David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for January, 2016

Um paraíso para amantes da literatura

without comments

Long Room da Old Library de Dublin (Foto: Temples of Knowledge)

Long Room da Old Library de Dublin (Foto: Temples of Knowledge)

Dublin, na Irlanda, tem uma população equivalente a de Londrina, no Norte do Paraná. E o mais incrível, com uma colossal biblioteca. Desconheço qualquer coisa parecida em território brasileiro. São as diferenças do Velho Mundo para o Novo Mundo. A foto destaca o Long Room da Old Library.

Incrível como o Fazendão (Dublin) com seus pouco mais de 500 mil habitantes foi terra natal de nomes inestimáveis da literatura mundial (além, claro, de outras ramificações da arte e cultura), como Bram Stoker, James Joyce, Samuel Beckett, Oscar Wilde, William Butler Yeats, Jonathan Swift, George Bernard Shaw, Seán O’Casey, Roddy Doyle, Maeve Binchy, J.M. Synge e Brendan Behan.

Acesse: templesofknowledge.com

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 11:30 pm

Thomas Czarnecki e a releitura das fábulas infantis

without comments

Chapeuzinho Vermelho caída em um celeiro (Foto: Thomas Czarnecki)

Chapeuzinho Vermelho caída em um celeiro (Foto: Thomas Czarnecki)

Na série de fotos “From Enchantment to Down”, o fotógrafo francês Thomas Czarnecki proporcionou um final esperado para cada uma das protagonistas das maiores fábulas infantis. A ideia do fotógrafo era contextualizar as histórias com a realidade moderna. Na foto escolhida, Chapeuzinho Vermelho aparece caída em um celeiro.

Acesse: thomasczarnecki.com

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 10:51 pm

A criatividade de Takanori Aiba

without comments

O artista japonês Takanori Aiba e sua ultra criatividade ao criar cenários em bonsai com referências da natureza, urbanismo e também da cultura pop. (Acesse: tokyogoodidea.com)

O artista japonês Takanori Aiba e sua ultra criatividade ao criar cenários em bonsai com referências da natureza, urbanismo e também da cultura pop. (Acesse: tokyogoodidea.com)

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 10:45 pm

As mais belas cavernas do mundo

without comments

Stephen Alvarez é especialista em fotografar cavernas

Stephen Alvarez começou a fotografar cavernas em 1991

Imagem do fotojornalista estadunidense Stephen Alvarez, da National Geographic. Ele acompanhou o trabalho do explorador Kent Ballew em algumas das mais belas cavernas do mundo, situadas em Omã, Belize, Papua-Nova Guiné e México.

Acesse: alvarezphotography.com

 

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 10:38 pm

Sobre braços e laranjas

without comments

Braços descascados, consequência do trabalho nos laranjais (Foto: David Arioch)

Braços descascados, consequência do trabalho nos laranjais (Foto: David Arioch)

Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, o ex-morador de rua Jessé Piedade frequentemente ia com um companheiro até uma fazenda colher laranjas que mais tarde eram revendidas na área urbana.

Para se ter uma ideia de como os agrotóxicos usados nos laranjais são nocivos à saúde, decidi publicar uma foto dos braços de Jessé um dia depois da colheita.

No dia anterior, seus braços estavam extremamente vermelhos e a sua pele bem descascada. O questionei sobre o motivo dele não trabalhar com luvas e camiseta de manga longa “Tem mais gente que trabalha assim. É normal”, comentou sem velar a ingenuidade.

Written by David Arioch

January 21st, 2016 at 1:11 pm

A primeira etapa da recuperação de Jessé Piedade

without comments

Ex-morador de rua começa sua trajetória para se livrar do alcoolismo

01

Jessé se comprometeu em mudar de vida (Foto: Guimarães Junior)

Demoramos um pouco para achar hoje de manhã a Casa da Misericórdia, em Apucarana, no Norte do Paraná, onde o ex-morador de rua Jessé Piedade começou uma nova trajetória para se livrar do alcoolismo. Inclusive penso até em escrever uma crônica sobre a aventura até encontrarmos o lugar certo. No mais, a viagem foi tranquila. Chegando lá, nos surpreendemos. A Casa da Misericórdia me parece um santuário, inclusive em muitos momentos me recordei do livro homônimo de William Faulkner sobre a face bucólica do cenário rural do Sul dos Estados Unidos.

Ao lado da rodovia, à esquerda, na saída de Apucarana para Curitiba, atravessamos um elevado trilho de trem, onde um sinal verde permitia a nossa passagem, mas não uma visão clara do que estava por vir. Ainda assim continuamos descendo, sem qualquer certeza de que finalmente encontraríamos por aquelas bandas a Casa da Misericórdia. Depois de percorrer quilômetros de um cascalho misturado a pedregulhos, observamos em meio a um cenário campestre, muito bem arborizado, por onde despontavam araucárias de proporções colossais, algumas edificações brancas como neve.

Subimos por uma estradinha ladeada por uma lagoa, passamos por uma ponte de madeira, um pomar e uma horta. Logo vimos muitos homens nos observando nos mais diversos pontos da casa de recuperação. Havia desde jovens a idosos – papeando, lendo, literalmente pastoreando ovelhas e curiosos para saber quem chegava.

Descemos do carro, cumprimentei os que nos observavam, e alguns metros acima fiquei admirado com a maneira como a vegetação nativa envolve a Casa da Misericórdia, reafirmando sua condição de santuário. Lá, onde parece impenetrável o sol escaldante, a realidade urbana chega a ser desinteressante, ofuscada por um frescor amarante. Mais ao alto, notei uma igrejinha de moldes clássicos, onde um senhor barbudo de mais de 60 anos se inclinava sobre um violão e dedilhava as cordas, atraindo um pouco de atenção e sorrisos.

Me aproximei do lugar mais movimentado da casa e perguntei se alguém poderia me dizer onde encontro Henrique, diretor da Casa da Misericórdia. “Ah, o Henrique saiu, mas ele me avisou que você viria. Já está tudo certo”, disse Canarinho sorrindo, um ex-alcoólatra que abandonou o vício há anos e hoje ajuda na coordenação da casa. Apresentei Jessé Piedade e falei um pouco de sua história. Canarinho o motivou, mas deixou claro que a recuperação vai depender da própria força de vontade de Jessé.

“Aqui a gente não segura ninguém. A pessoa tem que gostar de estar aqui. Eu, por exemplo, moro aqui há mais de três anos. Não quis mais partir. Agora quando a pessoa desiste do tratamento, o que fazemos é avisar quem o trouxe aqui”, garante num tom de voz cordial e sincero.

Jessé deixou claro que entendeu o recado e comentou que se identificou muito com o lugar, praticamente um pedaço de paraíso onde a fragilidade pode ser substituída por força e segurança. Lá, também encontramos Everton Luiz Rodrigues, um rapaz que já conhecíamos. Artista de rua e sem residência fixa, ele está passando uma temporada na Casa da Misericórdia enquanto aguarda um novo chamado da direção do Hospital Regional João de Freitas, de Arapongas, onde faz tratamento cardíaco.

Pouco tempo depois, Henrique chegou, me apresentei e repeti a história de vida de Jessé Piedade. Quando falei da cobra chamada Sogra, com quem Jessé circulava pelas ruas de Paranavaí, o diretor da Casa da Misericórdia achou graça. Em seguida, declarou que ficou feliz em recebê-lo e deixou claro que agora os bons resultados vão depender do recém-chegado.

Ao sairmos do local, percebemos um certo pesar de Jessé, já preocupado com a chegada de visitas. Entretanto, ele admitiu que vai lutar para provar que a vontade de renascer é maior do que o destemor de morrer. Confortante também foi ver de longe, quando descíamos pela mesma estradinha que nos trouxe, Jessé rindo, conversando com Everton Luiz. Agora o ex-morador de rua tem mais um amigo e um motivo a mais para se sentir feliz na nova casa.

Saiba Mais

Jessé Piedade é bem conhecido em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, onde há alguns anos se tornou morador de rua em decorrência do alcoolismo.

A mudança de Jessé Piedade

without comments

Jessé Piedade é um morador de rua que decidiu abandonar o alcoolismo (Foto: David Arioch)

Jessé Piedade é um morador de rua que decidiu abandonar o alcoolismo (Foto: David Arioch)

Saí hoje à tarde pelas ruas de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, com o famoso Jessé Piedade para procurar um lugar para o seu cachorro Billy morar temporariamente. No caminho, como se estivesse pressentindo a separação, Billy enfiou o focinho entre os braços de Jessé e ficou lá, com olhos velados, por mais de dois minutos. Logo que o cachorro virou o focinho em minha direção, seus olho estavam úmidos, brilhando. E Jessé então disse emocionado: “Olha, o Billy tava chorando. Molhou a minha camiseta. Como pode isso, rapaz? Vai ser difícil me separar dele agora. Poxa vida!”

Quando chegamos ao local onde Billy ficaria por algumas semanas, surgiu um contratempo e decidimos procurar outro lugar. Passando pela Avenida Heitor de Alencar Furtado, me lembrei da Vila Alta e da Oficina do Tio Lú. Assim que chegamos lá e expliquei a situação, Seu Luiz ficou feliz de conhecer o tão falado Jessé Piedade e também de receber o Billy. Entrou dentro de casa, voltou com uma coleira e a entregou para que Jessé a colocasse no pescoço do Billy. Depois de poucos minutos na casa do Tio Lú, o cachorro já se sentiu à vontade, inclusive o rodeando enquanto ele ajeitava um lugar para o cão repousar ao lado da oficina – ladeado por uma bacia de água e um pratinho com ração.

Antes de ir embora, Jessé chorou ao se separar do Billy. Também recebeu alguns conselhos do Seu Luiz quando expliquei o motivo da guarda temporária do Billy. “Olhe, rapaz, tenho certeza que você é uma boa pessoa. Não perca essa oportunidade, hein? Acredite que isso vai mudar sua vida”, declarou Seu Luiz segurando a mão de Jessé. Deixamos o Billy com o Tio Lú porque amanhã às 6h Jessé Piedade vai se despedir da cidade onde viveu nos últimos anos.

Aproveitando que amanhã é feriado em Paranavaí, eu, minha mãe e meu irmão Guimarães Jvnior vamos levá-lo até uma clínica de reabilitação para alcoólatras em Apucarana, conhecida pelo alto índice de tratamentos bem sucedidos. Jessé concordou com o internamento e, assim como nós, tem fé que vai se livrar definitivamente do vício até o final do ano, nunca mais se entregando à vida de andarilho ou morador de rua.

Written by David Arioch

January 20th, 2016 at 12:31 am

O homem que estuprou as 14 filhas

with 4 comments

“Falou que não existia nada melhor do que ter mulheres da família sempre à sua disposição”

Sandra tentava, sem sucesso, chorar, observando um pneu que balançava preso à corda (Foto: Reprodução)

Sandra tentava, sem sucesso, chorar, observando um pneu que balançava preso à corda (Foto: Reprodução)

Um dia, na Vila Operária, na periferia de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, eu estava conversando na calçada com alguns moradores quando um senhor de 70 anos se aproximou. Aparentemente tranquilo, o sujeito que caminhava quase arrastando os pés fez alguns comentários sobre o tempo e o clima e se afastou, caminhando em direção à Rua Luiz Spigolon.

Há alguns anos, esse mesmo homem a quem chamo de Turvo, para velar sua identidade – a pedido dos envolvidos na história, descobriu um câncer e o médico disse que ele tinha apenas poucos meses de vida. À época, amigos, vizinhos e conhecidos o visitaram para se despedir, crentes de que o sujeito não sobreviveria.

Mesmo quem não simpatizava com o homem, sensível à situação, o procurou para se desculpar por velhos desentendimentos. Ninguém queria que o sujeito morresse amargando veleidades envolvendo fofocas e discussões acaloradas por causa de empréstimo de míseras quantias em dinheiro.

Ainda assim as visitas tinham atmosfera fúnebre, mas o sujeito, genioso e autoritário, parecia não se importar muito, já que seu comportamento e hábitos não mudaram em nada. Com o passar do tempo, Turvo não morreu, inclusive atualmente circula pelo bairro, e até mais saudável do que antes, surpreendendo muita gente.

Porém, há poucos dias, uma de suas ex-mulheres decidiu fazer uma confidência chocante, com a única exigência de que nenhum nome real fosse divulgado. Nervosa, constrangida e assustada, a mulher relatou que Turvo estuprou as 14 filhas, de um total de 19 filhos. E o homem jamais encarou isso como violência sexual ou incesto, mas sim como direito de pai.

“Só tivemos uma filha e ele também se aproveitou dela. Quando fiquei sabendo disso me deu um nojo muito grande. Ele mesmo contou tudo numa noite, depois de chegar bêbado em casa. Falou que não existia nada melhor do que ter mulheres da família sempre à sua disposição, nem que fosse pelo uso da força”, revela Marga que depois se separou do marido. No entanto, não teve coragem de prestar queixa na delegacia.

Com olhos marejados, a mulher relata que o homem só não estuprou todos os filhos porque cinco são homens. Apesar disso, prevendo a represália do pai que os criou sob a disciplina do medo, nenhum deles ousou enfrentá-lo ou denunciá-lo, mesmo sabendo que o pai estuprou todas as filhas.

Os primeiros casos de violência sexual e incesto praticados por Turvo começaram há mais de 30 anos, quando as filhas mais velhas entraram na puberdade. O homem chegava tarde em casa com odor de cachaça, ignorava a esposa que dormia e ia direto para o quarto das filhas, onde as obrigava a ter relações sexuais com ele. Às vezes, enquanto ele molestava uma, as outras filhas fingiam que dormiam, aterrorizadas com a possibilidade de serem as próximas vítimas.

“Vem cá que o papaizinho vai cuidar de você. Papaizinho vai provar que te ama tanto quanto ama a mamãe. Vem, Sandrinha, vem! Papai vai te ensinar que não existe nada melhor que amor de pai”, murmurou o homem cheirando à pinga e enrolando a língua num tom de voz meloso aos pés da cama. A sombra e as mãos pegajosas de Turvo a cobriam de forma tão sufocante que pareciam tentáculos.

Sandra se recorda do desespero que sentiu quando o pai a observou com olhos graúdos, assustadores e repulsivos. O sujeito acariciou suas pernas com as mãos esfoladas e sujas de terra. Talvez tivesse caído na rua quando caminhava do boteco para casa. Em seguida, percorreu seu corpo com a língua áspera e fedorenta que a fez sentir-se como se fosse lambida por uma dessas lagartas que invadem pedaços de pau podre em terrenos baldios.

Com o rosto virado, Sandra chorava em silêncio, mordendo os lábios e mirando o telhado de fibrocimento (Eternit). Se esforçava para sair do próprio corpo. Não queria enxergar nem sentir nada. A poucos centímetros, observou Isabel à direita – a bonequinha de tecido tinha um vestido encardido, levemente avermelhado.

“Lembrei da virgindade que aquele velho pedófilo tirou de mim. Ele ainda comemorou quando viu o meu sangue escorrendo pelo lençol. Falou desse jeito: ‘É assim, filhinha, a primeira vez de vocês tem que ser com o papai.’” Turvo se levantou e desapareceu na escuridão, carregando uma garrafa de pinga e arrastando os pés no chão.

Nada a fazia esquecer o cheiro nauseante do pai. As palavras do homem continuaram ecoando pela mente de Sandra. Era como se por um artifício fantástico tivessem anexado ao seu ouvido um gravador que reproduzia copiosamente as frases do criminoso. Ela não conseguia expor ao mundo o sentimento inimaginável que a dominou desde a noite do estupro.

Em seu interior, o desespero incessante consumia a voz e a capacidade de se comunicar. “Os gritos e o choro não eram ouvidos e vistos por ninguém. Existiam apenas dentro de mim. E minha mãe [primeira esposa de Turvo] sabia de tudo e aceitava”, narra chorando. As lágrimas pareciam banhar o interior de cada um dos órgãos – do coração ao útero. A voz perdida, apenas ela ouvia. A vontade de viver se esvaía com o sangue maculado, arbitrariamente dilacerado do seu corpo em desenvolvimento.

Lá fora, no quintal sujo, Sandra tentava, sem sucesso, chorar, observando um pneu que balançava preso à corda amarrada em uma árvore. Para ela, tudo continuava desfocado e diluído. “Eu queria morrer e, em vários momentos da vida, sei que minhas irmãs também. Ele abusou da gente não só uma ou poucas vezes, mas muitas. Ele estuprou todas as filhas e mesmo depois de tantos anos algumas ainda recebem suas visitas noturnas”, garante Sandra que se arrepia, apontando com o dedo indicador os pelos eriçados do braço.

Embora todas sejam bonitas, os traumas provocados por Turvo atingiu as 14 filhas de forma tão truculenta que até hoje, mesmo as que são casadas, não têm estrutura familiar ou conseguiram se realizar como mulheres ou profissionais. Com baixa autoestima, não se sentem bem ou bonitas, mesmo que alguém diga o contrário.

“Temos um bloqueio muito grande, dificuldade em confiar em alguém, enxergar sinceridade no que dizem. Pra você ter uma ideia, eu e todas as minhas irmãs viramos prostitutas em algum momento da vida. Algumas se prostituem até hoje. Acham que a intimidade já não vale mais do que um punhado de reais”, desabafa Sandra, sem velar o olhar pesaroso.

Saiba Mais

Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.

Written by David Arioch

January 19th, 2016 at 6:08 pm

A simplicidade de Faulkner

without comments

William Faulkner

Faulkner preferia a simplicidade ao luxo (Foto: Revista Life)

Sem luxo, era assim que o escritor William Faulkner, um dos maiores nomes da literatura dos EUA, autor de clássicos como “As I Lay Dying”, “Sanctuary”, “The Sound and the Fury”, “A Rose for Emily”, “Light in August” e “Absalom, Absalom!”, gostava de produzir –  imerso num estilo de vida que aspirava à simplicidade.





Written by David Arioch

January 18th, 2016 at 11:24 pm

Texaco e a destruição da Amazônia

without comments

Foto magnífica do argentino Gustavo Jononovich que mostra como a Texaco destrói a Floresta Amazônica a partir da exploração petrolífera

Foto magnífica do argentino Gustavo Jononovich que mostra como a Texaco destrói a Floresta Amazônica a partir da exploração petrolífera (Acesse: jononovich.com)

Written by David Arioch

January 18th, 2016 at 11:02 pm