David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for April, 2017

Vydūnas: “Não é uma coisa terrível matar um animal e comer a sua carne?”

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“Às vezes, os animais podem demonstrar mais consciência do que os seres humanos”

O filósofo e poeta lituano Vydūnas é pouco conhecido no Ocidente (Foto: Reprodução)

O filósofo e poeta lituano Vydūnas é pouco conhecido no Ocidente, tanto que seus livros normalmente são encontrados apenas em lituano. Por um lado, porque suas obras sempre se voltaram mais para o povo lituano, embora ele, como um pensador humanista, tivesse uma grande capacidade de universalização de suas ideias. Por outro, porque seu trabalho foi proibido pelos nazistas em 1933; e depois pelos socialistas, quando os soviéticos anexaram a pequena Lituânia à URSS, após um pacto feito com os alemães.

Vydūnas era visto como uma ameaça pagã por tentar preservar a cultura lituana, enaltecer a natureza e o respeito a todos os animais. Em 1932, ele publicou o livro “Sieben Hundert Jahren Deutsch-Litauischer Beziehung” – sobre os 700 anos de relacionamento germânico-lituano, que fala sobre a interação dos povos, e como a cultura lituana foi afetada pela alemã, o que desagradou os nazistas.

Em 11 de março de 1938, o filósofo foi preso em Tilsit, que até hoje pertence à Rússia, e acabou libertado dois meses depois graças a um protesto liderado pela Sociedade Lituana de Escritores, que conseguiu apoio de pessoas de muitos países. Com a chegada dos soviéticos em 1940, o tratamento não foi diferente.

Vydūnas, que era um professor questionador, e tinha fama de livre pensador, despertou desconfiança e se tornou alvo de constantes perseguições. Em 2 de outubro de 1944, após um bombardeamento, ele se mudou para Provarbiai, perto de Konigsberg, na Alemanha, onde encontrou como abrigo um campo de refugiados. Depois de algumas semanas, se mudou para Detmold, no estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Em “Sąmonė”, que significa “Consciência”, uma de suas obras mais famosas – lançada em 1936, ele fala que apenas por meio da consciência a humanidade é capaz de encontrar uma visão verdadeiramente expressa da realidade. Para Vydūnas, a partir do encontro com essa realidade os seres humanos podem se voltar para uma condição que, mesmo partindo de uma perspectiva individual, tenha o papel de unir, não segregar. Ele também ganhou fama de místico por promover o renascimento da cultura pagã e ressaltar suas semelhanças com a tradição hindu.

Ainda muito jovem, Vydūnas voltou naturalmente a sua atenção para os animais não humanos. Em 1912, revelou que fazia mais de 20 anos que não consumia carne, de acordo com informações da página 16 da revista “Jaunimas”, ou “Juventude”, publicada em março de 1912. “Não é uma coisa terrível matar um animal e comer sua carne?”, questionou.  De acordo com o livro “1939: The Year that Changed Everything in Lithuania’s History”, de Šarūnas Liekis, Vydūnas se alimentava basicamente de comida vegetariana. E se manteve assim até os seus últimos dias de vida.

Vydūnas, que era um professor questionador, e tinha fama de livre pensador, despertou desconfiança e se tornou alvo de constantes perseguições (Foto: Reprodução)

Na obra póstuma “Raštai II Tomas”, ou “Registros – Volume II”, publicada em 1991, há mais provas de que Vydūnas defendia o direito dos animais à vida por uma questão moral e ética. Segundo o filósofo, às vezes, os animais podem demonstrar mais consciência do que os seres humanos, e porque são criaturas da natureza que trazem uma sabedoria geralmente refletida e, não raramente, facilmente aprendida. Pela sua sensibilidade, nível de consciência e influência moral, o pensador lituano chegou a ser comparado a Mahatma Gandhi e Rabindranath Tagore.

“Provavelmente todo mundo [os lituanos] já ouviu falar sobre Vydūnas (Vilius Storostas) e uma dieta vegetariana? Vydūnas continua a ser o mais famoso vegetariano lituano”, diz o artigo Vegetarizmas ir veganizmas Lietuvoje: XX a. pirmoji pusė”, publicado pela Vegan.LT, e que discorre sobre o vegetarianismo e o veganismo lituano no século 20.

Mesmo que mais tarde tenha sido considerado um exemplo enquanto pensador e ser humano, durante o domínio soviético, que chegou ao fim somente em 1991, Vydūnas foi obrigado a passar os seus últimos anos de vida longe da sua amada Lituânia. Ele faleceu em 20 de fevereiro de 1953 em Detmold, na Alemanha Ocidental.

“Ele não considerou como o mais importante objetivo de suas atividades o desenvolvimento de suas próprias teorias filosóficas ou o esclarecimento intelectual de seus compatriotas, mas sim [o ato] de estimular as pessoas a aspirarem por um ideal mais humano”, escreveu Jurate Baranova na página 89 do livro “Lithuanian Philosophy: Persons and Ideas”, lançado em 2000.

Vydūnas chegou a ser indicado como candidato ao Prêmio Nobel da Paz em 1940, mas por causa da conturbada situação política da Lituânia a sua candidatura foi revogada. Porém, mesmo diante de tantas adversidades ao longo da vida, ele jamais cogitou a possibilidade de não lutar.

“Apesar de ter feito muito e contribuído significativamente para a cultura nacional, durante muito tempo ele permaneceu no quase total esquecimento. Diz-se que o melhor teste de valores é o tempo; que somente os valores verdadeiros permanecem vivos, enquanto aqueles que não resistem às provações do tempo caem no estoque passivo do passado”, escreveu Baranova sobre Vydūnas.

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Wilhelm Storost nasceu em uma aldeia em Jonaten, perto de Heydekrug, em 22 de março de 1868. Ele adotou o nome Vydūnas com cerca de 40 anos.

Considerado um dos maiores líderes culturais da Lituânia Menor (ou prussiana) dos séculos 19 e 20, Vydūnas também fez um profundo trabalho sobre músicas folclóricas e tradições rurais. Também compôs canções e escreveu peças de teatro.

Além de lecionar filosofia, ele deu aulas de lituano, alemão, francês e inglês. Mais tarde, deu continuidade aos seus estudos filosóficos na Alemanha – em Greifswald, Haille, Leipzig e Berlim.

O seu túmulo pode ser visitado no Cemitério de Bitėnai, uma aldeia a 11 quilômetros de Pagegiai.

Referências

Liekis, Šarūnas. 1939: The Year that Changed Everything in Lithuania’s History. Rodopi  Páginas 67-71 (2009).

Strmiska, Michael. Modern Paganism in World Cultures: Comparative Perspectives.  ABC-CLIO. Página 361 (2005).

Baranova, Jurate. Lithuanian Philosophy: Persons and Ideas. Council for Research in Values, Página 89 (2001).

Vydūnas. Raštai II Tomas. (1991). Disponível em http://www.sarmatas.lt/wp-content/files/pdf/Vydunas-Rastai-II-tomas.pdf

http://vegan.lt/resursai/istorija/lt/

http://animalrights.lt/pasisakymai-vydunas

 

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Alissa White-Gluz: “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]”

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“Sou vegana porque sei que é possível ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”

Alissa é vegetariana desde que nasceu e depois tornou-se vegana (Foto: Divulgação)

Vocalista da banda sueca de death metal Arch Enemy, a canadense Alissa White-Gluz é vegetariana desde que nasceu, o que significa que ela jamais consumiu qualquer tipo de carne. A justificativa é que ela foi educada desde muito cedo a respeito do fato de que produtos de origem animal significam a exploração e a morte de seres vivos sencientes. “Sempre fui vegetariana, e ser vegana foi o próximo passo lógico [em 1999]. E no que diz respeito a ser straight edge, bem, se eu me importo o suficiente com a minha vida em geral, por que eu iria querer envenenar o próprio veículo que me permitiu viver – meu corpo?”, disse em entrevista ao Metal Horizons em abril de 2013.

Em junho de 2014, ela participou de um vídeo da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em que ela foi questionada se era difícil ser vegana. “Absolutamente, não. Seria difícil não ser vegana”, respondeu e acrescentou que a razão pela qual ela é tão apaixonada pelo veganismo é porque é uma filosofia de vida que beneficia os animais, o meio ambiente, os seres humanos em várias partes do mundo e a sua própria saúde. “Fico feliz em ajudar qualquer pessoa interessada nesse estilo de vida”, declarou.

Para quem tem dificuldade em perceber o que existe de positivo em ser vegano, a vocalista do Arch Enemy e ex-vocalista do The Agonist (2004-2014) pede que as pessoas façam uma pesquisa na internet quando tiverem algum tempo disponível. “Os fatos estão lá, é apenas uma questão de aceitar a realidade e ser parte da solução em vez do problema, afirmou à Peta.

Na definição de Alissa, o veganismo é um estilo de vida que envolve fazer um esforço consciente para se certificar de não comprar produtos como alimentos, vestuário e  cosméticos – entre outros que envolvam privação, sofrimento e morte de animais. “Sou vegana porque sei que é possível para mim ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”, justificou em entrevista publicada pela Revolver Mag em 31 de dezembro de 2014.

Ela também qualifica o veganismo como o grande motivador de tudo que ela faz em sua vida; um catalisador para a sua paixão pela música e por escrever letras. Ter alcançado um certo nível de notoriedade é visto por Alissa como um grande presente, porque dessa forma ela pode compartilhar informações com o seu público que não são divulgadas pela grande mídia.

“Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse. Não espero que todos se tornem veganos durante a noite, e não espero que ninguém seja perfeito. Mas se for possível despertar um pouquinho de consciência, mesmo algo tão simples como alguém evitando carne uma vez por semana ou não comprando cosméticos testados em animais mais, ou optando por peles falsas em vez de peles de verdade…isso seria uma grande vitória para mim”, enfatizou em entrevista publicada pelo Brave Words em 25 de março de 2013.

““Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse” (Foto: Divulgação)

Alissa White-Gluz diz que todos estamos presos em um estado coletivo de condicionamento, mas que se abrirmos os nossos olhos para a realidade, como aquela que envolve a exploração animal, imediatamente começaremos a nossa fuga. É justamente por isso que Alissa e os outros membros da banda de death metal canadense The Agonist, chamavam seus fãs de “Prisoners” ou “Prisioneiros” – porque somos pessoas em necessidade de despertar. “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]. Você pode trabalhar contra isso”, recomendou em entrevista ao Brave Words.

Ela também vê como positivo o crescimento do veganismo no cenário do heavy metal. Cita como exemplo o fato de estar se tornando difícil encontrar uma banda de metal que não tenha pelo menos um vegetariano ou vegano.

“Tenho sido vegana desde antes de fazer metal. Então isso é 100% do que sou e está 100% gravado na minha personalidade. Sou uma ativista dos direitos animais e dos direitos humanos, mas, você sabe, eu também sou uma música. Então, quando se trata de letras, é claro, me expresso sobre isso. Mas é um campo diferente. Música é arte, e eu acho legal incluir uma mensagem dentro da arte, mas não é a única coisa em que penso quando estou interpretando ou escrevendo”, revelou ao Metal Inside em entrevista publicada em 29 de maio de 2014.

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Alissa White-Gluz, que é vegana desde 1999, nasceu em 31 de julho de 1985 em Montreal, no Canadá.

Ela é membro-fundadora da banda canadense The Agonist, com quem gravou os álbuns “Once Only Imagined, de 2007; “Lullabies for the Dormant Mind”, de 2009; e “Prisoners”, de 2012.

Com o Arch Enemy, Alissa gravou o álbum “War Eternal”, de 2014; e o EP “Stolen Life”, de 2015.

Foi ela que incentivou o namorado Doyle Wolfgang Von Frankenstein, icônico guitarrista do Misfits, a tornar-se vegano.


Referências

http://www.metalhorizons.com/2013/04/interview-time-with-alissa-white-gluz.html

http://www.metalinside.de/interview/arch-enemy-alissa-white-gluz-about-war-eternal-linup-changes-and-psychedelic-dreams

http://www.revolvermag.com/news/arch-enemys-alissa-white-gluz-on-veganism-and-how-to-sing-with-a-broken-rib.html

http://bravewords.com/news/the-agonist-vocalist-alissa-white-gluz-veganism-is-what-drives-me-to-do-everything-in-life

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Doyle von Frankenstein, o guitarrista do Misfits que se tornou vegano por respeito aos animais

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“Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”

Doyle se tornou vegano em 1º de janeiro de 2014 (Foto: Jeremy Saffer)

Lendário guitarrista do Misfits, uma das bandas que criou e moldou o horror punk, Doyle Wolfgang von Frankenstein ingressou no mundo da música em 1980, por influência do seu irmão, o baixista Jerry Only, e do vocalista Glenn Danzig, que o ensinaram a tocar guitarra. De lá para cá, ele gravou álbuns que se tornaram clássicos, como “Walk Among Us” e “Evilive” de 1982; “Earth A.D./Wolfs Blood, de 1983; e “American Psycho”, de 1997.

Ao longo dos anos, Doyle se tornou uma das faces do Misfits, e não apenas por causa do estilo macambúzio que remete aos clássicos filmes de terror, mas também por sua personalidade irreverente e pelo bom condicionamento físico preservado mesmo depois de décadas.

Acostumado a consumir muita proteína de origem animal, no dia 1º de janeiro de 2014 o icônico guitarrista do Misfits, que segue em carreira solo desde 2007, decidiu tornar-se vegano, o que surpreendeu muita gente, principalmente quem conhecia o seu trabalho, mas acreditava que veganismo e ganho ou manutenção de massa muscular não é uma boa combinação.

A transição dele foi incentivada pela namorada Alissa White-Gluz, vocalista da banda
sueca de death metal Arch Enemy, que já era vegana há muito tempo e jamais consumiu carne, de acordo com uma entrevista feita com Doyle pelo The Vintage Vegans e publicada em 25 de maio de 2016.

Antes de se tornar vegano, sempre que o guitarrista saía com Alissa, eles iam a algum restaurante vegano, e aos poucos ele foi conhecendo um novo universo de possibilidades alimentares. Quando experimentava algo novo, Doyle se surpreendia com o sabor.

“Então ela me mostrou o que eles fazem com os animais, e todas essas malditas fábricas, e como somos uns fodidos para eles [os animais]. Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”, afirmou em entrevista ao Village Voice em 4 de maio de 2015.

Ele também comentou que desde então não quer deixar “uma trilha de morte e destruição” – em referência ao consumo de produtos que envolvem exploração animal. Um dos alimentos preferidos de Doyle é o seitan, inclusive é uma das suas mais importantes e preferidas fontes de proteínas. ‘Sou um adorador de seitan. Alissa e eu o preparamos muitas vezes em casa. É feito de glúten de trigo vital, muito rico em proteínas. Também tomo suplemento proteico”, revelou ao Vintage Vegans.

“Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores” (Foto: Divulgação)

Quando está excursionando com sua banda solo, Doyle usa um aplicativo chamado Happy Cow para localizar restaurantes veganos ou que ofereçam pratos vegetarianos. “Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores”, comentou em tom bem-humorado ao Vintage Vegans. O guitarrista garante que o veganismo já faz parte de todos os aspectos de sua vida, tanto que, segundo ele, até mesmo a maquiagem usada no palco é vegana – clown White, da marca Mehron.

Em entrevista à News Noise Magazine em 13 de março de 2017, Doyle von Frankenstein deixou claro que por enquanto não pretende abordar o veganismo em suas músicas, mas nem por isso deixa de motivar os mais jovens a seguirem por esse caminho. Na entrevista à News Noise, Gen Handley brincou com o guitarrista, perguntando se homens de verdade comem carne. Com a sua típica irreverência, ele respondeu: “Não…homens de verdade são veganos, obviamente.”

Saiba Mais

Doyle Wolfgang von Frankenstein nasceu em 15 de setembro de 1964 em Lodi, New Jersey.

Em 2005, Doyle fundou o Gorgeous Frankenstein, que lançou um disco homônimo em 2007. Mais tarde, ele mudou o nome da banda para Doyle, e lançou o álbum “Abominator” em 2013. Este ano, ele vai lançar o álbum “As We Die”.

Em 1990, ele, Jerry Only, The Murp, Jeff Scott Soto e Dave Sabo gravaram o EP “Deliver Us From Evil”, sob o nome Kryst the Conqueror – projeto fundado por Jerry e Doyle.

Referências

http://www.villagevoice.com/music/sex-knives-and-veganism-ten-things-you-didnt-know-about-doyle-from-the-misfits-6630114

http://www.thevintagevegans.com/interview-with-doyle-of-the-misfits/

Home

http://newnoisemagazine.com/interview-doyle-real-men-dont-eat-meat/#

 

 


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Os 30 anos do disco “Animal Liberation”, produzido em prol dos animais

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Mote do disco: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”

O disco foi uma ideia do então diretor de divulgação da Peta – Dan Mathews (Foto: Reprodução)

No dia 21 de abril, “Animal Liberation”, o primeiro disco inteiramente dedicado aos direitos animais, completou 30 anos. Quando foi lançado em 1987, o disco produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry, chamou a atenção pela proposta diferenciada. Até então, registros fonográficos com caráter beneficente eram feitos apenas em prol de causas humanitárias. Um clássico e grande exemplo é a música “We Are the World”, escrita por Michael Jackson e Lionel Richie em 1985.

Depois de refletir sobre isso, Dan Mathews, então diretor de divulgação da organização Pessoas Pelo Tratamento Étnico dos Animais (Peta), conheceu Al Jourgensen, que já era diretor da Wax Trax! Records, e pediu sua opinião sobre a ideia de um disco dedicado à causa animal: “Vá em frente!”, disse Jourgensen que se ofereceu para produzi-lo, de acordo com matéria de Tom Popson, publicada no Chicago Tribune em 7 de novembro de 1986.

A inspiração para “Animal Liberation” veio com a música “Skin”, lançada em 1980 pela banda britânica Siouxsie & the Banshees. A composição fala sobre a realidade da indústria de peles. “Pensei: ‘Isso é efetivo!’”, declarou Mathews. Depois de um ano de contato com bandas e artistas em carreira solo, o trabalho ganhou corpo com uma forte proposta baseada no mote: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”.

Disco foi produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry (Foto: Allan Amato)

Segundo Dan Mathews, muitos artistas e grupos entraram em contato querendo contribuir de alguma forma, porém, muitos queriam doar músicas com outra temática. “Como suas músicas não falavam diretamente dos direitos animais, realmente não podíamos aceitá-las”, justificou e acrescentou que a Peta visava tanto o aspecto financeiro quanto educacional.

Criticando a vivissecção, indústria de peles, indústria da carne e também a caça, Nina Hagen, Lene Lovich, Attrition, Chris & Cosey, Colour Field, Luc Van Acker, Shriekback, Captain Sensible e Howard Jones doaram não apenas tempo e criatividade, mas também disponibilizaram seus próprios estúdios de gravação para a realização do projeto. Enquanto “Hunter”, de Van Acker critica a caça, Hagen e Lovich abordam os testes em animais e a redução de animais à comida.

O que agradou bastante em relação ao disco é que houve uma preocupação em não parecer hostil nas letras e na temática, o que permitiu que “Animal Liberation” conquistasse bastante aceitação entre pessoas que não eram vegetarianas. “Nina e Lene têm uma canção muito otimista, muito vigorosa. Acho que é a música mais pop que elas fizeram. E não é algo que pareça como uma lição de moral. […] As pessoas podem tirar suas próprias conclusões”, declarou Mathews ao Chicago Tribune.

Embora Al Jourgensen, do Ministry, não toque no disco, ele fez as transições entre as músicas, além de ter criado os clipes de notícias e incluído citações que instigam o ouvinte à reflexão. O trabalho teve a contribuição de Bill Rieflin, Ion Barker e Roland Barker. O disco também foi lançado com uma música bônus e ao vivo – “The Meat is Murder”, do The Smiths. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos discos foi usado na produção e circulação de material para conscientização sobre os direitos animais.

Faixas do disco “Animal Liberation”

Al Jourgensen – “International Introduction” (1:36)

Nina Hagen / Lene Lovich – “Don’t Kill The Animals” (Rescue Version) (6:36)

Al Jourgensen – “Civil Disobedience Is Civil Defence” (0:58)

Attrition – “Monkey In A Bin” (2:26)

Chris & Cosey – “Silent Cry” (3:27)

Al Jourgensen – “Lab Dialogue” (0:24)

Lene Lovich – “Supernature” (5:40)

Al Jourgensen – “Life Community” (0:49)

Colour Field – “Cruel Circus” (3:58)

Luc Van Acker – “Hunter” (3:31)

Shriekback – “Hanging Fire” (3:00)

Captain Sensible – “Wot? No Meat!” (3:11)

Al Jourgensen – “Meat Farmer” (0:28)

Howard Jones – “Assault And Battery” (4:50)

Bônus – The Smiths – “Meat is Murder” (5:53)

Referências

http://articles.chicagotribune.com/1986-11-07/entertainment/8603230771_1_benefit-animals-songs-peta

http://waxtraxchicago.bigcartel.com/product/various-animal-liberation-cd-rare-out-of-print

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Reflexões sobre vegetarianismo, veganismo e ponderação

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Eu falando por alguns minutos sobre vegetarianismo, veganismo e ponderação. É um vídeo simples, sem edição, baseado apenas em reflexões espontâneas.

 


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Written by David Arioch

April 2nd, 2017 at 7:08 pm

No caixa do Muffato

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Na fila do caixa do Muffato, encontrei uma mulher sofrendo para carregar a compra em uma cestinha, então me ofereci para ajudar. Quando chegou a vez dela, a filhinha, que deve ter uns três anos e carregava um pacote de bolachas e um saquinho de frutas, esperou eu me afastar um pouquinho e disse: “Que muçulmano bonzinho, mãe!”





Written by David Arioch

April 1st, 2017 at 11:06 pm