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Eu cuido dela e ela cuida de mim
Na semana passada, tive que sair da cidade para fazer um freela, daí não encontrei nenhum lugar com comida sem ingredientes de origem animal. Enquanto eu pensava no que fazer, como numa imitação do pensador de Rodin, escorei a mão direita sobre o meu queixo barbudo. De repente, das entranhas da minha barba caiu uma barra de proteína que fiz na noite anterior. Só pensei em uma frase enquanto engolia um pedaço da barra: “Eu cuido dela e ela cuida de mim.”
Na saída da academia
Dias atrás, saindo da academia com a minha mala esportiva à mão esquerda, me recordei que assumi o compromisso de passar na casa de uma amiga antes das seis horas da tarde para buscar um livro. Como faltavam apenas dez minutos, corri até o meu carro que estava estacionado na Rua Luiz Spigolon. Nesse ínterim, notei que quatro pessoas também começaram a correr, e inclusive a atravessar a rua, se distanciando de mim.
Estranhei porque as duas moças e os dois rapazes usavam uniformes. Provavelmente não estavam se exercitando. “Por que estariam correndo?”, me questionei subitamente, sem dar grande margem para interpretações. Ainda suspeito que ouvi um ou dois gritos, mas como eu estava com fones de ouvido, não posso confirmar. De repente, me vi sozinho na calçada. Joguei a mala no banco direito, entrei no carro, ajeitei a barba e fui embora.
Coetzee: “Animais não precisam do meu amor. Não me preocupo com amor, me preocupo com justiça”
“Basta apenas um olhar para que uma criança se torne vegetariana por toda a sua vida”

Coetzee: Dada a chance, as crianças sempre verão além das mentiras com as quais somos bombardeados pelos anunciantes (Foto: Jerry Bauer)
Basta apenas um olhar para que uma criança se torne vegetariana por toda a sua vida. Com essas palavras, o escritor sul-africano John Maxwell Coetzee, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2003, e considerado um dos maiores autores de língua inglesa da atualidade, emocionou uma grande plateia em Sidney, na Austrália, no dia 22 de fevereiro de 2007, quando falou sobre os direitos dos animais. A repercussão foi tão positiva que seu discurso foi publicado em alguns dos mais importantes jornais do mundo.
“Animais felizes transformados de forma indolor em nuggets, o sorriso da vaca do comercial de leite que diz doar o próprio leite para nós. Dada a chance, as crianças sempre verão além das mentiras com as quais somos bombardeados pelos anunciantes. A respeito disso, crianças nos fornecem as mais brilhantes esperanças. Elas têm corações ternos, que não foram endurecidos por anos de conivência com a crueldade e com o comportamento antinatural”, declarou o vegetariano J.M. Coetzee.
Para o escritor avesso a entrevistas, qualquer pessoa disposta a refletir sabe que há algo de muito errado na relação entre os seres humanos e os animais, e isso se tornou mais aberrante nos últimos 100 anos, quando a pecuária se apropriou dos métodos industriais de produção. “A indústria de alimentos supera o comércio de peles e o uso de animais em laboratórios quando falamos em números de vidas animais afetadas. A grande maioria usa e consome produtos dessas indústrias, mas se sente mal quando pensa no que acontece nas fazendas industriais e nos matadouros. Por isso, eles organizam suas vidas de tal maneira que eles evitam pensar nisso. Também fazem de tudo para garantir que seus filhos sejam mantidos na escuridão, porque sabemos que crianças têm bom coração e mudam facilmente”, enfatizou.
Para Coetzee, o primeiro sinal de que os animais já não eram mais vistos como algo além de produtos apareceu no século 19, com o surgimento das primeiras fazendas industriais. Desde então, a humanidade tem se negado a reconhecer que animais não são meras unidades disponíveis à exploração humana. “Este aviso veio tão alto e claro que parecia ser impossível ignorá-lo. Mais tarde, um grupo sanguinário da Alemanha [em referência aos nazistas] teve a ideia de adaptar a metodologia dos currais industriais. Eles foram pioneiros nesse sistema que eles não chamavam de matadouro, mas sim de área de processamento de seres humanos”, assinalou.
Segundo o escritor, naturalmente esse horror chocou a humanidade. Muitos diziam: “Que terrível! Tratar seres humanos como gado!” Considerando isso, ele observou que se talvez as pessoas tivessem refletido um pouco mais à época, a queixa teria sido bem diferente: “O mais justo seria falar: ‘Que crime terrível! Tratar seres humanos como meras unidades de um processo industrial.’ E assim veríamos com outros olhos a proporção desse crime, já que é um crime contra a natureza resumir qualquer ser vivo a uma unidade de um processo industrial”, ponderou.
Independente do que diz os utilitaristas, Coetzee argumentou que a pecuária tradicional sempre foi suficientemente brutal. Sobre a exploração animal, pessoas sempre dirão: “Sim, é terrível a forma como vivem as porcas reprodutoras e os vitelos. Mas, quem vai, em seguida, encolher seus ombros e perguntar: ‘O que posso fazer sobre isso?’”, criticou o escritor sul-africano.
O papel do movimento em defesa dos direitos dos animais é oferecer opções para que as pessoas saibam o que fazer logo que descobrem o que acontece com os animais. “As pessoas precisam saber que há alternativas aos produtos de origem animal. Que essa alternativa não exige sacrifícios em saúde e nutrição, e nem mesmo são caras. O único sacrifício envolvido nisso é dos próprios animais não humanos”, destacou J.M. Coetzee.
O escritor também apontou para um fenômeno alentador. O fato de que atualmente as indústrias que exploram animais estão sendo empurradas para a defensiva. Ou seja, hoje, elas são sempre questionadas sobre suas ações. “As organizações de direitos dos animais mostram que as práticas indefensáveis e injustificáveis da indústria têm tão e somente motivações econômicas. A indústria está indo ladeia abaixo e já prevê que uma tempestade vai arrastá-la. Na medida em que há uma guerra de relações públicas, a indústria prova que já perdeu essa guerra”, analisou.
No dia 30 de junho de 2016, J.M. Coetzee também abordou os direitos dos animais no auditório do Museu Reina Sofia, em Madrid, na Espanha. “Eu não sou um amante dos animais. Animais não precisam do meu amor. Não me preocupo com amor, me preocupo com justiça”, informou Coetzee de antemão. Vegetariano, o escritor sul-africano tem ajudado a promover os direitos dos animais há várias décadas.
Uma de suas obras mais importantes, e que fala justamente sobre o assunto, é a novela metaficcional “The Lives of Animals”, publicada pela editora da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, em 1999. A obra de caráter filosófico gira em torno dos conflitos vividos por uma professora e conferencista vegetariana que, ao advogar os direitos dos animais, encontra resistência no âmbito familiar e no trabalho. “Humanos pensam que são muito mais importantes do que os animais. Por isso, rejeitam a consciência animal. As pessoas precisam cultivar sua empatia”, defendeu J.M. Coetzee.
Saiba Mais
John Maxwell Coetzee nasceu em 9 de fevereiro de 1940 na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Referências
Coetzee, J.M. Exposing the beast: factory farming must be called to the slaughterhouse. Opinions – Article. The Sydney Morning Herald, Austrália (22/02/2007).
Coetzee, J.M.. Animals can’t speak for themselves – it’s up to us to do it. Opinions – Article. The Age, Austrália (22/02/2007).
AFP. Nobel laureate J.M. Coetzee speaks against animal cruelty. Daily Mail, Reino Unido (01/07/2016).
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Uma coisa que nunca vou entender
Pessoas que adicionam outras pessoas em mídias sociais, não curtem nada, não comentam nada de positivo, mas em algum momento aparecem na sua página fazendo comentários negativos ou que manifestam algum tipo de contrariedade. Nunca tive interesse em direcionar minha energia para algo assim. Acredito na importância da alteridade e da empatia.
Sempre que posso, e evito ir na contramão disso, prefiro motivar as pessoas e agradecê-las. Ser educado, tolerante, ponderado e atencioso não diminui ninguém. Não é nenhum tipo de vulnerabilidade. Muito pelo contrário. É um exercício de força e resistência em um mundo que caminha cada vez mais para o individualismo, para a exaltação do “eu” e da forma falsamente deleitosa de como posso afetar ou desconsiderar os outros.
Parece que há pessoas que são impulsionadas pela ideia de atingir os outros e não percebem que dessa forma também estão atingindo a si mesmas. Às vezes, percebe-se isso somente depois de muito tempo, ou nem mesmo se percebe, não posso afirmar. Em síntese, não sei como ser amargo ou frio pode despertar algo de positivo em alguém.
Você é o contador de histórias?
Quando eu estava na seção de hortifruti do mercado, um camarada muito gente boa caminhou em minha direção e perguntou: “Você é o contador de histórias?” Hesitei por um instante e ele continuou: “Tu que é o David Arioch!” Acenei com a cabeça e respondi com um sorriso benevolente, mas ainda longe de amadurecer: “Sou sim…”
“Cara, suas histórias são muito boas. Curto muito as histórias da sua barba.” Fiquei muito feliz em saber disso e agradeci, mas creio que nunca à altura do carinho que me ofertam quando me param na rua ou em outro lugar para fazer comentários elogiosos.
Algum tempo depois, o rapaz voltou e emendou: “Me acabei rindo com aquela do sinaleiro. É verdade mesmo?” Sorri, sem mostrar muito os dentes, e respondi automaticamente que sim.
Agradeci mais uma vez e me mantive no mesmo lugar onde em instantes senti a pele aveludada dos pêssegos. Depois pensei que eu deveria ter dito outra coisa, algo como: “Não totalmente, mas tudo passa a ser verdade na proporção daquilo em que acreditamos.”
Os velhinhos e o “trenzinho”
Na semana passada, presenciei uma cena muito bonita. Passando pela Vila Operária, e indo em direção à Vila Alta, em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, vi um monte de velhinhos do Asilo Lins de Vasconcelos sorrindo e gargalhando. Eles estavam se preparando para passear em um “trenzinho”. Fiquei imaginando que tipo de lembrança isso não proporcionou a cada um deles. Pareciam crianças, acenando para quem passasse pelas imediações. Parabéns para quem teve essa iniciativa.
When I bought cigarettes for my parents
I suspected that the inventor of the cigarette was confused when he was choosing the ingredients, and created something unpleasant

Me and my brother Douglas walked 100 meters to get one or two cigarette packs in a bar on Federal District Avenue
In my childhood, I bought cigarettes for my parents. Yes, I and all my friends and colleagues who were born in the 1980s and had smoking parents. My mother abandoned addiction in my teens, but my father, an inveterate smoker, died because of a lung cancer. He started smoking early, when Hollywood stars helped make the cigarette in an obtuse symbol of charm, sensuality and rebellion.
I never asked why he smoked. But one day, when I was a child, I said to my mother that “only the steam train had reason to smoke, because his move depended on burning coal.” Since childhood, I did not undestand the idea of putting something in the mouth just to smoke. I associated that image with the black smoke coming out of the tailpipes of old trucks we saw on the streets. Carbon oxide, sulfur oxide, nitrogen oxide and aromatic hydrocarbon, I learned later.
“Maybe people who smoke are like the exhaust of trucks, the difference is that they produce less smoke because they are smaller. And maybe it is less dirty because it comes straight from the mouth”, I wrote in a notebook when I was seven or eight years old. I never put a cigarette in my mouth. I do not boast about that. No! I am lying! I liked to pretend to smoke with a chocolate cigarette between my lips, like the black boy smiling on the package. After all, the idea of smoking, however bad it was, preserved his romanesque ruse in play.
At ten years old, I suspected that the inventor of the cigarette was confused when he was choosing the ingredients, and created something unpleasant. Perhaps, the original idea was to make something good come out of the mouth of the people, rather than a grizzly smelly smoke. The irony already subsisted in the fact that the smoke alone was suspected in its cloudiness, as a slacker veiling its true intentions.
At seven years old, I started buying cigarettes when we lived on Pernambuco Street. Me and my brother Douglas walked 100 meters to get one or two cigarette packs in a bar on Federal District Avenue. Because of the smoke in there, it was like a stage moments before a show. The difference was that the dry ice was not as dark as cigarette smoke. Nor stank like those bodies macerated by addiction to alcohol and tobacco.
Some men coughed as if they were about to throw or expel pieces of tissue from their bodies. That was the reality of the addicts, and I found myself in front of it in the early years of my life. I liked the place, witnessing the social salad composed of people from different age groups – where rich and poor people, vagrants and workers, mingled informally.
Actions, expressions and reactions of joy, sadness, dissatisfaction, anger, wisdom, ignorance, everything could be found in the Mistress Mary’s bar, mother of my friend Fabiano. However, no feeling seemed more deployable than a hybrid of illusion and disappointment. In that place, taciturn men arrived smiling and went away crying as soon as appearances uncovered their essences.
At the counter, Mistress Mary kept a baseball bat, nicknamed “judgment” to contain the rioters. She chided drunkards, gave advice and sometimes fed the miserables. It was visceral how her face changed from one second to another as if someone did something wrong. Stevedores, street vendors and street artists went there often. One day, I got a wooden frame with my image carved by Maneta, a sculptor who traveled throughout Brazil hitchhiking.
While some people sat on the side tables, others preferred the counter, feeling the smell of food preservation, listening to the sound of the freezer and from the TV with a wooden box. It was unusual to find someone at the bar who did not smoke. I zigzagged through the spaces, trying to avoid inhaling the smoke that moved through the room like a snake trying to swallow me. Even worse was when my nose clogged because of allergic rhinitis.
At the counter, I sat on a stool, swung my legs, asked for two packs of cigarettes and watched the sweets in the showcase. Once, Mistress Mary gave me two packs. I paid, I kept the packs in the left pocket of my shorts and the change in the right pocket. I went out there away from the smoke and heard laughter and cries of three or four men entertained in a game of cards. “Thief! thief! That’s what you are, you rascal pig!”, yelled a bearded big man with such a deep voice that my eardrums throbbed. I felt like I was close to the devil himself.
He sat on two chairs instead of one, and his hand came to be bigger than the head of his opponents. Startled, I watched the little cards disappearing in his hands. It was as if they were miniatures on paper. Suddenly, the man looked at me and said: “What is it, boy? Did you lose something?” Without opening my mouth, I nodded no and walked away. Before stepping on the sidewalk, I saw him pulling out a pack of cigarettes from his shirt pocket. He lit one and swallowed so greedily that in a few seconds the cigarette was reduced to ashes, leaving only a tiny filter slipping in a wooden ashtray.
His mouth was also enormous. When he aimed his nose to the ceiling, and exhaled the smoke, it was as if a cloud too heavy to support himself formed over his head, like a glutton riddled fog. That was the Turpentine, a smoker and drinker professional, they said. He worked for the largest companies of tobacco and distillates in Brazil. In the 1980s, it was not difficult to find young people and even older people who dreamed of this life. Drinking, smoking and nothing else, yes, it was the ideal of many people. At home, while my mother was preparing a dough in the kitchen, I told her what happened at the bar. She had fun with my story, although she did not know the evil-looking giant.
At that time, I came to believe that the world was of smokers. Wherever I walked, people talked about cigarettes. TV, radio and billboards were always contributing to the glamorization of smoking. In the downtown, after school, I always saw empty packages and cigarette butts near the curb. They offered up free samples. And of course, some smokers were more educated than others. My mother, for example, avoided smoking near me and my brother. When he noticed that I was watching him, my father copiously passed the cigarette from the right hand to the left, trying to hide the smoke behind a book, and declared: “Do what I say, not as I do.”
In the morning, one time or another, I watched my mother changing the sheets burned by cigarette embers. Perhaps, those holes with black borders meant more than we imagined. After all, they were misshapen and uncertain as small tumors. “Yesterday, I told myself it was the last. I did not imagine that would be the end, I would not smoke more until my death. I preferred to think that if I stopped now, I would be able to smoke from time to time”, wrote Henri-Pierre Jeudy in” The Last Cigarette”.
Nos meus últimos anos como cabeludo…
Nos meus últimos anos como cabeludo, a pedido da minha mãe, fui até uma cidadezinha buscar alguns materiais de pavimentação que seriam descartados. Chegando lá, com cabelo comprido, e acompanhado de dois amigos também cabeludos, fiz o que tinha de fazer. Depois, aproveitando o tempo livre, passamos em um bar/restaurante. Meus amigos pediram cerveja e eu tomei um suco.
Nesse ínterim, chegou um senhor, desses bem animados, que envelhecem com muita alegria, e disse: “Ô meu filho, vocês que vieram tocar hoje à noite, né? Pode pedir o que quiser. É tudo por conta da casa. Daqui a pouco, vocês vão lá passar o som! O ambiente já tá todo ajeitado! É hoje! É hoje que o piso do salão vai afundar.”
Mesmo após explicar que tudo não passava de um equívoco, na saída do bar ainda vieram algumas pessoas sorrindo nos cumprimentar. Uma moça tirou até um CD de dentro da bolsa e pediu um autógrafo.
Quando eu raspava a cabeça…
Passei por muitas situações curiosas quando eu raspava a cabeça. Um dia, em Salto del Guairá, no Paraguai, enquanto aguardava meu irmão perto da Queen Anne, três ambulantes, desses que vendem palhetas de para-brisas, se aproximaram. Me recordei de um deles, de quem mais cedo tive pena e acabei comprando um par de palhetas que eu não precisava.
O mesmo rapaz estava de volta. Com um sorriso amarelecido e um olhar sobressaltado e dúbio, veio em minha direção e disse:
“Amigo, usted es federal, es la policía? Por lo tanto, quiero devolver el dinero de las palas que ha adquirido. Ellas son defectuosas. No quiero problemas, por favor. Perdóname, yo no sabía que era la policía. Por favor, quédate con este perfume. No necesita pagar nada.” Sem querer, e após muita insistência, acabei aceitando o perfume. Depois disso, os três foram embora sorrindo e recuando. Mais adiante, dei o “presente” a uma criança que vendia CDs em uma rua paralela.
No final da tarde, saindo do Paraguai, passei pela alfândega. Dois fiscais me cumprimentaram com muita cordialidade e falaram algo que até hoje não sei o que era. Naquele horário, enquanto meu carro foi liberado, os demais foram parados.
O Papai Noel e o muçulmano
Na entrada do mercado, uma criança veio em minha direção e me cutucou. Sem entender, perguntei se ela queria alguma coisa. “Por que você pintou a barba de preto, Papai Noel? Por quê? Por quê?” E o tom de voz da criança crescendo e ficando cada vez mais estridente, revelando irritação.
Constrangido, e notando algumas pessoas me observando, senti um alívio quando a mãe da criança se aproximou a passos céleres. A mulher se desculpou, pegou a filha pela mão e partiu. Mais adiante, ainda ouvi um princípio de conversa entre as duas: “Ele não é papai noel, filhinha. Ele é muçulmano, e muçulmanos não gostam de Papai Noel!”
