David Arioch – Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

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Sobre a realidade dos animais usados como cobaias

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” Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada”

Há experiências com animais que fazem parte da categoria comportamento e aprendizado. Nesse caso, animais usados como cobaias são submetidos a isolamento social, alimentar, desidratação severa e privação de sono que podem durar dias, semanas, meses ou anos. As pesquisas com animais que visam avaliar o comportamento e o aprendizado não humano normalmente são baseadas na abertura do crânio do animal ainda consciente e na instalação de elétrodos no cérebro.

Nesse ínterim, o cérebro da vítima é manipulado como um brinquedo. Em muitos casos, uma porção do cérebro do animal é cortada e descartada; e ele é obrigado a encontrar alguma saída em um labirinto, por exemplo, mesmo incapaz de reagir naturalmente. Também é mantido sobre plataformas por dias, mas como sempre há água embaixo, o animal evita dormir com medo de cair e morrer afogado. Somente depois de muitos episódios de vivissecção que culminam em traumas extremos, ele entra em estado vegetativo. Como já não responde satisfatoriamente aos estudos, é descartado como lixo.

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Woody Harrelson: “Todos os anos, dezenas de milhares de animais sofrem e morrem em testes laboratoriais de cosméticos e produtos domésticos”

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Harrelson: “Por favor, junte-se a mim e use sua voz para falar por aqueles cujos gritos estão selados para sempre na porta dos laboratórios.”

Em 2011, o ator Woody Harrelson enviou uma carta para o chefe de gabinete do Exército dos Estados Unidos falando sobre o cruel envenenamento de macacos nas experiências realizadas pelo Exército em Aberdeen Proving Ground, em Maryland. A carta recebida pelo general Raymond T. Odierno descreveu como os macacos sofriam uma overdose forçada que incluía “sintomas de intoxicação química, incluindo convulsões, dificuldades respiratórias e descontrole intestinal”. Ele pediu ao general para interromper essa atividade brutal, a substituindo por simuladores.

“Mil desses seres complexos estão confinados em laboratórios dos Estados Unidos – alguns por até 50 anos – onde foram intencionalmente infectados com HIV/Aids e hepatite, e forçados a suportar décadas de procedimentos invasivos, medo, solidão e dor. Essa experiência infernal deixa cicatrizes emocionais ao longo da vida dos chimpanzés, e muitos deles recorrem à automutilação ou sofrem de depressão. Outros sofrem de transtornos psicológicos por anos após o trauma de ter suas mentes e corpos violados.”

Woody Harrelson em campanha que culminou no fim do uso de chimpanzés em experiências militares nos Estados Unidos.

“Todos os anos, dezenas de milhares de animais sofrem e morrem em testes laboratoriais de cosméticos e produtos domésticos, apesar dos resultados não ajudarem a evitar o uso indevido e acidental desses produtos. Por favor, junte-se a mim e use sua voz para falar por aqueles cujos gritos estão selados para sempre na porta dos laboratórios.”

Woody Harrelson em registro da Animal Liberation Front (ALF).

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A vivissecção também ensina valores antropocêntricos e especistas, de que animais são objetos que podem ser jogados fora

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“Para que a pesquisa continue, é preciso afastar qualquer sinal de compaixão, e acreditar que eles são objetos, não seres vivos”

Os animais são usados há cerca de 300 anos em uma prática bastante consolidada dentro das instituições de ensino. A maioria das pessoas não sabe, mas para a formação de biólogos, profissionais da área de saúde, geralmente eles são obrigados a passar pela prática de vivissecção, que consiste basicamente em causar um dano ao animal, ou abri-lo ainda vivo.

Ou então usar o cadáver de um animal que foi sacrificado ou morto para aquele tipo de prática pedagógica, para ilustrar conhecimentos que já são sabidos. Vivissecção quer dizer “cortar vivo”, mas esse termo é aplicado hoje a qualquer forma de experimentação animal. A partir do século XIX essa prática se intensificou, e hoje é uma poderosa indústria que produz equipamentos e o que eles chamam de “produtos”.

É comum o uso de cachorros para ilustrar o sistema cardiorrespiratório. É uma prática de fisiologia bastante antiga e tradicional, que consiste em anestesiar um cão, abri-lo, e injetar algumas substâncias para ver como o sistema cardiorrespiratório responde a diferentes substâncias. Então isso é um exemplo dentro de uma série de outros que implicam técnicas de sutura, injeção de “n” substâncias, provocação de queimaduras, indução de fome, indução de estresse.

Depois que eu cumpro com os objetivos da prática, eu jogo o animal no lixo. Geralmente são animais saudáveis, provenientes de biotérios, que são lugares dentro das instituições que criam os animais para essas finalidades. Em alguns casos, esses animais são provenientes de centros de controle de zoonoses.

Peças, encomendas, produtos, modelo, material de estudo – são resumidos a isso. Para que a pesquisa continue, é preciso afastar qualquer sinal de compaixão, e acreditar que eles são objetos, não seres vivos. No começo, o estudante pega um animal, corta e se sente mal com aquele ato. Um desconforto moral, um desconforto físico. Mas se sente mal. Com a repetição, ele já passa a sublimar isso.
Então no final do curso, ele já está cortando numa boa, sem qualquer problema. Então o que é isso? Isso é um processo de dessensibilização pelo qual o estudante passa. No final, ele está mais frio em relação à vida. Ele já “coisificou” a vida na frente dele.

Quando eu corto um cachorro para estudar anatomia, eu aprendo muito mais do que anatomia. Aprendo os valores antropocêntricos e especistas, de que aquele animal é um objeto que eu posso jogar fora. Existe uma série de conteúdo ocultos que são transmitidos de arrasto à prática, e que não estão explicitados no currículo oficial, mas eu aprendo.

Um dia, a gente estava aprendendo a dar injeção em uma égua. Havia 200 alunos dando injeção nela, até que chegou um momento em que um aluno acertou a jugular dela e estourou uma veia. Começou a sangrar muito, e uma das alunas foi lá e começou a estancar o sangue. Só que veio o resto e começou a aplicar do outro lado, e a professora incentivando: “Não! É assim!” Foi horrível! A gente tem dez professores e sete deles falam: “Gente, tadinha nada! Eles estão aqui pra isso!” Nenhum vem dar uma força e falar:

“Não! Eu também acho que isso é errado.” Nenhum! E falam: “Nós temos que sacrificar alguns animais para que vocês possam salvar outros na profissão.” Isso acontece porque a estrutura da universidade está de tal maneira interpenetrada dessa recomendação atribuída a Claude Bernard, de que o cientista para agir profissionalmente ele tem que ser frio em relação ao trato com os animais, que você falar em piedade, dó, compaixão, não combina.

Fui treinado para salvar vidas, e de repente vou lá e uso um cachorro para um aluno aprender a fazer uma cirurgia no estômago e mato o cachorro. No dia seguinte, estou salvando um cachorro naquela mesma cirurgia. Adiantou eu operar? Matei um para salvar o outro. É como um médico operar um cara lá e matar o sujeito para aprender a salvar outro.

Não tem muito critério para utilizar esse método, usa porque é mais fácil. Tem um canil atrás da faculdade, eles pegam um cachorro onde é conveniente, levam para o laboratório e não precisa fazer nenhum esforço. Atualmente, o pessoal do segundo ano [de medicina] está fazendo a primeira experiência com os ratos, que é aquela de injetar estricnina no estômago ou no intestino, e os ratos começam a ter convulsões; alguns ficam com as entranhas todas para fora – intestino, estômago.

O rato morre, mas antes fica convulsionando até o final. O pessoal está me mandando mensagem [agora] de como foi a experiência, o que isso adicionou. Pelo menos quem está escrevendo aqui não ficou satisfeito com esse tipo de aula. Em síntese, você ensina o aluno a ter preconceito com os diferentes. O animal é diferente dele: “Eu tenho autoridade de sacrificá-lo.”

Thales Tréz, biólogo e professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal).

Ana Paula de Sá, estudante de medicina veterinária da Universidade Anhembi Morumbi

Irvênia Prada, professora titular emérita da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

Marco A. Gioso, professor do departamento de cirurgia da FMVZ.

Carlos Bustamante, estudante da Faculdade de Medicina do ABC.

Odete Miranda, cardiologista e professora da faculdade de medicina do ABC.

Excertos de “Não Matarás”, documentário lançado em 2005 pelo Instituto Nina Rosa. O filme critica a vivissecção, os testes em animais, ao revelar como os seres não humanos são explorados de forma desnecessária e cruel em um contexto de banalização da vida animal.

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Quando fizer compras, priorize produtos não testados em animais

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Foto: Jo-Anne McArthur

Quando fizer compras, priorize produtos não testados em animais, e valorize empresas com essa preocupação. Acredite, há opções, inclusive mais baratas. Do contrário, financiamos o sofrimento de outros seres vivos, como o registrado pela fotógrafa canadense Jo-Anne McArthur. Mais do que nunca, a realização de testes em animais é desnecessária, e há inclusive ONGs, como a Cruelty Free International, que oferecem alternativas e dão consultoria para acabar com esse sofrimento imposto aos animais.

Logo abaixo, você pode fazer o download de uma lista de produtos criada e disponibilizada pelo grupo vegano TrollAjuda, do Facebook:

https://www.4shared.com/office/7VaGaKBYei/Lista_Atualizada_de_Produtos_L.html

Tom Regan: “Não há justificativa para causarmos dor aos animais”

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“O direito à vida pertence não apenas aos seres humanos, mas também aos animais que exploramos”

Regan foi um importante filósofo da teoria dos direitos animais

Falecido em 17 de fevereiro de 2017, Tom Regan foi um importante filósofo da teoria dos direitos animais. Professor de filosofia da Universidade Estadual da Carolina do Norte, onde lecionou por 34 anos. Conquistou prestígio internacional por sua produção prolífica voltada ao abolicionismo animal. Em 2006, Regan teve o seu livro “Empty Cages”, ou “Jaulas Vazias”, publicado no Brasil.

Na obra, o filósofo diz que o que ele aprendeu ao longo da vida sobre direitos humanos provou ser diretamente relevante para a sua reflexão sobre os direitos animais: “Se os animais têm direitos ou não depende da resposta verdadeira a uma pergunta: Os animais são sujeitos-de-uma-vida? Esta é a pergunta que precisa ser feita sobre os animais porque é a pergunta que precisamos fazer sobre nós.”

Segundo Tom Regan, não podemos nos colocar diante do mundo e declararmos que o motivo pelo qual nós enquanto seres humanos temos direitos é porque somos igualmente sujeitos-de-uma-vida, mas outros animais, que são exatamente como nós enquanto sujeitos-de-uma-vida, bem, eles não têm nenhum direito.

“Isso seria como se colocar diante do mundo e gritar: ‘Um Volvo não é um carro porque um Volvo não é um Ford!’ Ninguém quer ser, nem parecer, tão idiota. Então, eis nossa pergunta: Entre os bilhões de animais não humanos existentes, há animais conscientes do mundo e do que lhes acontece? Se sim, o que lhes acontece é importante para eles, quer alguém mais se preocupe com isso, não é? Se há animais que atendem a esse requisito, eles são sujeitos-de-uma-vida. E se forem sujeitos-de-uma-vida, então têm direitos, exatamente como nós. Devagar, mas firmemente, compreendi que é nisso que a questão sobre direitos animais se resume”, argumenta na página 77 de “Jaulas Vazias”.

Em “The Case for Animal Rights”, de 1983, o filósofo escreveu que não faz sentido usar o argumento de que os seres humanos podem subjugar outros animais, já que o leão faz o mesmo para a sua sobrevivência. Tom Regan usou como argumento o fato de que os leões não têm conhecimento da dor que causam à sua presa. “Na verdade, precisamente porque se espera a indiferença dos animais, mas piedade ou misericórdia dos seres humanos, pessoas que podem ser cruéis quando insensíveis ao sofrimento que causam, e muitas vezes são chamadas [pejorativamente] de ‘animais’ ou ‘brutos’”, observa.

Um exemplo clássico da conduta humana cotidiana em minimizar o valor da vida animal é dizer que os piores assassinatos parecem trabalho de animais, pela ausência de piedade. Porém, os animais não fazem isso por um prazer sádico, ao contrário de quem comete um assassinato bárbaro.

Regan faz oposição aos animais explorados nos laboratórios quando afirma que eles não são um “recurso” cujo status moral no mundo é servir aos interesses humanos. Eles próprios são sujeitos-de-uma-vida que pode ser melhor ou pior para eles como indivíduos, logicamente independente de qualquer utilidade que possa ter ou não relação com os interesses dos outros”, defende.

Quando reduzimos o valor dos animais aos interesses humanos, como ocorre na indústria da exploração animal, somos injustos, porque violamos o direito moral básico que é tratar outras vidas sencientes com respeito. Segundo Regan, há leis que legitimam os testes em animais, mas por outro lado não mostram a contradição de que como esses experimentos são moralmente toleráveis.

Para o filósofo, isso prova que as próprias leis são injustas e devem ser mudadas. E mais, que essa perspectiva científica, do ponto de vista dos direitos animais, é anti-científica e anti-humana. Nós, como humanos, temos o direito de garantir que ninguém seja prejudicado. Isso é algo que a perspectiva de direitos visa iluminar e defender, colocando como desafio para farmacologistas e cientistas a busca de formas científicas que sirvam ao interesse público sem violar os direitos individuais.

Regan declara que a farmacologia tem como responsabilidade primária a redução de riscos para quem usa drogas lícitas; e deveria sempre alcançar isso sem prejudicar aqueles que não as usam. Não se empenhar nisso é a reafirmação de uma conduta verdadeiramente anti-científica. Pretensamente, cientistas dizem que a maior justificativa para a realização dos testes de toxicidade em animais são os benefícios que podem se estender tanto a humanos quanto a animais. Como podemos falar em benefício para os animais quando os prejudicamos na criação de um produto farmacológico?

“Esses testes violam os direitos dos animais. […] Os benefícios que esses testes proporcionam aos outros são irrelevantes de acordo com a visão de direitos, uma vez que os testes violam os direitos individuais dos animais. Os animais de laboratório não são nossos provedores, e nós não somos seus reis. […] Não devem ser tratados como meros recipientes ou como recursos renováveis”, argumenta o filósofo em “The Case for Animal Rights”.

Sem fazer concessões, Regan deixa claro que os testes em animais devem ser findados, isto porque o valor dos animais não deve ser baseado na sua utilidade em relação a interesses que não são deles. “Também há algumas coisas que não podemos aprender usando humanos, se respeitarmos seus direitos. A visão de direitos requer consistência moral a este respeito”, pondera. Sendo assim, para o filósofo a ciência que prejudica rotineiramente os animais em busca de seus objetivos é moralmente corrompida, porque é injusta no seu núcleo.

Tom Regan cita ainda médicos veterinários como profissionais que deveriam inspirar exemplo para a sociedade no cuidado com os animais. Porém, a realidade é bem diferente. Regan enfatiza que encontrar tantos profissionais da área prestando serviços para indústrias que violam rotineiramente os direitos animais é desalentador.

Em “All That Dwell Therein”, publicado em 1982, o filósofo estadunidense diz que tanto o direito moral de não sofrer quanto o direito à vida pertencem não apenas aos seres humanos, mas também aos animais que exploramos e comemos. A justificativa de que os humanos gostam de carne, e por isso a comem, não é aceitável porque ignora o direito à vida de seres sencientes. Ademais, mesmo que o “abate humanitário” se estendesse a todos os animais reduzidos a produtos de consumo, isso jamais asseguraria que seus direitos não fossem violados.

E a realidade hipermoderna é a maior prova de como ainda há muito a ser feito para que os animais sejam vistos como sujeitos-de-uma-vida. No século 20, o apetite humano pelo consumo de carne se tornou tão exagerado que deu origem aos métodos intensivos de criação de animais. Ou seja, práticas que asseguram que a maior quantidade de carne seja produzida no menor período de tempo e com as menores despesas possíveis. Assim, muitos animais foram e são obrigados a viver em condições de lotação e sem a possibilidade de manifestar seus desejos naturais.

Tanto em termos de dor física quanto psicológica, não há dúvida de que não raramente os animais experimentam uma realidade imerecida. E conforme nos alimentamos da carne desses animais, ajudamos a criar demandas cada vez maiores de métodos de criação intensiva. Basicamente, financiamos a privação e o sofrimento animal quando compramos e consumimos carne.

Temos o costume de acreditar que uma prática cultural, por pior que seja, sempre tem algum respaldo moral. Afinal, se muitos a praticam é porque é no mínimo socialmente aceitável. Só a partir do momento que são apresentadas as falhas dessa suposta moralidade que as pessoas começam a refletir e a se questionar. E nesse percurso, muitos sempre lutarão para que essa prática não seja vista como imoral, por saber que a imoralidade exige mudanças; que deve ser suprimida, principalmente quando há muitos prejudicados.

“Somos sempre tentados a negar que os animais sentem dor e, embora pareçam sofrer, diremos que eles realmente nunca o fazem. […] Que evidências precisaríamos além de seus gritos, gemidos, corpos e olhar desesperado? De minha parte, não sei o que mais poderia exigir. […] E uma linha de argumento semelhante pode ser dada, penso eu, ao considerar a visão de que os animais têm experiências agradáveis que, embora possam ser de baixo nível em comparação com, digamos, as alegrias da filosofia ou êxtase da visão beatífica, ainda assim são prazeres”, escreveu Tom Regan em “All That Dwell Therein”.

No entendimento do filósofo, se é justo evitar que um ser humano, que também é animal, sofra imerecidamente, levando em conta que a dor é má e o ser humano é inocente, portanto não merece o mal que recebe, então não há justificativa para causarmos dor aos outros animais. “Todos nós temos motivos para supor que restringir os conceitos de tratamento justo e injusto aos seres humanos é um preconceito”, enfatizou.

Saiba Mais

Tom Regan nasceu em Pittsburgh, na Pensilvânia, em 28 de novembro de 1938.

Referências

Regan, Tom. Empty Cages. Rowman & Littlefield Publishers (2005).

Regan, Tom. The Case for the Animal Rights. University of California Press (1983-2004).

Regan, Tom. All That Dwell Therein.  University of California Press. First edition (1982).

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Guatemala proíbe testes em animais e aprova leis que criminalizam outros abusos

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Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país

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Teste em animais passa a ser considerado crueldade contra animais (Foto: Arzte Gegen Tieversuche)

Na semana passada, o Congresso da Guatemala aprovou um pacote de leis proibindo uma série de abusos contra animais. Por enquanto, uma das mais importantes foi a proibição da realização de testes em animais na indústria cosmética. Considerada uma conquista histórica, a lei promete melhorar a vida dos animais no país.

Além de evitar que animais sejam usados pela indústria cosmética, também passa a ser considerado crime qualquer abuso contra animais selvagens e animais de companhia, incluindo uso de animais em circos e lutas de cães. Sobre essa conquista, a CEO da Cruelty Free International, Michelle Thew, disse que conforme países como a Guatemala caminham em direção ao futuro há um ímpeto maior em torno de uma adesão global.

“A única maneira de garantir que nenhum animal sofra nessa indústria é por meio da proibição global, proibindo em todos os lugares. O próximo passo é que a ONU tome uma iniciativa decisiva e adote uma convenção internacional que ajude a acabar com esses testes antiquados e cruéis para sempre”, declarou. A Cruely Free International é uma organização que já ajudou mais de 30 países a proibirem testes em animas.

O novo conjunto de leis aprovado pelo Congresso da Guatemala contou com consultoria da Humane Society International (HSI), que tem experiência em legislação voltada à proteção de animais. “A lei enfraquece quem pratica crueldade contra os animais, estabelecendo multas e exigindo que o governo lide com os casos de abuso”, declarou a gerente global de campo da HSI, Cynthia Dent, no site da organização.

A nova legislação também prevê a esterilização e castração de animais, assim diminuindo principalmente a população de cães abandonados. O abandono de animais também passa a ser considerado crime, assim como a caça de animais selvagens.

“A lei cria uma plataforma oficial de governo para tratar do bem-estar animal”, informou o presidente da Humane Society, Wayne Pacelle.  A HSI, que continua prestando consultoria ao governo guatemalteco, já ajudou o estado do Pará a banir o teste em animais. No Brasil, a organização também trabalha com programas de eliminação de práticas de confinamento intensivo de animais de produção e com a campanha “Segunda Sem Carne”.

Ajuda

Participe da campanha da Cruelty Free International para banir mundialmente o teste em animais na indústria cosmética:

https://e-activist.com/page/6541/data/1?ea.tracking.id=web

Referências

https://www.crueltyfreeinternational.org/guatemalan-congress-approves-animal-testing-ban

http://blog.humanesociety.org/wayne/2017/02/guatemala-passes-omnibus-anti-cruelty-law-striking-blow-against-wide-range-of-practices.html?credit=blog_post_030317_idhome-page

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