David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for January, 2017

Tolstói: “Já que se come carne, é preciso ver como se matam os bois”

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Tolstói: “A realidade teve mais impacto sobre mim do que a minha imaginação” (Foto: Reprodução)

Em uma sexta-feira, o escritor russo Liev Tolstói foi a Tula, ao sul de Moscou, encontrar um amigo que ele considerava bondoso e sensível. Durante a conversa, pediu que o acompanhasse até um matadouro. O homem concordou em conhecer as instalações, inclusive admitindo curiosidade, porém deixou claro que não entraria no local se os animais estivessem sendo abatidos. “E por que não? Precisamente, é isso que quero ver. Já que se come carne, é preciso ver como se matam os bois”, argumentou Tolstói.

O amigo, que também era caçador, logo um matador, declinou a proposta, mas acabou concordando. Quando chegaram ao matadouro, notaram um odor intenso e repugnante de putrefação. O mau cheiro aumentava conforme eles se aproximavam do edifício de tijolos vermelhos com cúpulas e longas chaminés.

“Entramos pela porta da garagem. À direita, há um grande pátio cercado, que tem uma área de um quarto de hectare. Ali é onde duas vezes por semana amontoam o gado vendido. A portaria fica na extremidade desse pátio. À esquerda, há dois prédios com portas ogivais. O pavimento é de asfalto, forma um duplo declive; e contém aparatos para pendurar os bois mortos”, informou o escritor russo.

Diante da portaria, eles viram seis açougueiros sentados. Estavam com os aventais ensanguentados e as mangas arregaçadas, exibindo braços musculosos. Como o expediente terminara há 30 minutos, eles descansavam. As portas abertas do matadouro ajudavam a amplificar o odor nauseante de sangue quente. Lá, viram um pavimento turvo e brilhante. Em suas valas, havia sangue coagulado.

“Um dos açougueiros nos explicou de que modo se mata, e nos mostrou o lugar em que acontece tal operação. Não a compreendi de todo, mas ao contrário do que eu pensava, a realidade teve mais impacto sobre mim do que a minha imaginação”, admitiu Liev Tolstói.

Referência

Tolstói, Liev. O Primeiro Passo (1892).

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January 6th, 2017 at 5:39 pm

Jónsi: “Quando olho para a carne, o que vejo é o animal que a originou”

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Jónsi: “Acho que é fácil ser vegetariano. Você pode compra frutas e vegetais em qualquer lugar” (Foto: Julie Lavelle)

Jónsi, guitarrista e vocalista da banda islandesa Sigur Rós, uma das mais aclamadas do gênero pós-rock, se tornou vegetariano há mais de 16 anos. Foi algo que aconteceu gradualmente. Ele começou a comer cada vez menos carne até que seu corpo decidiu rejeitá-la completamente.

“Passei a sentir nojo de carne. E hoje, quando olho para a carne, o que vejo é o animal que a originou”, disse. Cada vez mais preocupado com a exploração animal, Jónsi decidiu se tornar vegano, até que mais tarde se interessou por uma alimentação baseada em alimentos crus.

O islandês se identificou tanto com o crudivorismo que começou a estudar sobre o tema, inclusive escreveu um livro com receitas crudívoras, embora a princípio tenha distribuído o conteúdo somente entre alguns poucos amigos.

“Isso faz de você um marginalizado socialmente, definitivamente, mas gosto disso. Gosto de ser diferente. Mas também gosto muito de alimentos crus. É maravilhoso, saboroso. Quem quer um hambúrguer horrível quando pode ter o seu próprio queijo? Faço o meu queijo com macadâmia. Você precisar experimentar”, enfatizou.

Em 2010, quando o jornalista irlandês Jason Killingsworth, da Paste Magazine, acompanhou Jónsi até Shoreditch, um distrito do borough londrino de Hackney, ele conheceu o Saf, o restaurante vegano favorito do compositor islandês. “Acho que é fácil ser vegetariano. Você pode compra frutas e vegetais em qualquer lugar. Se pessoas vão a um restaurante, logo perguntam que tipo de carne eles servem, e nunca entendem porque eu escolho uma salada. Mas salada é algo tão lindo”, justificou.

Questionado pela jornalista britânica Fiona Gailbraith, da Viva! Activists, se ele sairia para um encontro com uma pessoa que come carne, ele riu e comentou que isso seria bem difícil. “Simplesmente amo os animais e não quero matá-los, cozinhá-los ou comê-los, de modo que seria difícil assistir alguém fazendo isso”, argumentou. Antes de se despedir de Fiona, Jónsi agradeceu a todos aqueles que fazem algo em prol dos animais.

Saiba Mais

O guitarrista e vocalista Jón Þór “Jónsi” Birgisson fundou o Sigur Rós em Reykjavík em janeiro de 1994 em parceria com o baixista Georg Hólm e o baterista Ágúst Ævar Gunnarsson.

Quem quiser conhecer algumas das receitas veganas criadas por Jónsi, acesse: https://jonsiandalex.com/recipes

Referências

Duerden, Nick. Jon Thor Birgisson: ‘I like being a social outcast’. The Independent. 13 de março de 2010.

Killingsworth, Jason. The Unbearable Lightness of Being Jónsi. Paste Magazine. 6 de abril de 2010.

Galbraith, Fiona. Tonight, I sing for the animals. Viva! Activists. 8 de novembro de 2010.

http://www.vivaactivists.org.uk/celebrities/j%C3%B3nsi-birgisson-sigur-ros

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January 5th, 2017 at 10:48 pm

Romain Rolland: “Concedendo aos animais um raio de razão, imagine o quanto o mundo pode ser um pesadelo terrível para eles”

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Rolland: "Podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte" (Foto:

Rolland: “Podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte” (Foto:

“Ele não podia mais suportar ver uma das cenas mais ordinárias que testemunhara centenas de vezes – um bezerro chorando em uma cesta de vime, com seus grandes olhos salientes, seus tufos brancos encaracolados sobre a testa, seu focinho roxo e suas pernas dobradas.

Havia um cordeiro com as quatro pernas amarradas sendo transportado por um camponês. Pendurado de cabeça para baixo, ele tentava elevar a própria fronte, gemendo como uma criança, balindo e pendendo a língua cinza. Havia aves amontoadas em uma cesta e podia-se ouvir ao longe os guinchos de um porco sangrando até a morte, além de um peixe a ser limpo em uma cozinha.

As torturas inomináveis que os seres humanos infligem a essas criaturas inocentes fez seu coração doer. Concedendo aos animais um raio de razão, imagine o quanto o mundo pode ser um pesadelo terrível para eles: um sonho com homens de sangue frio, cegos e surdos cortando suas gargantas, abrindo-as, eviscerando-os, fatiando-os, cozinhando-os vivos e às vezes rindo da forma como eles se contorcem de agonia. Existe algo mais atroz entre os canibais da África?”

Excertos da página 328 de “Jean-Christophe”, romance de dez volumes produzido entre os anos de 1904 e 1912 pelo escritor francês vegetariano Romain Rolland, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1915.

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January 5th, 2017 at 8:32 pm

Oliver Sykes: “Quando vi como os animais são torturados, percebi que eu não poderia continuar fazendo parte disso”

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Sykes: “Vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne” (Foto: Forte Photography UK)

“Quando vi como os animais são torturados nas fazendas industriais, percebi que não poderia continuar fazendo parte disso. Então pensei: ‘E se fosse eu no lugar daqueles animais?’ Imediatamente, concluí: ‘É isso! Vou me tornar vegetariano!”

Excerto da entrevista que Oliver Sykes, vocalista da banda britânica de metalcore Bring Me The Horizon concedeu em julho de 2013 à Peta. Sykes decidiu parar de comer carne depois de assistir a um vídeo sobre crueldade animal divulgado pela Peta. “Além disso, vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne”, alfinetou.

Em outubro de 2015, de acordo com a revista Alternative Press, de Cleveland, Ohio, quando o Bring Me The Horizon excursionou pela Grécia, Sykes adotou uma cadela chamada Luna que foi abandonada em um abrigo em condições precárias em Santorini. Ele também ajudou a angariar fundos para a manutenção do local.

Assim como My Chemical Romance, Fall Out Boy, UnderOath e Anti-Flag, Bring Me The Horizon é apontado pela Peta como mais uma banda que tem contagiado jovens a se tornarem veganos ou vegetarianos.

Referência   

http://www.peta.org.uk/media/news-releases/bring-me-the-horizon-slams-kfc-with-original-art-peta2-giveaway/

https://www.altpress.com/news/entry/oli_sykes_urges_fans_to_help_animal_shelters

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Written by David Arioch

January 5th, 2017 at 8:16 pm

Mogwai: “Uma forma muito fácil de ajudar os animais é ser vegetariano”

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Braithwaite: "Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer" (Foto: Peter Mcnally)

Braithwaite: “Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer” (Foto: Peter Mcnally)

Um dos fundadores e principal compositor da banda escocesa de pós-rock Mogwai, uma das mais famosas do gênero, Stuart Braithwaite se tornou vegetariano depois de uma conversa que teve com sua mãe.

“Ela me disse que os porcos choram quando sabem que vão morrer. Então percebi que eu não poderia mais compactuar com esse processo. Uma forma muito fácil de ajudar os animais é ser vegetariano, já que você deixa de contribuir para que eles morram para se tornarem comida”, argumenta.

Em um vídeo gravado pela Peta em 2014, Braithwaite comenta que tem sido cada vez mais fácil ser vegano ou vegetariano, já que as opções sem ingredientes de origem animal crescem a cada dia. Além disso, ele defende que uma dieta livre de carne oferece inúmeros benefícios para a saúde.

“Antes mesmo de eu me tornar vegetariano, me contaram sobre os malefícios causados pelo consumo de carne processada e, de um ponto de vista saudável, isso não é bom para você”, enfatiza.

Saiba Mais

O multi-instrumentista Stuart Braithwaite e o baixista Dominic Aitchinson fundaram o Mogwai em 1995.

Referência

http://www.peta.org.uk/blog/mogwais-stuart-braithwaite-vegetarian-interview/

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Written by David Arioch

January 5th, 2017 at 7:44 pm

Mark Greenway: “Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás”

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Barney é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do subgênero grindcore

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Greenway: “Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, nunca mais consegui comer carne” (Foto: Mathieu Drouet)

Vegetariano desde os 14 anos, o inglês Mark “Barney” Greenway é o vocalista da banda de metal extremo Napalm Death, pioneira do grindcore. Ainda muito jovem, Greenway já era um ativista em favor dos direitos animais, inclusive discursando contra o consumo de couro e contra a fabricação de produtos que usam animais como cobaias.

“Vi um vídeo na escola sobre um matadouro. Daquele dia em diante, não consegui mais comer carne. Me tornei vegetariano e nunca mais olhei para trás. Eu tinha 100% de certeza de que eu seria vegetariano a minha vida toda. Mesmo depois de muitos anos, vejo que a realidade ainda não mudou”, informa.

Greenway, que mais tarde se tornou vegano, cita o fato de que vacas ainda são abatidas com captive bolt pistols, tiros de pistolas que penetram parafusos em suas cabeças. Imagens como essa o chocaram e o motivaram a abandonar o consumo de carne. “Faz muitos e muitos anos que não uso nenhum tipo de produto testado em animais. Sou um membro da Peta desde os meus primeiros dias [como vegetariano], e eu recebo muitas informações deles, e isso sempre foi muito útil para mim”, diz.

Em 1997, o Napalm Death lançou o EP “In Tongues We Speak” em parceria com a banda de metalcore estadunidense Coalesce. Das quatro composições, “Food Chains” se destaca por falar sobre os direitos animais a partir da perspectiva de que aquilo que as pessoas chamam de “comida”, era antes de tudo um animal que foi subjugado, preso contra a sua própria vontade. Em uma das passagens, Barney berra: “Tão sem conhecimento em seu anonimato/Porque quando você está marcado para a morte/Os ouvidos se apagam aos gritos.”

Quando escreve sobre os direitos animais, Barney gosta de criar jogos de palavras, recurso que ele considera mais eficaz para atingir o ouvinte. “Minha intenção é fazer com que o ser humano se coloque no lugar do animal. Talvez quando uma vaca acordar pela manhã, ele veja um parafuso em sua cabeça. Uma galinha de aviário passa a vida toda em uma gaiola. É uma vida miserável”, lamenta.

Greenway admite que adoraria se todas as pessoas do mundo se tornassem vegetarianas, porém acrescenta que não seria um prospecto realista, pelo menos da noite para o dia. Ainda assim, Barney crê que não há outro caminho que não seja a abolição das fazendas industriais. “As fazendas industriais são brutais. Os animais que nascem lá não têm a sua qualidade de vida diminuída. Na realidade, eles não têm qualquer tipo de qualidade de vida”, reclama.

Mesmo crente de que o mundo seria melhor se todos fossem vegetarianos, o vocalista inglês deixa claro que não se exalta diante de quem não é vegetariano. Por outro lado, acredita que as pessoas devem ser educadas em todos os níveis. “Eles precisam saber de onde vem sua comida”, justifica. Barney perdeu as contas de quantos fãs do Napalm Death se tornaram vegetarianos depois de ouvir suas músicas. “O que é absolutamente fantástico. É por isso que a música é uma ferramenta tão poderosa”, avalia.

Saiba Mais

Mark “Barney” Greenway nasceu em Great Barr, Birmingham, na Inglaterra, em 13 de julho de 1969.  É conhecido por apoiar muitas causas em defesa dos direitos animais.

Referências

http://www.peta2.com/heroes/napalm-death/

http://www.blabbermouth.net/news/napalm-death-frontman-talks-new-album-animal-rights-and-illegal-music-downloading/

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O vegetarianismo de Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa

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“Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?”

Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Hedayat: “Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los?” Foto: The Sadegh Hedayat Foundation

Em 1924, o escritor iraniano Sadegh Hedayat, expoente da literatura moderna persa, publicou o livro Ensān o ḥaywān (Homens e Animais), em que faz críticas ao comportamento especista humano. Três anos depois, lançou o livro Fawāyed-e giāh-ḵᵛāri (Os Benefícios do Vegetarianismo).

A obra que discute os direitos animais teve grande repercussão, inclusive na Europa, logo depois de sair em versão alemã e inglesa. O que levou o escritor iraniano a tornar-se vegetariano e a abordar o tema em sua literatura foi o fato dele ter testemunhado o brutal abate de um camelo.

Em 1936, Hedayat publicou Boof-e koor (A Coruja Cega), considerada sua grande obra-prima. No livro, lançado originalmente em Bombaim, na Índia, ele faz referências ao budismo e ao hinduísmo, o que gerou muitas controvérsias no Irã. No entanto, o aspecto mais intrigante do livro é a morte enquanto tema. Na história, o protagonista faz confissões às sombras que imitam as formas de uma coruja em uma parede.

“A presença da morte aniquila tudo que é imaginário. Somos a prole da morte e a morte nos livra das atrações tentadoras e fraudulentas da vida. É a morte que nos acena das profundezas da vida. Se às vezes chegamos a uma parada, o fazemos para ouvir o chamado da morte. Ao longo de nossas vidas, o dedo da morte aponta para nós”, escreveu em A Coruja Cega.

No conto persa Sag-e Velgard (O Cão de Rua), publicado em 1942, Hedayat, considerado o pai do vegetarianismo moderno no Irã, apresenta uma versão ficcional do livro ensaístico Homens e Animais. Na obra, faz críticas contundentes à crueldade humana e a naturalização da violência:

“No Irã, o burro nasce para trabalhar e ser torturado. O cachorro é assassinado em nome de Deus. O gato é lançado dentro de um poço e o rato é enterrado vivo nas vias públicas. Mesmo que matar pareça ‘útil’ para os seres humanos, que alegria poderia haver em torturá-los? Até quando vamos fechar os olhos diante de tanta barbárie?

Em frente à padaria, o assistente de padeiro batia no cachorro. Em frente aos açougueiros, o jovem ajudante arremessava tijolos. Tentando se esconder debaixo de um automóvel, o animal foi saudado pelas pesadas botas do motorista.

E quando todos os outros se cansaram de machucá-lo, foi a vez do garoto que vendia pudim de arroz feri-lo com especial satisfação. Ele continuava lançando tijolos em suas costas e, conforme o cãozinho gemia, ele ria em voz alta e gritava: ‘Seu pequeno bastardo!’ Todos eles espancaram o cachorro em nome de Deus.”

Referências

Encyclopaedia Iranica. Hedayat, Sadeq i. Life and Work (2003).

Hedayat, Sadeq. The Blind Owl. l-Aleph (2011).

Hedayat, Sadeq. Sag-e Vilgard. Negah; 2nd edition (2004).

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Arcade Fire e Orfeu Negro

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O vídeo da música “Afterlife”, da banda canadense Arcade Fire, que exibe cenas do filme “Orfeu Negro”, do cineasta francês Marcel Camus, é uma boa combinação. Ouvi Arcade Fire pela primeira vez por causa desse clipe. Orfeu Negro é um filme baseado na peça de Vinicius de Moraes, que venceu o Festival de Cannes de 1959. Inspirada no realismo poético, a obra conta uma trágica história de amor. Excetuando os clichês, é uma obra bela e inesquecível.

E a música do Arcade Fire tem tudo a ver com o filme, com o dilema do pós-vida, quando Orfeu não aceita a perda do seu grande amor e recorre a uma sessão espírita para tentar reencontrar sua amada. E o mais intrigante é que Jerry Zucker fez algo parecido décadas depois em “Ghost – Do Outro Lado da Vida”, com Patrick Swayze e Demi Moore. “Quando o amor acaba, para onde ele vai?”, é um dos questionamentos da música do Arcade Fire e que parece reproduzir a indagação que aflige Orfeu no filme.

Written by David Arioch

January 3rd, 2017 at 12:37 am

Liv kristine: “Passamos pelo enorme pátio de um matadouro. Só havia terror, brutalidade e morte. Desde então, sem mais carne”

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Liv kristine: “Sempre que posso visitar minha família na Noruega, gosto de estar em contato com a natureza e com a cozinha vegetariana/vegana”

Conhecida principalmente por ter sido vocalista de bandas de metal como Theatre of Tragedy e Leave’s Eyes, a cantora soprano norueguesa Liv kristine disse em entrevista ao kenta Press & Agency, da Venezuela, em 19 de dezembro de 2014, que ela nunca encontrou grandes obstáculos por ser vegetariana.

“Sempre que posso visitar minha família na Noruega, gosto de estar em contato com a natureza e com a cozinha vegetariana/vegana”, contou em entrevista à Screamer Magazine, de Los Angeles, em novembro de 2014.

Anos antes, em setembro de 2009, a cantora informou ao portal Blabbermouth, de Pasadena, na Califórnia, que ela tinha se tornado vegetariana há muitos anos, e que sua prioridade era uma alimentação mais diversa e baseada em alimentos frescos.

Porém, ela nunca tentou impor nada ao filho, até que em fevereiro de 2014, Leon acabou na sala de emergência de um hospital em Chicago depois de comer um pedaço de carne. “Nesse mesmo dia, passamos pelo enorme pátio de um matadouro no meio do deserto, onde vacas estavam de pé, rodeadas por carcaças e morte. Havia um rio vermelho de sangue…E eu não quero dizer isso. Não havia um campo ou grama verde nos arredores. Só terror, brutalidade e morte. Desde então, sem mais carne.”

Referências   

https://kentapress.wordpress.com/2014/12/19/a-biographical-interview-with-liv-kristine-ex-theatre-of-tragedy-leaves-eyes-special-article-part-ii/

http://www.blabbermouth.net/news/leaves-eyes-liv-kristine-the-voice-of-the-north-on-sporty-paths/

LIV KRISTINE – …Burns Like Hell

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Annie Besant: “Precisamos agir como guardiões e ajudantes dos animais, não como seus tiranos e opressores”

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“Os animais também sentem terror e atração. Reconhecemos neles o poder de ter sensações muito próximas das nossas”

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Besant: “Não temos nenhum direito de causar-lhes terror e sofrimento apenas para agradar ao nosso paladar, para acrescentar luxo às nossas vidas” (Foto: Reprodução)

A escritora, reformadora social e teosofista britânica Annie Besant se tornou famosa no século 20 por lutar pelos direitos das mulheres. No entanto, o que muita gente não sabe é que ela também foi uma importante defensora dos direitos animais. Vegetariana, Annie discursou para uma multidão no centro de Manchester, na Inglaterra, no dia 18 de outubro de 1897.

Naquele dia, ela afirmou que o ser humano só começa a se questionar sobre sua relação com os animais a partir do momento que ele se vê como parte de uma unidade que envolve todas as criaturas vivas. Ou seja, quando se afasta de uma concepção antropocêntrica. “Como podemos viver proporcionando menos prejuízo para as vidas que nos rodeiam? Como podemos evitar que nossas vidas gerem menos sofrimento no mundo em que vivemos?” perguntou aos espectadores.

Em seguida, começou a listar uma série de características que são partilhadas tanto pelos seres humanos quanto pelos animais. Os dois são capazes de sentir prazer e dor, de serem movidos pelo amor e pelo ódio. “Os animais também sentem terror e atração. Reconhecemos neles o poder de ter sensações muito próximas das nossas, e enquanto os transcendemos imensamente em intelecto, nossa natureza e a dos animais seguem interligadas. Sabemos quando eles estão aterrorizados, e que esse terror significa sofrimento”, disse.

Não apenas as feridas provocadas em um animal por mãos humanas são capazes de gerar dor, mas também as ameaças. Annie cita o fato de que muitos animais se encolhem de medo quando identificam a ausência de tratamento amistoso. “Todas as mentes pensantes e compassivas devem reconhecer que por sermos privilegiados precisamos agir como guardiões e ajudantes dos animais, não como seus tiranos e opressores. Não temos nenhum direito de causar-lhes terror e sofrimento apenas para agradar ao nosso paladar, para acrescentar luxo às nossas vidas”, declarou.

Annie Besant também discursou que à época as mulheres eram consideradas exemplos de refinamento, mansidão, compaixão, ternura e pureza. “Mas ninguém pode ter comido a carne de um animal abatido sem ter usado a mão de um homem como executor. Suponhamos que tivéssemos que matar por nós mesmas as criaturas cujos corpos estariam em nossas mesas. Há uma mulher em cem que iria ao matadouro para matar o novilho, o bezerro, a ovelha e o porco? Mas se não pudéssemos fazê-lo, nem o veríamos feito”, criticou.

Para Annie Besant, levando em conta que à época o açougueiro era também quem executava os animais, o suposto refinamento do ser humano é tão hipócrita e paradoxal que muitos evitam o contato com o açougueiro que fornece o suposto alimento, para evitarem associações entre morte e comida.

“Se achamos que eles são toscos pela repulsa que seus corpos despertam por estarem manchados de sangue; se reconhecemos a grosseria física que resulta de tal contato, como ousamos nos chamar de refinados, se compramos o nosso refinamento por meio da brutalização de outros, e exigimos que sejam brutais para que possamos comer os resultados dessa brutalidade? Não estamos livres dos resultados brutalizantes desse comércio só porque não participamos diretamente dele”, discorreu a defensora dos direitos animais em Manchester no dia 18 de outubro de 1897.

Saiba Mais

Annie Besant nasceu em 1º de outubro de 1847 em Clapham, Londres, e faleceu em 20 de setembro de 1933 em Adyar (Tamil Nadu), Madras, na Índia.

Referência

http://www.ivu.org/history/besant/text.html

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Written by David Arioch

January 2nd, 2017 at 7:42 pm