David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for January, 2016

David Chancellor e a vida selvagem

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Retrato da vida selvagem sob interferência humana (David Chancellor)

Retrato da vida selvagem sob interferência humana (David Chancellor)

O fotógrafo inglês David Chancellor tem uma carreira envolvida em controvérsia, consequência de sua especialidade – registrar a vida selvagem sob interferência de caçadores. Na foto polêmica ao lado, um caçador de Dallas, no Texas, mostra com ostentação e altivez os seus “troféus”.

Acesse: www.davidchancellor.com

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January 18th, 2016 at 10:36 pm

A ideologia, a mão e o muro

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Ideologia

A ideologia na mão, no rosto e no muro. Uma face que representa um ideal coletivo simbolizado por três revólveres. Atrás, entre a arma e o muro, uma criança quase destoada, quase alheia (Foto: Autor desconhecido)

 

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January 18th, 2016 at 10:28 pm

Unlikely Friendships

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Um contraste que faz refletir (Foto: Jennifer S. Holland)

Um contraste que faz refletir (Foto: Jennifer S. Holland)

Imagem do livro “Unlikely Friendships”, da jornalista Jennifer S. Holland, da National Geographic, que aborda a capacidade dos animais de cultivarem “amizades improváveis”. Em um mundo cada vez mais intolerante é algo que realmente faz refletir.

Acesse: unlikelyfriendshipsbook.tumblr.com

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January 18th, 2016 at 10:20 pm

Marcos & Mónica

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Cada refeição durava pelo menos uma hora (Foto: Alejandro Kirchuk)

Cada refeição durava pelo menos uma hora (Foto: Alejandro Kirchuk)

Por mais de três anos o argentino Marcos, de 89 anos, alimentou a mulher Mónica, de 87, que sofria de Mal de Alzheimer. Cada refeição durava pelo menos uma hora. Após 65 anos de casamento, Mónica não resistiu à doença e faleceu. Atualmente o seu túmulo é visitado mensalmente pelo marido que enfrenta dificuldades para reconstruir a vida em função da solidão e da saudade. A luta do casal foi registrada pelo neto, o fotógrafo Alejandro Kirchuk, vencedor do Prêmio World Press Photo 2011.

Acesse: alejandrokirchuk.com

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January 18th, 2016 at 10:12 pm

A triste realidade de quem vive no fundo da Vila Alta

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Seu Zé não está passando fome graças à sensibilidade de alguns moradores de Paranavaí

Seu Zé, ex-boia-fria, vive em situação precária no fundo da Vila Alta (Foto: David Arioch)

Seu Zé, ex-boia-fria, vive em situação precária no fundo da Vila Alta (Foto: David Arioch)

Ontem, conheci o ex-boia-fria José Rodrigues, de 67 anos, acompanhado do meu irmão Guimarães Jvnior. Ele mora na última rua da Vila Alta, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, e vive em situação precária.

O idoso foi um dos beneficiados com os alimentos e produtos de higiene que algumas pessoas fizeram questão de doar após uma postagem minha no Facebook. Ele e a esposa não tinham nem o que comer em casa. Achei importante visitá-lo para mostrar a realidade dessas pessoas, provar que ainda há gente vivendo em situação de miséria.

Seu Zé, como é mais conhecido, não trabalha mais e tem sérias dificuldades para andar. Há alguns meses, ele ouviu sons de socos e chutes perto de sua casa e teve a impressão de ter escutado a voz de seu filho – achou que alguém estivesse o espancando.

Quando saiu para ver o que estava acontecendo, um rapaz o empurrou com força e ele caiu violentamente no chão. Desde então, Seu Zé, que vive com a esposa também idosa, se esforça para se manter em pé e luta para voltar a andar sem apoio.

Faço questão de agradecer Renata Cerezuela, Roseli Debarba, Amira Teotonio, Elza Pavao, Dirce Kühl e Márcia Nakamura pelas valiosas contribuições. Agradeço também a Rose Pedro pelas várias doações desde dezembro. Esse trabalho não seria possível sem a boa vontade dessas pessoas sensíveis. E tenho certeza que outros também contribuíram, embora eu não saiba quem são. Muito obrigado!

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January 17th, 2016 at 5:34 pm

Comentário na entrevista “A trajetória de um homem do campo”

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Entrevista fala sobre a história do ex-colono e ex-boia-fria José Alexandre de Freitas (Imagem: Reprodução)

Entrevista fala sobre a história do ex-colono e ex-boia-fria José Alexandre de Freitas (Imagem: Reprodução)

Muito legal ver até que ponto o seu trabalho pode ser valorizado. Pra mim, esse tipo de comentário (publicado na minha entrevista “A trajetória de um homem do campo”) é mais recompensador do que qualquer dinheiro que eu ganhe desempenhando a minha função profissional.

“David, sua reportagem me foi muito útil. Agradeço a Deus todos os dias, por existir gente como você. Estou desenvolvendo uma monografia de mestrado, com o tema central “O homem rural (do campo)”, e seu artigo veio muito em conta. Parabéns! Continue ajudando acadêmicos como eu e outros desse nosso Brasil tão diversificado, principalmente em relação ao trabalhador rural. Abraços, Conceição.”

Written by David Arioch

January 17th, 2016 at 5:24 pm

Super Muffato vendendo berinjela com mofo

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A foto mostra um exemplo de descaso com o consumidor (Foto: David Arioch)

A foto mostra um exemplo de descaso com o consumidor (Foto: David Arioch)

Super Muffato, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, vendendo berinjela com mofo. Todas as bandejas que encontrei ontem estavam na mesma situação. E o mais curioso é que segundo o rótulo o produto foi embalado no dia 12, sendo que o prazo de validade é de 10 dias. Vai entender.

Written by David Arioch

January 17th, 2016 at 5:16 pm

“De gente importante, quem você entrevistou?”

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Meu gravador Zoom H1, companheiro de longa data (Foto: Reprodução)

Meu gravador Zoom H1, companheiro de longa data (Foto: Reprodução)

Nesses dez anos trabalhando como jornalista, fui convidado algumas vezes para conversar com estudantes em escolas. Um dia, há alguns anos, quando uma professora abriu espaço para os alunos fazerem perguntas, uma garotinha com idade entre 13 e 14 anos questionou o seguinte:

“Quais pessoas você gostou mais de entrevistar? De gente importante, quem você entrevistou?” Eu, como alguém que tenta sempre andar na contramão da obviedade, dei uma resposta pouco usual, mas que repito sempre que necessário: “Olha, você seria uma pessoa importante pra eu entrevistar. Todo mundo aqui tem potencial pra render boas matérias. Meus melhores personagens, os mais importantes, são aqueles que ninguém imagina que vale ou rende uma matéria. Na minha profissão, gratificante é transformar em personagem alguém que nunca se viu como um.”

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January 17th, 2016 at 5:12 pm

A sina de Nenê, um ex-peão de boiadeiro

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Enquanto gesticula, coça a cabeça e sorri de forma acanhada, ele informa que é dia de música

Nenê:

Nenê: “Vô rum-a píi-a po radímm” (Foto: David Arioch)

Na Rua B da Vila Alta, enquanto eu converso com o artista plástico Tio Lú em frente a um terreno baldio, um homem se aproxima. Não entendo quase nada do que ele diz e suspeito que o sujeito esteja embriagado. Ele carrega um relógio muito bonito, que já não funciona mais. Tio Lú pede que eu aguarde um minuto, entra dentro de sua casa e traz um rádio pequeno. Nenê sorri efusivamente e pega o radinho com uma das mãos. Exibindo os poucos dentes que lhe restam na boca, parece uma criança quando ganha um doce.

Ele segura minha mão e diz algumas frases – entendo não mais do que meia dúzia de palavras e o observo se afastando. Então pergunto ao Tio Lú se ele pode chamar o Nenê novamente para responder uma ou duas perguntas. Em menos de 30 segundos, Nenê retorna e me diz com muita dificuldade que já foi peão de boiadeiro.

Conta que não sente falta dos tempos de boiadeiro, apenas da saúde. Anos atrás, antes de prometer a si mesmo que jamais montaria em um animal novamente, caiu de cima de um touro e bateu a cabeça com força no chão de terra, ficando em coma por vários dias. Quem o conhecia como boiadeiro, decidiu se afastar, julgando que o rapaz nada mais tinha a oferecer. A queda o deixou com graves sequelas, dificultando sua fala, dando a impressão de que está sempre embriagado.

Enquanto gesticula algumas vezes, coça a cabeça e sorri de forma acanhada, ele informa que hoje é dia de música. “Vô rum-a píi-a po radímm”, explica com dificuldade. Dias atrás, Nenê estava caminhando perto da estrada de terra da Farinheira Cassava quando alguns jovens começaram a importuná-lo. Como ele não gosta de briga, tentou se afastar, mas o jogaram no meio de uma roda, o empurraram e o estapearam até que as agressões se intensificaram.

Sem ter como fugir, Nenê derrubou quatro rapazes, distribuindo apenas quatro socos. “Ele é quieto, mas extremamente forte”, declara Tio Lú que toda semana separa algum objeto para entregar a Nenê que gosta de caminhar ladeado pelo Bosque Municipal, tratando cada presente como um motivo a mais para viver no seu universo de inocência e redescoberta tardia.

Tito o malabarista

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“Antes ficava muito triste quando viravam o rosto, fingiam que não me viam”

Tive a impressão de que as bolinhas representavam fases de uma vida (Foto: Reprodução)

Tive a impressão de que as bolinhas representavam fases de uma vida (Foto: Reprodução)

Um dia, aguardando o sinal verde de um semáforo da Rua Manoel Ribas, no centro de Paranavaí, vi um rapaz agachado na esquina, ajeitando suas bolinhas de malabares dentro de uma mochila. Curioso, estacionei o carro e me aproximei. Sorrindo, ajeitou o boné e me cumprimentou cordialmente, mostrando, sem dizer mais nada, os pulcros desenhos que fez em quatro das seis bolinhas. Tive a impressão de que representavam fases de uma vida. E ele confirmou minha suspeita.

A bolinha número um reproduzia um momento marcante dos seus tempos de bebê, quando era assistido pelo pai enquanto a mãe o embalava nos braços. A bolinha número dois trazia uma imagem dele ainda criança sentado na areia de um parquinho brincando com um caminhãozinho e sendo observado pela mãe.

A bolinha número três o mostrava no início da adolescência, lendo sozinho, sentado no canto de um quarto. E a bolinha número quatro destacava sua partida com uma mochila nas costas, olhando para trás, onde não havia ninguém de quem se despedir. Intrigado, perguntei porque as outras duas bolinhas não tinham desenhos. “É que ainda me vejo na bolinha número quatro. Aquele sou eu hoje”, comentou com um sorriso vaporoso e contraposto ao olhar levemente melancólico.

Tito, sem nome composto ou sobrenome – prefere assim, tem como lar todo lugar e lugar nenhum. Deixou a terra natal no início da adolescência, quando sua mãe morreu de câncer. O pai partiu antes, vítima de um ataque cardíaco. Mora por aí, onde encontra um lugar para dormir. Artista de rua, perambula com a única missão de levar diversão. “É bom demais ver alguém admirando e elogiando seu trabalho. Triste é quando me perguntam se quero um emprego de verdade. Isso machuca. Não sou vagabundo!”, lamentou sensibilizado, acrescentando que tem graduação em artes cênicas.

Magrinho, com a pele bastante queimada pela exposição solar, e cabelos e olhos pretos como erva-moura, Tito nasceu prematuro, aos seis meses. Seus órgãos não se desenvolveram completamente e todo ano ele passa meses internado para fazer tratamento. “Meu coração é diferente do coração de uma pessoa normal. Posso morrer hoje ou amanhã. Por isso vivo cada dia como se fosse o último”, revelou com olhar ensimesmado.

De carona, Tito já viajou para mais de dez países e percorreu todas as regiões do brasil. A sua maior alegria em fazer malabarismo com os mais diferentes objetos é o prazer de ter os olhos voltados para si mesmo por poucos minutos. “É assim que sinto que estou vivo, que existo. Antes ficava muito triste quando viravam o rosto, mantinham os vidros do carro fechados, fingiam que não me viam. Hoje o reconhecimento de poucas pessoas em cada sinaleiro já faz o meu trabalho valer a pena”, declarou.

Por causa dos problemas de saúde, Tito não pensa em casar ou ter filhos. O rapaz demonstra que o medo de se envolver emocionalmente com alguém pode ser maior do que o seu temor perante a morte. “Tudo seria mais doloroso se eu tivesse uma companheira. Seria uma pessoa a mais para sofrer comigo. Juro que não queria morrer, mas isso não depende da minha vontade. Como tenho esses problemas, só me resta seguir na esperança de que eu não deixe de existir antes de desenhar novas fases da minha vida nas minhas últimas bolinhas brancas”, desabafou.

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Written by David Arioch

January 16th, 2016 at 3:52 pm