Archive for January, 2016
O tesouro da Fazenda Brasileira
O dia em que um colono encontrou um pote cheio de moedas de ouro na serraria da Braviaco

Paranavaí no ano em que João desenterrou o tesouro em uma velha serraria (Foto: Toshikazu Takahashi)
Em 1958, João Mariano, colono de uma das maiores fazendas de café de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, foi convidado por um amigo, também chamado João, para procurar um tesouro enterrado na velha serraria da Companhia Brasileira de Viação e Comércio (Braviaco) nos tempos da Fazenda Brasileira.
“Ele estava bem animado em trabalhar na fazenda porque ganhou dinheiro o suficiente para comprar uma potranca e uns porquinhos para criação. Um dia, chegou pra mim e disse: ‘Aqui, Graças a Deus, estou muito bem, João!”, lembra Mariano que visitava o amigo com frequência quando anoitecia.
Em uma noite, o companheiro fez uma sugestão: “Ô, João, vamos arrancar um tesouro ali naquela serraria velha?” Sem entender do que se tratava, Mariano titubeou. “Tesouro?”, interpelou. Com olhar sereno e voz remansosa, o homem respondeu: “Sim, um pote cheio de moedas de ouro que enterraram lá há muito tempo, na época da Brasileira.”
Ainda com dúvidas sobre a proposta do amigo, Mariano questionou se ele recebeu algum aviso, teve um sonho ou visão com o tal tesouro enterrado. Depois de acenar negativamente com a cabeça, e justificar que apenas acreditava na crença de que todo lugar abandonado esconde algo surpreendente, o homem se calou. “Procurar algo à toa, sem base, sem cabimento? Falei que assim eu não iria não!”, argumentou.
Um dia, sem fazer alarde, João reuniu seus pertences e partiu com a família. Antes, sem explicar o motivo, avisou ao amigo que decidiu retornar para São Paulo, seu estado de origem. “Só estranhamos porque ele estava bem aqui. Mas no fim achamos aquilo normal, né? Afinal, era comum um ou outro deixar Paranavaí para tentar a vida em outro lugar”, comenta Mariano.
Mais tarde, caminhando em meio à invernada, o colono João Mariano decidiu dar um passeio pela velha serraria da Braviaco. Quando chegou lá, teve uma surpresa. “Vi um buraco no chão e uma marca ainda brilhante, arredondada e exata de um pote. Lá dentro tinha uma moedinha de ouro. Aí falei: ‘Puta merda! Agora sei porque ele foi embora. Voltei e contei pro meu irmão que me lembrou que quando alguém acha um tesouro tem de deixar uma moedinha pra trás, num sinal de boa fé”, narra.
Quando o proprietário da fazenda soube do acontecido, gritou: “Filho da puta! Esse dinheiro estava na minha fazenda, então era meu. “Mas o senhor não foi arrancar o tesouro, não é mesmo?”, questionou Mariano que nunca mais teve notícias do amigo afortunado.
Saiba Mais
A fazenda situada entre a estrada para Tamboara e a Vila Operária somava mais de 400 alqueires.
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Por que Russ Meyer é o cara?

São muitos os filmes de Meyer que ainda chamam a atenção pela alta qualidade e criatividade (Foto: Reprodução)
Por que o estadunidense Russ Meyer é o cara? Embora pouco conhecido no Brasil, a resposta é bem simples. O homem entrou para a história do cinema mundial produzindo clássicos com 24 mil dólares, como é o caso de “The Immoral Mr. Teas”, de 1959, que arrecadou mais de um milhão de dólares.
São muitos os filmes de Meyer que ainda chamam a atenção pela alta qualidade e criatividade, apesar do baixo orçamento que sempre o obrigou a adquirir experiência em todas as etapas da produção cinematográfica. Alguns outros exemplos são os clássicos “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, de 1966; “Vixen”, de 1968; e “Beyond The Valley Of The Dolls” de 1970.
Claro, tem muita gente que merece reconhecimento por se destacar em grandes produções, mas quem consegue isso com recursos limitados tem todo o direito de entrar para a história da Sétima Arte. Aqui ouso até parafrasear o grande autor do clássico “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, Glauber Rocha: “Uma câmera na mão, uma ideia na cabeça!”
Saiba Mais
Russ Meyer faleceu em 18 de setembro de 2004, aos 82 anos, em decorrência de uma pneumonia.
O lobo solitário
Na minha opinião, Lone Wolf é um dos melhores gamebooks da história. Já joguei demais. Ele é a grande criação do inglês Joe Dever que produziu 32 edições – que eu conto como 30, se avaliar o conteúdo. A primeira foi lançada em 1984.
Conheci Lone Wolf em 1994, e foi exatamente o primeiro livro da franquia que joguei pela primeira vez – Flight from the Dark, de 1984. Até hoje tenho algumas edições, embora tenha perdido outras.
No Brasil, o gamebook chegou a ser comercializado com o nome de Lobo Solitário, embora a produção tenha sido relativamente limitada, não contemplando a franquia na totalidade.
Biblioteca Júlia Wanderley preserva coleções históricas de HQs
Em Paranavaí, na Biblioteca Municipal Júlia Wanderley, ao lado da Fundação Cultural, existe uma sala especial onde são guardados os itens de colecionadores.
Nas inúmeras vezes em que estive lá, encontrei muitas coleções históricas, edições raras que enchem os olhos de qualquer amante de HQs como Fantasma, de Lee Falk; Lobo Solitário, de Kazuo Koike e Goseki Kojima; e edições da Mini-Heróis dos anos 1970 e 1980.
Outra boa surpresa é a coleção de A Espada Selvagem de Conan, lançada em 1984, baseada no personagem bárbaro da Ciméria que o escritor texano Robert E. Howard criou em 1932. Todo esse material está em ótimo estado de conservação. Tem muitas outras raridades por lá.
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Boardwalk Empire e a Crise de 1929

Série mostra como os mafiosos italianos e irlandeses exploravam as privações da Crise de 1929 (Foto: Divulgação)
Embora tenha chegado ao fim em 26 de outubro de 2014, Boardwalk Empire é uma das melhores séries de TV dos últimos anos. Recomendo para quem gosta de programas que casam entretenimento com história. A série é ambientada no período da Grande Depressão, quando os Estados Unidos passaram por uma de suas maiores crises econômicas.
Um dos pontos mais interessantes de Boardwalk Empire é que a série mostra como os mafiosos italianos e irlandeses atuavam para explorar ao máximo as privações da Crise de 1929. Inclusive fica bem claro que esse período foi tão benéfico para criminosos quanto para políticos.
Há elementos históricos bem contundentes misturados com boa ficção. Outro atrativo são os muitos personagens enigmáticos, inspirados em figuras reais que comandaram o crime organizado nos EUA, principalmente nas décadas de 1920 e 1930.
Livro sobre a história de Paranavaí está à venda na Fundação Cultural
A obra de autoria do escritor Paulo Marcelo foi publicada pela primeira vez em 1988
Está à venda na Fundação Cultural de Paranavaí, por R$ 30, a nova versão do livro “História de Paranavaí”, do escritor Paulo Marcelo Soares da Silva, publicado pela primeira vez em 1988.
Relançado após 27 anos com recursos do Fundo Municipal de Cultura, o livro oferece aos leitores entrevistas integrais com pioneiros já falecidos há muito tempo e que fizeram parte das primeiras gerações de moradores de Paranavaí – nos tempos da Vila Montoya e Fazenda Brasileira. Tentando ser o mais imparcial possível, Paulo Marcelo apresenta várias versões de muitos fatos históricos, o que foge da unilateralidade e favorece o debate.
E mais importante, com a reedição do livro “História de Paranavaí”, o autor abre um novo caminho para despertar nos mais jovens a identificação com Paranavaí, o reconhecimento da própria identidade cultural regional e a valorização das histórias de luta e sofrimento que centenas de pioneiros viveram, principalmente nas décadas de 1920, 1930, 1940 e 1950.
Além de escritor, Paulo Marcelo é bacharel em direito e possui licenciatura em geografia. Participou e foi premiado em muitas edições do Festival de Música e Poesia de Paranavaí (Femup). Também recebeu prêmios de menção honrosa no 15º e 19º Jogos Florais de Barreiro, Portugal, e no 1º Concurso de Romances Juvenis da Academia Paranaense de Letras.
Tem contos publicados pela Empresa Tipográfica Casa Portuguesa, de Lisboa, em Portugal, e Casa da Cultura dos Trabalhadores da Quimigal, de Barreiro, também em Portugal. Ademais, é autor dos livros “O Lendário Capitão”, de 2012, e “Xondó e o Furto da Vassoura”, de 2013. “Encantamento”, a sua mais recente obra, contém ilustrações do próprio escritor e traz um conto sobre a história de um casal que se apaixonou em Paranavaí nos tempos da colonização. Para mais informações, ligue para (44) 3902-1128.
Não se engane com falsos pães integrais
Quando vou ao mercado comprar pão, às vezes alguém com dúvidas sobre o que comprar me pergunta porque eu pego determinado pão integral. Embora eu prefira fazer o meu pão, a resposta é bem simples.
Não compro “pão integral” que o primeiro ingrediente é a tal da farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico. Isso porque significa que aquele pão não é integral. O pão integral mais próximo do verdadeiro precisa ter farinha de trigo integral como primeiro ingrediente. Se ele não for o primeiro ingrediente, procure outro.
Se tratando de pão, muitos fabricantes mentem a respeito do que vendem. Pode ter certeza que existe inclusive ingredientes ocultos na composição desses pães. Uma tática muito usada pelo fabricante quando quer surpreender o consumidor é o tal do pão “não sei quantos grãos” – porque você nunca vai saber a quantidade que ele está usando de cada tipo de grão.
E assim ele pode cobrar o preço que ele quiser e ainda de lambuja fazer você crer que está no lucro, quando na realidade está pagando caro por um pão de qualidade duvidosa.
Deslizamento de terra na PR-444
Deslizamento que presenciei hoje à tarde, entre Arapongas e Mandaguari, no Norte do Paraná – ocasionando a interdição da PR-444. A chuva intensa no período da manhã e da tarde dificultou o tráfego em várias rodovias do Norte e Noroeste do Paraná. Também encontramos um veículo severamente avariado, mas sem vítimas, na BR-376, perto da entrada de Mandaguaçu. A foto é do meu irmão Guimarães Junior que estava comigo.
O mundo onírico de Alison Scarpulla
Em 2012, conheci de perto o belo trabalho da fotógrafa estadunidense Alison Scarpulla. Ela criou um mundo onírico ao revelar fotos com vinho e ácido. É algo avesso às fotos posadas, envolve reflexões existenciais e explora percepções incomuns sobre a vida e o mundo. Enfim, mais do que fotografias, suas imagens parecem pinturas.
Visite www.flickr.com/photos/aliscarpulla
Haitianos pedem ajuda
Ultimamente tenho encontrado nos maiores mercados de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, alguns haitianos pedindo o mesmo favor. Eles se oferecem para pagar sua compra com os cartões deles e em troca pedem que você entregue a eles a quantia equivalente em dinheiro.
Se você for pagar a compra em dinheiro ou com cartão (mas tiver dinheiro), peço que não hesite em ajudá-los. Eles fazem isso porque precisam arcar com despesas que só podem ser pagas em dinheiro – e muitas vezes a cobrança surge antes do dia do pagamento. Podem confiar, são pessoas honestas e trabalhadoras.






