David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

Archive for July, 2017

Ele amou a morte da minha mãe!

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Cliquei sem querer na reação “amei” do Facebook

A mãe de um amigo faleceu. Cliquei sem querer na reação “amei” do Facebook e houve um blecaute. Não tive tempo de corrigir. Sozinho em casa, peguei o celular. Bateria descarregada, desespero, olhos fumegantes. 15 minutos depois gritaram na calçada.

— Chega aí, mano. Quero falar com você.
— E aí, irmão. Tudo bem?
— Como assim tudo bem, cara? Você amou a morte da minha mãe. Nem acreditei quando vi. O que tem de errado contigo? Te fiz alguma coisa?

Berros, palavras inintelígiveis na calçada e dedo apontado em minha direção. Vizinhos observando.

— Você é mau, cara. Você é muito mau!
— Não sou não!
— É sim! Nunca vou esquecer que você amou a morte da minha mãe.
— Nunca faria isso. Foi um equívoco. Perdão.
— Não perdoo!
— Perdoa sim!
— Perdoo não!

Sentou no meio-fio e chorou. Olhos avermelhados, boca entreaberta e cabelos desgrenhados. Alguém chamou a polícia.

— O que tá acontecendo aqui? — Perguntou o policial.
— Ele amou a morte da minha mãe!
— Não amei não.
— Como assim ele amou a morte da sua mãe?
— Ele amou! Amou! Amou! É um amante de mortes!

Olhos coçando, barba pinicando e cachorros uivando.

— Isso não é verdade. Eu soube da morte da mãe dele e sem querer cliquei em “amei” no Facebook. Quando tentei corrigir houve um blecaute.
— Isso é muito triste. Entendo a sua dor, meu amigo. Tome cuidado com isso aí, cara. Olhe como você deixou seu amigo.
— Po, como assim? Apenas fui traído pelo mouse.
— Traído pelo mouse? Vai culpar mesmo o mouse?
— É, você tem razão. Isso seria especismo.
— Quê?
— Nada não…

Caminhão de lixo passando, gatos miando e duas testemunhas de Jeová me olhando torto e panfletando.

— Quer dar queixa?
— Como assim dar queixa? Não fiz nada. E não existe queixa para esse tipo de situação. O que seria isso, uma queixa de emoticons?
— Está me gozando? É isso?
— Eu não…
— Sei…
— Quer dar queixa, amigo?
— Hum…não sei.
— Pense bem.
— Ah, deixa pra lá.
— Você que sabe.
— E, você, amigo, cuidado com esses dedos aí.

 

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Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 8:24 pm

O sofrimento dos animais nos testes de toxicidade

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Animais sofrem e morrem nesse processo

A indústria farmacêutica realiza testes de toxicidade em animais e mais tarde lança no mercado medicamentos que serão usados por animais. Ou seja, animais sofrem e são inclusive mortos para que outros animais sejam tratados. Faz pensar, não? Na foto, é possível ver a expressão de satisfação de um animal dando sua saúde e vida para que o ser humano e outros animais possam consumir medicamentos.

Isso é totalmente desnecessário hoje em dia. Há uma organização internacional que inclusive atua no Brasil, chamada Cruelty Free International. Eles oferecem toda a consultoria necessária para a substituição dos testes em animais. A Cruelty Free é responsável pelo fim de testes em animais em diversos países, inclusive em alguns estados brasileiros. Em março, eles conseguiram banir o teste em animais na Guatemala, com aprovação do Congresso. No site deles tem uma lista de alternativas:

https://www.crueltyfreeinternational.org/why-we-do-it/alternatives-animal-testing

 

 





“Você é muito chato, cara! Fica escrevendo sobre veganismo direto”

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

— Você é muito chato, cara! Fica escrevendo sobre veganismo direto, impondo seu estilo de vida. Deixe os outros comerem produtos de origem animal em paz.

— Estou indo na sua página comentar alguma coisa? Acho que não. Já te parei na rua ou em algum outro lugar e te obriguei a me ouvir falar de veganismo? Não. Estou ofendendo alguém? Também não. Simplesmente publico meus textos nas minhas próprias páginas e perfis; e, claro, em grupos e em outras páginas que abordam o assunto.

— Se você se sente incomodado com meus textos sobre vegetarianismo, veganismo, direitos animais, acho que o problema não é comigo. Mas sim o que isso desperta em você. Chamar isso de imposição é no mínimo um equívoco, já que ninguém é obrigado a ler ou refletir sobre nada que escrevo. As pessoas fazem isso espontaneamente, mesmo aquelas que fazem questão de falar mal. E como sempre digo, a única imposição nesse sentido diz respeito à exploração animal, já que os animais não escolheram morrer. Afinal, nós matamos seres sencientes que gostariam de viver.

— Outro fato a se considerar é que imposição é uma palavra muito banalizada hoje em dia. Muitas pessoas, em uma tentativa de defesa de seus hábitos, tendem a usá-la indiscriminadamente sem levar em conta o seu sentido literal. A imposição é a obrigação em aceitar algo. E como o veganismo depende de aceitação espontânea, logo ele não é uma imposição. Enfim, se você vai se alimentar ou não de animais, não cabe a mim decidir.

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Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:44 am

A prática cultural e a questão moral

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

Temos o costume de acreditar que uma prática cultural, por pior que seja, sempre tem algum respaldo moral. Afinal, se muitos a praticam é porque é no mínimo socialmente aceitável. Só a partir do momento que são apresentadas as falhas dessa suposta moralidade que as pessoas começam a refletir e a se questionar.

E nesse percurso, muitos sempre lutarão para que essa prática não seja vista como imoral, por saber que a imoralidade exige mudanças; que deve ser suprimida, principalmente quando há muitos prejudicados.





Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:38 am

Veganismo não tem nada a ver com perfeição ou superioridade

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Arte: Dana Ellyn (danaellyn.com)

Dentre os centenas de veganos que já conheci, não sou capaz de citar um que diz que o veganismo é perfeito. Essa interpretação de que o veganismo é perfeito ou que veganos se consideram perfeitos é um equívoco.

O veganismo tem suas falhas, claro. Além disso, se fosse perfeito, não precisaríamos fazer nada a respeito, simplesmente cruzar os braços e esperar que as mudanças aconteçam naturalmente. Afinal, tudo que é perfeito atrai sem muito esforço.

Veganos também não superiores, nem podem se ver de tal forma, já que o veganismo rejeita a perspectiva da superioridade. Um discurso vegano pode não parecer agradável para quem não é vegetariano ou vegano, mas a intenção é sempre positiva. Afinal, é má atitude defender os direitos dos animais à vida?

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Written by David Arioch

July 1st, 2017 at 11:32 am