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Tolkien: “Esse povo derruba árvores e caça animais, portanto, não somos seus amigos”
“Senhor – diziam – se tens poder sobre esses recém-chegados, faça com que voltem por onde vieram, ou que continuem seu caminho. Pois, nesta terra não desejamos que desconhecidos destruam a paz em que vivemos. E esse povo derruba árvores e caça animais, portanto, não somos seus amigos.
E, se não quiserem partir, nós os atormentaremos de todas as formas possíveis. Por mais quatro anos, Beren ainda vagou por Dorthonion, um proscrito solitário. Tornou-se, porém, amigo dos pássaros e dos outros animais, e eles o ajudavam, sem traí-lo. Dessa época em diante, não mais comeu carne nem matou nenhuma criatura viva.”
“O Silmarillion”, de J.R.R. Tolkien, páginas 139 e 161, publicado em 1977. A obra narra o início da Terra Média e de outras terras como Númenor, Valinor e Arda. O que pode despertar grande identificação no leitor é a rica e detalhada abordagem do mito da criação e seus seres folclóricos, comum nas histórias de tantas civilizações.
O livro também discorre sobre acontecimentos que se tornaram lendas nas eras posteriores, principalmente eventos envolvendo as primeiras casas de elfos, anões e homens. Embora a obra possa parecer fastidiosa em alguns aspectos, vale a pena para entender melhor livros como “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”, até porque “O Silmarillion” se passa em um período que antecede esses dois livros.
Ademais, a singularidade de Tolkien aliada à fantasia e à autoralidade no desenvolvimento da linguagem dão a tônica do livro que discorre sobre a primeira grande batalha entre o Bem e o Mal.
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Gaudí, um dos maiores arquitetos do século 20, era vegetariano

Gaudí: “Infelizmente é a própria natureza que me impede de comê-los, Dona Catalina” (Foto: Reprodução)
“Desde o primeiro dia que cheguei a Maiorca [nas Ilhas Baleares – ao leste da Espanha], estou sendo tratado tão bem que chega a ser difícil declinar qualquer oferta de Dona Catalina. Uma vez me ofereceu uma grande variedade de embutidos escolhidos a dedo. Ela me disse: ‘Você pode comer, Don Antoni. Eu juro que foram preparados em casa.’ Agradeci e repliquei: ‘Infelizmente é a própria natureza que me impede de comê-los, Dona Catalina.’
Uma mesa pequena e simples, com verduras cruas, talvez endívia, que ele mesmo picou com o cabo de uma faca longa. Depois de tudo pronto, parecia gaspacho sem caldo. Então protegeu o peito com o guardanapo e depois de se alimentar dos vegetais, se serviu com uma maçã assada e metade de uma tangerina. Ele mesmo se servia, sem qualquer empregado. Esse foi o combustível do grande arquiteto naquele domingo de dezembro.”
Importante nome do modernismo catalão, Antoni Gaudí, que era vegetariano, é considerado um dos maiores arquitetos do século 20. Excerto da página 123 do livro “Gaudí”, de Gijs van Hensbergen, publicado em 2001; e excerto da página 108 do livro “Gaudí, Su Vida, Su Teoria, Su Obra”, de autoria de Cèsar Martinell i Brunet, publicado em 1967. Gaudí nasceu em Reus, na Catalunha, em 25 de junho de 1852 e faleceu em Barcelona em 10 de junho de 1926.
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The beard and the boy Yusuf
“I never imagined that one day I would see you speaking Portuguese. Amazing, son!”
When I was much younger, I had never considered the possibility of growing a beard. The truth is that I did not even know if there was a beard to grow. However, from an early age I was intrigued by the number of bearded thinkers and writers until the early 20th century.
Among the Brazilians, my earliest memories of my time at the college involve authors like Machado de Assis, José de Alencar and Gregório de Matos. I do not know whether the fact of growing a beard was a preference with aesthetic motivation or whether it had a relationship with the zeitgeist. In addition, I also recognize that in the past it was customary to keep facial hair to hide imperfections and scars caused by diseases such as smallpox.
Thinking internationally, Plato, Chaucer, Melville, Victor Hugo, Ibsen, Tolstoy, Dostoevsky, Whitman, Bram Stoker, Hemingway, D.H. Lawrence, Bernard Shaw and Ginsberg are some bearded men who come to my mind at this time. And analyzing periods, it is fair to say that from the beginnings of philosophy and literature, the beard was present, and here I speak not as a form of social distinction, but as a resource of personal construction. However, today, unlike other times, bulky beards and long beards are almost always associated with hipsters, terrorists and religious fanatics. Of course, political parties.
Thinking about it, I remembered a singular experience after I became bearded. One day, I left around 8:00 am and went to the house of a man named Francisco, who arrived in Paranavaí in 1944. He agreed to give me an interview about the colonization times of the Northwest of Paraná. In front of his house, I rang the bell and watched a little dog roll around inside his wooden house.
It was not long when someone shouted from the distant porch: “Come in, my son. Come to me. “I opened the gate, climbed a few steps, and crossed the garden. There he was, tall and thin, sitting on a comfy brown chair with beige upholstery. Beneath his feet was a scattering of sand inside a small box. “What a nice old man!”, I thought, and then we shook our hands. Suddenly, he looked me in the eyes and said: “I bet you understand it more than I do.” I did not catch the message and I noticed his feet sinking slowly into the sand.
“Sand is life, isn’t it? How many shades of sand can you recognize?”, he asked. I was confused and I laughed, suspecting that the man was drunk or under heavy medication. Still, I replied: “It depends on the incidence of the sun, the factors of action and reaction. Hmm…thinking better, I suppose, I can identify 25 to 30. ”
– Splendid! I already imagined something like that. I was suspicious when I saw you”, he said.
And the conversation went a completely different way, leaving me sometimes hesitant. We talked almost nothing about his life, because most of the questions were asked by him. “I never imagined that one day I would see you speaking Portuguese. Amazing, son!”, he pointed out in the first ten minutes with a dubious smile.
He digressed heavily, and occasionally asked to see the palm of my hand. “You may not see it, but the traces of your hand say a lot about your beard. And whoever says that a beard is nothing more than hair on the face is a fool. It says a lot about the ways of a man’s life. It, in its sinuosity, is like a physical extension of your own mind. I know this because I have been growing a beard for almost 60 years”, he told, touching his gaunt white beard that covered his chin. So, he regretted that at the age of 86 he was no longer bearded like 20 years earlier.
I also noticed his damp eyes as he bent over and slid his index finger into the sandbox. Some tears dripped painfully, as if coming out of an eyedropper. Seeing that, I apologized and suggested that maybe we’d better schedule the interview for another day. Trembling, Francisco got up and asked me to give him a hug.
“Of course, mister Francisco”, I replied.
When his translucent wrinkled hands touched me, I heard his restrained sobs and his heart pounding. “Now, I could even shave my beard,” he whispered, weakened. Soon, he faded. I screamed and his wife appeared. She asked me to put him on the bed. Fainted, his expression was serene and I saw his meager smile. Respectfully, I did not ask for explanations, I said goodbye and walked to the porch, where I found a picture of a seven or eight-year-old child sitting on the shoulders of Francisco still young.
The following week, I discovered that the smiling little boy in the photo was an Egyptian orphan who would be adopted by Francisco, a former soldier of the Suez Battalion. In 1957, the boy named Yusuf died in his arms, after being shot in his head by an Israeli soldier on a mission in Port Said. “I will never shave my beard again in my life. Never! I swear by everything in this world, unless Yusuf returns to life”, shouted Francisco in tears that day.
H.G. Wells: “Agora não conseguimos suportar a ideia de matadouros”
“No mundo da Utopia, não há carne. Antes havia. Mas agora não conseguimos suportar a ideia de matadouros. E numa população em que todo mundo é culto e com um nível de aperfeiçoamento físico semelhante, é praticamente impossível encontrar alguém que vá talhar um boi ou um porco morto.
Nunca nos acostumamos com a questão higiênica do consumo de carne. Esse outro aspecto fez com que tomássemos uma decisão. Ainda consigo me lembrar, de quando era rapaz, do contentamento que o encerramento do último matadouro gerou.”
A Utopia Moderna (A Modern Utopia), página 174, de H.G. Wells, publicado em 1905. O escritor britânico também é autor de clássicos como A Guerra dos Mundos (The War of the Worlds), A Máquina do Tempo (The Time Machine) e A Ilha do Dr. Moreau (The Island of Dr. Moreau).
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Reclus: “Quais são os alimentos que parecem corresponder melhor ao nosso ideal de vida e beleza? Tudo aquilo que é obtido sem a necessidade de matar”

Reclus: “O cavalo e a vaca, o coelho e o gato, o cervo e a lebre, o faisão e a cotovia têm condições de nos agradar mais como amigos do que como carne” (Foto: Reprodução)
“Quais são os alimentos que parecem corresponder melhor ao nosso ideal de vida e beleza, tanto em sua natureza como em seus métodos de preparação?
São aqueles que desde sempre foram apreciados pelos homens de vida simples – grãos, vegetais, frutos, etc. Tudo aquilo que é obtido sem a necessidade de matar.
O cavalo e a vaca, o coelho e o gato, o cervo e a lebre, o faisão e a cotovia têm condições de nos agradar mais como amigos do que como carne. Por isso queremos preservá-los como companheiros que gozam os prazeres da vida e da amizade.”
Excerto de “À propos du végétarisme“, do francês Elisée Reclus, considerado um dos maiores geógrafos do século 19. A obra foi publicada originalmente em 1901.
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Benjamin Franklin: “Comer carne é assassinato sem provocação, uma vez que os animais não nos causaram qualquer tipo de sofrimento”
“A recusa em comer carne me trouxe uma inconveniência porque frequentemente passei a viver situações em que fui repreendido pela minha singularidade.
Mas, com essa refeição mais leve, obtive o maior progresso da minha vida, conquistei grande clareza mental e melhorei minha capacidade de compreensão.
Penso que comer carne é assassinato sem provocação, uma vez que nenhum dos animais que comemos nos causaram qualquer tipo de sofrimento que justificasse o abate.”
Página 34 do livro “The Autobiography of Benjamin Franklin”, publicado em 1791. Vegetariano desde os 16 anos, o jornalista, cientista e abolicionista Benjamin Franklin foi um dos líderes da Guerra da Independência dos Estados Unidos e um dos responsáveis pela elaboração da constituição daquele país.
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Einstein: “O vegetarianismo tem um efeito tão benéfico no temperamento humano que é capaz de influenciar o destino da humanidade”

Einstein: “Então, estou vivendo sem consumir gorduras, carne, peixe e me sinto muito bem dessa forma.”
“Além de concordar com os objetivos estéticos e morais do vegetarianismo, a minha opinião baseada nos efeitos físicos é que o vegetarianismo tem um efeito tão benéfico no temperamento humano que é capaz de influenciar o destino da humanidade.”
Excerto de uma carta enviada pelo físico alemão Albert Einstein a Hermann Huth em 27 de dezembro de 1930.
“Então, estou vivendo sem consumir gorduras, carne, peixe e me sinto muito bem dessa forma. Sempre acreditei que o homem não nasceu para ser carnívoro. Apesar de antes eu ter sido influenciado por circunstâncias externas a não seguir uma dieta vegetariana, há muito tempo eu sou um adepto da causa.”
Citação de uma carta escrita por Einstein um ano antes de sua morte.
As correspondências que fazem parte do Einstein Archives (46-75), a maior e mais confiável fonte de documentos sobre Einstein, integra o livro “An Einstein Encyclopedia”, de autoria de Alice Calaprice, Daniel Kennefich e Robert Schulmann, publicado em 2015. Einstein recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1921.
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Argento: “Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar”
Assim como Mario Bava, o cineasta e escritor italiano Dario Argento é um dos expoentes do gênero literário e cinematográfico giallo. Para ter uma ideia da importância do trabalho dele, gêneros como slasher, popularizado por filmes como “A Hora do Pesadelo”, “Halloween”, “Sexta-Feira 13” e “O Massacre da Serra Elétrica” foram inspirados em suas obras. Mas o que pouca gente sabe é que Dario Argento é vegetariano desde a juventude:
“Phenomena foi inspirado em algo que ouvi sobre insetos serem usados para resolver crimes, e como insetos sempre me fascinaram, comecei a criar uma história em torno dessa ideia. Você sabe, é uma coisa terrível, mas há muitos insetos que estão desaparecendo, sendo extintos. Mas a maioria das pessoas querem matá-los. Acredite, insetos também têm almas.
Eles são telepatas extraordinários. Pessoas pensam em salvar baleias e golfinhos, mas ninguém quer salvar os insetos. Penso diferente. Sou vegetariano porque não quero que ninguém morra para que eu possa me alimentar.”
Excertos do livro “Dario Argento: The Man, The Myths & The Magic”, de Alan Jones, publicado em 2015 pela editora FAB Press.
Para quem quiser conhecer o trabalho de Dario Argento, sugiro que comece por um de seus maiores clássicos – Suspiria, de 1977.
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Dostoiévski: “Homem, não se orgulhe de sua superioridade em relação aos animais”
“Compara-se por vezes a crueldade do homem com a dos animais selvagens; é uma injustiça para com estes. As feras não atingem jamais os refinamentos do homem.
O tigre dilacera sua presa e a devora; não conhece outra coisa. Por isso, ame todas as criaturas de Deus, do todo ao grão de areia. Ame cada folha, cada raio de luz. Ame os animais, ame as plantas, ame cada coisa, e assim você conhecerá os mistérios de Deus.
E quando perceber isso, você terá uma compreensão mais completa de que o mundo todo precisa ser amado, de forma abrangente e universal. Ame os animais. Deus deu aos animais uma consciência rudimentar e uma imperturbável alegria. Não se deve chateá-los ou privá-los de sua felicidade.
Não trabalhe contra os intentos de Deus. Homem, não se orgulhe de sua superioridade em relação aos animais. Eles não possuem pecados, enquanto você mancha a terra com tua grandeza, com tua aparição, deixando após ti um rasto de podridão — Ai! Quase todos nós!”
Citações de “Os Irmãos Karamázov”, de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1879. Páginas 260, 352 e 353.
James Joyce e os direitos animais em “Retrato do Artista Quando Jovem”
No romance Retrato do Artista Quando Jovem (A Portrait of the Artist as a Young Man), o personagem Stephen Dedalus, alter ego do escritor irlandês James Joyce, revela a sua simpatia pelos animais quando reconhece similaridades entre o homem, os caninos e os bovinos.
Mais tarde, o jovem anti-herói em processo de amadurecimento desafia perspectivas metafísicas que envolvem a divisão de seres humanos e animais. O confinamento e o abuso dos bichos o incomodam porque o rapaz se vê em situação análoga.
E, curiosamente, a partir do momento em que ignora os limites estabelecidos entre homens e animais, ele começa a ver porcos, bois, vacas, pássaros e morcegos como seus parentes.
Sobre A Portrait of the Artist as a Young Man (Retrato do Artista Quando Jovem), de James Joyce, publicado em 1916.






