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“Po, olha esse cara! Bruto demais dos pés até a touca”
Saí da academia e passei no mercado para buscar pão para a minha mãe. Na fila do caixa rápido, um cara ficava me observando. Até que ele se aproximou e disse:
— Caramba, mano! Tenho que te falar! Você tem um visu que dá medo! Olha o físico e a cara desse homem aqui, Renata!
Envergonhada, a moça que o acompanhava apenas sorriu e comentou:
— Não liga não. Meu irmão é assim mesmo.
Com meu típico sorriso enviesado, comentei que estava tudo bem. Então ele continuou:
— Po, olha esse cara! Bruto demais dos pés até a touca. Que barba sinistra, meu velho!
Eu já constrangido, sem saber o que dizer, pensei até em sair da fila do caixa rápido. Então Renata o puxou pelo braço, o levando para o setor de hortifruti. De lá, ele ainda falou:
— Serião, mano! Se você me der um tapa acho que eu não levanto.
Enquanto algumas pessoas riam e sorriam, eu só acenava a cabeça e tentava esconder a vergonha por trás da barba.
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O gato
Voltando da academia, um gato saltou no capô do meu carro. Quando uma moça se aproximou para pegá-lo, ele pulou em meu colo e começou a miar e a esfregar as unhas na minha barba, como se procurasse alguma coisa.
Depois de tanta insistência, e já me sentindo sem jeito diante da situação, da minha barba caiu um pedaço de pão. O gato comeu, miou, saltou e bebeu a água que a moça serviu em um potinho na calçada.
Satisfeito, deu uma última olhadela para mim e para a moça antes de correr para a escuridão, onde vi seus olhos denunciarem intenção. Estava feito! Um pneu furado e riscos na lataria.
O gato cobrou de quem o destratou. Deixou sua assinatura em uma caminhonete estacionada sob a luz bruxuleante de um poste, onde seus riscos cintilavam como faíscas de azar e sorte.
“E aí, dando muitas braçadas ainda?”
Eu na academia, terminando meu treino de mobilidade. Várias vezes, notei um cara me observando. Quando levantei, ele comentou: “E aí, dando muitas braçadas ainda?” Não entendi muito bem, mas respondi numa boa: “Sim, tudo transcorrendo normalmente.”
Quando o rapaz se afastou, só consegui pensar: “Não tenho a mínima ideia de quem seja, mas tenho certeza que esse cara me confundiu com alguém que nada aqui. Será que ele acha que todos os barbudos são iguais?”
O Rapunzel das barbas
Hoje, na clínica cardiológica, um dos técnicos, um cara bem gente boa, perguntou há quanto tempo uso barba. Então respondi que faz um ano. “Só isso, e cresceu tanto assim? Sério mesmo?” Quando confirmei, ele não escondeu a surpresa e emendou: Então você é o Rapunzel das barbas!”
A tontura e a barba
Na quarta-feira, sentindo um pouco de tontura, me consultei com um bom médico. Na quinta-feira, retornei para apresentar os resultados dos exames. Ele leu tudo e disse que aparentemente estou bem, embora tenha sugerido a realização de outros exames mais específicos. Antes de eu me despedir, ele perguntou: “Tem certeza que essa tontura não é por causa do peso da sua barba?”
O pão quente e a barba
Por volta das 17h30, minha mãe me ligou, pedindo que eu fosse ao Cidade Canção comprar pão. Chegando lá, caminhei até a padaria e perguntei para a atendente se eu poderia ver como o pão é preparado. Atenciosa, me mostrou até a lista dos ingredientes usados no pão. Sim, o pão deles não tem nenhum ingrediente de origem animal. Satisfeito, caminhei em direção ao caixa.
Enquanto o pão quente soltava fumaça, ela sorriu e disse que talvez fosse melhor colocar o saco de pão dentro de uma sacola plástica. “Ah, é perigoso amassar”, justificou. Falei que não era necessário.
Após uma breve caminhada, assim que abri a porta do carro, me dei conta que a minha barba estava quente, defumada e com cheiro de pão. Mais de 30 minutos depois, ainda me sinto como se estivesse na padaria.
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Em frente à Santa Casa
Hoje, caminhando em direção à recepção da Santa Casa, uma mulher olhou para mim e falou para a amiga: “Nossa! Que barba mais linda!” Pensando que poderia ser uma piada, segui meu caminho ao me lembrar da criança que ontem me entregou um prestobarba no mercado.
O peso da sua barba
Na quarta-feira, sentindo um pouco de tontura, me consultei com um bom médico. Na quinta-feira, retornei para apresentar os resultados dos exames. Ele leu tudo e disse que aparentemente estou bem, embora tenha sugerido a realização de outros exames mais específicos. Antes de eu me despedir, ele perguntou: “Tem certeza que essa tontura não é por causa do peso da sua barba?”
“Esse é bom! Muçulmanos sabem!”
Fui ao mercado há pouco. Chegando lá, apertei o botão do alarme do carro e nada. Não funcionou. Então me dei conta que o pressionei com tanta força que o botão afundou. Tentando resolver a situação, notei algumas pessoas me observando por causa da minha barba. Não consegui evitar de pensar: “Agora, além de terrorista, vão achar que sou ladrão.”
Depois, no setor de hortifruti, comecei a analisar alguns pacotes de romãs. De repente, cinco haitianos se aproximaram e começaram a observá-los também. Enquanto eles conversavam em crioulo, eu seguia procurando as melhores porções.
Quando eu tirava a mão de um pacote, os haitianos faziam o mesmo.
Dois ou três minutos depois, peguei em definitivo um pacote. Então um deles fez o mesmo. Assim que me afastei, ouvi alguém dizendo algo como: “Sa a se bon. Mizilman an konnen!”, que significa: “Esse é bom! Muçulmanos sabem!”
Barbas e olheiras

Hoje, passei a maior parte da manhã na Oficina Raspa Língua, conversando com o artista Henrique Moura
Barbas e olheiras – Os homens que não dormem. Eu e meu brother Henrique Moura. Hoje, passei a maior parte da manhã na Oficina Raspa Língua, onde o artista e criador do icônico Predo Bandeira (seu alter ego) dedica seu dia e sua noite a produzir vídeos independentes de animação.
Muitas referências, muitas colagens e muita coisa autoral da mais alta qualidade. O encontro rendeu horas de papo sério, bobagens e muito café. Disso aí vai sair uma narrativa veloz, intensa e reveladora.
Para quem quiser conhecer o cinema independente de animação da Oficina Raspa Língua, acesse: http://raspalingua.com/site/

