David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Por que só reconhecemos a exploração animal quando ela envolve violência explícita?

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Foto: Jo-Anne McArthur

Basta um ser humano ser forçado a realizar um trabalho para que olhemos para sua situação com preocupação. Se uma pessoa é obrigada a algo, sem que ela assim o deseje, logo qualificamos isso como exploração ou escravidão. Não precisamos ver marcas de violência em seu corpo.

Então por que quando falamos de outros animais não nos preocupamos em analisar a situação da mesma forma? Não seria justo? Por que só reconhecemos a exploração animal quando ela envolve violência explícita, tortura ou outros terríveis exemplos de crueldade?

É cômodo demais analisarmos a realidade dessa forma. Afinal, normalmente toda exploração é vista com um olhar rasteiro, de quem não vê nada de errado caso um animal não traga em seu corpo as piores consequências da violência.

Um animal não precisa ser violentado para demonstrar que está sendo condicionado a algo que não é de sua vontade. Ele traz a expressão do seu descontentamento. Mesmo que não trouxesse, isso não significaria nada, já que o condicionamento bem aplicado traveste até a maldade de bondade.

Basta pensarmos em pessoas que são capazes de escravizar outras e ainda assim fazer com que os escravizados se sintam agraciados. A realidade dos animais não humanos não é diferente quando eles são considerados explorados bem tratados.

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