Archive for February, 2018
“Se ele busca uma vida boa, de forma séria e sincera, a primeira coisa de que o homem se absterá será sempre o consumo de alimentos de origem animal”
“Se ele busca uma vida boa, de forma séria e sincera, a primeira coisa de que o homem se absterá será sempre o consumo de alimentos de origem animal, porque, sem falar no estímulo às paixões provocado por esse tipo de alimento, seu consumo é verdadeiramente imoral, já que exige um ato contrário ao nosso senso moral; o assassinato, provocado apenas pela avareza e pelo desejo de gulodices.”
Tolstói em “O Primeiro Passo”, publicado em 1892.
“Eu Não Como Ninguém!”, o primeiro livro de receitas vegetarianas publicado na Rússia em 1913
“Eu Não Como Ninguém!”, primeiro livro de receitas vegetarianas publicado na Rússia em 1913 por Olga Zelenkova. Proibido durante o regime soviético e relançado em 1991, o livro reúne 1,5 mil receitas. A segunda versão traz também artigos publicados em jornais e assinados por Liev Tolstói, Aleksandr Zelenkov, Aleksandr Iasinovski e Natalia Nordman-Severova.
Andrey Beketov e a abstenção do consumo de animais
Em 1891, o cientista russo e reitor da Universidade de São Petersburgo Andrey Beketov publicou o livro “A Dieta Humana no Presente e no Futuro”. Na obra, ele apresenta razões morais e psicológicas sobre o porquê seres humanos na sua progressão de um estado primitivo para um estado verdadeiramente civilizado devem se abster do consumo de animais.
Chertkov: “A matança de animais não é mais uma forma natural de luta pela existência”
Em 1890, Vladimir Chertkov publicou um panfleto intitulado “Um Passatempo Maligno: Reflexões Sobre a Caça”. Chertkov argumenta que não é mais necessário, em termos de evolução, o ser humano ter que matar animais para se alimentar. “A matança de animais não é mais uma forma natural de luta pela existência, mas sim um retorno voluntário a um estado primitivo e bestial.” Segundo Chertkov, a caça instiga no ser humano civilizado instintos animais que a consciência humana superou há muito tempo.
“Se a sua alimentação é vegetariana ou vegana, que seja, isso significa que você contribui para a destruição das plantas, cara!”
— Se a sua alimentação é vegetariana ou vegana, que seja, isso significa que você contribui para a destruição das plantas, cara! Eu pelo menos estou comendo só carne.
— Bom, vamos analisar com cuidado o que você disse. O impacto do consumo de vegetais é evidentemente menor do que o de consumo de alimentos de origem animal por um fator bem simples, e não é preciso citar nenhum dado específico. Enquanto eu me alimento diretamente de vegetais, você, que acabou de afirmar que não consome vegetais, o que acho pouco provável, se alimenta de animais que foram nutridos com vegetais. Sendo assim, em linhas gerais, não há como o seu impacto na natureza ser menor que o meu. Até porque sua alimentação depende essencialmente dessa “ponte nutricional”. Não desconsidere o fato de que bovinos são animais herbívoros. Agora vamos partir para uma outra reflexão. Um boi consome em média 14 quilos de comida e 60 litros de água por dia. Sinceramente? Não creio que estou em condições de competir com a “alimentação vegetariana” de um boi que vai servir de alimento para você e para outras pessoas. Então quando você diz que ‘destruo as plantas”, creio que há um equívoco aí, porque além do sofrimento desnecessário que o consumo de carne impõe aos animais, já que não há carne sem privação e morte, os seus hábitos demandam maior quantidade de vegetais no processo que principia com a produção e culmina no consumo. Logo, naturalmente, uma “destruição” muito superior de plantas.


