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O hip-hop que salva vidas
em Paranavaí, três artistas da cultura urbana já salvaram mais de cem vidas

Marcos Paulo Gerê, Rodrigo Sena e Daniel Hudson já ajudaram muita gente por meio do hip-hop (Foto: Amauri Martineli)
Em Paranavaí, no Noroeste do Paraná, três jovens descobriram no hip-hop uma maneira de salvar vidas. Por meio da dança, já reintegraram à sociedade mais de cem pessoas. O trabalho que desenvolvem também contribui muito para a valorização da cultura popular urbana.
Tudo começou há sete anos, quando Daniel Hudson, Marcos Paulo Gomes e Rodrigo Sena começaram a estudar hip-hop. “Na época, já decidimos que nossa missão seria tirar as pessoas do caminho das drogas e da prostituição”, conta Hudson.
Os três se introduziram no universo do hip-hop como autodidatas. Muito do que aprenderam até hoje descobriram sozinhos, apenas praticando. “Corremos atrás dos passos, nos aperfeiçoamos. A gente estudava tudo que encontrava sobre o assunto. A maior ajuda que tivemos foi da internet”, relata Marcos Paulo Gerê.
Rodrigo Sena conta que no início havia muita discriminação porque as pessoas viam o hip-hop apenas como cultura de marginais. “Estamos quebrando esse preconceito e difundindo a dança da melhor forma possível”, frisa. Entre as principais referências, os três citam B-Boy Neguin e Tsunami All-Stars, de São Paulo, e a competição de b-boying Red Bull BC One, a maior da categoria no mundo.

““Estamos quebrando o preconceito e difundindo a dança da melhor forma possível” (Foto: Amauri Martineli)
Encarado como um estilo de vida, o hip-hop para os três b-boys é o grande chamariz para a reabilitação de pessoas que vivem às margens da sociedade. “É um estilo de impacto, que consegue atrair muita gente. Isso é tão verdade que por meio da dança tiramos até pessoas do mundo do crime”, explica Daniel Hudson.
Basta ver apenas uma apresentação dos breakdancers para entender a tônica do trabalho. A linguagem do corpo flerta com a música de forma tão despojada que é possível interpretar os movimentos como símbolos de liberdade, satisfação, alegria e harmonia. “A nossa língua é a dança”, enfatiza Sena que assim como Gerê e Hudson não esconde o orgulho em ser parte do movimento hip-hop local.
Questionados sobre exemplos de pessoas que mudaram de vida graças a dança, Gerê cita a si mesmo. Se livrou da dependência química quando decidiu se tornar um breaker. Em Paranavaí, os três b-boys já introduziram mais de 200 pessoas na subcultura da dança urbana Desse total, cerca de 70% são pessoas que abandonaram vícios ou saíram do mundo da prostituição e do crime. “Reabilitamos muita gente. Aqui também temos um grande parceiro que faz a diferença, o B-Boy Maiquinho”, ressalta Hudson.
Os b-boys atuam em seis comunidades de Paranavaí, entre as quais Jardim Campo Belo, Vila Operária, Chácara Jaraguá, Coloninha e Jardim Progresso. “Levamos nosso trabalho para escolas e associações de moradores. Também temos uma parceria com algumas igrejas evangélicas, inclusive nosso trabalho começou na igreja”, relatam os breakdancers.
Na região, os três já disseminaram o hip-hop em Paraíso do Norte, Terra Rica e Guairaçá. “A gente tem representantes do hip-hop em quase toda a região”, garantem e acrescentam que os três têm como objetivo mostrar que em Paranavaí o hip-hop está em ascensão.
“Há um grande envolvimento, como uma família”
O hip-hop é um movimento que surgiu no Bronx, em Nova York, nos EUA, ao final da década de 1970. Na época, já tinha uma postura social, transmitia a insatisfação das classes menos favorecidas. A cultura hip-hop está ligada a figura de quatro personagens: DJ, MC, b-boy e grafiteiro. Normalmente, leva de seis meses a um ano para o praticante de dança de rua conquistar resultados sólidos. “Mas pra isso ele tem que treinar pelo menos três horas por dia”, alerta Rodrigo Sena.
Em Paranavaí, os b-boys Hudson, Gerê e Sena ensinam não apenas os movimentos de dança, mas também a teoria. “É importante que eles conheçam a história, entendam o sentido de tudo”, explica Gerê. Para aprender breakdance não há restrição quanto a idade. “Temos alunos de dança com faixa etária de 7 a 40 anos”, exemplifica Sena, acrescentando que a partir dos 14 anos o praticante adquire mais facilidade para dançar.
Os três estimulam os alunos a jamais desistem do hip-hop. “Estamos sempre em contato porque não podemos deixar ninguém se perder. Há um grande envolvimento, como uma família”, assegura Gerê que trabalha na Fundação Cultural de Paranavaí.
“Queremos fazer um festival de cultura urbana”
Uma das metas dos b-boys Daniel Hudson, Marcos Paulo Gerê e Rodrigo Sena é realizar um grande evento de hip-hop em Paranavaí. “Queremos fazer um festival de cultura urbana, com workshops e tudo o mais. O único problema é que ainda precisamos de patrocínio”, contam e acrescentam que recentemente trouxeram a Paranavaí, na Casa de Cultura Carlos Drummond de Andrade, uma oficina com o grupo Urban Style Crew, de Maringá.
Os três especialistas em street dance, pop e power move participaram do 28º Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina. “É o maior evento da América Latina. Fomos convidados a ir com o pessoal do grupo Urban Style Crew, de Maringá”, relata Gerê.
Um show à brasileira
Próxima apresentação da OSP será pautada na música popular
No domingo, 27, às 20h30, a Orquestra de Sopros Paranavaí sobe ao palco do Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa para apresentar o show “Noite da Música Brasileira”. O espetáculo leva ao público os grandes clássicos da música popular. Ingressos estão à venda na Fundação Cultural por R$ 10.
O show “Noite da Música Brasileira” é o segundo espetáculo da temporada de concertos da Orquestra de Sopros que este ano ainda fará shows temáticos de jazz, samba e choro, música regionalista e concerto de natal. “O fato de um show ser diferente do outro é uma forma de atendermos aos mais variados gostos e, assim, divulgarmos a boa música”, explica o presidente da Fundação Cultural, Paulo Cesar de Oliveira.
Para o show de domingo, a OSP está preparando um show que inclui grandes clássicos da música brasileira como “Samba de Uma Nota Só”, de Tom Jobim e Newton Mendonça; “Zazueira”, de Jorge Ben Jor; “Cromático” e “Cristalina”, de Antônio Adolfo, grande compositor carioca que faz parte do clube da bossa nova. Há também composições autorais como “Aí tem coisa”, de Gabriel Forlani Zara.
As canções executadas pela OSP não são apenas releituras, mas músicas adaptadas para orquestra. “Eles sempre acrescentam novos arranjos, isso dá um toque especial”, explica o diretor cultural da FC, Amauri Martineli, acrescentando que a Orquestra de Sopros é mantida pela Fundação Cultural. Segundo o trombonista e maestro-adjunto da orquestra Luciano Ferreira Torres, o apoio financeiro da FC é imprescindível para que a Orquestra de Sopros continue na ativa. “Acredito que não há outra banda no Estado que seja mantida com recursos municipais. Podemos nos orgulhar disso”, diz o maestro-adjunto.
Ao longo dos 12 anos de apresentações da OSP, do eclético repertório que inclui MPB, chorinho, foxtrot, bolero, jazz e trilhas sonoras, o destaque para o público são sempre as clássicas canções de Glenn Miller e Henry Mancini. “Também gostam muito de ouvir Tico-tico no Fubá, do Zequinha de Abreu”, lembra Torres. A orquestra já se apresentou por muitas cidades do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Contudo, para os integrantes o grande trunfo são as participações no Festival de Música de Londrina (Filo), onde a orquestra foi banda base do evento por vários anos.
Os shows da orquestra têm um compromisso sociocultural, ajudam a manter o Projeto Clave de Luz, uma iniciativa da Fundação Cultural que oferece formação musical profissional a dezenas de estudantes de baixa renda por um período de quatro anos. “Toda a renda dos shows é usada para manter o projeto”, ressalta Oliveira. A OSP também realiza concertos didáticos nas escolas. Os músicos se informam sobre o gênero preferido dos estudantes, então depois realizam uma apresentação seguida de análise das canções e dos instrumentos.
OSP é remanescente da Banda Lira do Noroeste
Fundada pelo maestro Arnold Poll em 18 de maio de 1961, a Banda Lira do Noroeste era conhecida por embalar a população com releituras de samba-canção e chorinho, gêneros musicais disseminados pelas rádios da época. “O maestro Nílson Antônio dos Santos fez uma revolução transformando-a na Banda Sinfônica Municipal.
O repertório mudou e o número de integrantes chegou a 40. Ele conseguiu fazer com que todos os músicos se dedicassem integralmente ao projeto”, conta o trombonista e maestro-adjunto da Orquestra de Sopros Paranavaí (OSP), Luciano Ferreira Torres, acrescentando que quatro anos depois Santos daria lugar ao regente Sales Douglas Santiago.
Santiago transformou a Banda Sinfônica em Orquestra de Sopros Paranavaí (OSP) no dia 19 de novembro de 1998. À época, houve uma grande mudança. “Alguns músicos se casaram e estabeleceram famílias, assim abandonando a carreira musical. Percebemos que do total de integrantes apenas 20 estavam dispostos a tornarem-se músicos profissionais”, revela o trombonista. Segundo a OSP, Sales tinha uma visão de Big Band, orquestras formadas por músicos de jazz nos Estados Unidos da década de 1920.
Em 2002, Santiago deixou a OSP e deu lugar a um novo maestro, Vitor Hugo Gorni que assim como os outros regentes que passaram por Paranavaí também é de Londrina. “Ele começou a vir aqui uma vez por semana”, enfatiza o trombonista. Com Gorni, a orquestra se dedicou a um repertório mais refinado. Exemplos são as canções eternizadas por Frank Sinatra e Tony Bennett. Depois a orquestra começou a homenagear artistas brasileiros. “Já fizemos apresentações especiais apenas com músicas do Roberto Carlos e Tim Maia”, informa o maestro-adjunto.
Mesmo com inúmeras mudanças ao longo da trajetória, a orquestra ainda carrega a nostalgia dos tempos áureos da Banda Lira e Sinfônica Municipal. “Sempre tocamos os dobrados e os hinos que fazem parte de uma história musical que ultrapassa o tempo, como o Hino do Paraná, Hino da Independência e Hino à Bandeira”, finaliza Luciano Torres.
Saiba mais
A OSP fará cinco shows até o final do ano: de MPB, jazz, samba e choro, de música regionalista e concerto de natal. O pacote para todos os espetáculos está à venda na Fundação Cultural por R$ 50. Para mais informações, ligar para (44) 3902-1128
Fundação Cultural homenageia Emir Mancia
Advogado foi um dos grandes entusiastas da arte paranavaiense
Em homenagem ao falecido advogado e artista Emir Mancia, a Fundação Cultural revitalizou uma antiga placa que carrega um fragmento do poema “Totó Guda”. A placa está exposta em frente a Casa de Cultura Carlos Drummond de Andrade e faz parte do projeto Paranavaí Cidade-Poesia que dá visibilidade ao trabalho de artistas locais.
Emir Mancia, natural de Curitiba, mas radicado em Paranavaí, foi um dos grandes colaboradores e incentivadores da arte e cultura local. Várias de suas músicas e poemas foram selecionados no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup). “Ele também dirigia peças de teatro, inclusive foi o fundador do grupo Chaplin”, explica a atriz e professora de teatro, Rosi Sanga.
Embora tinha a advocacia como profissão, Emir Mancia passava muito tempo envolvido com cultura, principalmente música, literatura e teatro. Era um escritor prolífico, no entanto teve tempo de publicar apenas uma obra; “Rastros Recolhidos”, de poemas e crônicas, escrito em parceria com o escritor Roberto Kalil e publicado em 1987.
A classe artística local sempre vira Mancia como um artista polivalente. Tal dedicação fez surgir o convite para presidir a Fundação Cultural em 1988. Naquele mesmo ano, o artista abriu o Femup com uma frase histórica. “Repete-se a alegria de ver a cidade invadida por artistas desse imenso Brasil que, como aves de arribação em tempo certo, aparecem para compartilhar a imensa alegria do conto, da música e da poesia em momentos tão efêmeros, e por isso tão esperados e gratificantes”.
Além de entusiasta do Femup, Mancia foi professor de muita gente que na atualidade se destaca trabalhando com arte e instruindo outras pessoas. “Na minha primeira declamação eu ensaiei com ele”, lembra a professora de teatro. O artista movimentava a classe cultural com idéias inovadoras. Graças ao advogado surgiu em Paranavaí o Centro Cultural Chaplin. Mas, infelizmente, o artista faleceu antes de ver tudo pronto. “Então decidimos homenageá-lo dando ao teatro o nome Emir Mancia”, explica Rosi, acrescentando que Mancia ajudou a escolher o espaço e se responsabilizou pelo registro do centro cultural.
À época, o Teatro Emir Mancia, fundado em 1995, se situava ao final da Rua Rio Grande do Norte em um velho barracão de beneficiamento de café. O espaço atendeu a comunidade por um período de um ano e meio, servindo de reduto para grupos de estudo, oferecendo espetáculos e oficinas para estudantes. Toda semana era apresentada pelo menos uma peça no local. “Lembro que a Elmita Simonetti e o Adriano Morais ajudaram bastante. Realmente havia muita gente envolvida na iniciativa”, destaca Rosi Sanga.
O Centro Cultural era totalmente independente, mantido com recursos dos associados e renda dos espetáculos. Lá, foram apresentadas peças que ficaram em cartaz por um bom tempo como “Mão na Luva”, de Oduvaldo Viana Filho, dirigida por Emir Mancia; “Liberdade, Liberdade”, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes; e “A Noite Escura e Mais Eu”, de Lygia Fagundes Telles. Muitas peças infantis também foram encenadas no Teatro Emir Mancia que teve de fechar as portas em função de dificuldades financeiras. “Havia muitas despesas e não conseguíamos mais pagá-las. O aluguel era bem caro”, reitera Rosi.
Segue abaixo o poema do qual foi extraído fragmento para a criação da placa em homenagem ao advogado e artista Emir Mancia
Totó Guda (Femup/1985)
Atrás do morro do Feiticeiro
na cabeceira do Coatinga
rodeoado de ipê, uvaia e cacheta
e guarimirim, no meio de sambaqui,
ergueu cabana, criou porco e galinha,
Heitor Bento e Luiza, naquele rincão guarani.
E matou-se veado, tateto, lontra e paca,
bananal crescendo, por bicho cobra vigiado,
caminho de tigre e onça,
daí tiraram o sustento, mais farinha de mandioca.
Tinhoso de rio, manhoso de mato,
filho de outro casamento, mas não enjeitado,
cresce com igual cuidado e de Deus a ajuda,
o índio caboclo, de apelido Totó Guda
Até os quinze, de corpo mirrado,
tanto remo, subida de morro, corte de gissara,
palmito às costas, aos dezesseis afamado
cerveja em casa de mulher dama
e muita lição a safado.
Em festa de Navegantes, de remo ou de vela,
pescador festejado no cerco à tainha,
matador de robalo, badejo e cardume de pescadinha.
Também na batalha diária da maré
era moço conhecido de Antonina a barra do Jacaré.
Anos que passam, águas que rolam,
rapaz feito e casador, levou mulher pro rancho,
erguido de pau-a-pique, rejuntado de sapé.
Comendo a caça abatida no armado mundéu,
mergulho na água fria, corpo pelado secando ao céu,
picura na banha fritando, no poço bonito, passou lua de mel
Mas os tempos mudaram, plantação definhou,
as crianças chegaram, bananal acabou.
Palmito não corta é lei do Governo,
a caça arribou e o peixe do rio, veneno matou.
Larga o rio vem prá cidade, com tralha e filharéu.
Trabalho é pouco na estiva da Marinha,
porisso as horas perdidas no Chiquito Bordel
Do jogo e da cachaça não larga
filhos crescem e ninguém ajuda,
biscate não tem, volta ao mar, Totó Gudá.
Na noite enluarada, bêbado e briguento,
apanha e surra João Peitudo e Nascimento.
Daí em diante, vingança jurada, à traição
Ou mão armada, só na morte a expiação, prometem os desafetos.
A Páscoa se aproxima, semana santa,
se avizinha, em noite de maré alta,
Totó Gudá as redes lança, em nome de Iemanjá
na procura de peixe bom,
prá comemorar a ressurreição do filho de Oxalá.
Na volta grande folia, na venda do pescado
em roda de amigos e até tantas a cantoria.
Perto de casa, não escapa do atentado,
da faca e da navalha, dos inimigos a autoria.
Parte pro mar, parte pro mar, Totó Guda.
Com teu peito agonizante, das ondas
verdes outro eterno viajante.
Escritor paranavaiense terá obra publicada pelo Governo do Paraná
O livro “Viagens”, de Altair Cirilo dos Santos, será lançado até o final do ano
Anualmente, a Secretaria de Estado da Cultura seleciona 40 livros de autores paranaenses a serem publicados. Este ano, um dos contemplados é o escritor Altair Cirilo dos Santos com a obra “Viagens” que reúne 50 poemas.
Altair Cirilo dos Santos conta que tudo começou no ano passado, quando recebeu apoio da Fundação Cultural para encaminhar sua obra a apreciação da Secretaria de Estado da Cultura. “Deu tudo certo e meu trabalho foi um dos escolhidos. Agradeço muito a Fundação Cultural porque sozinho seria muito difícil conseguir publicar esse livro”, explica.
Altair Cirilo reuniu vários trabalhos em um. A obra consiste em 50 poemas selecionados pelo próprio autor. “Há desde sonetos até poemas concretos. Tentei dar uma unidade ao trabalho, então peguei aqueles que foram premiados nos concursos que participei”, conta o escritor. A obra “Viagens” soma 75 páginas e deve ser publicada até o final deste ano.
Um apanhado do estilo literário de Santos nos mais diversos períodos da sua trajetória como escritor, o livro sintetiza reflexões políticas e rigor formal poético. “É preciso ter um pensamento sobre o que é poesia”, afirma Altair Cirilo que além de poeta também é cronista.
Conhecido por uma escrita heterogênea, o escritor passeia por diversas correntes literárias, influências que ele admite como referências para o surgimento de um estilo sólido e próprio de escrever. “Da prosa e da poesia posso citar Osman Lins, Rubem Fonseca, António Lobo Antunes, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Mário de Andrade e todos os outros modernistas”, exemplifica.
O interesse de Altair Cirilo pela literatura surgiu na escola, quando visitas regulares a biblioteca despertaram o interesse por contos. “Lembro quando li pela primeira vez ‘A Terra dos Meninos Pelados’, de Graciliano Ramos’”, enfatiza. O interesse pelos contos se deu pelo fato de serem histórias curtas, algo atrativo para crianças e adolescentes. “Desde então se passou muito tempo, já faz 30 anos que escrevo. Quando a gente lê bastante o interesse por escrever sempre aparece”, assinala.
Santos teve suas primeiras obras publicadas no início dos anos 90, a mais conhecida, segundo o próprio autor, é “Passarim, Passarão”, um livro infantil lançado em 2003 que teve o apoio do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Fundação Cultural. Entre as outras obras estão “Viver Enquanto Amar”, de haicai até sonetos, “As Encruzilhadas”, “Por instantes lembrei de mim” e “Um conto, uma espada e uma sombra”. “Três das minhas obras podem ser encontradas na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley”, revela Santos.
Altair Cirilo já participou de pelo menos 25 antologias
O escritor Altair Cirilo dos Santos tem poemas e contos publicados em pelo menos 25 antologias. Além disso, coleciona prêmios em concursos literários de todo o Brasil. “Minha primeira vitória foi em Brasília”, lembra sem esconder o sorriso nostálgico. Dentre as grandes conquistas, Altair cita o primeiro lugar na fase nacional da categoria poesia no Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup) em 2005.
Diariamente, Santos escreve pelo menos um parágrafo. Tal hábito e amor pela literatura permitiu que ao longo dos anos reunisse grande volume de trabalhos inéditos. “Tenho muito material que ainda quero publicar, tanto poemas quanto contos. Penso também em escrever uma novela ou um romance”, declara. Altair Cirilo dos Santos é policial militar, escritor, graduado em letras e direito, além de membro da Academia de Letras e Artes de Paranavaí (A.L.A.P.)
Frase do escritor Altair Cirilo dos Santos
“Quem mexe com arte, sem apoio não é ninguém”






