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Sobre veganos e vegetarianos que oferecem alimentos com ingredientes de origem animal a quem não é

Oferecer alimentos sem ingredientes de origem animal é uma forma de aproximar as pessoas do veganismo
Sei que há vegetarianos e veganos que quando realizam algum evento abrem exceção e oferecem alimentos com ingredientes de origem animal para os amigos que não são nem vegetarianos. Bom, fora o fato de que isso também é virar as costas para a exploração animal, perde-se aí uma oportunidade de mostrar como o vegetarianismo ou o veganismo é acessível e tem opções muito boas para todos os gostos. Os clichês e estereótipos surgem exatamente pela desinformação que pode ser combatida neste caso da melhor forma possível.
Afinal, pensemos. Por que uma pessoa se recusaria a consumir comida vegetariana ou vegana por uma noite, por exemplo? Não faz sentido. Além disso, quem te respeita aceita isso numa boa. Não vejo nenhuma justificativa plausível para uma exceção. Simplesmente é incoerente com o veganismo e até mesmo com o vegetarianismo ético. Obviamente porque nenhum dos dois se resume apenas ao que você coloca dentro da sua boca.
Veganos e o compromisso de não contribuir com a exploração animal

Retratos de um sistema exploratório que objetifica animais, os colocando em condição de privação e sofrimento. São seres vivos que, em muitos casos, nascem e morrem sem saber por que existiram (Fotos: Jo-Anne McArthur)
De vez em quando me deparo com alguém dizendo que veganos são hipócritas porque não estão livres de usarem algo de origem animal. Sim, essa pessoa tem razão ao dizer que não estamos livres de usarmos algo de origem animal, ou testado em animais. Mas sabe por que não somos hipócritas?
Justamente porque tomamos para nós a responsabilidade de não contribuir com a exploração animal. Afinal, nos esforçamos para evitá-la. Sabemos que a exploração existe, e temos conhecimento do mal que ela causa. E é por isso que entendemos que não temos o direito de fazer isso com os animais. Então ser vegano é um esforço constante de se livrar das armadilhas de uma indústria que explora os animais o máximo possível.
Hipocrisia, no meu entendimento, e aproveitando esse discurso agressivo que não raramente encontro por aí, é o fato de saber que a exploração animal existe, que é possível se esforçar para não tomar parte nisso, e ainda assim virar as costas e apontar o dedo para quem tenta contribuir com uma vida mais digna para os animais não humanos.
Muitos veganos se empenham em conscientizar as pessoas sobre as consequências que envolvem a fabricação dos muitos produtos de origem animal. E a partir do momento que a indústria reconhece que as pessoas já não aprovam o uso de animais em um produto, ou que sejam realizados testes em animais, ela é obrigada a rever o seu papel, se não junto aos animais, pelo menos junto aos consumidores, o que já força uma desaceleração que envolve esse tipo de exploração.
É importante não ignorar que se estamos imersos em um universo onde a maior parte dos produtos é de origem animal, ou pelo menos traz algo de origem animal na composição, é porque a maioria da população segue indiferente à exploração e ao sofrimento animal; assim inexistindo uma grande demanda que poderia mudar os rumos das nossas relações com os animais. Sem dúvida, as opções de alimentos e outros produtos isentos de exploração animal vão surgindo conforme as pessoas se recusarem a alimentar esse sistema injusto e mortífero.
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Em estudo, veganos com ingestão reduzida de cálcio e proteínas apresentaram bom nível de densidade óssea
No estudo “Comparison of Nutritional Quality of the Vegan, Vegetarian, Semi-Vegetarian, Pesco-Vegetarian and Omnivorous Diet”, publicado em 2014 na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, foi avaliada a densidade mineral óssea de veganos e onívoros. Os resultados surpreenderam porque mostraram que mesmo veganos com uma ingestão bastante reduzida de cálcio e proteínas apresentaram um bom nível de densidade óssea.
Para ler o estudo na íntegra, acesse: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3967195/
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Por que consumir mel também é uma forma de contribuir com a exploração animal
Muitas pessoas estranham o fato de veganos não consumirem mel, isto porque há muito tempo criou-se um mito de que as abelhas produzem mel para nós. Por isso é importante entender como ocorre a interferência humana no estilo de vida das abelhas e como isso é prejudicial para esses animais.
O processo de produção de mel começa quando as abelhas campeiras saem para colher o néctar das flores. Nessa etapa, elas fazem a polinização transferindo os grãos de pólen de uma flor à outra e os armazenam no chamado “estômagos de mel”, ou seja, um segundo estômago.
No retorno à colmeia, elas iniciam a conversão do néctar em mel por meio de uma enzima chamada invertase, que transforma a sacarose em glicose e frutose. Com o auxílio de outra enzima, glicose oxidase, uma pequena porção de glicose é convertida em ácido glicônico, elevando a acidez do néctar e evitando a sua fermentação.
Depois, elas vomitam o néctar semi-digerido na boca das abelhas engenheiras, que terminam de digerir o néctar e o regurgitam nos alvéolos, onde ao longo de dias o mel passa por um processo de desidratação. A secagem é feita pelas próprias abelhas que movimentam velozmente as asas até o mel chegar a apenas 18% da quantidade original de água. Nesse momento, uma prova de que as abelhas não produzem mel para outros seres vivos é o fato de que elas o selam com cera, crentes de que assim estão protegendo o seu alimento dos invasores.
Todo esse processo é feito pelas abelhas e para as abelhas. Afinal, o mel é uma essencial fonte de alimento e de nutrientes essenciais para elas, e torna-se mais importante ainda quando as abelhas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.
Sendo assim, esse também é um dos motivos pelos quais veganos, que evitam ao máximo tomar parte na exploração animal, não consomem mel, já que isso significa privar um ser vivo do seu próprio alimento, ou no mínimo obrigá-lo a produzir mais.
É importante ponderar também que a apicultura, que é a cultura comercial de produção melífera, é realizada de forma a subjugar as abelhas, já que apicultores usam fumaça e gás para manipular as colônias. Basicamente, são formas de condicioná-las e afastá-las do curso natural de suas vidas. Em casos em que as abelhas são contaminadas por parasitas, não é raro os apicultores fumigarem e queimarem toda a colmeia, que costuma ter de 30 a 60 mil abelhas, matando inclusive abelhas saudáveis.
Então alguém pode dizer: “Mas imagine o trabalho de separar as saudáveis das que não são.” Bom, basta não explorarmos as abelhas. Afinal, mel não é uma necessidade básica dos seres humanos, e é possível produzir um substituto de alta qualidade e bastante saudável a partir de fonte vegetal – da planta dente-de-leão. Outra informação relevante é que onde o frio é muito rigoroso, se os apicultores considerarem muito caro manter as abelhas vivas, eles destroem as colmeias usando cianeto.
Outro exemplo que revela como as abelhas são enganadas nesse processo é que quando os apicultores removem o mel da colmeia, não raramente eles o substituem por um açúcar barato e pobre em nutrientes. Isso força as abelhas a trabalharem até a exaustão na tentativa de repor o mel perdido. Além disso, durante a remoção do mel nos apiários sempre há abelhas que morrem quando reagem e tentam ferroar os apicultores.
Nos apiários, também não é incomum as abelhas rainhas terem as asas cortadas, assim evitando que elas deixem as colmeias para criarem novas colônias em outros lugares, o que diminuiria o lucro e a produtividade.
De acordo com o projeto SOS Bees, a criação em massa de abelhas afeta as populações de outros insetos que concorrem pelo néctar. Prejudicadas pela quantidade imensa de abelhas cultivadas em apiários, as populações de abelhas nativas e de outros animais polinizadores têm diminuído.
Para se ter uma ideia de como é trabalhoso o processo de produção natural de mel, as abelhas precisam visitar pelo menos dois milhões de flores para produzirem 450 gramas de mel. É uma quantidade significativa de mel se levarmos em conta que cada abelha produz em média apenas um duodécimo de uma colher de chá ao longo de toda a sua vida.
Será que vale a pena explorar as abelhas? Creio que não. Afinal, abelhas em apiários são condicionadas a trabalharem fora do seu ritmo natural, logo isso reduz a expectativa de vida delas, assim como acontece com qualquer outro animal explorado por seres humanos.
Mortes nesse processo são inevitáveis. Reflita também sobre o fato de que mel não é uma necessidade básica humana. Vivemos muito bem sem consumi-lo. Acredito que todo mundo já ouviu alguém dizer algo como: “Que lindo como as abelhas produzem mel para nós!” Não, as abelhas nunca produziram mel para consumo humano.
Em síntese, o mel é uma importante fonte de alimento e de nutrientes essenciais para as abelhas, e torna-se mais importante ainda quando elas são incapazes de sair para buscar mais néctar e pólen, o que é muito comum em períodos de frio, escassez de floradas ou outros tipos de adversidades climáticas.
Logo, se consumimos mel, estamos basicamente furtando ou roubando o alimento desses insetos que merecem viver livremente. Claro, as abelhas contribuem ao realizarem naturalmente um processo de polinização que favorece o desenvolvimento de tantos vegetais que consumimos. Porém, isso não significa que elas existem para nos servir.
Saiba Mais
Abelhas têm uma forma singular e complexa de comunicação baseada na visão e nos movimentos, e isso é algo que ainda não é bem compreendido por cientistas. Elas têm capacidade de raciocínio abstrato, além de serem capazes de distinguir os seus familiares de outros membros de uma mesma colmeia. Também usam pistas visuais para mapearem suas viagens e retornarem a locais onde já buscaram alimentos. O cheiro também estimula a memória e desencadeia lembranças poderosas nas abelhas.
Referências
https://www.vegansociety.com/go-vegan/why-honey-not-vegan
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Vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção?
Um sujeito, assim como muitos, creio, falou que vegetarianos e veganos são sempre motivados pela emoção e pelo sentimento, por isso estão errados. Bom, há equívocos substanciais nessa afirmação. Não seria racional se negar a se alimentar de um animal pelo simples fato de que ele é senciente? O que há de tão racional em matar animais para se alimentar de seus corpos? Por que eles não têm direito à vida?
Se temos uma grande variedade de alimentos à nossa disposição, por que comer partes de um ser vivo não humano? O que existe de racional na ideia de que um animal deve morrer para saciar o meu apetite, uma prática que simplesmente se perpetuou porque faz parte de uma herança cultural há muito questionável?
Se o vegetarianismo não é praticável ou recomendado, por que temos vegetarianos desde os tempos mais remotos da humanidade? E se o veganismo não é indicado, como Donald Watson, que fundou a Vegan Society em 1944, teve uma morte tranquila aos 95 anos? O antropocentrismo, pelo seu viés especista, foi a corrente filosófica que elevou o ser humano à condição de superior em detrimento de outros seres vivos – que mais do que nunca passaram a ser vistos como objetos ou meios para um fim, ignorando completamente seus interesses em não morrer. Ao mesmo tempo, contribuiu e muito para uma degradação ambiental sem precedentes.
O que existe de tão racional em se opor aos direitos das outras espécies como fazia o antropocentrismo no passado, ainda mais levando em conta que o ser humano é o principal responsável pela destruição da natureza? Ou pode me apontar algum animal não humano que tenha sido mais nocivo ao meio ambiente do que o ser humano?
Por outro lado, posso dizer também que me tornei vegano motivado, de fato, pela emoção e pelo sentimento. Na realidade, as coisas mais importantes da minha vida fiz motivado pelo coração. Não seria racional dar voz ao coração quando ele nos aproxima da nossa vocação natural? Quando ele faz de nós seres humanos mais conscientes e preocupados com a coexistência pacífica em um mundo cada vez mais violento?
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