Archive for the ‘Internacional’ Category
O legado de Umberto Eco
Conheci o trabalho do polivalente Umberto Eco em 2002 e desde então acompanhei seus lançamentos. Há algum tempo, li o seu controverso romance “Número Zero”, conhecido como um “manual do mau jornalismo” – que sem dúvida faz jus à epígrafe não oficial. Comecei a ler suas obras no primeiro ano da faculdade, levando em conta que ele é referência quando se trata de comunicação de massa e disseminação da informação.
Sua importância para a semiótica, filosofia da linguagem e seus conceitos em torno dos termos apocalípticos e integrados são famosos em escolas de comunicação do mundo todo. Mas na minha época de graduando o que mais me chamou a atenção em Umberto Eco foi sua veia romancista. Livros como “O Nome da Rosa”, adaptado para o cinema, “O Pêndulo de Foucault”, “Baudolino” e o Cemitério de Praga” merecem ser lidos a qualquer tempo. Eco, que nasceu em Alexandria, na região italiana do Piemonte, e faleceu em Milão no dia 19 de fevereiro deste ano, sem dúvida foi uma grande perda para todos nós.
Um refrigerador que funciona desde 1936
Em 1936, na Escócia, durante a Grande Depressão, a Família Kinghorn, de Edimburgo, comprou um refrigerador da marca Frigidaire, sem imaginar que aquele seria um investimento que beneficiaria gerações. Perto de completar 80 anos, a geladeira que nunca passou por nenhum tipo de manutenção continua funcionando perfeitamente na casa de Rosemary Kinghorn que a herdou em 1957, após o falecimento da sogra.
Saiba Mais
http://www.telegraph.co.uk/news/newstopics/howaboutthat/8131133/Seventy-five-year-old-fridge-still-going-strong.html
Anastasia e o mundo paradoxal das supermodelos
Imagem da fotojornalista britânica Anastasia Taylor-Lind que mostra os bastidores de uma pré-seleção de supermodelos da Sibéria, na Rússia, considerada uma das regiões com as mulheres mais belas do mundo. No projeto Siberian Supermodels, Anastasia lança uma pergunta já seguida de resposta: “Quem são as mulheres mais fotografadas do mundo? Claro que são as modelos!”
Trabalhando há anos registrando o estilo de vida de mulheres em sociedades patriarcais, Anastasia mostra que ao mesmo tempo que essas jovens ocupam grandes espaços no meio publicitário, elas também estão confinadas a uma forma de anonimato, já que não podem mostrar quem realmente são. “Para ser modelo, a verdade é que a atuação é tão importante quanto a beleza. Então podemos dizer que precisam convencer como atrizes para serem bem-sucedidas”, declara.
Acesse: http://www.anastasiataylorlind.com/
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O sonho de Baruddin e o lamento de um pai
Ahman observou os furos como se fossem ferimentos provocados por mamonas
Em uma das pacíficas manifestações pela independência da Indonésia, Ahman Jalisu foi entregar arroz em um pequeno armazém de Bogor, na Província de Java. Quando ouviu sons de tiros e gritos, abandonou a bicicleta com a carretinha de madeira onde transportava quase cem quilos do produto e correu a pé, abespinhado, gritando o nome do filho.
Percorreu 500 metros e caiu de joelhos ao ver dezenas de pessoas fechando portas e janelas enquanto homens fardados empilhavam cadáveres sobre uma pira. Ao olhar para o outro lado da rua, Jalisu viu o filho deitado sobre uma poça de sangue, com os lábios ao chão.
Os olhos de Ahman fumegaram. O sofrimento o sobrepujou de forma tão truculenta que pensou que o tempo tivesse regelado, transfigurando o efêmero em infinito. Sem se importar com a própria vida, correu até Baruddin. Os cabelos de azeviche do rapaz ocultavam-lhe o rosto de traços singelos.
Ahman o tomou nos braços e correu sem olhar para os lados, pensando apenas em levar o filho escanifrado embora. Parou para resfolegar no armazém onde abandonou a bicicleta. Despejou o arroz no chão, ao alcance de uma turba de famintos, colocou o filho dentro da carretinha e pedalou 15 quilômetros até chegar em casa.
Levou Baruddin ao banheiro e deu-lhe banho. Enquanto o asseava, exigiu que nunca mais agisse de forma tão passional. Jalisu deslizou a mão direita pelos projéteis das submetralhadoras que, abrigados no corpo do rapaz, deixaram três orifícios no tórax, dois na nuca e um nas costas. Ahman observou os furos como se fossem ferimentos provocados por mamonas; comum quando o filho não tinha mais de 10 anos.
Naquele tempo era a principal munição das brincadeiras de estilingue. Com os cabelos de azeviche tapando parcialmente os olhos, Baruddin relatava ao pai que estava treinando para lutar pela independência dos indonésios quando se tornasse adulto. Descalço, corria quilômetros até a residência do amigo Segu.
Juntos, confeccionavam estilingues com forquilhas de ferro. As reminiscências deixaram Jalisu em prantos. Quando percebeu a água da banheira rubicunda, advertiu o filho sobre a importância dele não entrar sujo na banheira. “Não faça assim, ujang [filhinho]… Você bem poderia ter se limpado no poço. É tão pertinho. É claro que depois eu deixaria você entrar dentro de casa e faria o seu jantar. Só quero seu bem. Sempre foi assim”, declarou Ahman balbuciando, sem notar as próprias lágrimas formando pequena poça em seu colo.
Após o banho, Jalisu vestiu o filho com as melhores roupas do pequeno roupeiro de teca seca. Pegou uma camisa e uma calça de cores claras que estavam dentro de um saco plástico transparente, o vestiu e o levou até a cozinha. Enquanto preparava rujak e bananas assadas ao molho de soja, fez carícias no rosto acobreado do caçula desacordado – com a nuca inclinada sobre o espaldar.
Ahman pediu para o filho sentar-se corretamente. “Por favor, Baruddin, se ajeite. Não quero que tenha graves problemas na coluna”, justificou. Jalisu passou a maior parte da tarde dizendo a Baruddin que o ajudaria a realizar seu sonho – construir um ônibus. O rapaz se dedicava às pequenas invenções. Nem as dificuldades econômicas o impeliam a desistir. Era comum vê-lo nas ruas de Bogor comercializando os pequenos inventos que carregava na carretinha puxada pela bicicleta.
Após sete dias convivendo com o filho morto, Jalisu inebriou-se em recordações, já impossibilitado de distinguir pretérito e presente. Para ele, Baruddin era a criança que escalava árvores até o topo, na tentativa de mensurar o tamanho de seu mundo diminuto, que o fazia se sentir como formiga-faraó. Ahman era o único que não se incomodava com o odor do filho.
O mau cheiro exalado pelo corpo foi percebido pelos vizinhos. Recomendaram que desfizesse do cadáver, enterrando-o. “Você vai acabar chamando a atenção da polícia. Pense bem!”, sugeriu um amigo. Ainda assim discutiu com todos e os expulsou de sua propriedade. Só restabeleceu a sanidade no entardecer do décimo dia.
Enleado, pegou o filho escanzelado nos braços com o mesmo cuidado de quando era um bebê. O embalou e cantou “Rasa Sayang”, a canção preferida de Baruddin na infância. Depois o levou até o fundo da residência e sentou sobre uma cadeira de balanço acoplada com um sistema de ventilação movido à casca de batata-doce – invenção do filho.
Pressionando a cabeça de Baruddin contra o peito, Jalisu chorou, umedecendo os cabelos do rapaz. Quando sentiu a fragilidade do corpo sem vida recostado ao seu, berrou até ficar sem voz. Perguntou a Deus se seria possível transferir todos os seus órgãos vitais para o filho. A resposta não veio – não da forma esperada, somente uma alígera brisa com olência de crisântemo e um silêncio ensurdecedor que dilatou seus sentidos à exaustão.
Uma hora mais tarde, Ahman buscou uma faca na cozinha e extraiu com diligência todas as balas alojadas no corpo do filho. Aparou as pontas dos cabelos, cortou as unhas, fez a barba do rapaz e o enterrou nu a 900 metros da casa, sobre folhas de erva-cidreira – a preferida do jovem Jalisu. Preocupado em ter uma recaída e, quem sabe, resolver exumar o filho, não construiu lápide nem deixou qualquer identificação de que no local o corpo de Baruddin repousava.
Temia que pelo fato do rapaz ter sido um insurgente poderiam levar seus restos mortais para serem incinerados em uma fornalha na Província de Jambi. Com o passar dos anos, esqueceu o número de passos até o local onde Baruddin foi enterrado. Apesar disso, os restos mortais continuaram na chácara em que Ahman Jalisu sempre morou.
Para se sentir mais próximo do filho, estudou o projeto criado por Baruddin e construiu em dezembro de 1941 um ônibus de proporções homéricas que até hoje circula pelas ruas de Bogor, transportando sem qualquer custo famílias pobres que vivem nas vilas nas imediações da chácara da família.
“Esses dias, quando eu estava dirigindo, vi Baruddin sentado no último banco, onde o sol deitava candente por trás do vidro traseiro. Não havia mais ninguém além de nós dois. Ele não chorava, não sentia dor nem falava. Apenas sorria, trazendo ao meu coração uma fagulha de alegria. Naquela noite, dormi bem pela primeira vez em mais de 20 anos. Meu filho tinha voltado pra casa”, escreveu Ahman Jalisu em um diário em 25 de novembro de 1963.
Curiosidade
Rujak ou rojak é um prato típico à base de abacaxi, batata-doce, manga, carambola, jicama, jambo, goiaba e tofu. Os ingredientes também podem variar dependendo da região e da tradição familiar.
Um casamento atípico
Em 2012, no Dia dos Namorados, o Parque Provincial de Vida Selvagem de Yunnan, na cidade de Kunming, na China, realizou o casamento do carneiro Changmao com a corça (veado fêmea) Chunzi. A cerimônia teve 500 convidados que pagaram o equivalente a R$ 18 para participarem da solenidade. No enlace matrimonial, Changmao e Chunzi tiveram direito a trajes de noivos, segundo a direção do parque. O relacionamento dos dois teve início quando Chunzi lambeu os pelos de Changmao. Já sentindo-se em um relacionamento sério desde 2011, o carneiro começou a impedir que outros animais se aproximassem de sua companheira.
Saiba Mais
Http://www.china.org.cn/environment/2012-02/13/content_24624002.htm
Gratidão, um belo gesto
Hoje à tarde, publiquei um vídeo do bluesman Justin Johnson, de Nashville, Tennessee, na minha página no Facebook porque realmente acho o trabalho dele incrível. Assistindo novamente a performance do músico, notei que o cara fez questão de vir até a minha página curtir a postagem. Mais de 44 mil pessoas compartilharam o vídeo dele e ainda assim ele fez questão de reconhecer o meu ato. Que belo e raro gesto de gratidão.
Segue o link do vídeo: https://www.facebook.com/569569176439979/videos/1052142201516005/
Living Colour e o culto da personalidade
Contexto – Estados Unidos da América em 1988. Quatro jovens com boa formação cultural e influências que iam do funk ao hard rock, passando pelo punk e chegando ao heavy metal, lançam o disco Vivid, até hoje aclamado como um dos melhores discos lançados nos anos 1980.
Um dos destaques do álbum é a música “Cult of Personality” que se baseia na propaganda da exaltação de virtudes com facetas políticas, religiosas e comportamentais. Mick Jagger, dos Rolling Stones descobriu a banda à época, tornando-se um dos maiores fãs dos caras, inclusive foi um dos responsáveis por alavancar o sucesso do Living Colour.
Outros clássicos do álbum são “Middle Man”, “Funny Vibe”, “Glamour Boys” e “Open Letter (to a Landlord)”. Até hoje, Vivid figura em listas do mundo todo de álbuns que marcaram a história do rock. Em 2013, o Living Colour veio ao Brasil se apresentar no Rock In Rio com a sua formação mais clássica. Quem é fã da banda, se surpreendeu com as performances eletrizantes de Vernon Reid, Corey Glover, William Calhoun e Doug Wimbish que se juntou ao Living Colour em 1992, substituindo Muzz Skillings.
Irina Werning e a arte de recriar o passado
Em 2011, a fotógrafa argentina Irina Werning fez um trabalho muito interessante de mergulhar no passado para então reproduzir décadas mais tarde cenas históricas com os mesmos personagens. Um exemplo é a foto do alemão Christoph que em 1990 quebrou um pedacinho do Muro de Berlim. O ato foi repetido no mesmo local em 2011, onde havia apenas um vazio. A foto faz parte do projeto “Back To The Future”.
Acesse: irinawerning.com
Viza, viajando através da música
Viza é uma banda de gypgy punk dos Estados Unidos que conheci em 2013, mas não somente gyspy punk, vai muito além disso. Tanto que daqui algum tempo penso em escrever sobre o trabalho desses caras. Talvez até para poder reavaliar com mais profundidade minhas impressões e também entender como eles analisam o próprio trabalho.
Tenho os cinco discos do Viza, além de alguns EPs, e digo com tranquilidade que é o tipo de música que nunca tiro do carro. Para quem gosta de subgêneros do rock não convencional, e que flertam com a música world ou multiculturalista, é uma boa banda para se conhecer.
Suas composições nos convidam a uma viagem por todos os continentes. Eles conseguem facilmente reunir num único álbum todas as emoções humanas sintetizadas em música. Só acho uma pena que gypsy punk seja um gênero pouco difundido no Brasil, onde a diversidade musical é predominante.
Quando Antonio Molina invadiu o congresso espanhol armado
23 de fevereiro de 1981 – Quando Antonio Tejero Molina, o 23-F, ex-tenente-coronel da Guarda Civil, invadiu o Congresso dos Deputados na Espanha. O fotógrafo Manuel Pérez Barrio registrou o momento de tensão quando os políticos foram obrigados a se calarem para ouvirem a contragosto o discurso de Molina. A foto rendeu a Barrio o prêmio World Press Photo, em Amsterdã, na Holanda.










