David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for the ‘Música’ Category

Lindsay Schoolcraft: “Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias”

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“Ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo”

Lindsay se tornou vegana em 2012 (Foto: Divulgação)

Vocalista e tecladista da banda inglesa de metal extremo Cradle of Filth, Lindsay Schoolcraft se tornou vegana em 2012. O que a fez refletir profundamente sobre a realidade da produção e do consumo de alimentos de origem animal foi o documentário “Food, Inc”, lançado em 2008 por Robert Kenner.

“Depois que assisti ‘Food, Inc’, me senti desconfortável com os produtos de origem animal. Na mesma época, comecei a aprender o que significava esse estilo de vida [veganismo]. Imediatamente, me livrei de tudo que eu possuía que era feito de animais, o que se resumia a um cinto de couro, produtos de beleza e produtos domésticos testados em animais. Me tornei vegana entre o Natal e o Ano Novo de 2012. Eu não gostaria de viver de outra maneira, e gostaria de ter feito isso mais cedo”, disse Lindsay em entrevista publicada pela Headbangers Lifestyle em 23 de fevereiro de 2016.

A vocalista canadense sempre gostou de animais, mas admite que a indústria tem a seu favor recursos que dissimulam a realidade no que diz respeito ao sofrimento e à exploração animal, o que faz com que as pessoas não “liguem os pontos”. “Para mim, ser vegano é ter consciência de que você pode melhorar o planeta e a vida dos outros seres tomando decisões mais inteligentes de consumo. É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações”, declarou à Liselotte ‘Lilo’ Hegt, do Headbangers Lifestyle.

Ela acredita que o veganismo tem se tornando mais comum e conquistado mais reconhecido no mundo do metal, o que a deixa mais confortável. “Quando me juntei ao Cradle of Filth, pensei que seria difícil, mas quanto mais shows fazemos, mais encontro refeições veganas disponíveis nos festivais, e geralmente quando saio em turnê sempre encontro outra pessoa vegetariana viajando com a gente”, relatou.

Por outro lado, é inevitável que haja oposição, mas Lindsay acredita que isso acontece em qualquer lugar. Quando alguém a confronta e tenta apontar alguma contradição no veganismo, por exemplo, alegando que não é uma filosofia de vida que faz a diferença no mundo, a cantora argumenta que, independente das pessoas aceitarem ou não, um fato é que o consumismo está cercado pela crueldade animal. “E eu escolho não me envolver com isso”, declarou em entrevista ao Logical Harmony em 2015.

Lindsay, que faz questão de pesquisar e conhecer o sistema de produção das próprias roupas, inclusive as usadas nos shows com o Cradle of Filth, destacou que quando alguém faz piada sobre o fato dela não se alimentar de animais, ela explica todo o processo até a carne e outros produtos de origem animal chegarem ao prato das pessoas.

“É libertador saber que você tem esse tipo de controle, para si mesmo e para os animais que você beneficia com essas ações” (Foto: Divulgação)

“Posso ser desagradável sobre isso de forma sarcástica [se eu for provocada]. Mas nunca tentarei forçar minha opinião porque acredito que você tem ou não tem compaixão. Não gosto de ser ignorante. Tudo que uso, coloco em meu corpo, gosto de saber onde veio. Vejo os animais como iguais [quanto ao direito à vida], enquanto os outros os veem como mercadorias. Se você estiver interessado, vou dizer tudo o que sei”, garantiu em entrevista a Levi Seth Buckley, do Sticks For Stones, em publicação de 9 de julho de 2015.

Lindsay contou que ficou muito feliz quando soube que suas duas cantoras favoritas – Ellie Goulding e Sia, são veganas. “Quando você conhece outro vegano é como conhecer um bom amigo pela primeira vez”, comentou com Tashina Combs, do Logical Harmony. Entre as cidades em que esteve e que hoje considera duas das melhores para os veganos, ela cita Glasgow, na Escócia, e Montreal, no Canadá.

“É tão fácil ser vegano nessas cidades. Amo comida asiática. Os vegetais e as especiarias são muito bem combinados”, revelou ao Local Harmony. Ao Headbanger Lifestyle, a vocalista e tecladista do Cradle of Filth também frisou que faz o possível para sensibilizar as pessoas sobre a importância dos santuários para animais que seriam mortos pela indústria alimentícia.

“Eles merecem nosso amor e respeito tanto quanto os animais de estimação. Faço o meu melhor para ajudar instituições de caridade que defendem os direitos animais. Eu gostaria de me envolver mais com esses tipos de campanha”, garantiu.

Saiba Mais

Lindsay Schoolcraft nasceu em Ontário, no Canadá, em 26 de fevereiro de 1986.

De 2007 a 2014, ela foi vocalista da banda Mary and the Black Lamb.

Lindsay tornou-se vocalista e tecladista da banda Cradle of Filth em 2013.

Em 2015, participou da gravação do disco “Hamer of the Witches”, do Cradle of Filth.

Referências

http://www.headbangerslifestyle.com/face-body/276/beauty-and-lifestyle-profile-with-lindsay-schoolcraft-keyboardist-and-female-vocalist-of-cradle-of-filth

http://www.sticksforstones.net/single-post/2015/07/09/Interview-Lindsay-Schoolcraft-CRADLE-OF-FILTH

An Exclusive Interview with Lindsay Schoolcraft from Cradle Of Filth

 

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Converge: “Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”

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Bannon: “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais]”

“Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito” (Foto: Divulgação)

Expoente do metalcore, a banda estadunidense Converge foi formada em 1990 pelo vocalista Jacob Bannon e pelo guitarrista Kurt Ballou, que entre os anos de 1994 e 2012 lançaram oito álbuns. Bannon é vegetariano e Ballou é vegano e, coincidência ou não, o metalcore, influenciado por eles, é um dos estilos musicais em que mais cresce a quantidade de músicos vegetarianos e veganos.

Em entrevista concedida à Hilary Pollack e publicada pelo Veg News em 6 de junho de 2013, Bannon contou que a adoção do vegetarianismo por questões morais ocorreu naturalmente, e a influência veio principalmente do punk rock. “Me eduquei sobre esse assunto e me obriguei a ler mais a respeito. Ao longo dos anos, descobri que uma dieta vegetariana funciona para mim, embora eu ainda esteja explorando as implicações morais e éticas disso”, disse.

O vocalista do Converge se tornou vegetariano aos 13 anos, e relatou que não teve nenhum problema na transição. Nem sentiu-se inseguro sobre isso. “Me senti confortável o suficiente para tomar a decisão de parar [de me alimentar de animais], e simplesmente fiz isso”, relatou em entrevista à organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta), publicada em 9 de abril de 2005.

Para Jacob Bannon, não é difícil considerar o mundo um lugar muito estranho se refletirmos sobre o fato de que a tecnologia deu origem a populações “avançadas” que constroem fazendas industriais e outros mecanismos não naturais de “coleta” e consumo de alimentos. “Esses são os dilemas morais e éticos que me levam à dieta de hoje. Uma dieta vegetariana é a resposta lógica ao mundo em que vivo”, afirmou ao Veg News.

O vocalista, que considera a corrida de galgos umas das formas mais abusivas de exploração animal, defendeu em entrevista à Peta que o melhor jeito de fazer com que as pessoas reflitam sobre a exploração animal é por meio de um trabalho educacional. “Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora. […] Alguém só precisa encontrar o ponto de partida para movê-los e guiá-los por um caminho que faça a diferença”, ponderou.

Questionado pelo Veg News se há uma ligação entre vegetarianismo, veganismo e o movimento punk rock, Bannon explicou que nesse cenário há um elemento de consciência social e ética. “O movimento dos direitos animais é algo que se encaixa bem nesse cenário”, declarou e acrescentou que há muitas pessoas envolvidas com o punk rock que estão sempre abertas a outras formas de pensar.

“Educação é a chave. Sempre foi e sempre será. Há tanta informação lá fora” (Foto: Divulgação)

À Peta, ele argumentou que a comunidade do punk rock é como um fórum aberto, onde ativismo e conscientização sempre fizeram parte das conversas envolvendo músicos e público. “É uma das coisas mais bonitas que essa comunidade tem a oferecer”, frisou.

Jacob Bannon admitiu que quando era mais jovem muitas vezes se envolveu em discussões e confrontos sobre vegetarianismo e veganismo, mas chegou a um ponto em que optou por seguir outro caminho.

“Neste momento da minha vida, não sinto necessidade de discutir sobre isso o tempo todo porque estou realmente confortável com minha decisão. É simplesmente uma parte de mim agora. Nunca vou forçar ninguém a nada, mas se houver uma curiosidade em relação ao que eu acredito e pratico, vou deixar alguém saber que há questões lá fora que as pessoas devem conhecer”, revelou.

Indagado sobre o que podemos fazer para melhorar a vida dos animais, ele sugeriu: “Se importe, mostre compaixão, tenha coração.”

Formação

Jacob Bannon – Vocalista e letrista

Kurt Ballou – Guitarrista e vocalista

Nate Newton – Baixista e vocalista

Ben Koller – Baterista

Saiba Mais

Jacob Bannon nasceu em 15 de outubro de 1976 em Boston, Massachusetts.

Kurt Ballou é vegano e os demais integrantes são vegetarianos.

Referências

http://vegnews.com/articles/page.do?pageId=5833&catId=7

https://web.archive.org/web/20050409051729/http://www.peta2.com/OUTTHERE/o-converge.asp

 

 
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While She Sleeps: “Tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes”

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“Quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”

Aaran McKenzie: “Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais” (Foto: Divulgação)

Formada em 2006, a banda inglesa de metalcore While She Sleeps traz na formação o baixista Aaran McKenzie, o guitarrista Sean Long, o vocalista Lawrence “Loz” Taylor, o guitarrista Mat Welsh e o baterista Adam “Sav” Savage. Em 2012, a banda foi eleita a melhor revelação britânica pela revista Kerrang!, após o lançamento do álbum “This is the Six”. Além de ter se tornado popular principalmente entre os jovens que gostam da fusão do heavy metal com o hardcore, outro fato que chama a atenção é que o While She Sleeps é uma banda vegana.

“Sempre fomos pessoas livres e espirituosas que se desviam dos valores convencionais. A maioria de nós na banda foi vegetariano por 4 a 23 anos. Por isso, tornar-se vegano sempre foi algo que esteve em nossas mentes. Então, quando relacionamos a nossa preocupação com a nossa saúde e o protesto contra a crueldade animal, e as fazendas industriais, pareceu mais lógico e compassivo dar esse passo”, disse Aaran McKenzie em entrevista ao Vegan Blatt.

Em vídeo gravado para a Organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) e publicado no YouTube em 3 de dezembro de 2015, Aaran e Sean relataram que sempre odiaram a crueldade contra os animais, e citaram o documentário “Earthlings” como referência para quem quiser conhecer a realidade da exploração animal. “Eu disse, ok, é isso, chega!”, declarou o baixista e membro-fundador do While She Sleeps depois de assistir ao documentário.

“Estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta” (Foto: Divulgação)

Ao Vegan Blatt, Aaran contou que o estilo de vida dos integrantes é uma forma de deixar claro que eles não são tolerantes com as atrocidades do mundo, e que esse posicionamento é algo que endossa a mensagem que a banda quer passar para as pessoas. “Não especificamos isso em um sentido literal, mas, como um todo, estamos tentando conscientizar as pessoas sobre toda essa merda que acontece à nossa volta”, informou McKenzie.

Os integrantes do While She Sleeps preferem não confrontar as pessoas. O caminho escolhido por eles é o de servir como inspiração simplesmente vivendo o veganismo ou falando sobre o assunto quando vier à tona naturalmente. “Um dia, alguém veio até mim e disse: ‘Se Deus não quisesse que comêssemos os animais, então por que ele não os fez sem carne?’ Eu não tenho nada a dizer a pessoas como essa”, afirmou.

Saiba Mais

O While She Sleeps foi fundado em Sheffield, na Inglaterra.

Entre os anos de 2012 e 2017,  eles lançaram os álbuns “This is the Six”, “Brainwashed” e “You Are We”.

Referências

https://www.veganblatt.com/while-she-sleeps-vegane-metalcore-band

http://www.peta.org.uk/blog/while-she-sleeps/

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Carnist: “A verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas”

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A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio?”

Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn” (Foto: Divulgação)

Fundada em 2013, a banda inglesa de hardcore Carnist se pauta em questões envolvendo veganismo e direitos animais, além de outros assuntos que o quarteto julga como relevantes na discussão sobre a exploração animal. Embora o grupo não seja antigo, o Carnist surgiu por iniciativa de integrantes das bandas Shels, Plague Mass, Unquiet Grave, Momentum, Light Bearer e Fall of Efrafa. Em 2013, eles estrearam com o álbum “Unlearn”, que fala sobre o conceito de desaprender normas sociais e traços culturais que são contrários à natureza humana.

“Ou seja, a nossa atitude em relação aos animais [tanto não humanos quanto humanos], que não se encaixam nas ideias sufocantes, arcaicas e claustrofóbicas do que é ser humano”, explica o Carnist, que tem como principais influências bandas como Dropdead, Trial, Propagandhi, Infest, Siege e Protestant. Em tom bem-humorado, eles dizem que o som da banda, que tem uma pegada crust, é melhor apreciado acompanhado de uma xícara de chá.

Em entrevista ao The New Noise, da Itália, em fevereiro de 2014, o vocalista Alex informou que não se sente especial por ser vegano. Também não vê o veganismo com algo particularmente virtuoso. “Realmente sinto que alguém de mente sã, uma vez que conseguisse digerir a informação que está livremente disponível, iria procurar eliminar o abuso animal de sua vida. Infelizmente esse sistema trabalha ativamente para ocultar e distorcer todo o processo, inclusive propagando desinformação”, criticou.

Na música “Eating Children”, do álbum “Unlearn”, Alex canta: “A chapa de carne que se encontra diante de você, você se importa de onde veio? O pedaço de músculo, atado com veias; uma carne de bebê cortada de seus membros.” Também com o objetivo de chamar a atenção para a crua realidade da exploração animal na indústria alimentícia, o Carnist lançou em 2016 o disco “Hellish”, que tem como capa a imagem de porcos sendo executados em um matadouro.

Capa do disco lançado em 2016 (Foto: Reprodução)

“Queríamos mostrar às pessoas uma verdade, e a verdade é que comer carne tem um grande custo, e o custo é sempre afastado dos olhos das pessoas. A foto é grotesca em sua exibição do assassino humano sem rosto, a trágica falta de respeito, o medo dos porcos que têm de testemunhar seu companheiro caído. Isso apresenta o inferno da indústria da carne de modo eloquente, penso”, avaliou Alex em entrevista ao Metalorgie em setembro de 2016.

A ideia do nome, “Carnist”, é uma referência ao carnismo, sistema de crença invisível, também definido como ideologia, que, segundo a psicóloga social Melanie Joy, condiciona as pessoas a comerem alguns tipos de animais. O termo foi concebido por ela em sua dissertação de doutorado em 2001, e se tornou popular por meio do livro “Why We Love Dogs, Eat Pigs, and Wear Cows”, ou seja, “Por Que Amamos Cachorros, Comemos Porcos e Vestimos Vacas”, publicado em 2009.

Saiba Mais

Todos os integrantes do Carnist são veganos.

Caso queira comprar a camiseta do Carnist, acesse:

http://doomrock.com/Band-Merch-Clothes/Bandmerch/Shirts/Carnist-Hellish-Shirt::1301.html?XTCsid=93e680a6a7da998e0f1e744595ba30a7

Referências

http://www.metalorgie.com/interviews/1356_Alex-CF-Fall-Of-Efrafa-Light-Bearer-Morrow-Anopheli_Par-Email

http://no-pasaran.org/label/artists/detail/detail/carnist-ukat/

https://www.discogs.com/artist/3661813-Carnist

http://www.chaosruralrecords.com/store/carnist_hellish_10_inch

CARNIST

http://www.idioteq.com/crusty-doom-hardcore-band-carnist-streaming-hellish-10-full/


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Alissa White-Gluz: “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]”

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“Sou vegana porque sei que é possível ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”

Alissa é vegetariana desde que nasceu e depois tornou-se vegana (Foto: Divulgação)

Vocalista da banda sueca de death metal Arch Enemy, a canadense Alissa White-Gluz é vegetariana desde que nasceu, o que significa que ela jamais consumiu qualquer tipo de carne. A justificativa é que ela foi educada desde muito cedo a respeito do fato de que produtos de origem animal significam a exploração e a morte de seres vivos sencientes. “Sempre fui vegetariana, e ser vegana foi o próximo passo lógico [em 1999]. E no que diz respeito a ser straight edge, bem, se eu me importo o suficiente com a minha vida em geral, por que eu iria querer envenenar o próprio veículo que me permitiu viver – meu corpo?”, disse em entrevista ao Metal Horizons em abril de 2013.

Em junho de 2014, ela participou de um vídeo da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) em que ela foi questionada se era difícil ser vegana. “Absolutamente, não. Seria difícil não ser vegana”, respondeu e acrescentou que a razão pela qual ela é tão apaixonada pelo veganismo é porque é uma filosofia de vida que beneficia os animais, o meio ambiente, os seres humanos em várias partes do mundo e a sua própria saúde. “Fico feliz em ajudar qualquer pessoa interessada nesse estilo de vida”, declarou.

Para quem tem dificuldade em perceber o que existe de positivo em ser vegano, a vocalista do Arch Enemy e ex-vocalista do The Agonist (2004-2014) pede que as pessoas façam uma pesquisa na internet quando tiverem algum tempo disponível. “Os fatos estão lá, é apenas uma questão de aceitar a realidade e ser parte da solução em vez do problema, afirmou à Peta.

Na definição de Alissa, o veganismo é um estilo de vida que envolve fazer um esforço consciente para se certificar de não comprar produtos como alimentos, vestuário e  cosméticos – entre outros que envolvam privação, sofrimento e morte de animais. “Sou vegana porque sei que é possível para mim ter uma vida totalmente feliz e saudável sem prejudicar ninguém”, justificou em entrevista publicada pela Revolver Mag em 31 de dezembro de 2014.

Ela também qualifica o veganismo como o grande motivador de tudo que ela faz em sua vida; um catalisador para a sua paixão pela música e por escrever letras. Ter alcançado um certo nível de notoriedade é visto por Alissa como um grande presente, porque dessa forma ela pode compartilhar informações com o seu público que não são divulgadas pela grande mídia.

“Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse. Não espero que todos se tornem veganos durante a noite, e não espero que ninguém seja perfeito. Mas se for possível despertar um pouquinho de consciência, mesmo algo tão simples como alguém evitando carne uma vez por semana ou não comprando cosméticos testados em animais mais, ou optando por peles falsas em vez de peles de verdade…isso seria uma grande vitória para mim”, enfatizou em entrevista publicada pelo Brave Words em 25 de março de 2013.

““Tenho grande interesse em direitos animais, então compartilho o que é do meu interesse” (Foto: Divulgação)

Alissa White-Gluz diz que todos estamos presos em um estado coletivo de condicionamento, mas que se abrirmos os nossos olhos para a realidade, como aquela que envolve a exploração animal, imediatamente começaremos a nossa fuga. É justamente por isso que Alissa e os outros membros da banda de death metal canadense The Agonist, chamavam seus fãs de “Prisoners” ou “Prisioneiros” – porque somos pessoas em necessidade de despertar. “Você não tem que ser parte do sistema e parte da crueldade [contra os animais]. Você pode trabalhar contra isso”, recomendou em entrevista ao Brave Words.

Ela também vê como positivo o crescimento do veganismo no cenário do heavy metal. Cita como exemplo o fato de estar se tornando difícil encontrar uma banda de metal que não tenha pelo menos um vegetariano ou vegano.

“Tenho sido vegana desde antes de fazer metal. Então isso é 100% do que sou e está 100% gravado na minha personalidade. Sou uma ativista dos direitos animais e dos direitos humanos, mas, você sabe, eu também sou uma música. Então, quando se trata de letras, é claro, me expresso sobre isso. Mas é um campo diferente. Música é arte, e eu acho legal incluir uma mensagem dentro da arte, mas não é a única coisa em que penso quando estou interpretando ou escrevendo”, revelou ao Metal Inside em entrevista publicada em 29 de maio de 2014.

Saiba Mais

Alissa White-Gluz, que é vegana desde 1999, nasceu em 31 de julho de 1985 em Montreal, no Canadá.

Ela é membro-fundadora da banda canadense The Agonist, com quem gravou os álbuns “Once Only Imagined, de 2007; “Lullabies for the Dormant Mind”, de 2009; e “Prisoners”, de 2012.

Com o Arch Enemy, Alissa gravou o álbum “War Eternal”, de 2014; e o EP “Stolen Life”, de 2015.

Foi ela que incentivou o namorado Doyle Wolfgang Von Frankenstein, icônico guitarrista do Misfits, a tornar-se vegano.


Referências

http://www.metalhorizons.com/2013/04/interview-time-with-alissa-white-gluz.html

http://www.metalinside.de/interview/arch-enemy-alissa-white-gluz-about-war-eternal-linup-changes-and-psychedelic-dreams

http://www.revolvermag.com/news/arch-enemys-alissa-white-gluz-on-veganism-and-how-to-sing-with-a-broken-rib.html

http://bravewords.com/news/the-agonist-vocalist-alissa-white-gluz-veganism-is-what-drives-me-to-do-everything-in-life

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Doyle von Frankenstein, o guitarrista do Misfits que se tornou vegano por respeito aos animais

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“Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”

Doyle se tornou vegano em 1º de janeiro de 2014 (Foto: Jeremy Saffer)

Lendário guitarrista do Misfits, uma das bandas que criou e moldou o horror punk, Doyle Wolfgang von Frankenstein ingressou no mundo da música em 1980, por influência do seu irmão, o baixista Jerry Only, e do vocalista Glenn Danzig, que o ensinaram a tocar guitarra. De lá para cá, ele gravou álbuns que se tornaram clássicos, como “Walk Among Us” e “Evilive” de 1982; “Earth A.D./Wolfs Blood, de 1983; e “American Psycho”, de 1997.

Ao longo dos anos, Doyle se tornou uma das faces do Misfits, e não apenas por causa do estilo macambúzio que remete aos clássicos filmes de terror, mas também por sua personalidade irreverente e pelo bom condicionamento físico preservado mesmo depois de décadas.

Acostumado a consumir muita proteína de origem animal, no dia 1º de janeiro de 2014 o icônico guitarrista do Misfits, que segue em carreira solo desde 2007, decidiu tornar-se vegano, o que surpreendeu muita gente, principalmente quem conhecia o seu trabalho, mas acreditava que veganismo e ganho ou manutenção de massa muscular não é uma boa combinação.

A transição dele foi incentivada pela namorada Alissa White-Gluz, vocalista da banda
sueca de death metal Arch Enemy, que já era vegana há muito tempo e jamais consumiu carne, de acordo com uma entrevista feita com Doyle pelo The Vintage Vegans e publicada em 25 de maio de 2016.

Antes de se tornar vegano, sempre que o guitarrista saía com Alissa, eles iam a algum restaurante vegano, e aos poucos ele foi conhecendo um novo universo de possibilidades alimentares. Quando experimentava algo novo, Doyle se surpreendia com o sabor.

“Então ela me mostrou o que eles fazem com os animais, e todas essas malditas fábricas, e como somos uns fodidos para eles [os animais]. Gosto de animais, então foi difícil assistir isso. Sou muito mais saudável [agora]. Sinto que é ético. Não é apenas por razões de saúde”, afirmou em entrevista ao Village Voice em 4 de maio de 2015.

Ele também comentou que desde então não quer deixar “uma trilha de morte e destruição” – em referência ao consumo de produtos que envolvem exploração animal. Um dos alimentos preferidos de Doyle é o seitan, inclusive é uma das suas mais importantes e preferidas fontes de proteínas. ‘Sou um adorador de seitan. Alissa e eu o preparamos muitas vezes em casa. É feito de glúten de trigo vital, muito rico em proteínas. Também tomo suplemento proteico”, revelou ao Vintage Vegans.

“Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores” (Foto: Divulgação)

Quando está excursionando com sua banda solo, Doyle usa um aplicativo chamado Happy Cow para localizar restaurantes veganos ou que ofereçam pratos vegetarianos. “Costumo dizer que os veganos é que são os caçadores”, comentou em tom bem-humorado ao Vintage Vegans. O guitarrista garante que o veganismo já faz parte de todos os aspectos de sua vida, tanto que, segundo ele, até mesmo a maquiagem usada no palco é vegana – clown White, da marca Mehron.

Em entrevista à News Noise Magazine em 13 de março de 2017, Doyle von Frankenstein deixou claro que por enquanto não pretende abordar o veganismo em suas músicas, mas nem por isso deixa de motivar os mais jovens a seguirem por esse caminho. Na entrevista à News Noise, Gen Handley brincou com o guitarrista, perguntando se homens de verdade comem carne. Com a sua típica irreverência, ele respondeu: “Não…homens de verdade são veganos, obviamente.”

Saiba Mais

Doyle Wolfgang von Frankenstein nasceu em 15 de setembro de 1964 em Lodi, New Jersey.

Em 2005, Doyle fundou o Gorgeous Frankenstein, que lançou um disco homônimo em 2007. Mais tarde, ele mudou o nome da banda para Doyle, e lançou o álbum “Abominator” em 2013. Este ano, ele vai lançar o álbum “As We Die”.

Em 1990, ele, Jerry Only, The Murp, Jeff Scott Soto e Dave Sabo gravaram o EP “Deliver Us From Evil”, sob o nome Kryst the Conqueror – projeto fundado por Jerry e Doyle.

Referências

http://www.villagevoice.com/music/sex-knives-and-veganism-ten-things-you-didnt-know-about-doyle-from-the-misfits-6630114

Interview With Doyle of the Misfits

Doyle Home

Doyle Wolfgang von Frankenstein: “Real Men Don’t Eat Meat”

 

 


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Mille Petrozza, um vegano no cenário mundial do thrash metal

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“Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”

“Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia” (Foto: Reprodução)

Vocalista e guitarrista de uma das maiores bandas de thrash metal da Europa, o alemão Mille Petrozza leva uma vida pacata e caseira quando não está excursionando com o Kreator. Ele fala com orgulho do dia em que preparou um seitan schnitzel para os seus pais. Eles aprovaram e admitiram que não perceberam que não havia carne no prato. “Acho que sou um cozinheiro razoável. Pelo menos foi o que ouvi”, contou em tom de modéstia.

Vegano há anos, Petrozza vê com bons olhos o crescimento do movimento vegetariano/vegano no cenário do metal. “Piadas idiotas, sexismo, bifes e barbecue – o tratamento completo. Tento evitar esse tipo de companhia, mas para a minha sorte a maioria é pelo menos respeitável [em relação ao fato de ser vegano]. Há um movimento veggie no metal hoje em dia e está ficando maior”, declarou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”, publicada pelo Voices From the Dark Side.

Para o alemão, há uma série de motivos para alguém ser vegano – direitos animais, meio ambiente e até mesmo a saúde, que acaba por ser um bônus. “Está tudo conectado”, comentou. Praticamente distante do álcool, que ele há muito tempo só consome ocasionalmente, o vocalista e guitarrista explicou que não compra nem usa nada feito a partir de couro animal. “Só tomo algum tipo de medicamento [farmacêutico] em último caso”, garantiu ao Voices From the Dark Side.

Mille Petrozza disse que evita “forçar” seu posicionamento sobre os outros, mesmo quando eles falam da “teoria da vaca feliz” – animais que são criados “felizes” até o dia de serem mortos e reduzidos à comida. Mas há situações em que ele admite que é difícil ficar calado. “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas. Tento não fazer disso um problema, mas às vezes uma discussão acaba sendo inevitável”, confidenciou.

Além de já ter participado de campanhas da Peta2, em defesa dos direitos animais, ele e sua esposa escrevem para a revista vegana alemã “Kochen ohne Knochen”, que significa “Cozinhando sem Ossos”. “O cara que a dirige é meu amigo, dono da Ox Magazine, a principal revista de hardcore da Alemanha. Também foi um dos primeiros a publicar livros de receitas vegetarianas. Eu meio que o inspirei a se tornar vegano, o que é uma coisa boa, então Kochen ohne Knochen agora é vegana ao invés de vegetariana. Uma grande revista, se você puder ler em alemão”, garantiu em entrevista a Noisey – publicada em 25 de janeiro de 2017.

Questionado se é muito difícil conseguir comida vegana quando está em turnê, Petrozza explicou que normalmente isso não é um problema. “Há uma lista bem detalhada, inclusive com sugestões para aqueles que nunca ouviram falar sobre veganismo antes. 95% das vezes, os organizadores tomam conta de tudo. Mas em uma turnê com quatro bandas e 30 pessoas, às vezes eu sou o único vegano, o que não torna as coisas muito fáceis”, revelou na entrevista “Welcome to Health – A Vegetarian/Vegan Special”.

Petrozza: “Já ouvi muitas piadas estúpidas sobre veganos. Se pelo menos fossem engraçadas, eu riria delas” (Foto: Reprodução)

Mas, se algo der errado, o alemão come nozes, ou simplesmente sai para comprar a sua própria comida, tendo como auxílio o aplicativo Happy Cow, que o ajuda a encontrar locais que preparam pratos vegetarianos. Outra preocupação do músico é a qualidade dos alimentos. “Eu costumava ter o meu próprio pedaço de terra em uma fazenda orgânica. Hoje, faço compras na Vegan Wonderland, que é uma loja de vendas online”, frisou.

Fã de comida indiana, ele criticou que muitas pessoas ainda são vítimas da propaganda da indústria da carne e da indústria farmacêutica. E essas mesmas pessoas já o criticaram por ser vegano, alegando que é loucura não comer carne e outros alimentos de origem animal. “Faça o seu trabalho de casa antes de vir me falar alguma coisa. O engraçado é que a maioria que faz isso não sabe nada sobre comida em geral”, desabafou.

De acordo com o músico, há muita gente ignorante em relação à alimentação. Por isso, quando se sentem mal, dificilmente relacionam isso com seus maus hábitos alimentares. “A comida errada pode causar doenças muito sérias, você pode se tornar diabético. O que você coloca dentro do seu corpo causa isso. Quando estou em turnê, boa comida vegana é a chave para me manter feliz, nivelado e ter energia para dar o meu melhor no palco”, afirmou a Mark Kadzielawa, do 69 Faces of Rock, em outubro de 2012.

Mille Petrozza, que não descarta a possibilidade de um dia criar um hino vegano do Kreator, já levou a questão dos direitos animais para o cenário do heavy metal. Em 2001, a banda lançou o álbum “Violent Revolution”, que traz uma música homônima que ganhou um clipe bem produzido criticando a exploração de animais. No vídeo, eles apresentam uma inversão de papéis, em que seres humanos se tornam vítimas de vivissecção, são enviados para o abate e embalados – numa analogia às bandejas de carne disponíveis em mercados e açougues.

“[O vídeo] foi uma ideia do diretor, mas se encaixa perfeitamente. Filmamos em uma fábrica em Döner-Kebab, e o cheiro era muito desagradável. Ainda é um dos meus vídeos favoritos”, disse ao Voices from the Dark Side. Entre os veganos e vegetarianos que conheceu em turnê com o Kreator, Petrozza cita todos os integrantes do Heaven Shall Burn, alguns do Caliban, John Joseph, do Cro-Mags, e Barney Greenway, do Napalm Death.

Entre as músicas que têm os direitos animais como temática, Petrozza qualificou “Murder”, da banda inglesa de grindcore Extreme Noise Terror como um clássico. A música que faz parte do álbum “A Holocaust in Your Head”, de 1989, fala que 450 milhões de animais eram assassinados a cada ano na Grã-Bretanha, e tudo isso para descer pela garganta e sair pela bunda das pessoas.

Em entrevista publicada pela Noisey em 25 de janeiro de 2017, perguntaram ao vocalista do Kreator o que ele achou da declaração de Donald Trump, alegando que a crise climática, que segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) tem como agravante a agropecuária, é uma farsa.

“Pessoas estão morrendo por causa do aquecimento global, há provas científicas. É outra das coisas estranhas que Trump diz, uma daquelas coisas que não fazem sentido no mundo real. Talvez faça sentido no mundo de Trump. Mas no mundo real, isso é um problema concreto”, respondeu.

Mille Petrozza acredita que o número de pessoas aderindo ao veganismo cresce a cada dia, o que é algo extremamente positivo, embora ele seja cético sobre a possibilidade de ter a chance de viver em um mundo vegano.

Saiba Mais

Mille Petrozza nasceu em 18 de dezembro de 1967 em Essen, na Alemanha.

O Kreator foi fundado em Essen em 1982. Entre os anos de 1985 e 2017, a banda lançou 14 álbuns.

Referências

http://www.voicesfromthedarkside.de/Specials/WELCOME-TO-HEALTH-A-VEGETARIAN-VEGAN-SPECIAL–7789.html

https://noisey.vice.com/en_ca/article/kreators-mille-petrozza-is-still-the-angriest-vegan-in-metal

http://www.blabbermouth.net/news/kreator-frontman-we-always-try-to-re-invent-ourselves-on-every-record/

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Deadlock: “Os animais não podem falar, mas nós podemos”

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“Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo” (Foto: Divulgação)

Criada em Schwarzenfeld, na Alemanha, em 1997, a banda de death metal melódico Deadlock é formada por músicos que não apenas seguem o veganismo como filosofia de vida, mas também o colocam como prioridade nas letras do grupo.

“O Deadlock é uma banda vegana e sempre escreve sobre direitos animais e coisas do tipo. Sei que pode parecer um ponto de vista extremo, mas queríamos fazer um paralelo com a indústria da exploração animal”, disse o guitarrista Sebastian Reichl em entrevista a Peter Woods, publicada em 3 de agosto de 2016 no Ave Noctum.

Em 2008, a banda lançou o álbum “Manifesto”, inteiramente dedicado à questão dos direitos animais. Ao final da música “Deathrace”, ou “Corrida Mortal”, escrita pelo guitarrista Sebastian Reichl e pelo baterista Tobias Graf, começa um rap com duração de dois minutos falando sobre como os animais são tratados pela indústria da exploração animal e como as pessoas fecham os olhos para essa realidade.

“Os animais não podem falar, mas nós podemos…Olhe para o pico da evolução do líder da cadeia alimentar. Imagine que todos vocês eram canibais e a humanidade o gado do gado, bloqueado em uma caixa pequena o suficiente para entrar em estado de descontrole e violência. […] Discordo do preço e da taxa que esses seres têm que pagar para podermos festejar e comer”, criticam.

Em “Slaughter’s Palace”, ou “O Palácio da Matança”, o Deadlock conta a história de um garoto que não gostava de ir para a escola e também não se considerava bom nos estudos. Sem amigos ou qualquer outra coisa para fazer, um dia ele assistiu seu pai trabalhando como açougueiro e decidiu seguir a mesma profissão. “Não me culpe por matar animais, porque o gado é criado apenas para fazer parte da nossa cadeia alimentar”, justifica o personagem na música, que vê sua função como resultado da demanda criada pela população.

““Temos um relacionamento muito próximo com a natureza” (Foto: Divulgação)

A música “Seal Slayer”, ou “Matador de Focas”, que também faz parte do álbum “Manifesto”, chegou a ser gravada com o título de “Kill, Kill, Kill” para uma campanha de combate a caça às focas. “Eu ainda me lembro como foi matar pela primeira vez, eu devo ter batido cem vezes. E a neve ficou toda vermelha”, diz a letra.

Em entrevista ao Lords of Metal, o então vocalista do Deadlock, Johannes Prem, declarou que acharia melhor morrer do que sustentar uma família com o dinheiro conquistado por meio do sangue e da pele de lindos filhotes. “É inacreditável o quão brutal esses bastardos tratam e torturam bebês focas”, desabafou.

John Gahlert, que era baixista da banda desde 2009 e assumiu como vocalista em 2011, relatou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, que o álbum “Manifesto” foi lançado como um elemento fundamental na formação da identidade vegana da banda. “Desde o lançamento desse álbum, trabalhamos com frases simbólicas em nossas letras, e há combinações de palavras que você pode encontrar em todos os nossos álbuns. São frases típicas que usamos e vamos continuar usando, porque têm um significado para aqueles com um background vegano”, justificou.

Ao All About The Rock, Gahlert enfatizou que o veganismo está se tornando cada vez mais bem aceito, o que é muito bom também para a banda, já que eles sempre deixaram claro para o público que os direitos animais é um tema prioritário, independente de críticas.

“Temos um relacionamento muito próximo com a natureza. Todos temos smartphones, mas ainda somos hippies [risos]. Quando a banda começou, foi num momento em que o movimento vegano era pequeno na Alemanha. Nosso baterista Tobias [Graff] tinha criado a primeira distribuidora vegana [online] por atacado [na Alemanha]. É um trabalho pioneiro no movimento vegano, e é por isso que o Deadlock estava mais associado com a palavra vegan do que agora”, explicou a Kyle McGinn, do Dead Rhetoric, em 7 de agosto de 2016.

Analisando todos os álbuns do Deadlock, desde o “The Arrival” de 2002, ao “Hybris”, de 2016, é fácil perceber que a questão mais pertinente levantada pela banda é a forma como a humanidade está lidando com os animais, e se ela tem condições de enxergar um futuro livre da crueldade contra seres vivos não humanos. “Claro que todos vivemos na mesma sociedade e somos peças pequenas de uma roda gigante, mas se você tem a possibilidade de dizer o que pensa, você deve fazer isso”, recomendou o vocalista John Gahlert em entrevista ao Infernal Masquerade publicada em 6 de agosto de 2013.

Formação

John Gahlert – Vocalista

Margie Gerlitz – Vocalista

Sebastian Reichl – Guitarra e teclado

Ferdinand Rewicki – Guitarra

Werner Riedl – Bateria

Saiba Mais

Entre os anos de 2002 e 2016, o Deadlock lançou os álbuns “The Arrival”, “Earth Revolt”, “Wolves”, “Manifesto”, “Bizarro World”, “The Arsonist”, “The Re-Arrival” e “Hybris”.

Em 4 de setembro de 2014, o baterista Tobias Graf faleceu em decorrência de um câncer.

Em 2016, a vocalista Sabine Scherer saiu do Deadlock e em seu lugar entrou a vocalista Margie Gerlitz.

Referências

http://allabouttherock.co.uk/deadlock-interview/

Interview – Deadlock

Deadlock – On Perseverance

http://www.lordsofmetal.nl/en/interviews/view/id/2411

http://www.roomthirteen.com/features/149/Deadlock_Interview.html – 2 de junho de 2005

http://www.infernalmasquerade.com/?q=other/002561-interview-deadlock-john-gahlert-2013

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Prince: “Todos somos membros do reino animal, deixe seus irmãos e irmãs no oceano”

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“Por favor, não mate uma vaca para que eu possa usar um casaco”

Prince se tornou vegetariano nos anos 1980 (Foto: Reprodução)

Em outubro de 1997, o cantor Prince, um dos maiores nomes da história da música pop, deu uma entrevista à revista Vegetarian Times contando que há dez anos ele tinha parado de consumir carne, e que seu próximo passo seria abandonar outros alimentos e produtos de origem animal. “Nós não comemos nada com pais”, disse em referência ao fato de que todo animal reduzido à comida tem ou teve pai e mãe. Ao falar “nós”, ele incluiu Mayte Garcia, com quem teve um casamento que durou quatro anos. Ela foi a responsável por apresentá-lo ao vegetarianismo.

“Sempre tive preferência por coisas vegetarianas, e recentemente descobri como elas são boas, em um sentido físico. […] Nunca fui um grande bebedor de leite de qualquer maneira, mas eu realmente gosto de leite de soja de baunilha”, contou. Prince se identificou tanto com essa filosofia de vida que se tornou um ativista e colaborador de organizações em defesa dos direitos animais.

Em 1998, inspirado em se posicionar contra a exploração animal, ele compôs a música “Animal Kingdom”, que antes de ser lançada oficialmente foi enviada à Peta para que pudesse ser usada em campanhas a favor dos animais. Prince defendia que os animais tinham direito à vida, seus próprios propósitos, e não existiam para nos servir.

Na letra, ele fala que nenhum membro do Reino Animal fez qualquer coisa contra ele, e que não há motivo para ele consumir carne, nem mesmo de peixe. “Não me dê queijo azul, todos somos membros do reino animal, deixe seus irmãos e irmãs no oceano”, pediu. A música também faz referência a uma discussão que Prince teve com o cineasta Spike Lee sobre o consumo de leite.

“Realmente gosto de comer mais agora. Tenho mais energia e, acima de tudo, minha aura está mais forte. Pode-se realmente sentir sua dívida cármica diminuir em cada refeição”, revelou à revista Vegetarian Times em entrevista publicada em 1º de outubro de 1997. No disco “Rave Un2 the Joy Fantastic”, lançado em 1999, surgiu uma polêmica porque Prince aparece na capa usando uma jaqueta que muitos pensaram que fosse de lã, quando na realidade era de material sintético.

“Se esta jaqueta fosse realmente de lã, eu teria levado a vida de sete cordeiros cujas vidas começaram assim. Em poucas semanas após seu nascimento, suas orelhas teriam sido perfuradas, seus rabos cortados, e os machos castrados enquanto estavam completamente conscientes. Taxas extremamente elevadas são consideradas normais [nessa indústria]. 40% dos cordeiros morrem com oito semanas de idade – oito milhões morrem todos os anos em decorrência de doenças e negligência”, avisou no encarte do CD, visando conscientizar os fãs sobre as implicações do consumo de produtos baseados em peles de animais.

Ele defendia que os animais tinham direito à vida, seus próprios propósitos (Foto: Kevin Winter/Getty Images)

Prince costumava dizer que dos dez mandamentos, o mais importante que o ser humano deveria seguir é “Não Matarás”, o que, no seu entendimento, não significava apenas não matar pessoas, mas também animais.
“Nós não temos que matar coisas para sobreviver. Na verdade, acontece o oposto disso. Se você mata, você morre”, enfatizou em entrevista a Catherine Censor Shemo, da Vegetarian Times.

Quando Catherine lhe perguntou se as pessoas não o julgavam, achando que ele estava mais preocupado com os animais do que com o sofrimento humano, Prince respondeu: “A compaixão é uma palavra de ação sem fronteiras. Nunca é demais. Comer um tomate e replantá-lo para a sua nutrição, em vez de matar uma vaca ou um porco para se alimentar, reduz a quantidade de sofrimento no mundo. Além disso, os porcos são bonitos demais para morrer.”

Em um de seus shows em Washington, D.C., um fã tentou dar ao cantor um casaco de couro. Quando ele viu do que era feito, o advertiu: “Por favor, não mate uma vaca para que eu possa usar um casaco.” Muitas vezes, Prince foi apontado como vegano, inclusive em uma entrevista publicada na Vegetarian Times em 1997. Ele mesmo se apresentou dessa forma.

Porém, em outra entrevista, concedida ao Lopez Tonight, estrelado por George Lopez, Prince explicou em 2011 que ele era vegetariano, não vegano. Independente disso, a contribuição do cantor à conscientização em torno dos direitos animais é inquestionável. Ele chegou a declarar que é preciso instituir um Dia dos Direitos Animais: “Não fazer nada sobre isso [direitos animais] é tolice. Temos feriados para presidentes que defendiam tudo menos a liberdade da alma. Precisamos de um dia dos Direitos Animais em que todos os matadouros sejam fechados e que as pessoas não comam nada que não possam substituir. Yeah!”

Questionado se ele não tinha receio de parecer proselitista aos olhos dos fãs ao se posicionar a favor do vegetarianismo enquanto uma filosofia de vida baseada na moralidade, Prince explicou a Catherine que ele não tinha fãs, mas sim amigos. “Meus amigos são indivíduos muito avançados. Não sei quantos deles comem carne, mas logo eles saberão as consequências desse estilo de vida. Chama-se carma! Minha música é ditada pelo espírito. Não me preocupar com a reação das pessoas é o que tem me dado sustentação”, afirmou.

Saiba Mais

Prince nasceu em Minneapolis em 7 de junho de 1958 e faleceu em 21 de abril de 2016 em decorrência de uma overdose acidental de fentanil, um forte analgésico.

Ao longo da carreira, o músico, que lançou mais de 35 discos e flertava com vários gêneros musicais, teve como maior registro de sucesso o álbum “Purple Rain”, de 1984, e que inspirou a produção de um filme homônimo. O disco é considerado um dos maiores lançamentos da história da música pop.

Entre seus alimentos preferidos estavam: homus, pita e chips de vegetais.

Referências

https://sites.google.com/site/prninterviews/home/vegetarian-times-october-1997

https://www.bustle.com/articles/156336-was-prince-a-vegan-he-upheld-his-beliefs-throughout-his-life

http://www.today.com/food/stage-prince-was-passionate-quirky-food-lover-too-t87881

The Animal Kingdom Has Lost Its Prince

 

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Caninus, a história de uma banda vegana liderada por pit bulls

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Proposta era conscientizar sobre vegetarianismo, veganismo e adoção de cães abandonados

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Fundada em 2003, a banda nova-iorquina de grindcore Caninus, que chegou definitivamente ao fim no início de 2016, conquistou muita popularidade ao longo dos anos por ter duas cadelas da raça pit bull terrier como vocalistas – Basil e Budgie. Com uma proposta de promover o vegetarianismo, veganismo, a importância da adoção de cães abandonados e a conscientização em torno da desinformação sobre os pit bulls, a banda surgiu por iniciativa do guitarrista Justin Brannan e da guitarrista Rachel Rosen, da banda de Metalcore Most Precious Blood, que são ativistas dos direitos animais.

“As duas cadelas eram muito vocais, sempre brincávamos com elas, e elas possuíam rosnados excelentes. Crescemos ouvindo Cannibal Corpse, Napalm Death e Terrorizer [bandas de metal extremo], então achamos que seria engraçado fazer um som com elas rosnando sobre a música”, conta Brannan.

O que começou como uma brincadeira que entraria como bônus em um CD do Most Precious Blood, se tornou algo mais sério. Eles receberam propostas para gravar alguns discos, sem qualquer compromisso, e aceitaram. “O Caninus surgiu com uma mensagem bem direcionada – direitos animais, vegetarianismo, veganismo e adoção de animais. Nosso propósito maior era esse, até porque Budgie e Basil foram adotadas, eram cães resgatados por nós”, garante o guitarrista.

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A princípio, muita gente achou que o Caninus era uma sátira às bandas de grindcore e brutal death metal, porém Justin e Rachel fazem questão de deixar bem claro que isso não era verdade. “Todas as bandas de death metal têm caras que tentam soar como animais, e percebemos que poderíamos dar isso a eles da forma mais verdadeira possível. Somos fãs desses estilos. Não fazemos piadas disso. Foi tudo uma boa diversão. E os cães eram as estrelas. Somos os anônimos, seres humanos descartáveis”, esclareceu Brannan.

Até 2011, o grupo lançou o álbum “Now the Animals Have a Voice”, de 2004, um split com o projeto Hatebeak – que tem como vocalista um papagaio do congo chamado Waldo, e outro split com a banda também vegana Cattle Decapitation, os dois em 2005 e lançados pela War Torn Records. Entre as músicas mais conhecidas do Caninus estão “Brindle Brickheads (Unprecedent Ferocity)”, “No Dogs, No Masters”, “Fear of Dogs (Religious Myths)”, “Human Rawhide”, “Bite the Hand That Breeds You”, “Locking Jaws” e “Fuck The American Kennel Club”.

Esta última é uma crítica ao American Kennel Club, um dos maiores clubes de registro de genealogias de cães dos Estados Unidos, que realiza um trabalho que vai contra tudo aquilo que o Caninus defende, já que a banda entende que esse tipo de entidade só existe porque há pessoas criando animais de raças que são visadas comercialmente, assim estimulando a venda de cães como produtos e inviabilizando a adoção de animais abandonados.

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“As canções dizem respeito a questões que os pit bulls enfrentam hoje. É a raça mais mal compreendida e abusada lá fora”, acrescentou Brannan. Entre os bateristas que participaram do Caninus, um dos grandes colaboradores foi Colin Thundercurry. Em 2008, o baterista Richard Christy, que tocou com importantes bandas de metal como Death, Control Denied e Iced Earth participou de algumas músicas do Caninus.

Todo o processo de gravação da banda só foi colocado em prática com os cães bem à vontade, e livres para serem eles mesmos. Justamente para não condicioná-los, Justin Brannan e Rachel Rosen optaram por não fazer shows.

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Mesmo assim, o trabalho do Caninus foi longe, e teve um retorno tão positivo e inesperado para os músicos que até celebridades como as atrizes Susan Sarandon e Bernadette Peters declararam o seu amor pela banda e pela proposta de conscientização sobre os direitos animais.

Infelizmente, em 5 de janeiro de 2011, Basil faleceu aos dez anos, e sua morte se tornou notícia em diversos sites especializados em heavy metal. O Metal Sucks, um dos mais populares, publicou um texto em que declarou: “Sabemos como os animais podem tocar a vida das pessoas e sentimos sinceramente ao saber da passagem de Basil, R.I.P., nossas condolências a Justin e Rachel.”

O Caninus ainda realizou alguns registros ocasionais, inclusive assumiu o compromisso de lançar um novo disco em 2016, mais uma vez sem finalidade comercial, porém, a vocalista Budgie faleceu em 3 de janeiro de 2016, aos 16 anos, assim marcando o fim definitivo da banda. Em homenagem à ela, Justin e Rachel publicaram um texto emocionado:

É com grande tristeza que devemos transmitir esta mensagem:

Budgie, a fundadora e único membro original do Caninus, faleceu. Ela tinha 16 anos. Originalmente chamada Shelby, depois de ter sido atirada de um Mustang e deixada para morrer com uma pesada corrente ao redor do seu pescoço, ela foi adotada por Belle [Rachel] and Sudz [Justin], do North Hempstead Animal Shelter, e renomeada Budgie. Ela ganhou uma nova vida no Brooklyn no verão de 2000.

Budgie era muito parecida com o Lemmy [Kilmister]. Desde o primeiro dia, ela viveu sua vida baseada em suas próprias regras. Era uma apaixonada e tinha o coração de um campeão. Eles dizem que os cães nos ensinam tudo que precisamos saber sobre a vida sem dizer uma palavra – esta era Budgie. Há alguns meses, Budgie gravou vocais para o lançamento do último trabalho do Caninus, que deve ver a luz do dia em breve.

Todos nós fomos sortudos por tê-la conosco pelo tempo que foi possível. Ela tocou muitas vidas, lambeu muitos rostos, empurrou muitas pessoas para fora da cama, roubou muitas fatias de pizza, comeu muitos burritos e, mais importante, inspirou muita gente a adotar animais de abrigos em vez de comprá-los em pet shops ou de vendedores online.

Saiba Mais

Antes do surgimento do Caninus, Justin Brannan e Rachel Rosen já realizavam trabalho voluntário no North Hempstead Animal Shelter, uma das entidades mais respeitadas no resgate de animais abandonados em Nova York.

No site do Caninus, eles divulgavam produtos livres de crueldade contra animais e também dicas para veganos e para quem tinha interesse em aderir ao veganismo, além de informações sobre doações e resgate de animais.

Referências

Caninus

http://www.verbicidemagazine.com/2013/08/08/caninus-grindcore-death-metal-band-dog-vocalist-singers-brindle-brickheads/

http://www.metalinsider.net/in-memoriam/r-i-p-budgie-pit-bull-and-caninus-vocalist

http://www.mtv.com/news/1525305/for-those-about-to-squawk-metal-bands-with-non-human-singers/

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