mais importantes autores da literatura brasileira contemporânea. Desde então, conheci muita gente, tanto na Semana Literária quanto no projeto Autores e Ideias. Alguns escritores me marcaram mais do que outros, mas sem dúvida todos deram sua contribuição. Ouso até dizer que o que aprendo com esses autores me garante o equivalente a anos de conhecimento.

Eles se doam no que fazem, e estão sempre lá bem dispostos, independente se o público é grande ou pequeno; se a maioria conhece ou desconhece suas obras. O mais importante é esparramá-la, disseminá-la. Com naturalidade, descortinam aquela ideia obsoleta, anacrônica, de que existe uma barreira entre o escritor e o leitor. Não me considero e nunca me considerei um mediador. Sou na realidade um aprendiz que tem boas oportunidades de conhecer pessoas sensíveis que fazem a diferença na cultura brasileira e que também contribuem para a minha formação humana, mesmo que o tempo seja curto para tantas lições.

Às vezes me empolgo tanto que deixo os convidados irem além do tempo estabelecido pela organização do evento – daí recebo algumas broncas e fica tudo bem. E sempre que posso, e não esqueço também, carrego meu gravador. Claro, porque no fundo o que melhor me define é a palavra ouvinte. E sem dúvida, sou muito grato ao Sesc pelo belo e aguerrido trabalho de estimular o interesse pela cultura em sua miríade de formas, mesmo que seus eventos ainda sejam pouco valorizados pela população.

Na foto da artista Gislaine Pinheiro – eu, a paranaense Bárbara Lia e o carioca Ricardo Chacal no bate-papo de ontem. Fiquei muito feliz de reencontrar o Chacal e conhecer a Bárbara Lia. São duas figuras ímpares que se destacam por acreditar na verdadeira arte, aquela que luta para sobreviver independente das exigências do mercado e da indústria cultural. Ou seja, duas forças de resistência na contramão de um mundo veloz que tenta nos moldar de acordo com a sociedade de consumo e sua obsolescência programada.