David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Peta’ tag

E se humanos fossem abatidos como animais criados para consumo?

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Cena do filme “Holocaust – A Realistic Look Into slaughterhouses”, lançado pela Stretch Films em 2016

A Peta lançou ontem em seu canal no YouTube um curta-metragem intitulado “If Humans Were Slaughtered for Meat Like Animals”, que de um lado mostra os horrores do abate de suínos (com cenas reais).  Já do outro lado, apresenta uma inversão de papéis com cenas do filme “Holocaust – A Realistic Look Into slaughterhouses”, lançado pela Stretch Films em 2016 – em que um ser humano é colocado na mesma situação de um porco criado para consumo. Ou seja, recebendo os mesmos tipos de agressão. O objetivo é mostrar que talvez seja necessário nos imaginarmos na situação desses animais, para entendermos como a carne que chega ao prato do consumidor envolve privação, sofrimento e violência que antecede e culmina na morte de um ser senciente que não deseja morrer.





 

Anúncio pró-veganismo vai ser veiculado nos cinemas dos EUA antes da exibição de “Han Solo – Uma História Star Wars”

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” Nos sentimos separados do resto, mas nenhum de nós merece ser tratado com menos respeito”

RZA: “Nossa tarefa deve ser libertar-se do preconceito e nos vermos em todos os outros” (Foto: Reprodução)

Na segunda-feira, 28, “Han Solo – Uma História Star Wars”, estreia nos cinemas dos Estados Unidos. Uma das novidades da vez é que antes da exibição do filme os espectadores vão assistir um anúncio pró-veganismo estrelado pelo líder do grupo Wu-Tang Clan, Robert Fitzgerald Diggs, mais conhecido como RZA. A campanha idealizada pela Peta mostra o músico, produtor e ator vegano se transformando em diferentes homens, mulheres e animais enquanto fala que todos somos o mesmo.

No vídeo, RZA diz que somos todos iguais em todas as formas que importam, não importando como parecemos, quantos anos temos, que língua falamos ou quem amamos. Não importa se temos pelos, penas ou barbatanas; nem mesmo o comprimento do nariz ou o número de pernas.

Ele afirma que não somos diferentes em nenhum aspecto realmente importante: “Todos nós temos pensamentos e sentimentos. Todos nós sentimos amor, dor, solidão e alegria. Todos nós temos a capacidade de entender, mas nem sempre entendemos. Nos sentimos separados do resto, mas nenhum de nós merece ser tratado com menos respeito. Nossa tarefa deve ser libertar-se do preconceito e nos vermos em todos os outros.”

Sobre a criação do anúncio, a Peta justificou que outros animais sentem dor e alegria e têm uma sensação de autopreservação, assim como os humanos. “Todos podem ajudar a mantê-los seguros escolhendo refeições veganas, comprando roupas e produtos de cuidados pessoais livres da crueldade contra os animais, e ficando longe de circos e parque temáticos que os forçam a se apresentar.”





Você sabe se o batom que você usa é testado em animais?

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Realidade de um camundongo usado em testes de ingredientes

Você sabe se o batom que você usa é testado em animais? Se for, ele pode ter custado a saúde de um camundongo, mais tarde descartado como se sua vida não tivesse o menor valor. Não contribua com essa crueldade contra os animais. Acesse e tire suas dúvidas sobre produtos testados em animais no site da Pea e da Peta. Outra sugestão é entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante. Você também pode fazer um comparativo com outras listas disponíveis em sites que denunciam marcas e produtos que realizam testes em animais.





Os 30 anos do disco “Animal Liberation”, produzido em prol dos animais

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Mote do disco: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”

O disco foi uma ideia do então diretor de divulgação da Peta – Dan Mathews (Foto: Reprodução)

No dia 21 de abril, “Animal Liberation”, o primeiro disco inteiramente dedicado aos direitos animais, completou 30 anos. Quando foi lançado em 1987, o disco produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry, chamou a atenção pela proposta diferenciada. Até então, registros fonográficos com caráter beneficente eram feitos apenas em prol de causas humanitárias. Um clássico e grande exemplo é a música “We Are the World”, escrita por Michael Jackson e Lionel Richie em 1985.

Depois de refletir sobre isso, Dan Mathews, então diretor de divulgação da organização Pessoas Pelo Tratamento Étnico dos Animais (Peta), conheceu Al Jourgensen, que já era diretor da Wax Trax! Records, e pediu sua opinião sobre a ideia de um disco dedicado à causa animal: “Vá em frente!”, disse Jourgensen que se ofereceu para produzi-lo, de acordo com matéria de Tom Popson, publicada no Chicago Tribune em 7 de novembro de 1986.

A inspiração para “Animal Liberation” veio com a música “Skin”, lançada em 1980 pela banda britânica Siouxsie & the Banshees. A composição fala sobre a realidade da indústria de peles. “Pensei: ‘Isso é efetivo!’”, declarou Mathews. Depois de um ano de contato com bandas e artistas em carreira solo, o trabalho ganhou corpo com uma forte proposta baseada no mote: “Os animais não são nossos para comermos, usarmos e fazermos experimentações”.

Disco foi produzido por Al Jourgensen, da lendária banda de metal industrial Ministry (Foto: Allan Amato)

Segundo Dan Mathews, muitos artistas e grupos entraram em contato querendo contribuir de alguma forma, porém, muitos queriam doar músicas com outra temática. “Como suas músicas não falavam diretamente dos direitos animais, realmente não podíamos aceitá-las”, justificou e acrescentou que a Peta visava tanto o aspecto financeiro quanto educacional.

Criticando a vivissecção, indústria de peles, indústria da carne e também a caça, Nina Hagen, Lene Lovich, Attrition, Chris & Cosey, Colour Field, Luc Van Acker, Shriekback, Captain Sensible e Howard Jones doaram não apenas tempo e criatividade, mas também disponibilizaram seus próprios estúdios de gravação para a realização do projeto. Enquanto “Hunter”, de Van Acker critica a caça, Hagen e Lovich abordam os testes em animais e a redução de animais à comida.

O que agradou bastante em relação ao disco é que houve uma preocupação em não parecer hostil nas letras e na temática, o que permitiu que “Animal Liberation” conquistasse bastante aceitação entre pessoas que não eram vegetarianas. “Nina e Lene têm uma canção muito otimista, muito vigorosa. Acho que é a música mais pop que elas fizeram. E não é algo que pareça como uma lição de moral. […] As pessoas podem tirar suas próprias conclusões”, declarou Mathews ao Chicago Tribune.

Embora Al Jourgensen, do Ministry, não toque no disco, ele fez as transições entre as músicas, além de ter criado os clipes de notícias e incluído citações que instigam o ouvinte à reflexão. O trabalho teve a contribuição de Bill Rieflin, Ion Barker e Roland Barker. O disco também foi lançado com uma música bônus e ao vivo – “The Meat is Murder”, do The Smiths. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos discos foi usado na produção e circulação de material para conscientização sobre os direitos animais.

Faixas do disco “Animal Liberation”

Al Jourgensen – “International Introduction” (1:36)

Nina Hagen / Lene Lovich – “Don’t Kill The Animals” (Rescue Version) (6:36)

Al Jourgensen – “Civil Disobedience Is Civil Defence” (0:58)

Attrition – “Monkey In A Bin” (2:26)

Chris & Cosey – “Silent Cry” (3:27)

Al Jourgensen – “Lab Dialogue” (0:24)

Lene Lovich – “Supernature” (5:40)

Al Jourgensen – “Life Community” (0:49)

Colour Field – “Cruel Circus” (3:58)

Luc Van Acker – “Hunter” (3:31)

Shriekback – “Hanging Fire” (3:00)

Captain Sensible – “Wot? No Meat!” (3:11)

Al Jourgensen – “Meat Farmer” (0:28)

Howard Jones – “Assault And Battery” (4:50)

Bônus – The Smiths – “Meat is Murder” (5:53)

Referências

http://articles.chicagotribune.com/1986-11-07/entertainment/8603230771_1_benefit-animals-songs-peta

http://waxtraxchicago.bigcartel.com/product/various-animal-liberation-cd-rare-out-of-print

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Josh Middleton: “Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios”

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Middleton se tornou vegano quando estava compondo para o álbum “Monolith” (Foto: Divulgação)

Um dos fundadores da banda britânica de metal Sylosis, o vocalista e guitarrista Josh Middleton decidiu se tornar vegano enquanto estava compondo para o álbum “Monolith”, lançado em 2012. A mudança de estilo de vida foi motivada por um vídeo em que alguns japoneses apareciam decapitando golfinhos vivos.

“Não compro carne de golfinho, ninguém que eu conheço compra, mas comecei a dar uma olhada em informações sobre direitos animais e bem-estar animal. Te leva a questões ambientais, como os oceanos e os habitats naturais sendo destruídos. E isso vai mais longe, porque envolve corporações e grandes companhias como McDonalds, que demandam enormes quantidades de terra e derrubam florestas tropicais para a criação de gado”, ponderou Middleton a Luís Alves da Against Magazine em entrevista publicada em 22 de janeiro de 2015.

O músico britânico admite que o veganismo fez com que se tornasse mais consciente em relação a tudo. Para ele, cada faceta de sua vida depende das decisões que você toma, e como isso pode afetar alguém. Também te conduz a refletir sobre o destino do seu dinheiro nesse sistema. O veganismo realmente abriu os olhos de Middleton para o impacto do padrão de vida do ser humano na hipermodernidade, e o levou a repensar sua própria vida. Influenciado por sua namorada, ele começou a se interessar por meditação, segundo entrevista a Nathan Harlow, do Pure Grain Audio, veiculada em 6 de janeiro de 2015.

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“O vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”

“Acho que, como a maioria das pessoas, eu não tinha ideia do que acontece na indústria de laticínios. Quando eu comia carne, eu sempre entendia as razões das pessoas em não comer, mas eu pensava que os veganos eram um pouco estranhos. Ainda assim, desisti de comer carne para me tornar vegano. Preciso dizer que o vídeo da indústria de peles em ‘Earthlings’ [Terráqueos – documentário sobe a realidade da exploração animal] foi provavelmente a coisa mais horrível que já vi”, confidenciou à organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em 31 de janeiro de 2013.

Josh Middleton recomenda que as pessoas pesquisem sobre a realidade dos animais explorados pela indústria, e não acredite nos argumentos tendenciosos de quem lucra às custas desse tipo de exploração. “Se prepare para lidar com qualquer um que comece a agir como um especialista em nutrição, dizendo que você não está se alimentando direito. Se você remover coisas de sua dieta, certifique-se de incluir novos alimentos e preste um pouco mais atenção nas fontes de suas vitaminas e nutrientes durante o período de transição. Há um grande equívoco em afirmar que veganos são magros e desnutridos. Se você não prestar atenção ao que come, isso pode acontecer, mas não é difícil fazer boas escolhas”, garantiu à Peta.

Quando o Sylosis está em turnê, Middleton e os outros integrantes da banda evitam comer muito fast food. Excursionando com o Lamb of God, dos Estados Unidos, Josh Middleton relata que eles preparavam grandes saladas na maioria das noites de shows. “[O veganismo] Isso faz você pensar sobre o que coloca em seu corpo”, disse em entrevista ao Cryptic Rock publicada em 28 de julho de 2015.

Entre os alimentos preferidos do músico britânico está o seitan, a carne de glúten, embora ele não coma com frequência porque reconhece que não tem boas habilidades de preparo. “Sendo vegetariano, você começa a cozinhar para você mesmo e consome menos alimentos processados, o que é um bônus. Gosto de feijão, burritos e chili de grão-de-bico”, enfatizou.

Formação do Sylosis

Josh Middleton – Vocal e Guitarra
Carl Parnell – Baixo
Alex Bailey – Guitarra
Ali Richardson – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2008 e 2016, Josh Middleton lançou com o Sylosis os álbuns “Conclusion of an Age”, “Edge of the Earth”, “Monolith” e “Dormant Heart”.

A sonoridade do Sylosis, formado por Josh Middleton e Carl Parnell, é uma combinação de thrash metal e death metal melódico.

Referências

http://againstmagazine.com/sylosis-interview-w-josh-middleton-2/

http://crypticrock.com/interview-josh-middelton-of-sylosis/

http://puregrainaudio.com/interviews/interview-with-sylosis-vocalist-and-lead-guitarist-josh-middleton-discusses-new-album-dormant-heart

http://www.peta2.com/blog/band-spotlight-sylosis/

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“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos”

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Paul McCartney: “Somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco”

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O britânico Paul McCartney é o apresentador de Glass Walls

“Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos” se tornou uma das citações mais populares entre vegetarianos e veganos desde 2009. A frase foi dita pelo compositor britânico Paul McCartney no documentário Glass Walls (Paredes de Vidro), apresentado voluntariamente por ele em uma produção da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta).

Logo no início, McCartney relata que animais criados para atender a demanda da indústria passam por muitas situações de sofrimento. Exemplo é a realidade de frangos e perus, apontados como os animais que mais sofrem nesse mercado. Ele narra que não é incomum encontrar aves vivendo amontoadas aos milhares em espaços imundos, convivendo inclusive com os próprios excrementos.

Selecionadas geneticamente, elas chegam a crescer tanto em pouco tempo que, incapazes de suportarem o próprio peso, sofrem fraturas e ficam aleijadas. Funcionários mal remunerados também descontam nos animais as suas insatisfações. E isso acontece com frequência porque o trabalho nesses locais não é monitorado, segundo o documentário. “Muitas investigações em abatedouros de frangos e perus revelaram chocantes crueldades que vão além dos usuais abusos”, declara Paul McCartney.

O filme também mostra um vídeo de um homem falando enquanto torce violentamente o pescoço de uma galinha. “Às vezes, elas são difíceis de matar”, comenta com naturalidade. Há locais em que o espaço de confinamento das aves é tão pequeno que elas são incapazes de mover até as asas. Outro triste fato apresentado é que a ponta de seus bicos sensíveis é cortada com uma lâmina quente que provoca muita dor.

Para quem tem dúvidas sobre se essa prática é pontual ou recorrente, é possível encontrar vídeos de pessoas cortando os bicos de galinhas e frangos depois de esquentarem ferramentas na boca do fogão. O que é muito triste, levando em conta que o animal pode ficar até mais de um mês sofrendo em decorrência do corte.

McCartney afirma que frangos e galinhas são animais inteligentes cuja habilidade de raciocinar em alguns casos pode ser superior às habilidades de cachorros e crianças. Frangos e galinhas são também animais muito sociáveis, com uma elaborada ‘ordem de bicagem’ ou sistema de hierarquia social. Ainda assim, muitos são confinadas em gaiolas realmente pequenas durante sua vida inteira.

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Documentário mostra a realidade dos animais explorados pela indústria alimentícia

Acredito que todo mundo já viu galinhas ou frangos ocupando espaços minúsculos, sendo transportados por caminhões nas estradas. Então podemos dizer que não é difícil imaginar como esse tipo de confinamento é desconfortável. E se mantido por longos períodos, como acontece em grandes aviários, o confinamento em espaço reduzido gera desgaste dos músculos, além da deterioração e quebra de ossos desses animais, principalmente pela falta de uso, já que eles não têm como se movimentar.

“Seus pés ficam lacerados, e seus corpos machucados e cortados por ficarem em pé em arames durante 18 meses antes de serem enviadas para os matadouros. Ao final de suas miseráveis vidas, galinhas e perus são forçadamente jogados em gaiolas superlotadas e transportados por horas, sob todos os tipos de condições climáticas, sem comida ou água. Nos abatedouros, as pernas dessas aves são enfiadas em grilhões e suas gargantas são cortadas, muitas enquanto estão completamente conscientes”, enfatiza Paul McCartney.

Sobre os porcos, Glass Walls informa que eles são mais inteligentes do que cachorros, e se saem até melhor do que primatas em algumas tarefas, como, por exemplo, em videogames interativos. A justificativa é que suas habilidades cognitivas são superiores às habilidades de uma criança de três anos. Mesmo assim, esses animais não estão isentos de ficarem presos em condições de lotação e imundície.

“Muitos deles enlouquecem com o estresse, abusos e completa falta de estímulos mentais. Porcas reprodutoras são tratadas como máquinas, forçadas a gerar filhos atrás de filhos. Dão à luz em celas áridas, sem espaço para que cuidem dos filhotes. Leitões doentes ou muito pequenos são rotineiramente mortos”, lamenta McCartney.

O filme mostra cenas chocantes de um funcionário de um abatedouro matando um porquinho a pancadas. Um sujeito que não aparece ri e comemora. O compositor britânico denuncia que as condições vividas por muitos desses animais são tão ruins que a morte de porcos em decorrência de doenças é considerada aceitável pela indústria.

“Eles são selecionados para crescer de forma anormalmente rápida, o que provoca lesões, doenças e dor constante. Depois são submetidos a um transporte massacrante antes de serem abatidos. A insensibilização por choque elétrico não é confiável, o que significa que muitos porcos estão conscientes enquanto suas gargantas são cortadas”, revela o apresentador.

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O filme tem duração de apenas 13 minutos

De acordo com o professor e renomado biólogo britânico Donald Broom, da Universidade de Cambridge, vacas e bois nunca esquecem um rosto ou lugar. São animais com habilidades para resolver problemas complexos. Em suas pesquisas, Broom registrou que bovinos são tão dóceis que chegam a saltar no ar quando descobrem a solução para um problema. Ainda assim, são vistos apenas como matéria-prima para a produção de carnes e laticínios.

Outra informação pouco divulgada é que para ampliar a produção de carne e leite, os produtores alimentam as vacas com uma dieta não natural, gerando desconforto e dor ao animal. Durante o inverno em locais frios, não é tão incomum encontrar bovinos amontoados em galpões imundos e congestionados, o que lembra o mesmo regime de confinamento de aves e suínos. O que muita gente ignora, e também é defendido pelo documentário, é que as vacas produzem leite para os bezerros, não para seres humanos. E o que reforça essa afirmação é que para as vacas não pararem de produzir leite, elas são mantidas grávidas ou em fase de amamentação a maior parte de suas vidas.

As vacas leiteiras do mundo real  não são como a “Maiada” do Chico Bento. Uma vaca pode chegar a vinte anos se for bem tratada, mas quando exploradas muitas morrem aos seis anos, e em regime de exploração contínua, o que gera um grande desgaste psicológico e emocional. O filhote é afastado da mãe logo após o nascimento, causando grande estresse aos dois.

“Hoje em dia, nas fazendas leiteiras, as vacas são tratadas como máquinas de leite. Algumas são geneticamente manipuladas para produzir dez vezes mais leite do que seus bezerros mamariam naturalmente. Algumas vezes por dia, elas são conectadas a máquinas, o que pode causar uma dolorosa mastite por ordenha repetitiva. Quando elas não são mais úteis como produtoras de leite, são levadas ao matadouro para serem moídas e transformadas em hambúrgueres e em matéria-prima para sopas industrializadas”, assinala Paul McCartney.

Outra etapa dolorosa é a viagem de vacas até os matadouros. Muitas delas, fragilizadas pelo desgaste decorrente dos anos dedicados à produção de leite, morrem no caminho. Antes de serem mortas, elas passam pelo sistema de insensibilização que, assim como acontece com os porcos, não é realmente eficaz e pode intensificar a agonia e o desespero das vacas diante da morte. “Os abates religiosos são, no mínimo, tão cruéis quanto os métodos de abate convencionais. A carne desses animais é certificada como kosher pela União Ortodoxa, a maior certificadora kosher do mundo”, pontua McCartney.

Outro importante aspecto elencado pelo documentário é a realidade dos animais aquáticos. Paul McCartney ressalta que peixes têm tanto direito à vida quanto outros seres vivos, pois há um consenso científico de que eles são inteligentes; têm diferentes personalidades individuais e memórias sofisticadas.

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McCartney: “Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque”

“Não como ninguém que eu tenha conhecido pessoalmente. Eu não comeria deliberadamente uma garoupa mais facilmente do que eu comeria um Cocker spaniel. Eles têm uma índole tão boa, tão curiosa. Você sabe, peixes são sensíveis. Eles têm personalidade, sofrem quando são feridos. Também sentem dor do mesmo jeito que mamíferos”,  constatou a renomada bióloga estadunidense Sylvia Earle. Mesmo com tantas informações disponíveis sobre a natureza dos peixes, todos os anos eles são mortos aos bilhões.

Quando centenas de toneladas de peixes são capturados em redes de pesca, é comum os animais sofrerem em consequência da descompressão, sufocamento ou esmagamento. Nesse tipo de pesca, geralmente pega-se “acidentalmente” golfinhos, baleias, tartarugas e outros animais indesejados por parte da indústria. “São todos rotineiramente fisgados por anzóis e emaranhados em redes. [Quando indesejados] Seus corpos são jogados de volta ao oceano”, acrescenta McCartney, ponderando que alguns cientistas ambientais acreditam que nesse ritmo os oceanos estarão vazios até o ano de 2048.

Em Glass Walls, a aquacultura e as criações industriais subaquáticas também são qualificadas como extremamente abusivas, já que não é tão incomum os peixes terem de nadar entre seus próprios dejetos em tanques congestionados e até contaminados. “As doenças prosperam. As condições em algumas fazendas são tão horríveis que 40% dos peixes morrem antes mesmo dos criadores matá-los e empacotá-los como comida”, critica Paul McCartney.

Outro fator a se considerar é que, segundo o documentário, o consumo de peixes é a causa número um de intoxicação alimentar, e o único meio realmente significativo dos seres humanos estarem expostos à intoxicação por mercúrio, o que, dependendo da quantidade, pode causar problemas neurológicos.

Para Paul McCartney, não importa se a carne consumida pelos seres humanos é de um animal de quatro pernas, duas ou nenhuma. No seu entendimento, todas as carnes são vermelhas, em referência ao sangue derramado. O apresentador cita o surgimento de novas doenças em decorrência da produção moderna de carne, entre as quais a doença da vaca louca, Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e gripe aviária.

“Produtos de origem animal estão constantemente contaminados por bactérias como campylobacter, salmonela e E. Coli. O consumo de carne animal, que está cheio de gorduras e colesterol, é também um dos principais responsáveis pelo aumento vertiginoso de pessoas com obesidade, doenças cardíacas e câncer.

Por outro lado, vegetarianos correm menos riscos de contraírem doenças, o que para o compositor britânico Paul McCartney é um grande motivo para abdicarmos dos alimentos de origem animal.

“E se você se preocupa com o meio ambiente, por favor, saiba que de acordo com cientistas da ONU [Organização das Nações Unidas], o consumo mundial de carne gera cerca de 40% mais gases do efeito estufa do que a soma dos gases emitidos por todos os transportes do mundo. O relatório da ONU também afirma que comer carne é uma das maiores contribuições à degradação de terras, escassez de água e poluição do ar e da água. Se nos preocupamos com o meio ambiente, tirar a carne da nossa dieta é a ação mais importante que podemos tomar”, recomenda McCartney.

Ao final, o apresentador diz que somente o preconceito permite a qualquer um pensar que existe diferença entre maltratar um gato e maltratar uma galinha, ou maltratar um cachorro e maltratar um porco. Sofrimento é sofrimento, não importa como você o provoque. Ademais, não tenho dúvida de que o mercado da exploração animal é um dos negócios mais lucrativos da história da humanidade. Afinal, os animais não ganham nada para serem torturados e mortos. Como isso pode não ser um grande exemplo de injustiça?

Saiba Mais

Lançado em 2009, o controverso filme de curta-metragem tem apenas 13 minutos de duração.

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Paul McCartney sobre o consumo de carne: “Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”

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“Uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano”

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Campanha da Peta: “Eu sou Paul McCartney, e eu sou um vegetariano”

O cantor e compositor britânico Paul McCartney, que há muito tempo faz campanhas em defesa dos direitos animais, contou em entrevista à jornalista Barbara Ellen, publicada no The Guardian em 18 de julho de 2010, que abdicou do consumo de carne no início dos anos 1970, quando ele e sua esposa Linda estavam comendo um assado durante o jantar.

O casal olhou pela janela e viu cordeiros felizes saltitando. Sensibilizados com a cena, perderam o interesse em comer carne. “Foi como se a ficha tivesse caído, a lâmpada acendeu. Vimos que poderíamos simplesmente desistir disso. Acabei percebendo que eu estava tirando a vida dos animais”, disse.

McCartney atribui a Linda, falecida em 1998, a sua adesão ao vegetarianismo. Sua esposa inclusive atraiu muita atenção com seus livros de receitas sem carne. “Ela tinha um jeito, uma força não-agressiva, e muitos de nossos amigos se tornaram vegetarianos por causa disso”, explicou.

Um dia, quando estava pescando em um rancho em Nashville, nos Estados Unidos, ele puxou um peixe para fora da água e viu que o pequeno animal lutava bravamente pela própria vida. Normalmente, ele teria dito: “Sim, você é meu jantar!”, mas naquele dia o desfecho foi diferente: “Apenas pensei: ‘Oh, realmente estou matando você e posso fazer algo sobre isso. Então o tirei do gancho, o soltei e disse: ‘Aí está, camarada!”

O compositor britânico relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) publicada em 21 de abril de 2008 que se surpreende com o fato de que a maioria das organizações ambientais jamais citam a adesão ao vegetarianismo como uma das medidas mais importantes para ajudar a reduzir o aquecimento global. “O mais interessante é que hoje em dia é tão fácil ser vegetariano. Esse é um passo simples, mas extremamente efetivo, que muitas pessoas poderiam dar para ajudar o meio ambiente e melhorar a sua própria saúde”, argumentou.

Segundo Paul McCartney, a vida selvagem e muitos dos lugares mais belos do planeta estão sendo destruídos em consequência da industrialização irrefletida. “É algo que pode ser interrompido, e há sinais esperançosos de que as pessoas estão começando a perceber que isso deve ser feito [adesão ao vegetarianismo] para garantir um futuro melhor para nossos filhos e os filhos deles”, declarou.

Em entrevista a David Frickle, publicada na revista Rolling Stone em 10 de agosto de 2016, o compositor britânico revelou que não frequenta a rede de fast food McDonald’s porque é incompatível com seus ideais, o que significaria incentivar a exploração animal. O que também sempre gerou estranheza em McCartney é que muitas pessoas pensam que vegetarianos comem peixes:

“E quando você considera a pesca excessiva, a poluição marinha e os danos enormes aos nossos oceanos em decorrência da pesca comercial, fica mais óbvio ainda que um estilo de vida vegetariano pode melhorar muito o nosso meio ambiente e ajudar a salvar os oceanos.”

McCartney, assim como muitos, foi criado como um típico consumidor de carne, mas isso não impede que as pessoas façam escolhas melhores, que beneficiem os animais, a saúde e o planeta. “Acho que uma grande mudança que alguém pode fazer no seu estilo de vida é se tornar vegetariano. A indústria global da carne, por causa da terra e água necessárias para o serviço, é uma das maiores responsáveis pelo aquecimento global. Esse fato surpreendente emergiu nas pesquisas nos últimos anos. Então convido todos a refletirem e darem esse simples passo [tornarem-se vegetarianos] para ajudar o nosso precioso meio ambiente, o salvando para as crianças do futuro”, ponderou.

Referências

http://www.peta.org/blog/interview-sir-paul-mccartney/

https://www.theguardian.com/music/2010/jul/18/paul-mccartney-vegetarianism

http://www.rollingstone.com/music/features/paul-mccartney-looks-back-the-rolling-stone-interview-w433437

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Written by David Arioch

January 24th, 2017 at 12:16 pm

Weird Al Yankovic: “Espero não fazer com que você se sinta doente, mas os hambúrgueres são feitos de vacas mortas”

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Yankovic: “Minha ex-namorada me deu um livro intitulado ‘Diet for a New America’, e aquele foi um argumento muito convincente para que eu logo me tornasse vegetariano estrito”(Foto: P Squared Photography)

Em fevereiro de 2011, na entrevista “My family is the first priority”, publicada pelo Celebrity Baby Scoop, o humorista, cantor, ator e produtor estadunidense Weird Al Yankovic ironizou ao ser questionado sobre o motivo de ser vegetariano:

“Há muitos anos descobri algo sobre os hambúrgueres que me deixou muito enojado. Você pode não saber disso, então eu espero não fazer com que você se sinta doente, mas os hambúrgueres são feitos de vacas mortas. Não estou inventando isso. Assim que descobri a verdade, desisti completamente da carne.”

Mais tarde, em 26 de julho de 2014, ele explicou na matéria “16 Things We Learned After a Day at ‘Weird Al’ Yankovic’s House”, publicada na revista Rolling Stone, que sua jornada começou em 1992, quando se tornou vegetariano estrito:

“Minha ex-namorada me deu um livro intitulado ‘Diet for a New America’ [de John Robbins, publicado em 1987], e aquele foi um argumento muito convincente para que eu logo me tornasse vegetariano estrito”, disse Yankovic, quatro vezes vencedor do Grammy e conhecido principalmente por suas paródias de clipes e músicas da cultura popular dos Estados Unidos.

Aos 57 anos, Weird Al continua chamando a atenção pela enérgica presença de palco, o que ele atribui à sua alimentação vegetariana. “Prefiro legumes, arroz, massas e grãos. Como você pode ver em meu camarim, não falta frutas secas, sucos, húmus, chips e salsa”, informou na entrevista “What does Weird al eat?”, publicada pela Peta em 1º de agosto de 2016. O alimento preferido do artista é o mangostim, uma fruta suculenta com polpa mole e sabor delicado.

Saiba Mais

Weird Al Yankovic nasceu em 23 de outubro de 1959 em Downey, Califórnia. Recebeu 13 indicações para o Grammy e foi premiado quatro vezes. Em 2015, o seu disco “Mandatory Fun” foi o eleito o melhor álbum de comédia do ano.

Diet For a New America“, de John Robbins, discute vegetarianismo, o impacto ambiental das fazendas industriais e direitos animais.

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Oliver Sykes: “Quando vi como os animais são torturados, percebi que eu não poderia continuar fazendo parte disso”

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Sykes: “Vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne” (Foto: Forte Photography UK)

“Quando vi como os animais são torturados nas fazendas industriais, percebi que não poderia continuar fazendo parte disso. Então pensei: ‘E se fosse eu no lugar daqueles animais?’ Imediatamente, concluí: ‘É isso! Vou me tornar vegetariano!”

Excerto da entrevista que Oliver Sykes, vocalista da banda britânica de metalcore Bring Me The Horizon concedeu em julho de 2013 à Peta. Sykes decidiu parar de comer carne depois de assistir a um vídeo sobre crueldade animal divulgado pela Peta. “Além disso, vegetarianos são mais atraentes do que quem come carne”, alfinetou.

Em outubro de 2015, de acordo com a revista Alternative Press, de Cleveland, Ohio, quando o Bring Me The Horizon excursionou pela Grécia, Sykes adotou uma cadela chamada Luna que foi abandonada em um abrigo em condições precárias em Santorini. Ele também ajudou a angariar fundos para a manutenção do local.

Assim como My Chemical Romance, Fall Out Boy, UnderOath e Anti-Flag, Bring Me The Horizon é apontado pela Peta como mais uma banda que tem contagiado jovens a se tornarem veganos ou vegetarianos.

Referência   

http://www.peta.org.uk/media/news-releases/bring-me-the-horizon-slams-kfc-with-original-art-peta2-giveaway/

https://www.altpress.com/news/entry/oli_sykes_urges_fans_to_help_animal_shelters

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Rob Zombie: “Sou vegetariano desde que era criança e depois me tornei vegano. Sinto que os animais sempre precisam de proteção”

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Rob Zombie: “Mas primeiro entenda porque você está fazendo isso. É preciso fazer pelas razões certas. Você deve acreditar no veganismo” (Foto: Reprodução)

“Sou vegetariano desde que era criança e depois me tornei vegano. Acho que é uma boa coisa de se fazer e, mais do que isso, é a coisa certa a se fazer. Mas primeiro entenda porque você está fazendo isso. É preciso fazer pelas razões certas. […] Realmente me importo com os animais, as causas animais. Sinto que os animais sempre precisam de proteção.”

Excertos da matéria “Rob Zombie: Animals Always Need To Be Protected”, de Karen Bliss, publicada na Samaritan Mag em 2 de outubro de 2012; e “Interview: Rob Zombie Answers Fan Questions, Part 3”, da Revolver Magazine, publicada em 22 de abril de 2016.

Em 24 de março de 2016, Rob Zombie revelou em sua página no Facebook que as pessoas sempre o questionam sobre o motivo dele ter se tornado vegano:

“Assistam este vídeo e vocês saberão o porquê. Não estou pregando nada. Estou respondendo uma pergunta. Por favor, não comentem nada, a não ser que você tenham se sentido incomodados com o que assistiram. Acredite em mim, é duro e deprimente. Às vezes, a verdade é uma merda.”

Zombie se referiu ao pequeno documentário Glass Walls (Paredes de Vidro), narrado e estrelado por Paul McCartney em 2009, que mostra a realidade da indústria da exploração animal.

Famoso no cenário do hard rock e do heavy metal, o compositor e vocalista Rob Zombie atua como defensor dos direitos dos animais desde 1982, quando assistiu um vídeo de animais sendo executados em um matadouro. Ele fundou a banda White Zombie em 1985 e optou por seguir carreira solo em 1998. Depois estreou como cineasta em 2003, com o filme de terror House of 1000 Corpses (A Casa dos 1000 Corpos).

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