David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Escritores protovegetarianos e vegetarianos de literatura ficcional

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Gosto muito da literatura ficcional de escritores protovegetarianos e vegetarianos, e não falo isso de forma segregacionista. O que quero dizer com isso é que mesmo quando eles não fazem qualquer menção ao vegetarianismo ou aos direitos animais em suas obras, normalmente trazem de forma implícita ou explícita o discurso da não violência como expressão de uma realidade a ser alcançada. E muitas vezes isso não é feito nem de forma idealizada, mas sim cognoscível. Em menor ou maior proporção, eles imprimem o reconhecimento do respeito à vida, seja ela humana ou não. Alguns autores sobre quem já pesquisei:

Colagem: David Arioch

01 – Al Ma’arri
02 – Mary Shelley
03 – Percy Shelley
04 – Lord Byron
05 – Liev Tolstói
06 – Jaime de Magalhães Lima
07 – Franz Kafka
08 – Sadeq Hedayat
09 – Vydūnas
10 – Nikolai Leskov
11 – Sergei Yesenin
12 – Carlos Dias Fernandes
13 – Alphonse de Lamartine
14 – George Bernard Shaw
15 – Romain Rolland
16 – Shmuel Yosef Agnon
17 – Isaac Bashevis Singer
18 – Guy Endore
19 – Upton Sinclair
20 – Allen Ginsberg
21 – J.M. Coetzee

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Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 6:30 pm

Escritores de literatura ficcional com obras e posicionamentos que revelam simpatia pelo vegetarianismo

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Escritores de literatura ficcional sobre quem pesquisei que têm obras e posicionamentos que revelam simpatia pelo vegetarianismo:

Colagem: David Arioch

01 – William Blake
02 – Machado de Assis
03 – Augusto dos Anjos
04 – Herman Melville
05 – Mark Twain
06 – Milan Kundera
07 – José Saramago
08 – Ransom Riggs





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 6:26 pm

Filósofos e pensadores que abordaram o não consumo de carne, vegetarianismo e o direito dos animais à vida

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Colagem: David Arioch

Alguns filósofos e pensadores sobre quem pesquisei, e publiquei artigos, que abordaram o não consumo de carne, vegetarianismo, vegetarianismo místico, vegetarianismo ético ou o direito dos animais à vida:

01 – Pitágoras
02 – Plutarco
03 – Sócrates
04 – Platão
05 – Teofrasto
06 – Empedócles
07 – Ovídio
08 – Montaigne
09 – Voltaire
10 – Schopenhauer
11 – Henry David Thoreau
12 – Agostinho da Silva





Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 6:22 pm

Pesquiso sobre a história do vegetarianismo e do veganismo por três motivos

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Periódico The Vegetarian and Fruitarian de março de 1932

Pesquiso sobre a história do vegetarianismo e do veganismo por três motivos. Primeiro – mostrar que são filosofias de vida mais antigas do que as pessoas imaginam. Segundo – Sempre tivemos pessoas escrevendo sobre o assunto, e isso remete a milhares de anos. Terceiro – Acredito que seja importante um arcabouço histórico para entender o que foi pensado e feito no passado. até porque não acho adequado pensar no presente e no futuro ignorando o passado, menosprezando contribuições que ainda podem levar a reflexões pertinentes. E não apenas sobre o que fazer, mas também sobre o que não fazer.

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Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 6:14 pm

Mulheres, vegetarianismo e veganismo

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Mulheres que são ou foram protovegetarianas, vegetarianas ou veganas, e que escreveram sobre os direitos animais ou que realizam ou realizaram algum tipo de ativismo ou projeto educacional em defesa dos animais não humanos. Escrevi sobre pouco mais da metade das mulheres desta lista. Sobre outras, ainda pretendo escrever.

Colagem: David Arioch

01 – Mary Shelley
02 – Aphra Behn
03 – Asenath Nicholson
04 – Gertrude Colmore
05 – Annie Besant
06 – Anna Kingsford
07 – Margaret Fuller
08 – Ellen G. White
09 – Louisa May Alcott
10 – Caroline Earle White
11 – Charlotte Despard
12 – Lizzy Lind af Hageby
13 – Margaret Damer Dawson
14 – Ruby Brown
15 – Brigid Brophy
16 – Sally Shringley (co-fundadora da Vegan Society)
17 – Tatyana Pavlova
18 – Audre Lorde
19 – Rosa Parks
20 – Coretta Scott King
21 – Angela Davis
22 – Alice Walker
23 – Jane Goodall
24 – Carol J. Adams
25 – Josephine Donovan
26 – Leah Leneman
27 – Sônia T. Felipe
28 – Nina Rosa

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Artistas que usam as artes plásticas como forma de ativismo ou conscientização em prol dos direitos animais

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Colagem: David Arioch

01 – Dana Ellyn
02 – Sue Coe
03 – Jo Frederiks
04 – Hartmut Kiewert
05 – Jackson Thilenius
06 – Roma Velarde
07 – Erica Floyd
08 – Marlaina Mortati
09 – Ryohei Hase
10 – Roger Olmos
11 – Vanni Cuoghi
12 – Xavier Bayle
13 – Louis Gedo
14 – Liu Qiang
15 – Larry Torro
16 – Raj Singh Tattal
17 – Nana Índigo
18 – Ruby Roth
19 – Dan Piraro
20 – Tommaso Ausili
21 – Vegan Sidekick
22 – Tommy Kane
23 – Mark Cawood
24 – Michael Mararian

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Pinturas famosas influenciadas pela face sombria da exploração animal

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Colagem: David Arioch

“Boi Abatido”, de Rembrandt, de 1655.

“O Grito”, de Edvard Munch, de 1893.

“No Matadouro”, de Lovis Corinth, de 1893.

“O Retrato”, de René Magritte, de 1935.

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Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 5:21 pm

Compositores de música clássica protovegetarianos e vegetarianos

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Colagem: David Arioch

01 – Richard Wagner
02 – Gustav Mahler
03 – Karl Klindworth
04 – Cécile Chaminade
05 – Hugo Wolf
06 – Alexander Scriabin
07 – Arnold Schönberg
08 – Gustav Holst
09 – Percy Grainger
10 – Frank Merrick
11 – Thomas Pitfield
12 – John Foulds
13 – Leonard Borwick
14 – Elly Ney
15 – Georg Tintner
16 – Fujiko Hemming

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Written by David Arioch

September 9th, 2017 at 5:17 pm

Quando você influencia as pessoas até por acaso

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Arte: Louis Gedo

A caminho do Porto Maringá a trabalho, passei no Porto São José para conversar com um senhor que era o meu contato naquele lugar. O encontrei em uma peixaria de sua propriedade, às margens do Rio Paraná.

— Você não vai querer levar um peixe?
— Não, obrigado. Não como peixe.
— Não?
— Não…
— Posso saber o motivo?
— Não como nada de origem animal. Sou o que chamam de vegano.
— Aé? Mas nem leite, ovo, nada?
— Nada.
— E consegue ser forte assim? Olhe, tô surpreso.

Apenas sorri.

— Vou te falar uma coisa. A única carne que como faz tempo é peixe. Só como peixe e vegetais, nada mais. Você tá certo. Fora que hoje em dia enchem a bicharada de antibiótico, não é bom pra eles nem pra gente. Mas fiquei interessado nessa coisa de vegano aí.

Entreguei o meu cartão com o endereço do meu blog para o dono da peixaria e sugeri que ele entrasse em contato comigo caso tenha alguma dúvida. Ele agradeceu e nos despedimos com um aperto de mão.

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Oito contos de escritores consagrados para repensarmos nossa relação com os animais

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Colagem: David Arioch

Jim Smiley and His Jumping Frog (Jim Smiley e Seu Sapo Saltador), de Mark Twain, escrito em 1865, é protagonizado por um apostador que tem uma rara habilidade de cativar os animais. O conto integra o livro “Jim Smiley and His Jumping Frog and Other Stories”, de 2005. Ein Bericht für eine Akademie (Um Relatório para a Academia), de Franz Kafka, lançado em 1917, e publicado no Brasil pela Companhia das Letras na coletânea “Essencial Franz Kafka”, de 2011, narra a história de um macaco que aprende a se comportar como um ser humano para fugir do cativeiro. Nesse ínterim, o animal escreve para a academia sobre a sua transformação.

“Quando em Hamburgo fui entregue ao primeiro adestrador, reconheci logo as duas possibilidades que me estavam abertas: jardim zoológico ou teatro de variedades. Não hesitei. Disse a mim mesmo: empregue toda a energia para ir ao teatro de variedades; essa é a saída. O jardim zoológico é apenas uma nova jaula, se você for para ele, estará perdido”, narra em Ein Bericht für eine Akademie.

Ein Altes Blatt (Uma Folha Antiga), de Franz Kafka, lançado em 1917, e publicado no Brasil pela Editora Brasiliense no livro “Um Médico Rural” em 1990. “O açougueiro pensou que podia ao menos se poupar do esforço do abate, e uma manhã trouxe um boi vivo. Isso não deve se repetir. Fiquei uma hora estendido no fundo da oficina com todas as roupas, cobertas e almofadas empilhadas em cima de mim, tudo isso para não ouvir os mugidos do boi que os nômades atacavam de todos os lados para arrancar com os dentes pedaços de sua carne quente. Quando me atrevi a sair, já fazia silêncio há muito tempo. Como bêbados em tomo de um barril de vinho, eles estavam deitados e mortos de cansaço ao redor dos restos do boi”, registrou no conto Ein altes Blatt (Uma Folha Antiga).

Tale of the Goat (O Conto da Cabra), de Shmuel Yosef Agnon, publicado originalmente em 1925, e que integra o livro “From Foe to Friend & Other Stories”. Na história, que para os ocidentais pode trazer lembranças da parábola “O Lenhador e a Raposa”, um senhor fica maravilhado ao experimentar o peculiar leite de uma cabra. Segundo ele, é tão maravilhoso que tem o sabor do céu, do paraíso.

Ao perceber que o animal sempre desaparece por período inexato, o homem conversa com o filho, crente de que o gosto do leite tem relação com as viagens da cabra. O jovem então decide segui-la. O percurso que parece durar horas, mas pode significar até dois dias, termina em uma caverna, uma passagem para um paraíso inimaginável chamado Terra de Israel.

Extasiado, e ciente de que a véspera do sabat anteciparia a escuridão, ele se vê incapaz de retornar para casa. Preocupado, prende um bilhete na orelha da cabra e pede que ela a entregue a seu pai. Quando vê o animal chegando sozinho, o homem entra em desespero e pragueja a cabra, a quem responsabiliza pelo sumiço do filho. Movido por surto momentâneo, a entrega a um açougueiro. Depois que o animal é assassinado, o bilhete cai da orelha da cabra.

“Ai do homem que rouba de si mesmo a sua própria fortuna, e ai do homem que reivindica o bem com o mal”, gritou o velho arrependido, batendo as mãos na própria cabeça. O luto durou dias. O homem se debruçou choroso sobre o animal e se recusou a ser consolado. Na história, o leite é também uma metáfora dos caminhos e dos descaminhos da humanidade.

Pig (Porco), de Roald Dahl, publicado em 1960. Na história, Lexington, um jovem que cresceu como vegetariano estrito, vai a um restaurante e experimenta um prato baseado em repolho e carne de porco. Ele nunca tinha comido aquilo e fica maravilhado com a experiência, tanto que decide descobrir a origem da carne. Então viaja até um matadouro, onde assiste o sofrimento dos porcos preparados para o abate.

O primeiro porco é mantido imóvel por meio de uma corrente que envolve seus pés. E essa corrente é presa a um cabo que se move para cima e para baixo. Logo o porco é arrastado enquanto emite grunhidos desesperados ao longo da linha de abate. Apesar da crueldade, Lexington acha o processo fascinante, enquanto os funcionários da linha de produção se mostram entediados.

De repente, por um descuido, uma das pernas do rapaz fica presa a uma corrente e ele é arrastado por um cabo. Os funcionários não se importam, indiferentes ao processo que se repete diariamente. A descrição do que acontece com Lexington é extremamente gráfica e contempla todo o processo de abate. A única diferença é que há um humano no lugar de um porco.

Blood (Sangue), do livro Short Friday (Breve Sexta-Feira), lançado em 1963. Isaac Bashevis, que escrevia principalmente em iídiche, não raramente questionava em seus contos a hipocrisia humana de consumir carne, e a incapacidade de ponderar sobre o real custo dela. Exemplo disso é um excerto do conto “Sangue”, do livro “Breve Sexta-Feira”, lançado em 1963.

Segurando o ganso, Reuben olhou Risha com intensidade, o olhar subindo e descendo e, afinal, detendo-se no peito. Ainda a fitá-la, golpeou o ganso. As penas brancas tingiram-se de sangue. O ganso torceu o pescoço, ameaçador, e súbito pulou, conseguindo voar alguns metros. Risha mordeu o lábio:

— Dizem que vocês nascem com instinto de assassinos, mas tornam-se açougueiros — disse ela.

— Se é tão delicada assim, por que me trouxe as aves?

— Por quê? Ora, é preciso comê-las!

— Pois para comer carne é preciso matar.

The Slaughterer (O Açougueiro), de Isaac Bashevis Singer, publicado em 1967, e que integra a coletânea “47 Contos”. Em “O Açougueiro”, que assim como muitos contos de Singer possui elementos surrealistas, ele narra os conflitos de um açougueiro kosher que reconhece a própria negação moral na morte de cada animal reduzido à carne, além da legitimação da injustiça e da naturalização da crueldade. A história se passa no século 19, em um shtetl, ou seja, em uma cidadezinha de população predominantemente judia.

No matadouro, o protagonista começa a ter devaneios com vacas e galinhas se preparando para uma retaliação. Elas querem se vingar por toda a violência perpetrada contra os de suas espécies. Em um determinado momento, os animais berram: “Todo mundo pode matar e todo assassinato é permitido.” Embora tenha sido publicado na revista The New Yorker em 25 de novembro de 1967, “O Açougueiro” continua sendo um conto bastante atual, em que o escritor judeu aborda a realidade da produção de carne e atua como uma consciência moral, uma luz para a sociedade.

“A Viagem do Elefante”, de José Saramago, lançado em 2008. Embora seja considerado romance, o autor sempre qualificou a obra como conto. A história é inspirada no episódio em que o rei de Portugal e Algarves, Dom João III, resolveu presentear com um elefante o arquiduque austríaco Maximiliano II, genro do imperador Carlos Quinto.

Com uma estilística inovadora e linear, Saramago apresenta a história de solimão (com s minúsculo mesmo), um elefante que se torna alvo da corrupção, individualismo, egocentrismo e outras falhas que permeiam a natureza humana. E essas deficiências mostram como o animal é vitimado pela superioridade que os personagens da história julgam possuir sobre o elefante de quatro toneladas.

“Que leves o elefante à porta da basílica e o faças ajoelhar-se ali, Não sei se serei capaz, Tenta-o, Imagine vossa paternidade que eu levo lá o elefante e ele se recusa a ajoelhar-se, embora eu não entenda muito destes assuntos, suponho que pior que não haver milagre é encontrar-se com o milagre falhado, Nunca terá sido falhado se dele ficarem testemunhas”, sugere o padre em diálogo com o tratador na página 79 de “A Viagem do Elefante”.

O sacerdote propõe usarem o animal para forjar um milagre e angariar recursos para o caixa da igreja. E a suposta graça é apenas a primeira etapa de um plano para fazer do elefante o mais valioso dos bens em mãos humanas. “Não é todos os dias que um elefante se ajoelha à porta de uma basílica, dando assim testemunho de que a mensagem evangélica se dirige a todo o reino animal e que o lamentável afogamento daquelas centenas de porcos no mar da galileia foi apenas resultado da falta de experiência, quando ainda não estavam bem lubrificadas as rodas dentadas dos mecanismos de milagres”, ironiza Saramago.

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