David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for December, 2016

H.G. Wells: “Agora não conseguimos suportar a ideia de matadouros”

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“No mundo da Utopia não há carne. Antes havia” (Foto: Reprodução)

“No mundo da Utopia, não há carne. Antes havia. Mas agora não conseguimos suportar a ideia de matadouros. E numa população em que todo mundo é culto e com um nível de aperfeiçoamento físico semelhante, é praticamente impossível encontrar alguém que vá talhar um boi ou um porco morto.

Nunca nos acostumamos com a questão higiênica do consumo de carne. Esse outro aspecto fez com que tomássemos uma decisão. Ainda consigo me lembrar, de quando era rapaz, do contentamento que o encerramento do último matadouro gerou.”

A Utopia Moderna (A Modern Utopia), página 174, de H.G. Wells, publicado em 1905. O escritor britânico também é autor de clássicos como A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), A Máquina do Tempo (The Time Machine) e A Ilha do Dr. Moreau (The Island of Dr. Moreau).

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Reclus: “Quais são os alimentos que parecem corresponder melhor ao nosso ideal de vida e beleza? Tudo aquilo que é obtido sem a necessidade de matar”

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Reclus: “O cavalo e a vaca, o coelho e o gato, o cervo e a lebre, o faisão e a cotovia têm condições de nos agradar mais como amigos do que como carne” (Foto: Reprodução)

“Quais são os alimentos que parecem corresponder melhor ao nosso ideal de vida e beleza, tanto em sua natureza como em seus métodos de preparação?

São aqueles que desde sempre foram apreciados pelos homens de vida simples – grãos, vegetais, frutos, etc. Tudo aquilo que é obtido sem a necessidade de matar.

O cavalo e a vaca, o coelho e o gato, o cervo e a lebre, o faisão e a cotovia têm condições de nos agradar mais como amigos do que como carne. Por isso queremos preservá-los como companheiros que gozam os prazeres da vida e da amizade.”

Excerto de “À propos du végétarisme“, do francês Elisée Reclus, considerado um dos maiores geógrafos do século 19. A obra foi publicada originalmente em 1901.

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Benjamin Franklin: “Comer carne é assassinato sem provocação, uma vez que os animais não nos causaram qualquer tipo de sofrimento”

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“Mas, com essa refeição mais leve, obtive o maior progresso da minha vida” (Arte: Reproduão)

“A recusa em comer carne me trouxe uma inconveniência porque frequentemente passei a viver situações em que fui repreendido pela minha singularidade.

Mas, com essa refeição mais leve, obtive o maior progresso da minha vida, conquistei grande clareza mental e melhorei minha capacidade de compreensão.

Penso que comer carne é assassinato sem provocação, uma vez que nenhum dos animais que comemos nos causaram qualquer tipo de sofrimento que justificasse o abate.”

Página 34 do livro “The Autobiography of Benjamin Franklin”, publicado em 1791. Vegetariano desde os 16 anos, o jornalista, cientista e abolicionista Benjamin Franklin foi um dos líderes da Guerra da Independência dos Estados Unidos e um dos responsáveis pela elaboração da constituição daquele país.

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December 27th, 2016 at 8:26 pm

Einstein: “O vegetarianismo tem um efeito tão benéfico no temperamento humano que é capaz de influenciar o destino da humanidade” 

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Einstein: “Então, estou vivendo sem consumir gorduras, carne, peixe e me sinto muito bem dessa forma.”

“Além de concordar com os objetivos estéticos e morais do vegetarianismo, a minha opinião baseada nos efeitos físicos é que o vegetarianismo tem um efeito tão benéfico no temperamento humano que é capaz de influenciar o destino da humanidade.”

Excerto de uma carta enviada pelo físico alemão Albert Einstein a Hermann Huth em 27 de dezembro de 1930.

“Então, estou vivendo sem consumir gorduras, carne, peixe e me sinto muito bem dessa forma. Sempre acreditei que o homem não nasceu para ser carnívoro. Apesar de antes eu ter sido influenciado por circunstâncias externas a não seguir uma dieta vegetariana, há muito tempo eu sou um adepto da causa.”

Citação de uma carta escrita por Einstein um ano antes de sua morte.

As correspondências que fazem parte do Einstein Archives (46-75), a maior e mais confiável fonte de documentos sobre Einstein, integra o livro “An Einstein Encyclopedia”, de autoria de Alice Calaprice, Daniel Kennefich e Robert Schulmann, publicado em 2015. Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1921.

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Written by David Arioch

December 27th, 2016 at 8:12 pm

Argento: “Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar”

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1999: DARIO ARGENTO, FILM DIRECTOR

Dario Argento: “Há muitos insetos que estão desaparecendo, sendo extintos” (Foto: Reprodução)

Assim como Mario Bava, o cineasta e escritor italiano Dario Argento é um dos expoentes do gênero literário e cinematográfico giallo. Para ter uma ideia da importância do trabalho dele, gêneros como slasher, popularizado por filmes como “A Hora do Pesadelo”, “Halloween”, “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica” foram inspirados em suas obras. Mas o que pouca gente sabe é que Dario Argento é vegetariano desde a juventude:

“Phenomena foi inspirado em algo que ouvi sobre insetos serem usados para resolver crimes, e como insetos sempre me fascinaram, comecei a criar uma história em torno dessa ideia. Você sabe, é uma coisa terrível, mas há muitos insetos que estão desaparecendo, sendo extintos. Mas a maioria das pessoas querem matá-los. Acredite, insetos também têm almas.

Eles são telepatas extraordinários. Pessoas pensam em salvar baleias e golfinhos, mas ninguém quer salvar os insetos. Penso diferente. Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar.”

Excertos do livro “Dario Argento: The Man, The Myths & The Magic”, de Alan Jones, publicado em 2015 pela editora FAB Press.

Para quem quiser conhecer o trabalho de Dario Argento, sugiro que comece por um de seus maiores clássicos – Suspiria, de 1977.

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Dostoiévski: “Homem, não se orgulhe de sua superioridade em relação aos animais”

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Ðóññêèé ïèñàòåëü Ôåäîð Ìèõàéëîâè÷ Äîñòîåâñêèé (1821-1881 ã. ã.).

Dostoiévski: “As feras não atingem jamais os refinamentos do homem” (Foto: Reprodução)

“Compara-se por vezes a crueldade do homem com a dos animais selvagens; é uma injustiça para com estes. As feras não atingem jamais os refinamentos do homem.

O tigre dilacera sua presa e a devora; não conhece outra coisa. Por isso, ame todas as criaturas de Deus, do todo ao grão de areia. Ame cada folha, cada raio de luz. Ame os animais, ame as plantas, ame cada coisa, e assim você conhecerá os mistérios de Deus.

E quando perceber isso, você terá uma compreensão mais completa de que o mundo todo precisa ser amado, de forma abrangente e universal. Ame os animais. Deus deu aos animais uma consciência rudimentar e uma imperturbável alegria. Não se deve chateá-los ou privá-los de sua felicidade.

Não trabalhe contra os intentos de Deus. Homem, não se orgulhe de sua superioridade em relação aos animais. Eles não possuem pecados, enquanto você mancha a terra com tua grandeza, com tua aparição, deixando após ti um rasto de podridão — Ai! Quase todos nós!”

Citações de “Os Irmãos Karamázov”, de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1879. Páginas 260, 352 e 353.

Written by David Arioch

December 27th, 2016 at 4:48 pm

James Joyce e os direitos animais em “Retrato do Artista Quando Jovem”

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Na obra, Joyce revela sua simpatia pelos animais (Foto: Reprodução)

No romance Retrato do Artista Quando Jovem (A Portrait of the Artist as a Young Man), o personagem Stephen Dedalus, alter ego do escritor irlandês James Joyce, revela a sua simpatia pelos animais quando reconhece similaridades entre o homem, os caninos e os bovinos.

Mais tarde, o jovem anti-herói em processo de amadurecimento desafia perspectivas metafísicas que envolvem a divisão de seres humanos e animais. O confinamento e o abuso dos bichos o incomodam porque o rapaz se vê em situação análoga.

E, curiosamente, a partir do momento em que ignora os limites estabelecidos entre homens e animais, ele começa a ver porcos, bois, vacas, pássaros e morcegos como seus parentes.

Sobre A Portrait of the Artist as a Young Man (Retrato do Artista Quando Jovem), de James Joyce, publicado em 1916.

RZA: “Estou vivo, minha carne está viva. Por que então dedico minha vida a comer algo que está morto?”

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“A partir daquele dia, comecei a comer para viver, não para morrer” (Foto: Reprodução)

Parei de consumir carne vermelha em 1995. Depois, bani peixe e frango do meu prato. Me senti como um idiota. Eu seria capaz de ter ideias de como substituir a carne morta?

Então pensei comigo mesmo: ‘Estou vivo, minha carne está viva. Por que então dedico minha vida a comer algo que está morto? A partir daquele dia, comecei a comer para viver, não para morrer.”

Excerto do livro “The Tao of Wu”, de autoria de RZA, fundador do Wu Tang Clan, um dos maiores grupos de hip-hop dos Estados Unidos. RZA é vegano e atua em defesa dos direitos animais.

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Written by David Arioch

December 27th, 2016 at 4:27 pm

Kundera: “Ninguém pode ter a certeza absoluta que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as outras criaturas”

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AFP/Getty Images

“É claro que Gênesis é obra do homem e não do cavalo” (Foto: AFP/Getty Images)

Logo no começo de Gênesis está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro que Gênesis é obra do homem e não do cavalo. Ninguém pode ter a certeza absoluta que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as outras criaturas.

O mais provável é que o homem o tenha inventado para santificar o seu poder sobre a vaca e o cavalo, poder esse que ele usurpara. Sim, porque, na verdade, o direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa que a humanidade, no seu conjunto, nunca contestou, mesmo durante as guerras mais sangrentas.

É um direito que só nos parece natural porque quem está no topo da hierarquia somos nós. Bastava que entrasse mais outro parceiro no jogo, por exemplo um visitante vindo de outro planeta cujo Deus tivesse dito ‘Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas’, para que todas a evidência do Gênesis ficasse logo posta em questão.

Talvez depois de um marciano o ter atrelado a uma charrua ou enquanto estivesse a assar no espeto de um habitante da Via Láctea, o homem se lembrasse das costeletas de vitela que costumava comer e apresentasse (tarde demais) as suas desculpas à vaca.”

A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera. Página 96, publicado em 1984.

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Written by David Arioch

December 27th, 2016 at 1:54 pm

Wagner: “O grito pavoroso do animal e os lamentáveis e mais fracos sons queixosos de terror me paralisaram e transfixaram minha alma”

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Richard Wagner: “É terrível perceber como nossas vidas, como um todo, permanecem viciadas no prazer”

Recentemente, enquanto eu estava na rua, meus olhos foram surpreendidos por uma cena em uma loja. Sem pensar, observei as mercadorias empilhadas e a limpeza, quando tomei consciência de um homem puxando uma galinha de dentro de uma gaiola. No mesmo instante, outro homem colocou sua mão dentro de outra gaiola e simplesmente arrancou a cabeça de uma galinha ainda viva.

O grito pavoroso do animal e os lamentáveis e mais fracos sons queixosos de terror me paralisaram e transfixaram minha alma. Desde então, sou incapaz de me livrar dessa impressão. É terrível perceber como nossas vidas, como um todo, permanecem viciadas no prazer, um prazer que repousa em um poço sem fundo da cruel miséria humana. Desde então, minha sensibilidade aumentou.

Tenho observado a maneira como sou empurrado em direção à empatia pela miséria; uma força que me inspira simpatia e me toca profundamente na medida em que desperta em mim um sentimento de quem reconhece o sofrimento de um companheiro. E vejo nesse sentimento o crescimento do meu ser moral e, presumivelmente, essa é a fonte da minha arte.

Richard Wagner, um dos compositores mais importantes do romantismo alemão em carta a Mathilde Wesendonck. Página 47 do livro Richard Wagner, Letters to Mathilde Wesendonck, publicado em 1905. Tristão e Isolda e O Anel dos Nibelungos são duas das suas obras mais populares.

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