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Irmãos Bonfadini, uma história de luta e união

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Raridade entre as famílias de hoje em dia, os Bonfadini nunca se separaram

 Honório Bonfadini: “Nosso pai ensinou que devemos estar sempre perto uns dos outros, se respeitando e se ajudando” (Foto: David Arioch)


Honório Bonfadini: “Nosso pai ensinou que devemos estar sempre perto uns dos outros, se respeitando e se ajudando” (Foto: David Arioch)

Assim como muitos migrantes, o que trouxe os sete irmãos Bonfadini a Paranavaí, no Noroeste do Paraná, foi a vida difícil. Em Encantado, cidade situada em uma região de morros no Rio Grande do Sul, a economia da família era baseada na criação de suínos. Então sonhavam em migrar para uma área plana, onde pudessem investir em outras atividades. “A vida no Rio Grande era dura. A gente queria ir pra um lugar sem pedras. Trabalhamos, lutamos e fizemos economia, crentes de que um dia sairíamos de lá”, explica o pecuarista Honório Bonfadini.

O sonho se concretizou em 1960, quando se mudaram para Paranavaí logo depois de conhecer um corretor que falou das terras boas da região. “Viemos em sete irmãos. Eram quatro homens e três mulheres. Cheguei e me senti no paraíso. A diferença para o lugar onde morávamos no Rio Grande era imensa”, explica Honório entre sorrisos e um tom de voz remansoso.

O trajeto até Paranavaí levou dias e foi percorrido de ônibus. A vontade de mudar de vida era tão grande que trouxeram pequenas malas com poucas peças de roupa, deixando todos os móveis e utensílios domésticos. “Paranavaí sempre foi bonita, né? Só que asfalto não tinha. Na Avenida Paraná só existia um pedacinho de malha viária”, lembra Honório.

O maior objetivo dos Bonfadini era investir na área urbana. Quando ficaram sabendo que o Líder Bar estava fechado por ordem judicial, em decorrência de badernas, brigas e trocas de tiros, não pensaram duas vezes. “O preço era bom. Por isso compramos e reabrimos. Só deu um pouco de trabalho pra reformar. Como não tínhamos dinheiro pra gastar, contratamos um pedreiro e ajudamos a reconstruir”, relata rindo e meneando a cabeça.

Além de Honório, o Líder Bar, situado na Avenida Paraná, perto do cruzamento com a Rua Getúlio Vargas, contou com a dedicação de Ida, Eva, Gema, Ricieri, Adão e Orestes. Praticamente a família inteira trabalhou no local de 1960 a 1965. “Era bar e restaurante. Tinha o prato do dia, salgados, sanduíches, bolos, chocolates e sorvetes. Os doces eram mais das crianças, né? Ah, o pessoal gostava muito de bauru! Mas a maioria vinha pelo café”, explica. A comida era vendida “por cabeça”. Pagava-se um preço fixo e comia à vontade no almoço ou no jantar.

Embora o ambiente fosse familiar, o Líder Bar se popularizou como ponto de encontro de homens. “A mulherada naquele tempo tinha medo de homem”, justifica Honório às gargalhadas. Apesar das limitações da época, o estabelecimento surpreendia pelo horário de funcionamento. Começava a atender às 6h30 e parava de madrugada, por volta da 1h. No verão, logo cedo a casa enchia. No inverno, à tarde o movimento crescia.

Avenida Paraná na época em que os irmãos Bonfadini ainda investiam no comércio local (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Avenida Paraná na época em que os irmãos Bonfadini ainda investiam no comércio de Paranavaí (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Além de proporcionar horas de descontração, o bar servia como escritório, tanto para profissionais quanto picaretas. Muita gente passava no estabelecimento antes do início do expediente, assim como muitos saíam do trabalho e iam direto pra lá bater papo e tomar um aperitivo.

A fama do bar atraía pessoas de toda a região de Paranavaí. E mais, até estrangeiros. Honório Bonfadini perdeu as contas de quantas vezes recebeu italianos, alemães, espanhóis e portugueses que chegaram ao balcão segurando um pedaço de papel em que estava escrito o endereço do Líder Bar acompanhado de alguns elogios. “Só que era um tempo difícil. Não tinha conforto e o nosso abastecimento de energia dependia de um motor”, garante.

Apesar das dificuldades, admite que ser proprietário do bar mais movimentado de Paranavaí era um privilégio. Vendiam muito e ganhavam bastante dinheiro. Honório sempre viu o Líder Bar como um ambiente modesto, de proporções medianas – com um longo balcão, algumas porções de cadeiras e mesas, sala e área reservada para comemorações.

Muita gente frequentava o local por causa do frango frito e do frango em molho, duas das especialidades dos Bonfadini. “Não tinha frango de granja, era só caipira. A gente fazia o possível pra nunca faltar”, enfatiza. Outro ponto alto era a limpeza. Independente do horário em que o bar fechasse, a família fazia questão de deixá-lo limpinho para a manhã do dia seguinte. Também se uniam para uma faxina geral uma vez por semana.

Líder Bar antes dos Bonfadini chegarem a Paranavaí (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Líder Bar antes dos Bonfadini chegarem a Paranavaí (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)

Os jovens engraxates aproveitavam a movimentação para encostarem caixas e banquinhos em frente ao bar, aguardando a entrada e a saída da freguesia. Na entrada os clientes se livravam do barro batendo as botas na soleira. No interior ouviam-se muitas vozes acompanhadas de sons de pratos, copos, cadeiras e mesas sendo arrastadas. A música no bar era o “barulho do movimento”, segundo Honório Bonfadini.

Em 1965, a crise da monocultura cafeeira motivou a família a se mudar para Planaltina do Paraná, a pouco mais de 50 quilômetros de Paranavaí. O Líder Bar precisava de reforma e o investimento seria desproporcional aos lucros. A melhor opção era desistir da atividade. “As geadas acabaram com o café. Muita gente foi embora. Como nosso bar ficou parado, decidimos partir. Os que moravam aqui nesta propriedade rural em Planaltina, onde conversamos agora, queriam ir pra cidade. Fizemos a troca pelo bar e viemos para o mato. Já estamos aqui tem 50 anos”, revela.

Seis dos irmãos Bonfadini nunca se casaram

Dos sete irmãos Bonfadini que se mudaram para o Paraná, seis jamais se casaram. “Tivemos de fazer economia pra conseguir alguma coisa na vida quando ainda tinha idade pra casar. A luta foi feia. Namorei pouco. Não deu tempo”, justifica o pecuarista Honório Bonfadini em tom singelo.

Apesar disso, Honório não se esquece que em Paranavaí tinha muitas mulheres bonitas. “Era uma alegria para os olhos. Só que eu não ia em festas porque precisava trabalhar”, argumenta. À noite, quando saía de vez em quando para passear, era impossível ficar sozinho com alguma moça. Sempre havia guardas noturnos nas esquinas e eles repreendiam quem tentasse namorar em locais escuros. Mesmo com a rotina atribulada, o comerciante teve a oportunidade de conhecer figuras lendárias da música brasileira, como Tonico e Tinoco, Cascatinha e Inhana e Roberto Carlos. “O comércio e as emissoras de rádio organizavam shows muito bons”, assinala.

Uma vez uma cantora espanhola se aproximou de Honório Bonfadini no balcão do Líder Bar e pediu uma dose de conhaque Dreher. Então os dois começaram a conversar. O comerciante entendia bem o espanhol, tanto que o papo se estendeu por horas. Antes de se despedir, a cantora o convidou para ir ao seu show que seria realizado em Paranavaí na mesma noite. Como o jovem Honório não poderia se ausentar do trabalho, ela se comprometeu em retornar ao final da apresentação.

Honório a esperou. Depois ficou sabendo que a moça encontrou um espanhol. Em vez de ir ao Líder Bar a cantora foi com o acompanhante para a Adega Espanhola na Rua Marechal Cândido Rondon. “Nunca mais a vi”, lamenta. Após se mudar para Planaltina do Paraná, não quis mais saber de se casar. “Aqui eu já estava fora de época. Não queria mais. Não tinha mais idade pra isso”, pontua.

Família sempre se manteve unida

Raridade entre as famílias de hoje em dia, os Bonfadini sempre se mantiveram unidos. De um total de 11 irmãos que viviam no Rio Grande do Sul, sete vieram ao Noroeste do Paraná e nunca perderam contato. Inclusive seis moraram juntos a vida toda.

“Só tivemos uma irmã que se casou e mudou para Presidente Epitácio, no interior de São Paulo. Nosso pai ensinou que devemos estar sempre perto uns dos outros, se respeitando e se ajudando. Se houver alguma falha, tudo bem, a gente tem que perdoar e seguir em frente”, ensina Honório Bonfadini que teve de lidar com a morte dos quatro irmãos mais velhos que viviam no Rio Grande do Sul. Em Planaltina do Paraná, perdeu também a irmã Ida em 2006 e os irmãos Ricieri e Orestes em 2004 e 2010.

Desde que se mudaram para Planaltina em 1965, não quiseram mais investir no comércio. Nos primeiros anos arriscaram plantar café. Depois priorizaram a pecuária. “Você levava uma manhã para chegar a Paranavaí quando chovia. E havia mato para todo lado. Era complicado chegar na cidade”, pondera e declara que Planaltina do Paraná tinha o mesmo tamanho de hoje.

Netos de imigrantes italianos, os irmãos Bonfadini tem raízes em Bento Gonçalves, onde os pais nasceram e viveram até migrarem para a região de Porto Alegre. “Temos sobrinhos lá no Rio Grande do Sul, mas não viajamos mais pra lá. Eles que costumam vir pra cá”, garante Honório.

Sentado em uma cadeira de varanda no sobrado que ajudou a construir em 1982, Honório diz com um sorriso impoluto e um olhar sereno que até hoje se sente bem vivendo no campo, onde a vegetação ajuda a reter umidade e preservar o frescor nos dias mais ensolarados. Mais à frente, aponta o dedo para uma área erma.

Lá, ele e os irmãos viveram anos em um casebre de madeira. Dos tempos de colonização resta ainda uma tulha acinzentada que pode ser vista logo na entrada da propriedade rural, às margens da PR-218, um marco das transformações culturais da região. O local que um dia armazenou grandes quantidades de café, há muito tempo serve de abrigo para o feno.

Curiosidades

Nos tempos da colonização, o revólver de calibre 44 era conhecido em Paranavaí como uma arma usada em execuções.

Honório Bonfadini nasceu em 8 de setembro de 1929.

Alegria e sofrimento na era de ouro do rádio

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Ephraim Machado: “A gente tocava tudo com motor e bateria de carro”

Machado: "Difícil era fazer o aparelho funcionar numa época sem energia elétrica" (Foto: Diário do Noroeste)

Machado: “Difícil era fazer o aparelho funcionar numa época sem energia elétrica” (Foto: Diário do Noroeste)

 O pioneiro e empresário Ephraim Marques Machado chegou a Paranavaí, no Noroeste Paranaense, em 1948, pouco tempo depois que seu pai, agente fiscal do Governo do Paraná, foi enviado para instalar a Coletoria Estadual. Admite que no primeiro momento não gostou do que viu na colônia, então retornou para Londrina, onde morava com o tio Odinot Machado, homenageado com um nome de rua em Paranavaí. “Fiquei lá uns seis meses e meu pai insistiu outra vez. Disse que estava muito bom aqui, então voltei”, relata.

A princípio, Machado iria apenas ajudar o pai, mas dois meses depois decidiu investir em um serviço de alto-falantes. “Eu já queria conquistar a minha independência”, conta o pioneiro que nasceu em Castro, na região de Ponta Grossa, no Centro Oriental Paranaense. No final de 1948, Ephraim circulava pela cidade com um microfone e uma caixa amplificadora. Até hoje, lembra como as “vozes saíam por cima”. A sede da modesta rede de comunicação de Machado ficava em frente à Banca do Wiegando, na Rua Marechal Cândido Rondon, de onde administrava os dez alto-falantes espalhados em pontos estratégicos da cidade.

Algumas caixas podiam ser vistas perto do antigo Terminal Rodoviário e outras onde é hoje a Academia Unimed, na Avenida Distrito Federal. Quando o pioneiro anunciava algo em uma caixa, a mesma mensagem era reproduzida em todas as outras. “Foi assim até 1956, quando coloquei a Rádio Cultura no ar, um trabalho iniciado em 1950. Contratava gente da cidade e de fora, o que aparecesse”, explica. A sede da emissora na Rua Getúlio Vargas, onde é a atual Loja Ipiranga, chegou a ter três andares, dois construídos por Machado e um por Luiz Ambrósio.

Como a maior parte da população não tinha televisor e o cinema abria as portas somente aos sábados e domingos, o pioneiro cativava a comunidade com os programas de auditório. “Sempre aproveitava para levar ao Aeroclube [atual tênis Clube – em frente ao Ginásio Lacerdinha] os artistas que se apresentavam na rádio. Então o povo tinha a chance de assistir shows do Jorge Goulart, Nora Ney, Mestre Sivuca, Orquestra Casino de Sevilla e muitos outros”, cita.

No começo, o empresário tinha uma equipe de oito profissionais. Do total, cinco eram locutores. Quem chefiava a redação era o jornalista Ivo Cardoso, mas as notícias eram apresentadas por Jackson Franzoni e Evaldo Galindo. Havia muitos colaboradores, o que fazia a diferença quando surgiam problemas técnicos. “O equipamento de transmissão não era tão caro. O difícil era fazer o aparelho funcionar numa época sem energia elétrica. A gente tocava a rádio com motor e bateria de carro. Tudo era grande, até o gravador”, destaca.

Os problemas de transmissão eram frequentes, pois nem sempre o gerador de energia funcionava como o esperado. Às vezes, a rádio ficava dias fora do ar, um sofrimento inevitável. “Quando surgiu a primeira instalação elétrica, tive que puxar uma fiação de mais de um quilômetro de distância. Começava em uma chácara pra lá da Avenida Tancredo Neves e tinha que trazer por trás da Igreja São Sebastião”, conta o homem que trouxe a Paranavaí os mais diversos tipos de geradores de energia. O melhor funcionou bem por apenas seis meses.

À direita, construção da primeira rádio do pioneiro (Foto: Toshikazu Takahashi)

À direita, construção da primeira rádio do pioneiro (Foto: Toshikazu Takahashi)

No Brasil da época, pouco se ouvia falar em equipamentos de qualidade. A solução era importar quase tudo, inclusive gravadores, um privilégio para poucas emissoras do Norte do Paraná. Certa vez, o pioneiro fez a transmissão de uma eleição de Mandaguari, de quem Paranavaí ainda era distrito. Na ocasião, pediu emprestado um cabo de comunicação da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Infelizmente, de Alto Paraná até Paranavaí não se ouvia praticamente nada por causa da chiadeira.

Ephraim Machado considera os anos 1950 e 1960 como os melhores do rádio local e regional. A justificativa é que naquele tempo o espectro não era tão carregado. “Depois de alguns anos, melhorou bem. Conseguíamos falar até com pessoas de Santa Isabel do Ivaí e Porto São José. Hoje, a rádio AM não atinge esses lugares com a mesma potência. Só se for FM. Há muita interferência de sinais de TV, comunicação amadora, etc. Não temos mais o espectro livre”, frisa. Até o final da década de 1950, pelo menos 50% da população de Paranavaí já possuía um aparelho de rádio em casa.

Para Machado, o rádio começou a se popularizar no Brasil em 1942 e só em 1954 deu um grande salto, liderando a comunicação de massa no país. A chegada da Companhia Paranaense de Energia (Copel) fez a diferença na cultura radiofônica local a partir de 1964. “Em 1962, vinha uma sobra de energia de Maringá que durava das 20h às 6h. Era limitada, mas melhor que nada”, avalia.

Rádio Cultura ainda sem a tradicional fachada nos anos 1950 (Foto: Toshikazu Takahashi)

Rádio Cultura ainda sem a tradicional fachada nos anos 1950 (Foto: Toshikazu Takahashi)

As instabilidades do rádio em Paranavaí surgiram nos anos 1970, exigindo melhores estratégias dos comunicadores e empresários para manterem-se no ramo. Ephraim Machado perseverou e ainda montou a Rádio Caiuá FM em 1980, emissora que começou a operar em 1984. Como a realidade já era bem diferente e o empresário contava com mais recursos, trouxe a Paranavaí os equipamentos mais sofisticados.

“Subia em postes, puxava fio, consertava aparelho, motor e microfone…”

O pioneiro Ephraim Machado começou a trabalhar com radiodifusão aos dez anos. A primeira função foi de trocador de discos. Anos mais tarde, quando surgiu a oportunidade de montar uma emissora, aprendeu a fazer de tudo. “Subia em postes, puxava fio, consertava aparelho, motor e microfone. Mexia no estúdio cortando som e reformava a acústica para dar mais eco. Fui até faxineiro e transportador de óleo. Minhas lembranças são boas porque passei por todos os setores”, relata o pioneiro que fazia questão de ocupar o tempo livre com trabalho.

Machado fala com preciosismo dos tempos de repórter, quando entrevistou os governadores Moisés Lupion e Bento Munhoz da Rocha Neto, além do presidente Juscelino Kubitschek. Embora só fosse para as ruas quando faltava algum repórter, o pioneiro adorava fazer entrevista política em época de eleição. Segundo Ephraim, era algo mais livre, diferente de hoje que o entrevistador precisa estar atento às exigências da justiça eleitoral.

Emissora recebeu artistas como Jorge Goulart, Nora Ney e Sivuca (Foto: Toshikazu Takahashi)

Emissora recebeu artistas como Jorge Goulart, Nora Ney e Sivuca (Foto: Toshikazu Takahashi)

“Atualmente, você corre muitos riscos quando entrevista uma autoridade política. Só tem liberdade se for falar com suspeito de crimes, daí é costumeiro o repórter fazer a típica escarrada de besteiras que vemos por aí. É triste ver como temos tanto lixo na radiodifusão brasileira”, critica o empresário que em algumas situações perdeu boas entrevistas por causa da falta de energia. Às vezes, o gravador parava de funcionar de repente.

Uma das linhas da Rádio Cultura, fundada pelo pioneiro, chegava até a sede do Atlético Clube Paranavaí (ACP), atual Praça dos Pioneiros. A fiação foi feita por Ephraim Machado que a ligava a um amplificador chamado de “maleta”, uma espécie de base do famoso microfone de fio comprimido. “Quando era ao vivo, a gente sempre preferia fazer tudo no estúdio, por questão de segurança”, pondera.

O primeiro operador de rádio amador de Paranavaí

O pioneiro Ephraim Machado foi o primeiro operador de rádio amador de Paranavaí. No final dos anos 1940, se comunicava até com pessoas do Rio Grande do Sul. Muita gente o procurava para dar recados aos parentes que viviam em outras cidades e estados. “Repassava mais notícias de falecimentos e de necessidades primárias da população. Era um serviço em prol da coletividade. Perdi as contas de quantas vezes saí de Paranavaí para levar recado em Paraíso do Norte, São João do Caiuá, Planaltina do Paraná, Amaporã, Tamboara, Alto Paraná e outras localidades”, afirma.

Machado considera o rádio amador um veículo que ajudou o interior do Brasil antes da implantação do telefone. Muitas vidas foram salvas graças ao aparelho. “Meu principal sinal vinha de uma empresa cafeeira que se comunicava com os portos de Paranaguá e Santos. Servi Paranavaí por muitos anos nessas condições”, garante. O pioneiro também se recorda de um rapaz que no final da década de 1940 trabalhava como rádio telegrafista na colônia, a serviço de uma companhia de terras.

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