David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for February, 2016

Estrada percorrida por colonos em 1927

without comments

Estrada percorrida por centenas de colonos que migraram para Paranavaí em 1927, após reconstruírem uma ponte que desabou em um dia chuvoso (Acervo: Diederichsen & Tibiriçá)

Estrada percorrida por centenas de colonos que migraram para Paranavaí em 1927, após reconstruírem uma ponte sobre o Rio Santo Anastácio, na divisa entre São Paulo e Paraná,  que desabou em um dia chuvoso (Acervo: Diederichsen & Tibiriçá)

Written by David Arioch

February 19th, 2016 at 5:53 pm

A importância do ensino superior de música

without comments

Em trabalho acadêmico, Rafael Torrente defende que saber tocar não é o suficiente para lecionar música

IMG-20160217-WA0007

“É preciso compreender a educação sob aspectos filosóficos, antropológicos, sociológicos e pedagógicos para lecionar” (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2015, quando precisou escolher o tema de um artigo, o músico profissional Rafael Torrente, então acadêmico do curso de licenciatura em música-MPB, do UniCesumar, de Maringá, decidiu fazer uma pesquisa sobre a formação do professor de música e a área de atuação em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, que mostra a importância do ensino superior de música.

Em 2008, com a criação da lei 11.769, o governo federal abriu espaço para a inclusão de música como disciplina ou conteúdo da disciplina de artes nas escolas. Porém a responsabilidade sobre a aplicação foi repassada aos estados e municípios. “Foi uma boa iniciativa, visando beneficiar principalmente as escolas de tempo integral. O problema é que no Brasil esbarramos na falta de profissionais com formação superior em música”, explica Torrente.

Tendo como referência pesquisadores como Cláudia Bellochio, Vânia Malagutti e Maura Penna, o músico declara que a qualificação do professor é um assunto sempre controverso, até porque em âmbito acadêmico há uma constante preocupação em ampliar a percepção de que para ensinar música já não basta simplesmente saber tocar um instrumento. “Esse é um modelo tradicional que muitos estudiosos apontam como insuficiente porque é preciso compreender a educação sob aspectos filosóficos, antropológicos, sociológicos e pedagógicos para lecionar”, argumenta.

No artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso em 2015, Rafael Torrente realizou em Paranavaí uma pesquisa com 21 músicos profissionais que atuam em projetos de oferta de ensino gratuito de música – a maioria com faixa etária de 24 a 40 anos. Desse total, 94% têm interesse em cursar música. “Quando fiz a pesquisa, havia apenas dois professores com graduação. Descobri que 30% já cursaram ensino superior e outros 30% estão cursando, mas em outras áreas. O ponto positivo é que são profissionais interessados em buscar conhecimento. Não estão acomodados. E 90% deles trabalham com música há pelo menos seis anos”, garante.

Em Paranavaí, uma das grandes dificuldades para esses profissionais é a ausência de um curso superior de música. No Paraná, apenas nove instituições de ensino oferecem graduação na área. “95% dos músicos entrevistados defendem que Paranavaí deveria ter curso superior de música – 71% buscam licenciatura e 23% o bacharelado. Os indecisos somam só 6%. E mais da metade prefere curso presencial. Paranavaí é uma cidade que ‘respira’ música, então isso diz muito sobre a nossa realidade. Você encontra aulas em 9 escolas regulares, 11 projetos sociais, igrejas e inúmeros conservatórios”, enfatiza, lembrando que iniciativas sociais têm beneficiado centenas de jovens interessados em aprender música.

No artigo, Torrente enaltece o trabalho da Fundação Cultural de Paranavaí que incentiva o interesse pela música através do Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup), Orquestra de Sopros Paranavaí, Banda Sinfônica Clave de Luz, oficinas da Casa da Cultura Carlos Drummond de Andrade e Escola Municipal de Música Luzia Guina Machado, além do projeto Oficinas nos Bairros. “Optei por fazer esse trabalho como uma maneira de dar um retorno para minha cidade, onde tenho o privilégio de trabalhar com música. É uma pesquisa pequena, mas já é um começo”, avalia.

Saiba Mais

Dos 17 músicos profissionais da Orquestra de Sopros Paranavaí, 12 trabalham exclusivamente com música.

Dos 21 entrevistados, apenas dois exercem outra atividade que contribui de forma significativa na complementação de renda.

Do total, 19 fazem freelance em eventos e 14 têm formação em cursos livres de música.

Written by David Arioch

February 18th, 2016 at 6:14 pm

Uma pequena história sobre avareza

without comments

Obra do pintor romântico espanhol Eugenio Lucas Velázquez que retrata a avareza

Obra do pintor romântico espanhol Eugenio Lucas Velázquez que retrata com prodigalidade a avareza

O artista plástico Luiz Carlos Prates de Lima, da Vila Alta, na periferia de Paranavaí, vai viajar hoje para Campinas, em São Paulo, e só retorna na semana que vem, então passei lá no período da manhã para conversar um pouco com ele. De repente, chegou um homem em uma moto, a quem chamo de Gaúcho. Começou a relatar experiências envolvendo pessoas mesquinhas. Contou que um dia o patrão o chamou até o escritório para ajudar a contar algumas centenas de milhares de reais que seriam usados na compra de uma fazenda.

“Olha, estou chamando você porque não confio em nenhum dos meus filhos”, justificou o sujeito que não permitia que mulheres sentassem à mesa com ele. Em seguida, o homem pediu que Gaúcho fosse até a padaria comprar três pães, mesmo ciente de que havia mais de três pessoas na casa. “Traga só três. Um pra mim, um pra minha mulher e outro pra empregada”, advertiu. Assim que Gaúcho voltou, o patrão brigou com ele porque faltou R$ 0,25, o obrigando a retornar até a padaria para buscar a ninharia.

Dias depois, num final de tarde, quando alguns empregados estavam na lida com o gado, inclusive sem almoço, o patrão mandou entregar uma garrafa pet de guaraná quente – dos mais baratos, mortadela quente e alguns pães velhos. Constrangido diante da situação, Gaúcho não teve coragem de alimentar os trabalhadores com aquele lanche. Ligou para um açougue, comprou carne e preparou um churrasco para recompensar os peões.

Multimilionário, o sujeito avarento, que já esteve entre os mais ricos que viveu em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, anos atrás foi até a casa de Luiz Carlos e encomendou cabos de faca personalizados e uma boa quantidade de carros de boi. Apesar da difícil situação financeira do artista plástico na época, o homem não se sensibilizou em momento algum. Reclamou tanto que Prates de Lima acabou vendendo as peças por um preço especial.

Mais tarde, Luiz Carlos ficou sabendo que o homem comprou as peças para revender, lucrando até cinco vezes mais. Esses dias, completou um ano que o tal sujeito faleceu. Quando estava internado em um hospital, recebeu a visita de um homem de quem foi amigo há muitas décadas, porém se desentenderam por causa de dinheiro. Rancoroso, antes do último suspiro, disse o seguinte: “Suma daqui! Tirem esse filho da puta da minha frente!” Sem dúvida, morreu extremamente rico, mas incapaz de usufruir de sua fortuna e de reencontrar a própria humanidade perdida em algum ponto da vida.

Written by David Arioch

February 17th, 2016 at 11:36 pm

Um refrigerador que funciona desde 1936

without comments

560704_356845334406868_985740814_n

Rosemary ladeada pelo refrigerador de quase 80 anos (Foto: Gordon Jack)

Em 1936, na Escócia, durante a Grande Depressão, a Família Kinghorn, de Edimburgo, comprou um refrigerador da marca Frigidaire, sem imaginar que aquele seria um investimento que beneficiaria gerações. Perto de completar 80 anos, a geladeira que nunca passou por nenhum tipo de manutenção continua funcionando perfeitamente na casa de Rosemary Kinghorn que a herdou em 1957, após o falecimento da sogra.

Saiba Mais

http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/8131133/Seventy-five-year-old-fridge-still-going-strong.html

Written by David Arioch

February 16th, 2016 at 10:57 pm

Anastasia e o mundo paradoxal das supermodelos

without comments

417815_226966457394757_394638895_n

Foto do projeto Siberian Supermodels, da britânica Anastasia Taylor-Lind

Imagem da fotojornalista britânica Anastasia Taylor-Lind que mostra os bastidores de uma pré-seleção de supermodelos da Sibéria, na Rússia, considerada uma das regiões com as mulheres mais belas do mundo. No projeto Siberian Supermodels, Anastasia lança uma pergunta já seguida de resposta: “Quem são as mulheres mais fotografadas do mundo? Claro que são as modelos!”

Trabalhando há anos registrando o estilo de vida de mulheres em sociedades patriarcais, Anastasia mostra que ao mesmo tempo que essas jovens ocupam grandes espaços no meio publicitário, elas também estão confinadas a uma forma de anonimato, já que não podem mostrar quem realmente são. “Para ser modelo, a verdade é que a atuação é tão importante quanto a beleza. Então podemos dizer que precisam convencer como atrizes para serem bem-sucedidas”, declara.

Acesse: http://www.anastasiataylorlind.com/

Contribuição

Este é um blog independente, caso queira contribuir com o meu trabalho, você pode fazer uma doação clicando no botão doar:





Written by David Arioch

February 16th, 2016 at 10:28 pm

O sonho de Baruddin e o lamento de um pai

without comments

Ahman observou os furos como se fossem ferimentos provocados por mamonas

Bogor quando Baruddin Jalisu ainda era vivo (Foto: Bogor Heritage)

Bogor quando Baruddin Jalisu ainda estava vivo (Foto: Bogor Heritage)

Em uma das pacíficas manifestações pela independência da Indonésia, Ahman Jalisu foi entregar arroz em um pequeno armazém de Bogor, na Província de Java. Quando ouviu sons de tiros e gritos, abandonou a bicicleta com a carretinha de madeira onde transportava quase cem quilos do produto e correu a pé, abespinhado, gritando o nome do filho.

Percorreu 500 metros e caiu de joelhos ao ver dezenas de pessoas fechando portas e janelas enquanto homens fardados empilhavam cadáveres sobre uma pira. Ao olhar para o outro lado da rua, Jalisu viu o filho deitado sobre uma poça de sangue, com os lábios ao chão.

Os olhos de Ahman fumegaram. O sofrimento o sobrepujou de forma tão truculenta que pensou que o tempo tivesse regelado, transfigurando o efêmero em infinito. Sem se importar com a própria vida, correu até Baruddin. Os cabelos de azeviche do rapaz ocultavam-lhe o rosto de traços singelos.

Ahman o tomou nos braços e correu sem olhar para os lados, pensando apenas em levar o filho escanifrado embora. Parou para resfolegar no armazém onde abandonou a bicicleta. Despejou o arroz no chão, ao alcance de uma turba de famintos, colocou o filho dentro da carretinha e pedalou 15 quilômetros até chegar em casa.

Levou Baruddin ao banheiro e deu-lhe banho. Enquanto o asseava, exigiu que nunca mais agisse de forma tão passional. Jalisu deslizou a mão direita pelos projéteis das submetralhadoras que, abrigados no corpo do rapaz, deixaram três orifícios no tórax, dois na nuca e um nas costas. Ahman observou os furos como se fossem ferimentos provocados por mamonas; comum quando o filho não tinha mais de 10 anos.

Naquele tempo era a principal munição das brincadeiras de estilingue. Com os cabelos de azeviche tapando parcialmente os olhos, Baruddin relatava ao pai que estava treinando para lutar pela independência dos indonésios quando se tornasse adulto. Descalço, corria quilômetros até a residência do amigo Segu.

Juntos, confeccionavam estilingues com forquilhas de ferro. As reminiscências deixaram Jalisu em prantos. Quando percebeu a água da banheira rubicunda, advertiu o filho sobre a importância dele não entrar sujo na banheira. “Não faça assim, ujang [filhinho]… Você bem poderia ter se limpado no poço. É tão pertinho. É claro que depois eu deixaria você entrar dentro de casa e faria o seu jantar. Só quero seu bem. Sempre foi assim”, declarou Ahman balbuciando, sem notar as próprias lágrimas formando pequena poça em seu colo.

Baruddin foi assassinado lutando pela independência da Indonésia (Foto: Bogor Heritage)

Baruddin foi assassinado lutando pela independência da Indonésia (Foto: Bogor Heritage)

Após o banho, Jalisu vestiu o filho com as melhores roupas do pequeno roupeiro de teca seca. Pegou uma camisa e uma calça de cores claras que estavam dentro de um saco plástico transparente, o vestiu e o levou até a cozinha. Enquanto preparava rujak e bananas assadas ao molho de soja, fez carícias no rosto acobreado do caçula desacordado – com a nuca inclinada sobre o espaldar.

Ahman pediu para o filho sentar-se corretamente. “Por favor, Baruddin, se ajeite. Não quero que tenha graves problemas na coluna”, justificou. Jalisu passou a maior parte da tarde dizendo a Baruddin que o ajudaria a realizar seu sonho – construir um ônibus. O rapaz se dedicava às pequenas invenções. Nem as dificuldades econômicas o impeliam a desistir. Era comum vê-lo nas ruas de Bogor comercializando os pequenos inventos que carregava na carretinha puxada pela bicicleta.

Após sete dias convivendo com o filho morto, Jalisu inebriou-se em recordações, já impossibilitado de distinguir pretérito e presente. Para ele, Baruddin era a criança que escalava árvores até o topo, na tentativa de mensurar o tamanho de seu mundo diminuto, que o fazia se sentir como formiga-faraó. Ahman era o único que não se incomodava com o odor do filho.

O mau cheiro exalado pelo corpo foi percebido pelos vizinhos. Recomendaram que desfizesse do cadáver, enterrando-o. “Você vai acabar chamando a atenção da polícia. Pense bem!”, sugeriu um amigo. Ainda assim discutiu com todos e os expulsou de sua propriedade. Só restabeleceu a sanidade no entardecer do décimo dia.

Enleado, pegou o filho escanzelado nos braços com o mesmo cuidado de quando era um bebê. O embalou e cantou “Rasa Sayang”, a canção preferida de Baruddin na infância. Depois o levou até o fundo da residência e sentou sobre uma cadeira de balanço acoplada com um sistema de ventilação movido à casca de batata-doce – invenção do filho.

Pressionando a cabeça de Baruddin contra o peito, Jalisu chorou, umedecendo os cabelos do rapaz. Quando sentiu a fragilidade do corpo sem vida recostado ao seu, berrou até ficar sem voz. Perguntou a Deus se seria possível transferir todos os seus órgãos vitais para o filho. A resposta não veio – não da forma esperada, somente uma alígera brisa com olência de crisântemo e um silêncio ensurdecedor que dilatou seus sentidos à exaustão.

Uma hora mais tarde, Ahman buscou uma faca na cozinha e extraiu com diligência todas as balas alojadas no corpo do filho. Aparou as pontas dos cabelos, cortou as unhas, fez a barba do rapaz e o enterrou nu a 900 metros da casa, sobre folhas de erva-cidreira – a preferida do jovem Jalisu. Preocupado em ter uma recaída e, quem sabe, resolver exumar o filho, não construiu lápide nem deixou qualquer identificação de que no local o corpo de Baruddin repousava.

Temia que pelo fato do rapaz ter sido um insurgente poderiam levar seus restos mortais para serem incinerados em uma fornalha na Província de Jambi. Com o passar dos anos, esqueceu o número de passos até o local onde Baruddin foi enterrado. Apesar disso, os restos mortais continuaram na chácara em que Ahman Jalisu sempre morou.

Para se sentir mais próximo do filho, estudou o projeto criado por Baruddin e construiu em dezembro de 1941 um ônibus de proporções homéricas que até hoje circula pelas ruas de Bogor, transportando sem qualquer custo famílias pobres que vivem nas vilas nas imediações da chácara da família.

“Esses dias, quando eu estava dirigindo, vi Baruddin sentado no último banco, onde o sol deitava candente por trás do vidro traseiro. Não havia mais ninguém além de nós dois. Ele não chorava, não sentia dor nem falava. Apenas sorria, trazendo ao meu coração uma fagulha de alegria. Naquela noite, dormi bem pela primeira vez em mais de 20 anos. Meu filho tinha voltado pra casa”, escreveu Ahman Jalisu em um diário em 25 de novembro de 1963.

Curiosidade

Rujak ou rojak é um prato típico à base de abacaxi, batata-doce, manga, carambola, jicama, jambo, goiaba e tofu. Os ingredientes também podem variar dependendo da região e da tradição familiar.

Written by David Arioch

February 16th, 2016 at 12:52 am

Um casamento atípico

without comments

U48P5029T2D439217F28DT20120212174253

Chunzi e Changmao se casaram no Dia dos Namorados de 2012 (Foto: Yunnan Wild Animal Park)

Em 2012, no Dia dos Namorados, o Parque Provincial de Vida Selvagem de Yunnan, na cidade de Kunming, na China, realizou o casamento do carneiro Changmao com a corça (veado fêmea) Chunzi. A cerimônia teve 500 convidados que pagaram o equivalente a R$ 18 para participarem da solenidade. No enlace matrimonial, Changmao e Chunzi tiveram direito a trajes de noivos, segundo a direção do parque. O relacionamento dos dois teve início quando Chunzi lambeu os pelos de Changmao. Já sentindo-se em um relacionamento sério desde 2011, o carneiro começou a impedir que outros animais se aproximassem de sua companheira.

Saiba Mais

Http://www.china.org.cn/environment/2012-02/13/content_24624002.htm

 

Written by David Arioch

February 13th, 2016 at 9:03 pm

Nelson desiste do internamento

without comments

A dura realidade de Nelson - 01

Nelson se tornou alcoólatra e dependente químico há muito tempo (Foto: David Arioch)

Uma notícia que considero válida repassar para quem leu a minha reportagem sobre a história do pedreiro Nelson Ferreira Filho que atualmente é alcoólatra e usuário de crack. A própria reportagem deixa claro o desejo que ele tinha de se livrar do vício. Sensibilizado com a situação dele, consegui uma vaga para ele em uma clínica de Rolândia, uma das melhores do Norte do Paraná. Inclusive agendei uma entrevista na clínica para a próxima terça-feira.

Como assumi esse compromisso, eu o levaria lá e o acompanharia até ele ser internado. Porém, embora tivesse concordado com tudo, Nelson me avisou agora, depois de tudo acertado, que não quer mais saber de ser internado – uma mudança repentina e inesperada. É uma pena, mas reconheço também que esse é um reflexo da realidade que vivemos. Infelizmente nem todos se esforçam o suficiente para mudar de vida. Resta apenas torcer para que ele consiga sair dessa da forma que ele achar mais viável.

Reportagem: //davidarioch.com/2016/02/10/a-dura-realidade-de-nelson/

Written by David Arioch

February 13th, 2016 at 8:50 pm

Vírus 27, um dos embriões do movimento skinhead brasileiro

without comments

Uma das poucas bandas a unir carecas, punks (skunks) e pessoas sem ligação com qualquer movimento 

Capa do disco "Brasil Oi", lançado pela banda em 1988 (Arte: Reprodução)

Capa do disco Brasil Oi”, lançado pela banda em 1988 (Arte: Reprodução)

O Vírus 27 é uma banda brasileira fundada em São Paulo em 1982 por fãs do Dead Kennedys – até hoje um dos maiores nomes do punk rock graças à criatividade e imprevisibilidade de seu líder Jello Biafra. Infelizmente, pouco tempo após a criação da banda, dois integrantes do Vírus 27, Ademilson, que inclusive escolheu o nome do grupo, e Di, morreram.

Embora nos primeiros anos do Vírus 27 tenha restado apenas o baixista Pezão da formação original, a banda já estava se afastando do punk rock tradicional, se tornando um dos embriões do movimento skinhead brasileiro e um dos poucos grupos a unir carecas, punks (skunks) e até pessoas sem ligação com qualquer movimento ideológico, que apenas se identificavam com a proposta musical. A importância do Vírus 27 durante a Ditadura Militar é incontestável, ainda mais levando em conta o teor de suas canções de protesto em shows, atraindo multidões de jovens insatisfeitos.

Mais tarde, desempregado e enfrentando sérias dificuldades financeiras, Pezão teve de trocar a difícil realidade proletária do meio urbano pela área rural, onde começou a trabalhar como cortador de cana, sendo obrigado a deixar definitivamente o Vírus 27. Com a nova mudança de formação, Braz continuou na bateria e ingressaram na banda o baixista Lula (ex-Negligentes), o guitarrista Júnior e o vocalista e guitarrista Joe 90 que se tornaria um dos compositores mais importantes do oi! brasileiro.

A estreia nacional do Vírus 27 veio com o convite para participar da coletânea “Ataque Sonoro” que reuniu os maiores nomes do punk rock nacional. No ano seguinte, empolgados com a boa repercussão, lançaram o álbum “Parasita Obrigatórios”, baseado em 16 composições e um bônus que se tornou um hino: “Vida Longa aos Skinheads”.

Em 1987, participaram da hoje rara coletânea “Ronda Alternativa”, uma iniciativa da saudosa Devil Discos. No ano seguinte, o disco “Brasil Oi!” reafirmou a posição de destaque do grupo como expoente do oi! nacional, com letras que exaltavam tanto as virtudes brasileiras, com viés patriótico, quanto a invisibilidade social e outros problemas vividos pela maior parte da população. “Caso Sério”, de 1996, foi o último álbum lançado pelo Vírus 27, um ano depois de terem participado da compilação “Oi! Um Grito de União”, da extinta Rotten Records.

Com uma longa trajetória iniciada no início da década de 1980, a banda conquistou projeção nacional e internacional com a sua formação mais clássica – Joe 90 (vocal e guitarra), Emerson Flocks (baixo) e Léro (bateria). A música do Vírus 27 sempre foi simples e coesa, como o próprio gênero oi!, uma ramificação do punk rock, demandava, e a produção também era independente e underground, limitações que inclusive agregaram novo status e conceito do ponto de vista estético. Incrível como uma música Oi! – “Caminhos Incertos”, lançada nos anos 1980, continua tão atual.

“Quanto tempo faz,
Que o povo não se entende
Quanto tempo faz,
que vocês não me compreendem”…

Curiosidade

O nome Vírus 27 é uma referência ao selo Alternative Tentacles, fundado por Fello Biafra, dos Dead Kennedys, em 1979.

Saiba Mais

Historicamente, a cultura skinhead em essência nunca defendeu o uso de violência, muito menos qualquer forma de racismo ou preconceito. Esse tipo de conduta é inerente aos boneheads, um movimento completamente diferente que inclusive se apropria de forma equivocada e ilícita da palavra skinhead, um termo hoje totalmente vulgarizado e descontextualizado por causa da desinformação.

Written by David Arioch

February 12th, 2016 at 11:29 pm

Caminhão cai em buraco na Vila Alta

without comments

12714288_483275718543043_347570034_n (1)

Caminhão caiu dentro de buraco na entrada da Vila Alta (Foto: Leonardo Matheus Alves)

Há dois meses, eu e o artista plástico Luiz Carlos Prates de Lima visitamos a Secretaria de Infraestrutura de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, para alertar sobre a iminência de acidentes na Vila Alta, na periferia da cidade, envolvendo bueiros sem grades e o surgimento de grandes buracos.

Naquele dia, foi assumido um compromisso de visita ao bairro, o que acabou sendo postergado por tempo indeterminado. Infelizmente, a ajuda não chegou a tempo e uma das consequências foi registrada hoje à tarde – a queda de um caminhão dentro um buraco.

Desde que o bairro recebeu asfalto, o que sem dúvida é uma grande e merecida conquista dos moradores, existe uma grande controvérsia envolvendo a responsabilidade sobre a via que leva diretamente à Farinheira Cassava.

É a única sem asfalto e uma das mais importantes do bairro. A estrada ladeada pelo Bosque Municipal de Paranavaí é apontada como a de maior tráfego da Vila Alta e acredito que o acidente poderia ter sido evitado com um acordo prévio entre poder público e farinheira.

Written by David Arioch

February 12th, 2016 at 2:02 am