David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for December, 2016

Os riscos do maniqueísmo

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Arte: The Jordan Valley

Suspeito que a incompreensão, a segregação e a torpeza surgiram a partir do momento que decidimos deliberadamente definir quem representa o bem e quem representa o mal neste mundo. A tal da visão maniqueísta me parece ser sempre um dos principais perigos da humanidade. O maniqueísmo é temerário porque ele é versátil, ardiloso e obscuro. Pode transfigurar bem em mal e vice-versa.

Assim destrói-se o mal pelo bem e o bem pelo mal. A passionalidade também pode nos cegar e nos levar ao maniqueísmo. Somos maniqueístas até nas trivialidades cotidianas. Um exemplo? Sempre que condenamos alguém por uma atitude que não é do nosso agrado. Ademais, somos maniqueístas quando repensamos nossas amizades por meros desentendimentos. Nesse sentido, me refugio no livre pensamento.





Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:36 pm

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Uma profunda relação com o cinema

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"O Garoto", lançado por Chaplin em 1921, foi o primeiro filme que me chamou a atenção (Foto: Reprodução)

“O Garoto”, lançado por Chaplin em 1921, foi o primeiro filme que me chamou a atenção (Foto: Reprodução)

Tenho uma profunda relação com o cinema desde os meus primeiros anos de vida. Aos cincos anos, eu estava diante da TV, ao lado do meu pai. Era um daqueles televisores com caixa de madeira. Fiquei hipnotizado assistindo uma criança correndo e atirando pedras em uma vidraça, acompanhada de um homem com um bigodinho. Aquele era o Carlitos, disse meu pai.

Então perguntei: “Por que ele tá tacando pedra no vidro? A mulher da casa não vai ficar triste? Será que ela vai ter dinheiro pra colocar outro?” Meu pai ficou rindo e disse pra eu prestar atenção também na motivação dos personagens e no cenário.

Foi quando entendi porque o cinema mudo era mudo e porque a estética faz tanta diferença, principalmente no cinema de arte. Ele não era mudo apenas por limitações tecnológicas, mas porque instigava no ser humano a capacidade de buscar respostas que não poderiam ser dadas com palavras. Crianças da minha idade adoravam desenhos e filmes infantis, eu também. Mas não somente isso. Eu amava os filmes de Charles Chaplin, Harold Lloyd, Buster Keaton, e Stan Laurel e Oliver Hardy.

Diante deles, a ausência de diálogos inexistia diante da minha mente ruidosa de criança. Os sons pululavam dentro de mim. Os filmes não tinham cor, talvez para os outros, não pra mim que sempre via luz no céu, na terra e até na escuridão dos personagens. “Isso aí não tem cor, vamos assistir Caverna do Dragão”, disse meu amigo Fabiano um dia. Respondi: “Tem sim! Mas ela só existe se você quiser que ela exista.” Naquele dia, dormimos depois de assistir “Luzes da Cidade” duas vezes.

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Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:33 pm

Sempre que as pessoas veem a minha caligrafia

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Sempre que as pessoas veem a minha caligrafia, surge uma das grandes dúvidas da humanidade: “Como é ser jornalista e ao mesmo tempo trabalhar com criptografia?”

Um dia, em uma mostra de arte contemporânea, deixei cair uma das folhas do meu caderno. Quando voltei para buscar, encontrei meia dúzia de pessoas em volta, discutindo a qualidade da “obra” e perguntando se estava à venda.

“Desde o Cabaret Voltaire, eu não via algo tão avassalador. Quanto ímpeto e niilismo nessas formas. Traduz os inexistentes caminhos sinuosos da vida”, disse um senhor, equilibrando os óculos sobre a ponta do nariz. Me ofereceram R$ 500, mas eu disse não porque precisava do papel com urgência para redigir uma matéria.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:29 pm

Tem hora que é triste reconhecer como somos atrasados

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caderno-escrita-esferografica

Sou da opinião de que quanto mais pessoas escrevendo, melhor (Foto: Reprodução)

Tem hora que é triste reconhecer como somos atrasados. Em alguns países, enquanto oferta-se a oportunidade para escritores amadores ganharem espaço, por meio de máquinas que imprimem poemas e contos em estações de trem e metrô, no Brasil há escritores renomados que viajam dizendo quem deve ou não escrever. Que visão pequena.

Sou da opinião de que quanto mais pessoas escrevendo, melhor. Escrever é um dos maiores exercícios de sensibilidade e senso crítico da história da humanidade. Claro que é preciso evoluir sempre, mas quem somos para dizer o que deve ou não ser escrito, o que deve ou não ser publicado? A maior prova disso são os autores do passado e que hoje são celebrados.

Vários desses escritores não teriam entrado para a história da literatura se não tivessem publicado de forma independente seus próprios trabalhos. Vivemos na era da democratização da escrita, e quem não concorda com isso não está preparado para o que vem pela frente. Admiro escritores que vão na contramão disso, que mesmo com tanto prestígio seguem estimulando quem gosta de escrever.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:28 pm

O belo nunca vai ser simplesmente belo

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"Joven Beduina", de Luis Ricardo Falero (Pintura de 1891)

“Joven Beduina”, de Luis Ricardo Falero, de 1891

O belo nunca vai ser simplesmente belo porque a beleza é uma forma completa de cognição, não apenas uma palavra vazia atribuída de um valor físico que reflete, partindo do senso comum, a jovialidade humana suscetível ao definhamento.

A beleza ou preservação dela envolve fatores de atração e abstração. É no belo também que desde sempre o homem se inspira para criar mitos e lendas que se perpetuam no imaginário das pessoas.

Acreditar na beleza como superficial é uma perspectiva canhestra ou equivocada. Quantas obras de arte, das mais diversas ramificações, foram produzidas inspiradas no que a beleza humana é capaz de despertar? Sem contar com a elevação à posteridade…

Antes de morrer, em 7 de outubro de 1849, o escritor Edgar Allan Poe escreveu que beleza de qualquer tipo, em seu desenvolvimento supremo, invariavelmente excita a alma sensível às lágrimas, o que justifica por que o belo surpreende sem ser tipificado.

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December 4th, 2016 at 4:24 pm

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Beleza na finitude singela

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Por mais que tenhamos receio do fim, admito ver beleza na finitude singela de quem chegou a um ponto da vida em que vaidade, ganância e antagonismo tornaram-se palavras vazias porque já não representavam mais nada.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:12 pm

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Sobre ser mais jovem ou mais velho

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Não raramente encontro pessoas falando que gostariam de ser mais jovens ou mais velhas. Eu não gostaria de ser mais jovem, assim como não gostaria de ser mais velho. De ser mais jovem, porque a minha consciência de hoje não é a mesma de ontem. De ser mais velho, porque isso significaria anular etapas da construção da minha própria identidade humana.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:11 pm

Somos acumuladores de versões

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Frei Jerônimo, alemão que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial e à dominação soviética (Foto: David Arioch)

Enquanto eu entrevistava Frei Jerônimo sobre suas experiências na guerra e no pós-guerra, houve três ocasiões em que ele se esforçou para não chorar.

Naqueles momentos, não vi um homem de 80 anos, mas a criança de menos de dez anos que ele descreveu percorrendo escombros, testemunhando a alígera morte e sentindo fome.

Notei mais uma vez que a aparência nunca há de ser a essência. Um idoso, não é tão somente um idoso. Ele é ainda um bebê, uma criança, um adolescente e um adulto em todas as fases de sua vida. No fundo, somos isso, acumuladores de versões.

Saiba Mais

A entrevista foi realizada no Seminário Imaculada Conceição, em Graciosa, distrito de Paranavaí.

Written by David Arioch

December 4th, 2016 at 4:10 pm

Eu e Roberto Persil

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Foto: Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

Persil e eu no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus em Paranavaí (Foto: Divulgação)

Me enviaram esta foto ontem. Parece que estou com cara de louco, mas na realidade é só a expressão de quem está admirando as esculturas do amigo Roberto Persil (ao meu lado), um dos maiores nomes das artes plásticas do Paraná. No mesmo dia, ele foi homenageado por crianças de um a cinco anos que fizeram desenhos e pinturas referenciando suas obras. O evento ocorreu no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

Written by David Arioch

December 2nd, 2016 at 11:52 pm

O exemplo do Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus

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Persil com alguns dos estudantes do Centro de Educação Infantil (Foto: David Arioch)

Estive ontem no Centro de Educação Infantil Santa Terezinha do Menino Jesus, em frente à Unipar, no Jardim Santos Dumont, em Paranavaí. Eles estão fazendo um lindo trabalho de despertar em crianças de um a cinco anos o interesse pela arte.

O projeto é baseado em pinturas, esculturas e desenhos do meu amigo e artista plástico Roberto Persil, referência em artes plásticas no Paraná, que inclusive tem acompanhado todo o processo e segue interagindo com as crianças. É incrível ver uma criança de dois anos falando sobre arte, empolgada e com os olhos brilhando. Isso me faz acreditar cada vez mais em um futuro melhor. Quantas crianças se preparando para se tornarem grandes seres humanos. Me anima ver essa educação pautada no ser humano, na interação humana.