David Arioch – Jornalismo Cultural

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Archive for the ‘Vegetariano’ tag

Vegetariano, Gorky se alimentava como um camponês

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Foto: Sophia Andreyevna Tolstaya

Maxim Gorky ao lado de Tolstói em Yasnaya Polyana em 1900. Vegetariano, Gorky se alimentou como um camponês a maior parte de sua vida. Gostava de vegetais em salmoura ou vinagre, além de sopas e aveia com frutas.

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November 8th, 2017 at 2:24 pm

Vegetariano, Tolstói não fazia concessões

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Vegetariano, o escritor russo Liev Tolstói não fazia concessões, independente dos hábitos alimentares de seus visitantes. Normalmente às 18h era oferecido um jantar:

Serviam uma sopa com bolinhos de massa e raízes, suflê de cenoura, arroz com ervilhas, sopa de couve-flor e salada de batata com beterraba, além de um purê de maçã com ameixas secas.

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November 8th, 2017 at 2:17 pm

Batata pré-frita pode não ser vegetariana

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Muita gente crê que batata pré-frita, por se tratar de um tubérculo, não tem como não ser um alimento vegetariano, mas a realidade é que tem como sim, principalmente porque a batata pode ter sido pré-frita em banha, ou seja, gordura de porco. O mesmo pode acontecer quando você pede uma porção de fritas em algum lugar. Por isso é importante ficar atento ou entrar em contato com o fabricante caso as informações não estejam tão claras.





Written by David Arioch

September 25th, 2017 at 12:54 am

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Multivitamínico vegano da Deva Nutrition

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Foto: David Arioch

Uma opção para veganos e vegetarianos que precisam de um multivitamínico livre de ingredientes de origem animal, e também livre de testes em animais, é o multivitamínico da Deva Nutrition, uma empresa pioneira na fabricação e distribuição de suplementos veganos nos Estados Unidos. A Deva ajuda organizações comprometidas com os direitos animais e é registrada junto à Vegan Society. Também faz parte da Green America e é parceira da American Forests. Todos os seus produtos têm certificação GMP, de boas práticas de produção, começando pela escolha ética da matéria-prima. Os produtos deles estão à venda na Iherb.

Para mais informações, acesse o site da Deva Nutrition.

 





Written by David Arioch

September 14th, 2017 at 8:21 pm

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém

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Arte: Sue Coe

Não brigo para parecer mais ou menos vegano aos olhos de ninguém. O foco do meu trabalho não é esse, mas sim informar, conscientizar e sensibilizar as pessoas sobre a exploração animal. Sou um cara comum, que anda e vive como uma pessoa comum. Como já disse outras vezes, as pessoas podem me chamar do que elas quiserem: vegano, vegetariano ou nada. Eu me importaria ou brigaria por algo assim se a minha luta fosse por identidade, mas não é. Minha luta é por justiça, e essa luta independe disso.

 





“Cara, não consigo gostar de comida vegana”

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“Porque isso é alimentação vegana, e você acabou de falar que não gosta disso”

— Cara, não consigo gostar de comida vegana.
— Sério mesmo?
— É sim…é muito estranha. Acho que não é pra mim…
— Por quê?
— Muita privação. Não consigo viver sem ter uma alimentação bem diversificada.
— Então vamos tirar esse arroz, feijão, tomate seco, palmito, couve, brócolis, ervilhas e cabotiá do seu prato. E também esse suco de laranja puro. E deixemos você só com a carne. Que tal?
— Por quê?
— Porque isso é alimentação vegana, e você acabou de falar que não gosta disso.
— Não, cara. Isso é comida normal, de quem come carne.
— E o que você acha que veganos comem?
— Não sei. Coisas estranhas, incomuns.
— Não, meu camarada. Veganos comem tudo aquilo que não envolve ingredientes de origem animal. Na nossa alimentação as possibilidades de variedade são imensas. Basta pensar da seguinte maneira – se uma pessoa não se alimenta de animais, o que resta? Uma infinidade de sabores. Agora me diga o que você consome no café da manhã.
— Aveia, banana, whey protein, cacau em pó…
— Substitua o whey protein por proteína vegetal e temos uma refeição para veganos.
— É?
— Sim, sem dúvida alguma.
— O que você come depois?
— Lá pelas nove e meia, normalmente como pão integral com queijo ou com ovo, e tomo um copo de leite.
— Entendi. Mantenha o pão integral, mas substitua o queijo por pasta de amendoim, ou, se tiver condições, por tofu ou outro tipo de queijo vegetal, que podem ser inclusive preparados em casa. Ou o ovo por hambúrguer de feijão, também de preparo muito fácil em um final de semana com algum tempo livre. E claro, além de barato. Também troque o leite por leite vegetal. Isso é alimentação vegana.
— Me parece mais simples do que imaginei.
— Pois é…

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Written by David Arioch

July 13th, 2017 at 9:27 pm

Bola Sete, um vegetariano que deixou seu nome na história do jazz

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Carlos Santana considera Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos (Foto: Reprodução)

O compositor, violonista e guitarrista carioca Bola Sete, que foi aluno do maestro Milton Santos, fez muito sucesso tocando jazz nos Estados Unidos e no México nas décadas de 1960 e 1970. De origem pobre, mas com uma herança musical muito forte, descobriu a aptidão para a música ainda na infância, quando começou a tocar cavaquinho e violão.

No Estados Unidos, Bola Sete foi um grande parceiro de Dizzy Gillespie e Vince Guaraldi, com quem lançou em 1963 o disco “Vince Guaraldi, Bola Sete and Friends”. Guaraldi foi o autor da trilha sonora do desenho animado “Peanuts”, que traz personagens como Charlie Brown e Snoopy. Em 1967, Bola Sete deixou o Vince Guaraldi Trio para criar o seu próprio trio, que trazia na formação os brasileiros Sebastião Neto e Paulinho, contrabaixista e baterista.

Quando o grupo decidiu se separar, Bola Sete já era um homem de meia-idade com sobrepeso e alguns problemas de saúde. Então ele viu que seria necessário dar uma guinada em sua vida. Parou de tocar e começou a meditar, praticando regularmente o hatha yoga. Primeiro, ele abandonou o consumo de carne e mais tarde se tornou vegetariano.

“Isso não apenas permitiu que ele perdesse mais de 22 quilos, mas também que ele conseguisse controlar a sua asma agravada por anos inalando fumaça nos clubes onde tocava. O novo estilo de vida garantiu que ele produzisse a música mais incrível de sua carreira”, afirmou o pesquisador Gerald E. Brennan.

Embora Bola Sete tenha seu nome quase sempre relacionado ao jazz, estudiosos de sua música como Brennan o consideram o pai da música new age. Isto porque as composições do brasileiro se tornaram muito espiritualizadas, destoando do jazz tradicional; algo que ficou mais claro depois que ele se tornou vegetariano.

Em 1970, quando excursionou pelo México com Stan Getz e outros artistas do jazz, Bola Sete se tornou extremamente popular, o que o motivou a lançar em 1971 o álbum “Shebaba”. “Bola Sete é tão significativo quanto Jimi Hendrix e Segovia, no sentido de ter sabedoria, conhecimento, alma e paixão”, escreveu o célebre guitarrista mexicano Carlos Santana. Nos Estados Unidos, há mais artistas que consideram Bola Sete um dos maiores guitarristas de todos os tempos, e não somente do jazz.

Saiba Mais

Djalma de Andrade, mais conhecido como Bola Sete, nasceu em 16 de julho de 1923 no Rio de Janeiro, e faleceu nos Estados Unidos em Greenbrae, na Califórnia, em 14 de fevereiro de 1987.

Entre os anos de 1958 e 1985, Bola Sete gravou 14 discos.

Referências

Http://www.bolasete.com/index.php

http://www.musicianguide.com/biographies/1608002433/Bola-Sete.html

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Eraldo, um bom exemplo

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Por volta das 14h, na saída de Maringá, passei no Catuaí e decidi comer alguma coisa no restaurante Jin Jin Wok. Peguei um prato e percebi que havia poucas opções para quem é vegetariano ou vegano. Muitos dos alimentos deles que não têm carne, normalmente têm ovo ou algum derivado lácteo.

Então peguei os únicos alimentos vegetarianos disponíveis e fui até o outro lado ver o que eles tinham preparado de sushi. Olhando atentamente, notei que não havia nada para mim. Então perguntei ao sushiman se eles não tinham nenhum sushi sem ingredientes de origem animal.

Ele me mostrou um sushi com pepino, mas avisou que não estava tão fresco, e sugeriu que eu esperasse porque ele iria preparar algo. No mesmo instante, pediu a uma mulher que estava no caixa para não cobrar pelo sushi, justificando que não havia nada para mim entre as opções prontas.

Assim que pesei meu prato e paguei a conta, caminhei até o sushiman e ele pediu que eu posicionasse meu prato em sua direção. Me entregou oito unidades de sushi de três variedades e perguntou se eu queria mais. Agradeci, mas expliquei que era o suficiente.

Depois de comer, o agradeci mais uma vez pela gentileza. Então eu soube que seu nome é Eraldo. Está aí um exemplo de bom profissional e ser humano.





Written by David Arioch

February 18th, 2017 at 9:02 pm

O vegetarianismo de Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa

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“Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?”

Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Hedayat: “Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los?” Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Em 1924, o escritor iraniano Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa, publicou o livro Ensān o ḥaywān (Homens e Animais), em que faz críticas ao comportamento especista humano. Três anos depois, lançou o livro Fawāyed-e giāh-ḵᵛāri (Os Benefícios do Vegetarianismo).

A obra que discute os direitos animais teve grande repercussão, inclusive na Europa, logo depois de sair em versão alemã e inglesa. O que levou o escritor iraniano a tornar-se vegetariano e a abordar o tema em sua literatura foi o fato dele ter testemunhado o brutal abate de um camelo.

Em 1936, Hedayat publicou Boof-e koor (A Coruja Cega), considerada sua grande obra-prima. No livro, lançado originalmente em Bombaim, na Índia, ele faz referências ao budismo e ao hinduísmo, o que gerou muitas controvérsias no Irã. No entanto, o aspecto mais intrigante do livro é a morte enquanto tema. Na história, o protagonista faz confissões às sombras que imitam as formas de uma coruja em uma parede.

“A presença da morte aniquila tudo que é imaginário. Somos a prole da morte e a morte nos livra das atrações tentadoras e fraudulentas da vida. É a morte que nos acena das profundezas da vida. Se às vezes chegamos a uma parada, o fazemos para ouvir o chamado da morte. Ao longo de nossas vidas, o dedo da morte aponta para nós”, escreveu em A Coruja Cega.

No conto persa Sag-e Velgard (O Cão de Rua), publicado em 1942, Hedayat, considerado o pai do vegetarianismo moderno no Irã, apresenta uma versão ficcional do livro ensaístico Homens e Animais. Na obra, faz críticas contundentes à crueldade humana e a naturalização da violência:

“No Irã, o burro nasce para trabalhar e ser torturado. O cachorro é assassinado em nome de Deus. O gato é lançado dentro de um poço e o rato é enterrado vivo nas vias públicas. Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los? Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?

Em frente à padaria, o assistente de padeiro batia no cachorro. Em frente aos açougueiros, o jovem ajudante arremessava tijolos. Tentando se esconder debaixo de um automóvel, o animal foi saudado pelas pesadas botas do motorista.

E quando todos os outros se cansaram de machucá-lo, foi a vez do garoto que vendia pudim de arroz feri-lo com especial satisfação. Ele continuava lançando tijolos em suas costas e, conforme o cãozinho gemia, ele ria em voz alta e gritava: ‘Seu pequeno bastardo!’ Todos eles espancaram o cachorro em nome de Deus.”

Referências

Encyclopaedia Iranica. Hedayat, Sadeq i. Life and Work (2003).

Hedayat, Sadeq. The Blind Owl. l-Aleph (2011).

Hedayat, Sadeq. Sag-e Vilgard. Negah; 2nd edition (2004).

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Mahler acreditava que o vegetarianismo é o caminho para a regeneração da humanidade

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“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo…”

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Mahler adotou o vegetarianismo por influência do compositor alemão Richard Wagner (Foto: Reprodução)

Símbolo do pós-romantismo e considerado um dos mais importantes compositores de todos os tempos, o austríaco Gustav Mahler se tornou vegetariano por influência das teorias de regeneração do compositor alemão Richard Wagner. Em carta escrita a Emil Freund em 1º de novembro de 1880, ele se queixou que precisava de algum tipo de conforto porque via miséria em todos os lugares e das mais diferentes formas.

“Se você conhece uma pessoa nesta terra que seja realmente feliz, diga-me seu nome rapidamente, antes que eu perca os últimos vestígios de coragem que resistem em mim. Qualquer um que tenha observado uma natureza verdadeiramente nobre e profunda lutando contra a mesquinhíssima mesquinhez, e que por isso perece, dificilmente ignora o próprio estremecimento, quando este considera em primeiro lugar a chance de salvar a sua própria e pobre pele”, escreveu Mahler.

Na carta, o compositor diz que no Dia de Todos-os-Santos ele colocaria flores no túmulo de uma amiga que cometera suicídio, uma jovem que ele conheceu aos 18 anos em Seelau, na casa dos pais de Freund, a algumas horas de distância de Jihlava, sua cidade natal. Os dois tinham grande afeto um pelo outro, e ela era fascinada pelo talento de Mahler ao piano. E foi pela fragilidade do seu estado de espírito ao saber da morte da amiga que ele teve contato com as teorias de Wagner e decidiu mudar de vida. Um mês depois de tornar-se vegetariano, ele anotou suas impressões e as enviou para Emil:

“Os efeitos morais desse estilo de vida são imensos. Você pode julgar por si mesmo o quão convencido estou, quando lhe digo que não espero menos do que a regeneração da humanidade”, declarou em referência ao vegetarianismo. Também sugeriu ao amigo que adotasse um estilo de vida mais natural, com nutrição adequada, alegando que logo ele sentiria os benefícios, de acordo com informações das páginas 165 e 166 do livro “Gustav Mahler: New Insights into His Life, Times and Work”, de Alfred Mathis-Rosenzweig.

À época, em transição para o vegetarianismo, mas ainda amargando tristeza recente, ele concluiu a famosa cantata Das Klagende Lied (A Canção da Lamentação) que, embora inspirada em um conto dos Irmãos Grimm, revela o seu próprio estado de espírito. “Minha peça está terminada. Um verdadeiro lamento de criança que me tomou alguns anos de trabalho, mas que acabou por valer a pena. O meu próximo passo é usar todos os recursos disponíveis para executá-la”, revelou em correspondência a Freund.

“Na estalagem, onde os cantores se encontravam à noite, ele era visto como ridículo por consumir água em vez de cerveja ou vinho. Recusando carne, pedia por maçãs e espinafre, e declarou sua lealdade aos princípios vegetarianos de Richard wagner. Os cidadãos desta pequena cidade concordaram que ele era um espécime muito estranho”, registrou o especialista em sociologia da música Kurt Blaukopf em referência à estadia de Gustav Mahler em Olomouc, na República Tcheca, entre os dias 11 e 17 de março de 1883.

Em 1894, Mahler decidiu se aprofundar no trabalho de Schopenhauer quando descobriu que ele foi a principal influência de Wagner no que diz respeito ao vegetarianismo. Para Rosenzweig, o interesse de Mahler se justificou pelo fato de que ele, assim como outros vegetarianos e entusiastas da época, buscava motivações menos místicas sobre o vegetarianismo.

Saiba Mais

Gustav Mahler nasceu em Kalischt, na Boêmia, atual República Tcheca, em 7 de julho de 1860 e faleceu em 18 de maio de 1911 em decorrência de endocardite bacteriana.

Referências

Blaukopf, Kurt. Mahler: His Life, Work and World. Thames & Hudson (2000).

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