Archive for January, 2016
O mito da bruxa voadora

A bruxa voadora é uma referência a um efeito alucinógeno proporcionado por um unguento (Imagem: Reprodução)
Provavelmente uma das imagens mais clichês envolvendo feitiçaria, tanto na literatura quanto no cinema, é a de uma bruxa voando sobre uma vassoura. É algo bem curioso, até porque muita gente que já escreveu sobre o assunto desconhece a origem do estereótipo.
A verdade é que a imagem da bruxa voadora é uma referência a um efeito alucinógeno proporcionado por um unguento à base da erva Datura Stramonium. Ou seja, se na Idade Média as supostas bruxas não tivessem passado o composto nas regiões do ânus e da genitália, o que criava a ilusão de voarem sobre vassouras, jamais teríamos essa referência cultural que atravessa os séculos.
Referência: “The Long Trip: A Prehistory of Psychedelia” (Daily Grail Publishing, 2008), de Paul Devereux.
O homem que não conseguia se matar
Joseph Aigner era um pintor de retratos muito conhecido na Áustria do século 19. Realmente infeliz, tentou suicídio várias vezes. Sua primeira tentativa foi por enforcamento aos 18 anos. Naquele dia, ele foi interrompido por um misterioso monge capuchinho.
Aos 22, novamente estava se preparando para se enforcar quando o monge intercedeu outra vez. Oito anos mais tarde, o pintor recebeu a notícia de que seria condenado à forca por causa de suas atividades políticas. Então o capuchinho reapareceu e impediu a execução.
Com 68 anos, Aigner finalmente conseguiu se matar com um tiro de pistola. Curiosamente, o seu funeral foi conduzido pelo mesmo monge de quem jamais soube o nome.
Fonte: Ripley’s Giant Book of Believe It or Not
O que eu não sabia sobre hérnia de disco
Me animei com a possibilidade de me ver curado, sem precisar mais me preocupar tanto com a lombar
Tenho hérnia de disco desde os 20 anos. Apesar disso, levo uma vida normal, inclusive faço muitos exercícios que exigem bastante da coluna lombar. Porém, como qualquer outra pessoa que tem uma rotina intensa de treinamento com pesos, ocasionalmente acontece de eu cometer um pequeno deslize e sentir as consequências no dia seguinte.
Uma vez, em 2014, comentei com um amigo sobre o meu infortúnio, explicando que em situações como essa preciso ir com calma até me recuperar completamente. Solidário, ele sugeriu que eu procurasse um especialista conhecido como Torino Massagista, um sujeito com excelentes referências que viveu alguns anos em Nanquim, na China, onde estudou técnicas milenares para tratamento de hérnia de disco, artrose e escoliose, entre outros problemas de coluna.
Gostei da sugestão e me animei com a possibilidade de me ver curado, sem precisar mais me preocupar tanto com a lombar em caso de mau jeito durante os exercícios. Liguei para o massagista numa manhã de quarta-feira e agendei uma sessão para as 16h de sexta. Às 15h40, acionei o interfone da referida clínica situada em um bairro residencial de Paranavaí.
Fui recebido por um rapaz sorridente, e com expressão dúbia, que mais gesticulava do que falava, me lembrando um mímico. “Seja bem-vindo, senhorino”, disse ele atrás de um balcão, segurando um livro de autoajuda. Lá dentro, encontrei dois homens de meia-idade sentados em poltronas individuais bem confortáveis. Havia uma terceira poltrona vaga, então me acomodei e comecei a observar o ambiente enquanto não chegava a minha vez de ser atendido.
O local era extraordinariamente limpo e exalava olência maviosa que não fui capaz de identificar; uma suposta e agradável combinação de ervas. O piso claro de granito arabesco cintilava, atraindo meus olhos e me permitindo ver no chão o meu próprio reflexo. Em uma mesa de centro, também de granito, havia muitas revistas de saúde, principalmente sobre terapias alternativas. O mais curioso é que não eram velhas como a maioria que encontramos em consultórios.
Durante a minha distração, ouvi alguns sons estranhos com brevidade de um ou dois segundos, embora baixos e indistinguíveis, vindo de duas direções diferentes da clínica. Alguém parecia estar com muita dor. Talvez o tratamento fosse além das minhas expectativas, minimizando um pouco a minha volúvel condição.
De repente, ouvi passos vindo do corredor à direita. Um homem de estatura mediana, beirando os 40 anos, caminhou com satisfação, exibindo dentes curtos numa boca larga. Se aproximou da recepção à minha esquerda e antes que dissesse alguma coisa, o recepcionista questionou se ele iria querer ser recebido no mesmo dia e horário na semana seguinte. “Pode apostar que sim!”, respondeu, mantendo a voz relativamente baixa e me observando com desconfiança.
Assim que o homem saiu da clínica, um camarada que conheço há mais de dez anos, inclusive participei de um jantar em sua casa, onde fui muito bem recebido por sua mulher e filhos, deixou uma sala no corredor à direita. Quando me viu, a expressão serena e o sorriso lacônico foram substituídos por uma fisionomia sisuda – digo até que notei um olhar sobressaltado. Não entendi a reação e me mantive em silêncio. Para minha surpresa, ele passou ao meu lado, me ignorou, abriu a porta e foi embora.
Aguardando a vez, um senhor barbudo me cumprimentou e perguntou se já estive ali. Respondi que não e ele comentou que frequentava a clínica há dois anos. “Meu jovem, este lugar mudou minha vida. Hoje sou outro homem, bem mais realizado em todos os sentidos”, garantiu, acrescentando que sempre teve o apoio da esposa.
O sujeito seguia elogiando a clínica no instante que o recepcionista atendeu o telefone e me chamou, sem dizer meu nome. “O senhor vai ser atendido agora. Vamos lá?” Me levantei e segui o rapaz. Assim que ele abriu a porta, pediu que eu tirasse as roupas, ficando somente de cueca, e me deitasse em uma mesa de massagem tão confortável que lembrava uma cama da melhor qualidade.
Enquanto eu me despia, observei que havia grande instrumentária no local, até mesmo penduradas nas paredes claras com inscrições praticamente pictóricas, e eu não tinha a mínima ideia para que servia. Me parecia pouco usual, mas concluí que talvez fossem ferramentas trazidas de lugares longínquos da Ásia. Até aquele momento, interpretei tudo que vi de diferente na sala como resultado de um atendimento diferenciado.
Um minuto depois que deitei, o recomendado Torino Massagista se aproximou de mim, se apresentou e questionou se o motivo daquela sessão era uma hérnia de disco. Após a minha confirmação, ajeitou o jaleco e falou pra eu ficar de bruços. Apesar de considerar a posição desconfortável, não quis parecer descortês ou estulto, e acabei acatando ao pedido.
Do outro lado da sala, ele ligou um pequeno aparelho de som que tocava uma música transfigurada e malemolente, um tipo curioso de pop letárgico estrangeiro. Na sequência, reparei que a fluorescência do ambiente caiu consideravelmente. Havia também um aroma exótico e frutado no ar. Não sei como, mas o local já não estava tão claro. “Feche os olhos e sinta a energia fluindo. Deixe tudo acontecer”, recomendou.
Em silêncio, senti um corpo estranho, algo úmido, quente e sulcado encostando no meu braço direito. Quando abri os olhos, o tal do massagista estava rebolando, usando uma cueca preta de couro sintético e zíper, por onde sobressaía o próprio falo rijo e apoiado em uma das mãos. “Você é louco, cara! Que isso? O que tem de errado contigo?”, perguntei. Surpreso e igualmente constrangido, o sujeito argumentou que aquela não era uma clínica de verdade.
Sem querer mais explicações, saltei da mesa, limpei meu braço com uma toalha de papel, vesti minhas roupas em segundos e atravessei o corredor a passos céleres. Na sala de espera, o homem com quem conversei antes declarou com um sorriso indecoroso, seguido por uma piscadela: “Não falei que o serviço é de primeira?” Não respondi. Simplesmente abri a porta e ganhei as ruas, ciente de que hérnia de disco também é um código para outra coisa que eu nunca quis saber exatamente o que é.
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Conversando com a filha de Manoel Canjerana
No dia 1º de Julho de 2015, entrevistei Nair Alves Silva, filha de Manoel Alves Canjerana, um dos homens mais temidos do Noroeste do Paraná nos anos 1950. Canjerana e Manoel da Rocha, o Macaúba, caíram em uma emboscada em 4 de julho de 1955 e foram assassinados por dois amigos no Bar do Beni, na Rua Marechal Cândido Rondon, no centro de Paranavaí.
O encontro com Dona Nair foi extremamente importante porque contrapõe com provas o fato de que Macaúba não foi morto em Cidade Gaúcha nem teve o corpo abandonado. Na foto, leio a caderneta de trabalho de Canjerana, com anotações de 1954 sobre a sua atuação nas áreas de desmatamento, inclusive dados sobre cada um dos peões por quem se responsabilizava quando trabalhava como fiscal (gato).
Sobre as caçadas na década de 1950
Década de 1950 – Anos mais tarde, o padre e pioneiro alemão Ulrico Goevert (foto) reconheceu a falta de consciência ambiental de muitos que se mudaram para o sertão do Noroeste Paranaense. Poucos se preocupavam com a preservação da fauna local, tanto que até aventureiros despreparados se arriscavam na mata virgem para caçar onças. Não foram poucos os homens que acabaram gravemente feridos ou mortos durante as caçadas.
Entrevistando Adelchi Ferrari
No dia 11 de dezembro de 2014, passei a maior parte da manhã conversando com o ex-bancário Adelchi Ferrari, uma grande figura histórica de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, que em 1954 escapou de ser assassinado em um bar por intervenção do lendário e controverso Telmo Ribeiro, pioneiro que chegou a Paranavaí em 1936. Naquele episódio, o então capitão surrou o homem que já estava com a arma em punho.
Solidariedade no metrô de Nova York
Num fim de tarde, Isaac Theil, 65 anos, mantém-se calmo enquanto um estranho dorme em seu ombro no metrô de Nova York. Na ocasião, os outros passageiros se ofereceram para acordar o homem ou tirá-lo de cima dele. Para surpresa geral, Theil disse apenas: “Deixe-o dormir, ele deve ter tido um dia longo. Nós todos tivemos, não é mesmo?”
Fonte: Reddit.com
O princípio de um fim

As raízes entrelaçadas parecem nutrir um desespero que ofusca a figura da moça (Acervo: Fundação Cultural de Paranavaí)
Não posso afirmar que foi intencional, mas o autor conseguiu destacar o princípio de um fim, além de um imenso vazio nesta foto que remete a Paranavaí do final dos anos 1940 e início da década de 1950. As raízes entrelaçadas parecem nutrir um desespero que ofusca a figura da moça mais acima.
Incrível como a última árvore tombada em uma área pode parecer tão frágil e imponente, mesmo depois de sucumbir. Com um traçador, e dependendo da espécie, eram necessários dias para derrubar uma árvore, o que explica também porque algumas eram exibidas como troféus.
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Um papo com Augustinho Borges
Eu e Augustinho Borges conversando na manhã de 15 de dezembro de 2014 na Fundação Cultural. Augustinho é uma figura histórica de Paranavaí, no Noroeste do Paraná. Até hoje guarda um cheque de 68 mil cruzeiros assinado pelo controverso capitão Telmo Ribeiro, homem respeitado e temido em Paranavaí nos tempos da colonização.
Até 1964, o capitão foi um dos maiores clientes de Borges na empresa Reta Táxi Aéreo. “Era muito educado e só andava bem vestido. Tinha um Pontiac automático que chamava atenção por onde passava”, lembra. Augustinho jamais se esqueceu do dia em que recebeu uma ligação do ex-governador Leonel Brizola pedindo que ele buscasse o corpo do seu cunhado Raphael Azambuja, covardemente assassinado na Gleba Areia Branca do Tucum a mando de grileiros. O corpo de Azambuja foi enviado para Porto Alegre em um táxi-aéreo da Reta.
Uma atitude que pode fazer a diferença na vida de alguém
Ontem, minha mãe foi ao Super Muffato, de Paranavaí, no Noroeste do Paraná, e testemunhou uma situação que tenho certeza que todo mundo já presenciou – o que muda são apenas os personagens.
Uma senhorinha de aproximadamente 60 anos foi comprar alguns alimentos com três netinhas. Na hora de passar no caixa, ela não tinha dinheiro para pagar pelos pacotinhos de suco (e dos mais baratos) que as crianças pegaram. Constrangida, ela acabou devolvendo os produtos.
Com base nesse exemplo, que tal se sempre que encontrássemos alguém nessa situação nos oferecêssemos para pagar pelos produtos? Quem passa por esse tipo de situação normalmente precisa de pouco dinheiro para não deixar nada para trás. E se você não puder arcar com todo o restante, pode se oferecer para pagar por pelo menos um dos produtos. Tenho certeza que a pessoa vai reconhecer esse seu gesto de boa vontade.







