David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for January, 2017

Rosa Parks: “Não é tão difícil ficar sem comer carne. [Me tornar vegetariana] Era algo que eu queria fazer”

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Rosa Parks foi vegetariana por mais de 40 anos (Foto: Reprodução)

Rosa Parks foi vegetariana por mais de 40 anos (Foto: Reprodução)

Em 1º de dezembro de 1955, Rosa Parks se recusou a obedecer ao motorista James F. Blake, quando ele exigiu que ela cedesse o seu lugar a um passageiro branco e se sentasse na seção relegada aos negros no fundo do ônibus. Por tal feito, embora não tivesse sido a primeira, ela foi presa e depois tornou-se um símbolo de resistência contra a segregação racial nos Estados Unidos.

Considerada mais tarde a primeira dama dos direitos civis e a mãe do movimento pela liberdade, ela tornou-se colaboradora de importantes líderes, como Edgar Nixon e Martin Luther King Jr. Chegou a ser considerada pela revista Time como uma das 20 pessoas mais influentes do século 20. E para além dos direitos civis, também ajudou na divulgação do vegetarianismo enquanto estilo de vida. “Não é tão difícil ficar sem comer carne. [Me tornar vegetariana] era algo que eu queria fazer”, declarou, de acordo com a organização independente Vegetarians of Washington.

Rosa, que nasceu em 4 de fevereiro de 1913 em Tuskegee, Alabama, e faleceu em Detroit, Michigan, aos 92 anos, em 24 de outubro de 2005, gostava de comer principalmente brócolis, verduras, batata-doce e feijões. “Por mais de 40 anos, tenho sido vegetariana. Cresci em uma família pobre. Tive problemas de saúde muito cedo por causa da minha má alimentação. Por isso, me alimentar de forma saudável é uma prioridade para mim”, disse em entrevista à psiquiatra Judith Orloff, publicada em 2004 no livro “Positive Energy: 10 Extraordinary Prescriptions for Transforming Fatigue, Stress and Fear into Vibrance, Strength and Love”.

Rosa recebeu muitas homenagens ao longo da vida, e provavelmente as mais importantes foram o prêmio da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP) e a Congressional Gold Medal, concedida pelo Congresso dos Estados Unidos, e entregue pelo então presidente Bill Clinton em 15 de junho de 1999. “Rosa Parks ajudou a divulgar o vegetarianismo. Ela era conhecida por promover a paz e a justiça. E também atribuía o seu sucesso, saúde e estamina a sua alimentação vegetariana estrita”, informou.

Referências

https://vegofwa.org/tag/famous-vegetarians/

http://www.peta2.com/blog/rosa-parks-vegetarian/

http://www.peta.org/blog/8-famous-vegetarians-might-surprise/

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Written by David Arioch

January 2nd, 2017 at 3:04 pm

Coretta King via o veganismo como uma extensão lógica da luta pela não violência

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Coretta se tornou vegana em 1995 e viveu assim até os seus últimos dias

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“Eu viajei com a senhora King, uma vegana, para um centro de emagrecimento na Flórida. Ao longo de uma semana, não comemos nada além de vegetais crus”

Em 4 de fevereiro de 2006, a escritora e professora estadunidense Barbara A. Reynolds, publicou no jornal The Washington Post, um artigo sobre quem era realmente Coretta Scott King, muitas vezes definida somente como a esposa do ativista político Martin Luther King. Coretta foi muito mais do que isso.

Ela própria era uma ativista desde a adolescência, e em 1995 aderiu ao veganismo, filosofia de vida que ela considerava como a mais adequada para quem passou a vida toda lutando por igualdade.

“Viajei com a senhora King, uma vegana, para um centro de emagrecimento na Flórida. Ao longo de uma semana, não comemos nada além de vegetais crus. E por anos, ela jamais se esqueceu de me enviar um cartão de aniversário”, conta Barbara.

Segundo Erin Zimmer, especialista em veganismo do portal DCist, de Washington, Coretta King, assim como o filho Dexter King, acreditava que a luta pelos direitos animais era uma extensão lógica da luta pela não violência defendida pelo marido Martin Luther King.

Para Stephanie Ernst, do portal estadunidense All-Creatures, de defesa dos direitos animais, a mudança de Coretta foi muito natural, tratando-se de alguém que teve uma vida compassiva, apaixonada e extraordinária. “Ela não era extremista, fanática – apenas uma vegana”, declarou.

Após o assassinato de Martin Luther King Jr. em 4 de abril de 1968, Coretta se empenhou em preservar o legado do marido ao liderar a construção do King Center e lutar pela criação de um feriado nacional em homenagem a ele.

“Antes de eu ser uma King, eu era uma Scott. Éramos proprietários de terras e pensadores independentes. Se eu fosse uma mulher fraca e temerosa, Martin teria sido forçado a recuar em suas campanhas. Eu trouxe não apenas o espírito de discernimento de minha mãe para o nosso casamento, mas também a força que herdei de meu pai”, argumentou em entrevista a Barbara Reynolds.

Na década de 1950, Coretta usou seu talento como cantora e realizou concertos para arrecadar fundos para as campanhas do marido. “Talvez muita gente não saiba que eu era uma ativista porque a mídia não estava me assistindo”, justificou.

Em 1942, quando ainda era uma criança, ela viu a própria casa ser incendiada por um grupo de brancos no Dia de Ação de Graças. Apesar disso, seu pai, assim como seu avô, jamais sentiu ódio ou tentou se insurgir contra os agressores. “Seu exemplo de perdão ampliou minha compreensão de que devemos ter o compromisso de usar o amor para triunfar sobre o ódio”, ponderou.

Saiba Mais

Coretta King nasceu em 27 de abril de 1927 em Heiberger, Alabama, e faleceu em 30 de janeiro de 2006 em Rosarito Beach, no México.

Referências

http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2006/02/03/AR2006020302512.html

http://www.all-creatures.org/articles/ar-celebrating.html

http://dcist.com/2006/01/mlk_day_vegan_s.php

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Mahler acreditava que o vegetarianismo é o caminho para a regeneração da humanidade

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“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo…”

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Mahler adotou o vegetarianismo por influência do compositor alemão Richard Wagner (Foto: Reprodução)

Símbolo do pós-romantismo e considerado um dos mais importantes compositores de todos os tempos, o austríaco Gustav Mahler se tornou vegetariano por influência das teorias de regeneração do compositor alemão Richard Wagner. Em carta escrita a Emil Freund em 1º de novembro de 1880, ele se queixou que precisava de algum tipo de conforto porque via miséria em todos os lugares e das mais diferentes formas.

“Se você conhece uma pessoa nesta terra que seja realmente feliz, diga-me seu nome rapidamente, antes que eu perca os últimos vestígios de coragem que resistem em mim. Qualquer um que tenha observado uma natureza verdadeiramente nobre e profunda lutando contra a mesquinhíssima mesquinhez, e que por isso perece, dificilmente ignora o próprio estremecimento, quando este considera em primeiro lugar a chance de salvar a sua própria e pobre pele”, escreveu Mahler.

Na carta, o compositor diz que no Dia de Todos-os-Santos ele colocaria flores no túmulo de uma amiga que cometera suicídio, uma jovem que ele conheceu aos 18 anos em Seelau, na casa dos pais de Freund, a algumas horas de distância de Jihlava, sua cidade natal. Os dois tinham grande afeto um pelo outro, e ela era fascinada pelo talento de Mahler ao piano. E foi pela fragilidade do seu estado de espírito ao saber da morte da amiga que ele teve contato com as teorias de Wagner e decidiu mudar de vida. Um mês depois de tornar-se vegetariano, ele anotou suas impressões e as enviou para Emil:

“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo o quão convencido estou, quando lhe digo que não espero menos do que a regeneração da humanidade”, declarou em referência ao vegetarianismo. Também sugeriu ao amigo que adotasse um estilo de vida mais natural, com nutrição adequada, alegando que logo ele sentiria os benefícios, de acordo com informações das páginas 165 e 166 do livro “Gustav Mahler: New Insights into His Life, Times and Work”, de Alfred Mathis-Rosenzweig.

À época, em transição para o vegetarianismo, mas ainda amargando tristeza recente, ele concluiu a famosa cantata Das Klagende Lied (A Canção da Lamentação) que, embora inspirada em um conto dos Irmãos Grimm, revela o seu próprio estado de espírito. “Minha peça está terminada. Um verdadeiro lamento de criança que me tomou alguns anos de trabalho, mas que acabou por valer a pena. O meu próximo passo é usar todos os recursos disponíveis para executá-la”, revelou em correspondência a Freund.

“Na estalagem, onde os cantores se encontravam à noite, ele era visto como ridículo por consumir água em vez de cerveja ou vinho. Recusando carne, pedia por maçãs e espinafre, e declarou sua lealdade aos princípios vegetarianos de Richard wagner. Os cidadãos desta pequena cidade concordaram que ele era um espécime muito estranho”, registrou o especialista em sociologia da música Kurt Blaukopf em referência à estadia de Gustav Mahler em Olomouc, na República Tcheca, entre os dias 11 e 17 de março de 1883.

Em 1894, Mahler decidiu se aprofundar no trabalho de Schopenhauer quando descobriu que ele foi a principal influência de Wagner no que diz respeito ao vegetarianismo. Para Rosenzweig, o interesse de Mahler se justificou pelo fato de que ele, assim como outros vegetarianos e entusiastas da época, buscava motivações menos místicas sobre o vegetarianismo.

Saiba Mais

Gustav Mahler nasceu em Kalischt, na Boêmia, atual República Tcheca, em 7 de julho de 1860 e faleceu em 18 de maio de 1911 em decorrência de endocardite bacteriana.

Referências

Blaukopf, Kurt. Mahler: His Life, Work and World. Thames & Hudson (2000).

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