David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

O humor cáustico de Mel Brooks

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Primavera Para Hitler ironiza o nacional socialismo e a elitização da arte

PHOTOSPEED8NG / Film - The Producers

Filme é protagonizado pelos célebres Gene Wilder e Zero Mostel (Foto: Reprodução)

The Producers, de 1968, lançado no Brasil como Primavera Para Hitler, é uma comédia do cineasta estadunidense Mel Brooks sobre personagens fracassados que alcançam um sucesso nunca almejado. A obra ironiza o nacional socialismo e a elitização da arte.

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Peça de Bialystock e Bloom alcança sucesso inesperado (Foto: Reprodução)

No início do filme, o espectador é introduzido ao mundo degradante, embora cômico, de Max Bialystock (Zero Mostel), um produtor de teatro falido que sobrevive mantendo romances simultâneos com mulheres idosas. Na história, Bialystock conhece o contabilista Leo Bloom (Gene Wilder) que lhe apresenta a teoria do insucesso.

Leo explica a Max que superfaturar uma peça de teatro ruim aumenta as chances de um produtor enriquecer. A justificativa está no fato de que sem retorno financeiro não há lucro para dividir com os investidores. Assim, todos devem aceitar o fracasso como uma consequência natural.

Após uma pesquisa, a dupla decide produzir a peça Primavera para Hitler, um musical criado por um lunático imigrante alemão que mesmo depois de vivenciar a Segunda Guerra Mundial ainda defende o regime nazista. A peça escrita pelo germânico é uma cômica e caricata perspectiva romântica sobre o nacional socialismo e o Führer. Além de descaracterizar e ironizar os regimes totalitaristas, Mel Brooks mostra que a própria natureza humana, sempre atraída pelo incomum, impede que o homem seja politicamente correto. Exemplo é o sucesso da peça e surpresa de Bialystock e Bloom, crentes de que o público condenaria o espetáculo pelo teor xenófobo.

O cineasta também critica a elitização cultural, mostrando no filme que não é preciso ser artista, muito menos conceituado, para obter sucesso com a arte. O primeiro longa-metragem de Mel Brooks funciona também como uma autobiografia em que o humor corrosivo e ingênuo do autor, herança da comédia pastelão, tenta abrir os olhos dos espectadores para a necessidade em cultuar o que é novo e livre das amarras da tradição.

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