Archive for January, 2017
“Acho que ficou doente e acabou morrendo dentro de uma semana”
Esses dias, conversando com um camarada, perguntei sobre uma cachorrinha que nunca mais vi em sua casa. Ele me disse que ela faleceu. Então questionei o motivo. “Ah, ela foi parando de comer, acho que ficou doente e acabou morrendo dentro de uma semana”, revelou com naturalidade, sem grande preocupação. Nem chegaram a levá-la ao veterinário ou a pedir ajuda.
A cadelinha tinha oito anos, e sempre me pareceu feliz e bem tratada. Mas não consegui deixar de considerar isso como um triste descaso. E tem gente que ainda critica o veganismo por tentar ampliar a conscientização em relação a forma como nos relacionamos com os animais.
O peso da sua barba
Na quarta-feira, sentindo um pouco de tontura, me consultei com um bom médico. Na quinta-feira, retornei para apresentar os resultados dos exames. Ele leu tudo e disse que aparentemente estou bem, embora tenha sugerido a realização de outros exames mais específicos. Antes de eu me despedir, ele perguntou: “Tem certeza que essa tontura não é por causa do peso da sua barba?”
Entre saúde pública, privada e falta de empatia
Quanto mais ela gritava, mais eu me sentia como se minha mente dilatasse
Na quarta-feira, sentindo um estranho mal-estar, liguei para o médico. Ele estava de férias. Na dúvida, acabei indo ao Pronto Atendimento Municipal (PA). Na recepção, expliquei a minha situação. O recepcionista estranhou o fato de não existir meu nome no cadastro deles e perguntou de onde sou. Talvez a barba tenha ajudado a potencializar ainda mais a suspeita. Mas tudo bem. Informei que eu nunca tinha usado o SUS e que aquela era a primeira vez.
Enquanto eu aguardava atendimento, fiquei prestando atenção ao meu redor. Havia uma calmaria intrigante. Ao meu lado, um senhor que se esforçava para ajeitar os óculos agonizava, e, na minha análise superficial, ele parecia o que mais necessitava de ajuda. Ainda assim, sequer reclamava. Num ato de desassossego, uma garota logo atrás de mim, em companhia da mãe ou avó, começou a berrar que estava com dor, fazendo balbúrdia. Levantou-se, correu entre os assentos e apontou dedos.
A senhora que a acompanhava foi até a recepção e começou a ofender o recepcionista, exigindo atendimento imediato. Achei aquilo constrangedor, mas eu estava com um pouco de tontura e optei por não intervir. Posso estar fazendo um mau julgamento, mas considerei exagerada a atitude daquela jovem. A maioria continuava em silêncio, talvez inerte na própria dor, e o senhor prosseguia gemendo quase em sigilo.
Depois de passar pela enfermeira, ela sugeriu que eu retornasse para o meu assento e aguardasse atendimento médico. Acabei desistindo da segunda chamada, até porque mais pessoas chegavam e provavelmente precisavam de mais assistência do que eu. Então fui até a Santa Casa. Expliquei a minha situação na recepção, entreguei a carteirinha da Cassi e prestei atenção no ambiente.
Ar-condicionado, bons assentos, televisor de melhor qualidade, ambiente bem arejado com direito a banheiros impecavelmente limpos. Normal, a ordinária realidade de quem tem um bom plano de saúde ou condições de custear atendimento particular, sem necessidade de passar pelo PA. Enquanto eu aguardava a minha vez, uma mulher se aproximou e disse que queria se consultar com um clínico geral.
Após inúmeras reclamações, e muita paciência por parte da recepcionista, a mulher sentou ao meu lado. Falava incessantemente e não aguardou nem 20 minutos. Se levantou enraivecida. Gesticulou, balançando os braços adornados por belas joias, e gritou que não ficaria mais um segundo ali porque era um descaso muito grande ter que esperar tanto por atendimento. Assim como no PA, eu e outras pessoas ficamos em silêncio.
Quanto mais ela gritava, mais eu me sentia como se minha mente dilatasse e eu fosse submetido a um caleidoscópio de ressonâncias impessoais. Pelo que percebi por parte dela, o seu caso não era emergencial. Me recordei da moça e sua mãe ou avó que fizeram um pandemônio no PA. “Falta de empatia, empatia, empatia…realmente…isso independe de classe social”, concluí.
Tolstói: “Às vezes, o açougueiro não acertava direito o golpe e o boi resistia e mugia enquanto jorrava sangue”
“Ninguém se importava se era uma boa ou má ação matar aqueles bois”

Tolstói: ““A bacia enchia rapidamente, mas o boi estava vivo e continuava golpeando o ar com os casco” (Foto: Reprodução)
Em um dia quente de julho, uma sexta-feira, o escritor Liev Tolstói visitou mais um matadouro em Tula, ao sul de Moscou. Sentiu um odor de sangue ainda mais intenso do que da última vez. O trabalho dos açougueiros prosseguia, e ele observava o pátio cheio de gado. Também havia animais nos galpões adjacentes ao prédio central. Carretas e mais carretas carregadas de bois, vacas e bezerros chegavam ao matadouro.
Em alguns carros puxados por cavalos, ele viu bezerros vivos empilhados com as patas para cima. Os veículos se aproximavam do matadouro e descarregavam. “Havia ainda outros carros com bois mortos, cujas patas se moviam conforme as sacudidas do veículo. Mostravam suas cabeças inertes, seus pulmões vermelhos e o fígado marrom. Todos saíam do matadouro. Junto à cerca, havia cavalos montados, que pertenciam aos fazendeiros. Estes, com suas longas blusas e de chicote à mão, iam e vinham pelo pátio, ou marcavam com alcatrão o gado que lhes pertencia”, escreveu Tolstói.
Depois de negociar o preço, os fazendeiros vigiavam o transporte do gado do pátio até o galpão, e de lá até o prédio. Todos pareciam preocupados por causa das negociações. Ninguém se importava se era uma boa ou má ação matar aqueles bois. Se importavam tanto com isso quanto com a composição química do sangue que escorria pelo chão”, lamentou o escritor russo.
Não havia nenhum açougueiro no pátio. Todos trabalhavam. Ao final do dia, tinham matado pelo menos cem bois. Tolstói entrou no prédio central e ficou junto à porta. Ele não poderia entrar porque não havia espaço. Enquanto o gado se amontoava, o sangue gotejava do teto, espirrando nos açougueiros. “Se eu tivesse entrado, também mancharia minha roupa”, enfatizou.
O escritor russo testemunhou um dos homens derrubando um boi enquanto outro animal deslizava por uma das pistas. No mesmo local, um boi com as patas brancas já não agonizava. Morto, era esfolado por um açougueiro. Pela porta oposta, passava um boi vermelho e gordo. Ele resistia enquanto o arrastavam. Mal chegou à entrada, e um açougueiro o golpeou no pescoço com um machado.
Caiu pesadamente no chão, voltou-se de lado e moveu convulsivamente as patas e o rabo. Logo outro açougueiro se lançou sobre ele, pegou-lhe pelos chifres, e fez com que sua cabeça ficasse rente ao chão para que outro açougueiro o degolasse. Pela ferida aberta, o sangue vermelho escuro brotava como de uma fonte, e um menino sujo de sangue o recolhia com uma bacia de metal. Apesar de tudo, o boi se esforçava para não morrer. Não parava de se mover, sacudindo a cabeça e agitando involuntariamente as patas.
“A bacia enchia rapidamente, mas o boi estava vivo e continuava golpeando o ar com os cascos, o que obrigava os açougueiros a afastarem-se. Tão logo a bacia encheu, o rapaz a colocou na cabeça e a levou para a fábrica de albumina, enquanto outro menino trouxe outra bacia”, registrou Tolstói.
O boi esperneava desesperadamente. Quando cessou de correr o sangue, o açougueiro levantou a cabeça do boi e começou a esfolá-lo. O animal não tinha morrido. “Tinha a cabeça já esfolada e vermelha, com veias brancas. Sua pele pendia dos dois lados, e o boi não cessava de mover-se. Outro açougueiro pegou o boi por uma pata, a quebrou e a cortou: o ventre e as outras pernas continuavam estremecendo convulsivamente”, testemunhou o escritor russo.
Sem demora, alguns homens lhe cortaram os membros restantes e os lançaram em um monte, onde já havia muitos membros de animais. Depois arrastaram o boi, já sem vida, até a polia e o penduraram. Da mesma forma, morreram outros três bois. Todos passaram pelo mesmo processo; cortaram suas cabeças, cujas línguas pendiam entre os dentes. Às vezes, o açougueiro não acertava direito o golpe e o boi resistia e mugia enquanto jorrava sangue. Se esforçava para escapar de suas mãos. Sem chance, o arrastavam ao centro do prédio e o golpeavam até cair.
“De perto, vi repetir a mesma operação, e de que maneira se obrigava os animais a entrar. Cada vez que pegavam um boi do galpão e o arrastavam por meio de uma corda amarrada aos chifres, o animal, farejando sangue, resistia, mugia e retrocedia. Dois homens não conseguiram arrastá-lo à força. Então um dos açougueiros se aproximou, pegou o boi pelo rabo, o torceu e rompeu-lhe uma vértebra. O animal avançou temeroso. Quando terminaram de matar os bois de um pecuarista, deram início ao abate dos animais de outro”, confidenciou o escritor russo Liev Tolstói.
Referência
Tolstói, Liev. O Primeiro Passo (1892).
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Steven Wilson: “Há uma coisa ainda mais preocupante, que é a nossa crueldade desnecessária em relação às outras espécies que compartilham este planeta conosco”

Wilson: “Se fosse para existir como um animal? Acho que gostaria de ser um cavalo” (Foto: Divulgação)
Em setembro de 2013, o portal Metal Obsession, da Austrália, entrevistou o compositor inglês Steven Wilson, mentor da banda de rock progressivo Porcupine Tree. Ao final da entrevista, Gilbert Potts perguntou que animal Wilson gostaria de ser. Então ele respondeu o seguinte:
“Uau! Nunca me perguntaram isso antes. Eu realmente não sei. Quero dizer, eu amo os animais. Sou vegetariano e tenho um cãozinho que é a coisa mais especial da minha vida atualmente. Se fosse para existir como um animal? Acho que gostaria de ser um cavalo, sim, um cavalo é um animal elegantemente belo e ao mesmo tempo sutilmente triste. Eles estão sempre com aquele olhar emanando um tipo de melancolia. É como se carregassem o peso do mundo em seus ombros, mas eles são muito bonitos, criaturas realmente elegantes. Então é isso. Eu seria um cavalo!”
Uma das maiores referências em rock progressivo na atualidade, Steven Wilson é também um multi-instrumentista e engenheiro de áudio. Além da sua carreira solo, ele fundou e integrou projetos conceituais. Alguns exemplos são Altamont, Karma, No-Man, Incredible Expanding Mindfuck, Bass Communion, Blacksfield e Storm Corrosion.
Em 21 de junho de 2015, Wilson publicou um desabafo em sua página no Facebook, externando sua preocupação em relação aos animais: “Faz uma semana que a crueldade desnecessária dos seres humanos contra outros seres humanos tem aparecido bastante na mídia, e com razão, mas para mim há uma coisa ainda mais preocupante, que é a nossa crueldade desnecessária em relação às outras espécies que compartilham este planeta conosco.”
Steven Wilson, que também é produtor musical e trabalhou com grandes bandas de rock e metal, como Yes, Jethro Tull, King Crimson, Opeth, Marillion, Orphaned Land e Anathema, foi entrevistado por Stef Lach, do portal Team Rock, da Escócia, em 1º de agosto de 2016. Na ocasião, ele falou que se tornou vegetariano há muito tempo, mas que fica apavorado com a ideia de parecer que está impondo seu vegetarianismo para as outras pessoas. Por outro lado, age com sutileza:
“Há um ano, fui até o meu gerente de turnê e disse, ‘Como você acha que os outros caras se sentiriam se tivéssemos somente comida vegetariana em nossas viagens futuras?’ Para a minha surpresa, todo mundo amou a ideia”, revelou na matéria “Steven Wilson: I remind fans I’m just an idiot”.
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Steven Wilson nasceu em 3 de novembro de 1967 em Kingston Upon Thames, em Londres, na Inglaterra.
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Weird Al Yankovic: “Espero não fazer com que você se sinta doente, mas os hambúrgueres são feitos de vacas mortas”

Yankovic: “Minha ex-namorada me deu um livro intitulado ‘Diet for a New America’, e aquele foi um argumento muito convincente para que eu logo me tornasse vegetariano estrito”(Foto: P Squared Photography)
Em fevereiro de 2011, na entrevista “My family is the first priority”, publicada pelo Celebrity Baby Scoop, o humorista, cantor, ator e produtor estadunidense Weird Al Yankovic ironizou ao ser questionado sobre o motivo de ser vegetariano:
“Há muitos anos descobri algo sobre os hambúrgueres que me deixou muito enojado. Você pode não saber disso, então eu espero não fazer com que você se sinta doente, mas os hambúrgueres são feitos de vacas mortas. Não estou inventando isso. Assim que descobri a verdade, desisti completamente da carne.”
Mais tarde, em 26 de julho de 2014, ele explicou na matéria “16 Things We Learned After a Day at ‘Weird Al’ Yankovic’s House”, publicada na revista Rolling Stone, que sua jornada começou em 1992, quando se tornou vegetariano estrito:
“Minha ex-namorada me deu um livro intitulado ‘Diet for a New America’ [de John Robbins, publicado em 1987], e aquele foi um argumento muito convincente para que eu logo me tornasse vegetariano estrito”, disse Yankovic, quatro vezes vencedor do Grammy e conhecido principalmente por suas paródias de clipes e músicas da cultura popular dos Estados Unidos.
Aos 57 anos, Weird Al continua chamando a atenção pela enérgica presença de palco, o que ele atribui à sua alimentação vegetariana. “Prefiro legumes, arroz, massas e grãos. Como você pode ver em meu camarim, não falta frutas secas, sucos, húmus, chips e salsa”, informou na entrevista “What does Weird al eat?”, publicada pela Peta em 1º de agosto de 2016. O alimento preferido do artista é o mangostim, uma fruta suculenta com polpa mole e sabor delicado.
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Weird Al Yankovic nasceu em 23 de outubro de 1959 em Downey, Califórnia. Recebeu 13 indicações para o Grammy e foi premiado quatro vezes. Em 2015, o seu disco “Mandatory Fun” foi o eleito o melhor álbum de comédia do ano.
“Diet For a New America“, de John Robbins, discute vegetarianismo, o impacto ambiental das fazendas industriais e direitos animais.
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Cortázar: “Acontece o contrário com os animais. Eles me fascinam. O mundo dos insetos…dos mamíferos”

Cortázar: “Descobrir pouco a pouco afinidades e similaridades…Acho que o gato é o meu animal totêmico e eles sabem disso” (Foto: Reprodução)
Um dos maiores nomes da literatura latino-americana, o escritor argentino Julio Cortázar, homem que chegou a um momento da vida em que deixou de surpreender-se com a humanidade e o mundo, teve muitas conversas com o seu amigo Ernesto González Bermejo.
Mais tarde, esses registros deram origem ao livro “Conversaciones con Cortázar”, publicado originalmente em 1978, seis anos antes da morte de Cortázar. No Brasil, a obra foi lançada em 2002, por iniciativa da Editora Jorge Zahar, sediada no Rio de Janeiro. Dentre os assuntos jamais abordados com franqueza em outra entrevista está o seu amor pelos animais, registrado nas páginas 46 e 47:
“Sempre fui, desde criança, profundamente indiferente ao reino vegetal: nunca distingui muito bem um eucalipto de uma bananeira; gosto das flores, mas não me ocuparia em ter um jardim. Acontece o contrário com os animais. Eles me fascinam.
O mundo dos insetos…dos mamíferos. Descobrir pouco a pouco afinidades e similaridades…Acho que o gato é o meu animal totêmico e eles sabem disso, como pude comprovar muitas vezes ao chegar à casa de amigos que têm cães e gatos. Os cães me tratam com indiferença, mas os gatos me abordam logo na chegada.
Se alguém fizer uma pesquisa de meus livros, vai descobrir uma grande percentagem de animais. Um animal se move fora do tempo – repete ao infinito os mesmos movimentos, e para quê? Por quê? Essas são noções humanas que não valem para um inseto. Dizemos que o animal trabalha, mas a noção de trabalho quem insere somos nós.”
Considerado o mestre do conto curto e da prosa poética, o escritor argentino Julio Cortázar ocupa a mesma posição de destaque na literatura mundial que o seu conterrâneo Jorge Luis Borges. Cortázar entrou para a história como um autor original que inovou na literatura ao se afastar da forma clássica de escrever.
Fugindo da linearidade, se destacou pela perene preocupação em se aprofundar no perfil psicológico de seus personagens, garantindo a eles autonomia e proporcionando ao leitor uma imersão numa criação espontânea que, identificada como realismo mágico, precede qualquer avaliação crítica.
Maior exemplo disso é o seu livro mais famoso. “Rayuela” ou “O Jogo da Amarelinha”, de 1963, que convida o espectador a fazer as mais diferentes interpretações da história surrealista de Horacio Oliveira, baseada em um monólogo interior.
Lawrence Anthony: “Enquanto não permitirmos que todas as criaturas vivas tenham um lugar ao sol, nunca poderemos nos sentir completos”

Anthony: “Mas talvez a lição mais importante que aprendi é que não há muros entre os seres humanos e os elefantes” (Foto: Reprodução)
Em 2009, o escritor e ambientalista Lawrence Anthony, publicou o livro “The Elephant Whisperer”, que aborda com muita sensibilidade o período em que ele conviveu com elefantes nas savanas africanas, assim despertando no leitor uma percepção diferenciada em relação aos animais.
Em uma das passagens, Anthony declara: “Mas talvez a lição mais importante que aprendi é que não há muros entre os seres humanos e os elefantes, exceto aquele que nós mesmos colocamos, e enquanto não permitimos que não apenas os elefantes, mas todas as criaturas vivas tenham um lugar ao sol, nunca poderemos nos sentir completos.”
Lawrence Anthony, que ficou conhecido por décadas de trabalho dedicado ao conservacionismo, fundou a organização The Earth, a mais antiga da África do Sul, tratando-se de uma associação científica. O ambientalista foi o responsável pela elaboração de uma proposta enviada à Organização das Nações Unidas (ONU), pedindo pela proibição do uso de áreas de conservação como alvos de guerra.
Anthony tinha uma carreira bem-sucedida no ramo de seguros e comércio de imóveis. Porém, trocou tudo para dedicar sua vida às espécies ameaçadas de extinção. O ambientalista faleceu em 7 de março de 2012 em decorrência de um ataque cardíaco. De acordo com a reportagem “Lawrence Anthony, Baghdad Zoo Savior, Dies at 61“, de Douglas Martin, do The New York Times, mesmo após a morte de Lawrence Anthony, um rebanho de elefantes continua visitando a sua casa ao anoitecer, na esperança de que ele retorne.
Alex Greenwald: “Sou vegano e aprecio cada dia desse estilo de vida”

Greenwald: “Se eu puder encorajar as pessoas, definitivamente farei isso. É o que tenho feito com meus amigos” (Foto: Reprodução)
Alex Greenwald, que ficou famoso como vocalista da banda de rock alternativo estadunidense Phantom Planet, é vegano e já participou de algumas campanhas da Peta, ONG que atua em defesa dos direitos animais. Nos tempos da faculdade, sua namorada o desafiou a parar de comer carne vermelha e ele a desafiou a parar de fumar.
Após vencer a aposta, Greenwald gostou tanto da experiência que decidiu não comer mais nenhum tipo carne. “Então um amigo me desafiou a me tornar vegano depois de me emprestar o livro ‘Fast Food Nation’ [de autoria de Eric Schlosser], o que abriu meus olhos para a crueldade contra os animais. Desde então, sou vegano e aprecio cada dia desse estilo de vida”, contou em entrevista ao Peta Kids em 2005.
Em abril de 2008, ele gravou um novo vídeo para a Peta dizendo que as pessoas devem se informar sobre as condições em que vivem as galinhas exploradas pela indústria alimentícia. “Tudo isso acontece atrás de portas fechadas, o que acaba por não chegar ao conhecimento de todos. São mantidas juntas em pequenos espaços ou têm seus bicos cortados. As pessoas precisam saber como as galinhas são animais adoráveis”, disse.
Para Greenwald, ser vegano é um ato de força, de boa vontade; significa defender o que acredita em relação aos direitos animais. “Se eu puder encorajar as pessoas, definitivamente farei isso. É o que tenho feito com meus amigos. Motivo eles a tornarem-se vegetarianos, veganos. Ou seja, a se conscientizarem sobre a forma como vivemos no mundo hoje. Não podemos viver da mesma forma que viviam as gerações anteriores, como nossos pais, nossos avós”, declarou.
Segundo o vocalista, que até hoje atua como voluntário da Peta, o vegetarianismo e o veganismo estão em ascensão. “É algo que as pessoas estão aderindo para serem mais saudáveis e contribuírem com o meio ambiente. E isso vai ser ótimo para seus descendentes”, avalia.
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Alex Greenwald é guitarrista, baixista, tecladista e vocalista da banda de indie pop Phases, que já lançou dois álbuns. Em 2014, ele lançou “Yo”, o seu primeiro disco solo.
Referências
https://web.archive.org/web/20061213140447/http://www.petakids.com:80/grrr2-2005/truthordare.asp
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Heaven Shall Burn: “Comer carne significaria que não estou muito preocupado com o mundo”
Em junho de 2010, o guitarrista Maik Weichert concedeu uma entrevista a Axl Rosenberg do portal Metal Sucks, falando sobre a filosofia da banda alemã Heaven Shall Burn, que faz uma fusão de metalcore com death metal melódico.
“Alguns de nós são straight edge, mas sempre temos um cara festeiro na banda, então straight edge não é uma filosofia da banda. Veganismo é muito mais importante para nós. Comer carne significaria que não estou muito preocupado com o mundo”, afirmou Weichert, em referência à exploração animal e ao impacto ambiental do consumo de carne.
A conscientização de Maik se sustenta no fato de que diariamente a população humana, que chegou a sete bilhões em 2011, consome 20 bilhões de litros de água e 9,5 bilhões de quilos de comida. Enquanto isso, 1,5 bilhão de bovinos, de um total de 70 bilhões de animais criados no mundo todo, consomem 170 bilhões de litros de água e 61 bilhões de quilos de comida.
Em abril de 2015, quem falou em nome do Heaven Shall Burn foi o ex-baterista e porta-voz da banda, Matthias Voigt, em entrevista ao portal Metal Made Fitness. Voight relatou que o HSB sempre foi formado por veganos e vegetarianos.
“Em algum ponto, todos os membros do HSB se tornaram veganos, mas não começamos dessa forma. Foi um processo. No começo, eu estava curioso se conseguiria sobreviver como vegetariano [risos]. Era 1994, e as pessoas diziam que eu morreria dentro de dois meses. Só depois percebi que eu também não queria dar suporte a essa indústria”, revelou.
Para Matthias, hoje em dia é mais fácil ser vegetariano ou vegano, já que as pessoas têm acesso a muitas informações sobre o impacto que as indústrias da carne e de laticínios causam ao meio ambiente. “Claro que li panfletos e artigos sobre direitos animais, mas atualmente faço isso só porque preciso dar respostas quando as pessoas fazem perguntas. Nunca precisei disso para mim mesmo. Simplesmente cortei os produtos de origem animal e nunca mais olhei para trás”, enfatizou.
Uma das músicas mais emblemáticas do Heaven Shall Burn que aborda os direitos animais é “Hunters will be hunted”, do álbum “Veto”, de 2013. Em uma parte da música, o vocalista Marcus Bischoff grita: Você não fará nenhuma criatura sangrar, nunca mais, para todo o sempre/Sem recuar, direto, ações atingem você/Sem compromisso, sem ceder/Defendendo aqueles que não podem lutar/A justiça deve prevalecer.”
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A banda Heaven Shall Burn foi fundada em Saalfeld, na Alemanha, em 1996.
Além dos direitos animais, suas letras também abordam questões como racismo e injustiças sociais.
A cultura straight edge defende a abstinência em relação às drogas lícitas e ilícitas, como tabaco, álcool e narcóticos.
Referências
https://metalmadefitness.com/2015/04/03/metal-made-musicians-german-metal-giants-heaven-shall-burn/
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