David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for February, 2016

Irina Werning e a arte de recriar o passado

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Christoph repete em 2011 o mesmo ato de 1990 (Foto: Irina Werning)

Em 2011, a fotógrafa argentina Irina Werning fez um trabalho muito interessante de mergulhar no passado para então reproduzir décadas mais tarde cenas históricas com os mesmos personagens. Um exemplo é a foto do alemão Christoph que em 1990 quebrou um pedacinho do Muro de Berlim. O ato foi repetido no mesmo local em 2011, onde havia apenas um vazio. A foto faz parte do projeto “Back To The Future”.

Acesse: irinawerning.com

Written by David Arioch

February 5th, 2016 at 10:22 pm

O papel dos Estados Unidos no golpe de 1964

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Documentário mostra o papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 1964 (Imagem: Divulgação)

Documentário mostra o papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 1964 (Imagem: Divulgação)

Dias atrás, revi o documentário “O dia que durou 21 anos”, do Camilo Galli Tavares, lançado em 2013. Recomendo para quem quer entender até onde foi o papel dos Estados Unidos no Golpe de Estado de 1964, culminando na Ditadura Militar. São três capítulos divididos em “A Conspiração”, “O Golpe de Estado” e “O Escolhido”. O que ajuda a enriquecer o documentário são os arquivos secretos com conversas e depoimentos de John Kennedy, Lyndon Johnson (que assumiu o poder após a morte de Kennedy) e do embaixador Lincoln Gordon, principal financiador do golpe através da Operação Brother Sam.

Muito interessante a forma como as entrevistas são apresentadas. Há depoimentos de apoiadores de João Goulart, de generais que participaram da deposição do presidente e também de pesquisadores de universidades do Brasil e dos Estados Unidos, além de profissionais que trabalham no Departamento de Arquivo Secretos do Governo dos EUA. Achei intrigante a sinceridade de um general após ser questionado sobre como seria se a Ditadura Militar começasse hoje. Ele sorri e responde simplesmente que não precisariam torturar nem matar ninguém, já que vivemos na era da guerra da informação.

Curiosa também a ingenuidade do responsável pelo Arquivo Secreto dos Estados Unidos ao dizer que até hoje não conseguiu entender como os brasileiros levaram 21 anos para se livrarem do Regime Militar. O que o entrevistado não sabe é que até os anos 1960 o analfabetismo no Brasil chegava a 60 e até 70% em muitos estados.

Saiba Mais

O documentário está disponível integralmente no YouTube.

Viza, viajando através da música

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Viza é uma banda de gypsy punk que vale a pena conhecer (Foto: Divulgação)

Viza é uma banda de gypgy punk dos Estados Unidos que conheci em 2013, mas não somente gyspy punk, vai muito além disso. Tanto que daqui algum tempo penso em escrever sobre o trabalho desses caras. Talvez até para poder reavaliar com mais profundidade minhas impressões e também entender como eles analisam o próprio trabalho.

Tenho os cinco discos do Viza, além de alguns EPs, e digo com tranquilidade que é o tipo de música que nunca tiro do carro. Para quem gosta de subgêneros do rock não convencional, e que flertam com a música world ou multiculturalista, é uma boa banda para se conhecer.

Suas composições nos convidam a uma viagem por todos os continentes. Eles conseguem facilmente reunir num único álbum todas as emoções humanas sintetizadas em música. Só acho uma pena que gypsy punk seja um gênero pouco difundido no Brasil, onde a diversidade musical é predominante.

Written by David Arioch

February 4th, 2016 at 10:48 pm

Quando Antonio Molina invadiu o congresso espanhol armado

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Foto que venceu o Prêmio World Press Photo em 1981 (Foto: Manuel Pérez Barrio)

Foto que venceu o Prêmio World Press Photo em Amsterdã (Foto: Manuel Pérez Barrio)

23 de fevereiro de 1981 – Quando Antonio Tejero Molina, o 23-F, ex-tenente-coronel da Guarda Civil, invadiu o Congresso dos Deputados na Espanha. O fotógrafo Manuel Pérez Barrio registrou o momento de tensão quando os políticos foram obrigados a se calarem para ouvirem a contragosto o discurso de Molina. A foto rendeu a Barrio o prêmio World Press Photo, em Amsterdã, na Holanda.

Written by David Arioch

February 4th, 2016 at 9:57 pm

O impressionismo de Dale Johnson

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Foto de Johnson parece saída de um cenário de de Poe

O Guarda Noturno, de Dale Johnson, foto baseada no impressionismo francês que parece inspirada em um dos cenários de Edgar Allan Poe. Para conhecer um pouco mais do trabalho do fotógrafo estadunidense, acesse: dalejohnsonphotographs.com

 

Written by David Arioch

February 4th, 2016 at 9:37 pm

O menino que virou escravo em Paranavaí

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Velhos endinheirados ofereciam pequenas fortunas para ter uma noite de “prazeres” com o jovem caiuá

Fazenda onde Urissanê vivia ficava nas imediações da velha sede da Vila Montoya (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Fazenda onde Urissanê vivia ficava nas imediações da velha sede da Vila Montoya (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Em 1938, Urissanê tinha oito anos quando foi vendido em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, para um cafeicultor que possuía uma grande propriedade nas imediações da velha sede da Vila Montoya, fundada pela Companhia Brasileira de Viação e Comércio (Braviaco). De etnia caiuá, o garoto foi privado do convívio familiar com dois anos, após ser sequestrado por uma tribo rival que vivia na região do Porto São José, na divisa do Paraná com o Mato Grosso do Sul.

“Parece bicho do mato, mas é bem dócil. Pode passar a mão, não tenha medo. Esse aí não sabe nem de onde saiu ou pra onde vai”, dizia e gargalhava o fazendeiro em algumas festas realizadas em sua propriedade, segundo o pioneiro Salvador Marcondes que aos 18 anos começou a trabalhar como capataz para o cafeicultor.

Nas festas, a criança de origem indígena era exposta como um brinquedo para um grupo de magnatas que a encaravam como um pequeno e exótico animalzinho indefeso. As celebrações restritas atraíam muita gente de longe, não apenas do Paraná. “Mais tarde, me dei conta que fiquei frente a frente com pessoas que entraram para a história como figuras revolucionárias e heroicas”, destaca Marcondes que hoje tem 96 anos e uma lucidez invejável.

Alguns velhos endinheirados se ofereciam para pagar pequenas fortunas para ter uma noite de “prazeres” com o menino de olhos pequenos, lábios carnudos, traços femininos e pele tão coruscante que despertava inveja em mulheres de todas as idades. Apesar disso, o fazendeiro, que se dizia um representante dos anseios de Deus na Terra, jamais consentiu tal libertinagem. Também afirmava ser contra a pederastia.

“Cheguei a ver a patroa na cozinha praguejando o menino, dizendo a um padre que não entendia como Deus poderia permitir que um diabinho pagão tivesse uma pele tão bonita, enquanto ela, de origem cristã, uma fiel dizimista da igreja que investia muito dinheiro em produtos de beleza importados, pouco via resultados em sua pele e na de suas filhas”, narra o ex-capataz. O que encolerizava a patroa era o fator genético que afetava sua “linhagem” há mais de um século. Na infância, as mulheres de sua família já desenvolviam acne severa e tipos raros de erupções cutâneas.

Incentivada pela mãe, um dia a filha mais velha do fazendeiro, que tinha cerca de 14 anos, pediu a Urissanê para preparar um pouco de chá de erva-doce. Depois de pronto, o garoto caminhou até o quarto da jovem e, se esforçando para equilibrar uma pesada bandeja de prata, bateu na porta e perguntou se poderia entrar. Ela consentiu e, sentada na cama, ordenou que ele a servisse. Assim que bebericou o chá, o semblante da garota mudou. Enraivecida, retirou o bule da bandeja e lançou todo o chá no rosto de Urissanê.

Enquanto os lábios do garoto tremiam e as lágrimas deslizavam, misturadas ao líquido quente que escorria por toda a fronte queimada, a moça gritou: “Você queria queimar minha boca, não é mesmo, seu vermezinho? O que achou do chá? Gostoso, não é?”, escarneceu, sem se importar com o sofrimento da criança que se contorcia de dor, esfregando os pés pequenos e descalços – um contra o outro, sem emitir som.

Menino trabalhava nos cafezais desde os quatro anos (Foto: Reprodução)

O menino trabalhava nos cafezais de Paranavaí desde os quatro anos (Foto: Reprodução)

Depois de ouvir os gritos da menina, a patroa de Urissanê correu até o quarto, acompanhada das outras duas filhas. Ignorando o rosto severamente ferido do menino, deu atenção somente ao estado emocional da própria filha. “O que você fez com ela, seu macaquinho? O seu lugar é na floresta, não aqui com pessoas de bem”, berrava, sacolejando o garoto que desmaiou e caiu no chão, batendo a cabeça contra o piso de tacos.

A grazinada chamou a atenção de Marcondes que foi até o quarto, onde encontrou o menino caído, quase irreconhecível, com a pele do rosto encorrilhada e disforme. “Era como ver outra pessoa. Pedi ao patrão que me deixasse cuidar do menino. Ele fez uma cara feia fumando um daqueles charutos importados de Cuba, tomou um trago de whisky Evan Williams, o seu preferido, esfregou os dedos na barba e falou: ‘Tá! Agora sai daqui e dê um jeito na situação. Não quero ficar no prejuízo’’’, revela o ex-capataz.

Pela manhã, ouvia-se de longe o fazendeiro discutindo em seu escritório com a mulher e as filhas. “Sua endemoniada, muita gente de nome vinha de longe só pra ver o menino. Ele atraía bom negócio pra mim. O que eu vou fazer agora? Bando de tapadas!”, vociferou esmurrando a mesa.

Quando o marido não estava por perto, as mulheres da casa comemoravam os ferimentos no rosto de Urissanê. Não velavam o prazer de ver o menino padecendo. “Acabou pra sempre aquela pele e aquele rostinho bonito e delicado. Como Deus é generoso!”, celebrava a esposa ajoelhada e levantando as mãos para o céu, ladeada pelas filhas que a imitavam.

Apesar dos ferimentos, o cotidiano de Urissanê em nada mudou – continuava trabalhando dia e noite. Aprendeu a dominar a dor e todos os dias antes de dormir recebia visitas de Marcondes e sua noiva Ruth Moreno. Sem dizer nada a ninguém, os dois se tornaram responsáveis pelo seu bem-estar. A rápida recuperação do menino também chocou a patroa. Não levou mais de três meses para o rosto de Urissanê voltar ao estado normal, sem qualquer indício de que algum dia tivesse sido queimado.

Ainda assim, antes de dormir, para não fugir da propriedade, o fazendeiro obrigava um pistoleiro de sua confiança a acorrentar Urissanê no canto de uma tulha abandonada com chão forrado de palha. Seus punhos severamente machucados ganharam cicatrizes com as formas irregulares de braceletes rudimentares. “Tinha dó daquela criança. Só que se eu o libertasse, o patrão mandava Tonho [um pistoleiro] matar nós dois antes que a gente percorresse um quilômetro. Eu era muito novo e também tinha medo”, diz Marcondes.

O garotinho acordava sempre às 5h e em jejum percorria quilômetros a pé até chegar ao cafezal. Acostumado a trabalhar na área rural de Paranavaí desde os quatro anos, já entendia tanto do plantio quanto da colheita do café. Mas o que mais intrigava os colonos que dividiam o serviço com aquela criança era a sua astúcia para reconhecer as mudanças de tempo e clima. “Ô indiozinho, fala pra nós se o dia vai ser bom ou ruim”, gritou um homem em meio à multidão de colonos numa manhã ensolarada de 1939. Enquanto muitos sorriam, outros ficavam em silêncio prestando atenção na criança mística, considerada pelos mais humildes como alguém que jamais seria corrompido pela maldade.

Perfume da mata da região agradava Urissanê (Acervo: Diederichsen & Tibiriçá)

Perfume da mata da região agradava Urissanê (Acervo: Diederichsen & Tibiriçá)

Urissanê, que usava apenas uma bermuda velha feita a partir de um saco de estopa, cheirou o ar por um instante. Descalço, se ajoelhou, inclinou o rosto no chão e aspirou. “Avatim! Avatim! É o cheiro da terra que conta. Vem vento! Vem água! E derruba até ambição e teimosia”, advertiu o menino com uma voz cantada mais suave que o balanço das folhas verdes do cafeeiro.

Alguns levaram a sério o vaticínio e lamentaram que seria mais um dia de serviço perdido, já que o patrão não pagava a quem não trabalhasse quando chovia. Outros zombaram da predição do menino, reclamando que não iriam abandonar o trabalho por causa de conversa fiada de criança. Uma hora depois, o sol desapareceu, principiando a chegada de uma escuridão intempestiva. O vento intenso, que soprava envergando com fúria os galhos dos cafeeiros, esparramou flores brancas pelo chão de terra, formando um tapete natural convidativo e perfumado.

Subitamente o vento cessou e a chuva começou a cair leve sobre os colonos ainda indecisos sobre ficar ou partir. Aqueles que confiavam nas palavras do menino se protegeram do vento e da chuva dentro de uma grande tulha do outro lado do carreador. Quando cessou, os mais céticos dançaram em torno dos cafeeiros, gritando: “Êêê indiozinho que num sabe de nada. Acha que vamo credita nessa conversa? A gente precisa é de dinheiro no bolso!” Menos de um minuto depois, um raio caiu sobre Josué, o homem que achincalhou Urissanê, matando-o instantaneamente diante de todos os colonos. Seus companheiros correram horrorizados até a tulha onde os mais precavidos se protegiam da intempérie.

Apesar da condição cativa, o garoto trabalhava com o vigor de um adulto. Nunca demonstrava tristeza, raiva ou qualquer sentimento negativo. Era como se fosse motivado a viver por um motivo que jamais seria entendido pelos homens, mulheres e crianças com quem convivia. “Parecia que nada o abalava. Ele tinha uma paz enorme dentro dele e isso incomodava muita gente”, explica Salvador Marcondes.

No final da tarde, logo que o trabalho no campo terminava, Urissanê retornava para a casa da fazenda, onde era obrigado a atender aos caprichos da família do patrão até as 22h. Às vezes, quando estava sozinho lavando os pés da patroa na sala de descanso, o menino levava golpes de relho e mesmo assim não se queixava ou reagia. A observava atentamente com um olhar plácido e reflexivo, dando a impressão de que sua mente era independente do corpo. “Uma vez vi a reação dele. Era de arrepiar. Pedi pra patroa não judiar do menino e ela alegou que estava educando ele”, lembra.

Dodge 1937, modelo usado na fuga de Urissanê (Foto: Reprodução)

Dodge 1937, modelo usado na fuga de Urissanê (Foto: Reprodução)

Nos raros momentos em que tinha tempo livre e podia brincar, ainda que sob supervisão de alguém, Urissanê deitava na relva e observava o céu. A noite o agradava muito por causa do brilho das estrelas e da acentuada olência fresca da selva. A mata nativa, não muito distante, parecia trazer lembranças de um tempo que nunca viveu. Estirado no chão e com as mãos apoiadas na cabeça, cantava uma curta canção chamada “O Sereno da Lua”. Falava de uma criança que todos os dias tentava enxergar na lua a sua própria história. Se a lua não fosse capaz de realizar esse desejo, que pelo menos o preenchesse com uma nova história.

O capataz se apegou tanto ao menino que um dia decidiu libertá-lo. Ele e sua noiva, Ruth, planejaram a fuga uma semana antes do Natal de 1939. Quando relatou o plano, Urissanê recusou a partida. Embora vivesse como um animalzinho que desconhecia outra realidade que não a da gaiola, argumentou que nunca se sentiria livre se fugisse. “Agradeço a bondade do senhor, mas não sei o que fazer sozinho lá fora. Não sei se existe algo pra mim, até descobrir vou vivendo dentro de mim”, justificou.

Salvador ficou decepcionado e perguntou como o menino poderia aceitar viver daquele jeito. “Sei quase nada sobre a vida, mas sinto que minha dor é passageira, mais passageira do que a dor do patrão ou da patroa. Esse povo tá marcado por um sofrimento que nunca vou carregar comigo. Quando apanho sinto mais pena deles do que de mim”, confidenciou, deixando o capataz em silêncio.

Na véspera de Natal, o jovem caiuá teve uma surpresa quando Salvador e Ruth o surpreenderam, abrindo a porta do barracão onde ele dormia. Assustado, saltou da cama de palha e só se tranquilizou quando reconheceu o casal. Transportando uma grande variedade de alimentos, ofereceram um banquete jamais visto por Urissanê, acostumado a se alimentar mal. Ocasionalmente comia escondido as parcas sobras da boa comida que a mulher do patrão mandava jogar no lixo.

Durante a ceia, Salvador e Ruth insistiram mais uma vez na fuga, deixando claro que partiriam com Urissanê. O menino acabou concordando. Marcondes então rompeu a machadadas as longas correntes que prendiam os punhos de Urissanê, o impedindo de dar mais de quatro passos. Depois de juntarem os poucos pertences, invadiram um barracão e furtaram um caminhão Dodge 1937 do patrão. O barulho atraiu a atenção do pistoleiro Tonho que não conseguiu dormir e saiu para caminhar por aquelas bandas. “Que tá acontecendo aí dentro? Vamos, Salvador! Saia já daí!”, gritou, em seguida mirando a espingarda na altura do peito de Marcondes.

Crente de que não escapariam com vida, o capataz fez uma proposta. Mostrou todo o seu dinheiro guardado dentro de um pequeno saco e o ofereceu a Tonho. Ele hesitou, franziu a testa, fez careta e recusou. Prestando atenção em Marcondes e mantendo os olhos em direção ao veículo, o pistoleiro viu Ruth e Urissanê lá dentro. O menino sorriu para ele como um filho que reencontra o pai depois de muito tempo. “Quero nada não. Pode ir embora. Vá, Salvador! Vá logo!”, ordenou.

Tonho virou as costas, cuspiu um naco de fumo no chão e desapareceu na escuridão sem olhar para trás, com a espingarda apoiada no ombro. Quando o caminhão se afastou da fazenda, Urissanê observou a casa do patrão até desaparecer do seu campo de visão. Marcondes e Ruth assistiram a reação do menino sem dizer palavra. “A lua também me acompanha. Acho que agora também consigo viver fora de mim”, disse o menino.

Saiba Mais

Graças a Salvador Marcondes e Ruth Moreno, Urissanê reencontrou a família em 1946. O jovem caiuá continuou se correspondendo com o casal até 1965, quando perderam completamente o contato.

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As duas realidades de Mark Britten

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Depois de sofrer um acidente, Britten acorda e acredita que está vivendo em duas realidades distintas (Foto: Divulgação)

Em 2012, a série dramática Awake – Two Dreams, One Reality estreou nos Estados Unidos como uma grande promessa da rede NBC. Infelizmente foi mais um programa que não ultrapassou a primeira temporada, inclusive com cancelamento conturbado e final inconclusivo. Apesar disso, é uma série que vale a pena ser conhecida.

Ao longo de 13 episódios, o espectador é convidado a se aprofundar na história e no cotidiano do detetive Mark Britten (Jason Isaacs). Depois de sofrer um acidente, Britten acorda e acredita que está vivendo em duas realidades distintas. A verdade é que ele não é capaz de identificar quando está acordado ou sonhando devido ao trauma. Em uma das supostas realidades, a tragédia custou a vida de seu filho Rex. Na outra, quem está morta é sua esposa Hannah, o que o deixa mais confuso, o levando ao cume da culpabilidade e da crise existencial.

Outra surpresa é que em cada aparente realidade o detetive tem parceiros diferentes. Na história em que sua esposa faleceu, ele trabalha com o detetive Efrem Vega, um jovem com pouca experiência, mas muito sociável. Já no segmento marcado pela ausência de Rex, Mark Britten atua com Isaiah “Bird” Freeman, um detetive veterano – homem cínico e irônico. É interessante perceber logo no primeiro episódio como os mais diversos aspectos da série são permeados pela dualidade, uma constante que inunda o universo de Britten até o episódio final.

Written by David Arioch

February 2nd, 2016 at 11:01 pm

O mundo abstrato e a realidade de Carlos Reinesch

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A imagem representa a interconexão entre o mundo abstrato e a realidade (Foto: Carlos Reinesch)

Foto que deu destaque internacional ao fotógrafo brasileiro Carlos Reinesch. A imagem representa a interconexão entre o mundo abstrato e a realidade. Unindo simplicidade e apuro técnico, Reinesch brinca com a sacada de cores durante o “momento decisivo” de que falava Cartier-Bresson – reafirmado pela passagem do avião. Com os pés no chão, junto às gramíneas, o fotógrafo mostra que é possível ganhar o céu, afiançado sobre e sob si mesmo, e “quase ser tocado” pela aeronave.

Acesse: carlosrphoto.daportfolio.com

Written by David Arioch

February 2nd, 2016 at 10:37 pm

O inesquecível Delorean DMC-12

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De vez em quando aparece algum Delorean circulando pelas ruas do Brasil (Foto: Reprodução)

De vez em quando aparece algum Delorean circulando pelas ruas do Brasil (Foto: Reprodução)

É impossível esquecer do DeLorean DMC-12, automóvel que foi eternizado pela trilogia De Volta Para o Futuro (Back To The Future), de Steven Spielberg. Criado em 1980, até hoje é produzido de forma artesanal com muitas de suas peças baseadas em inox.

No início da década de 1980, o carro demorava tanto para ser fabricado, sem qualquer possibilidade de atender a demanda, que o John DeLorean decidiu contrabandear cocaína direto da Colômbia para ampliar o investimento. Quantos “DeLoreans” tão sonhados por crianças e adolescentes nos anos 1980 e 1990 será que foram produzidos com o dinheiro do pó branco?

A empresa foi fechada quando o escândalo veio à tona, então outro empresário reassumiu o negócio anos depois. O DeLorean DMC-12 é comercializado no site do próprio fabricante. É possível até fazer pedidos de personalização. No Brasil, é raro ver o DeLorean, mas de vez em quando, com muita sorte, ele aparece.

Acesse: www.delorean.com

Written by David Arioch

February 2nd, 2016 at 10:20 pm